quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

por isso eu sou...

...um filho-de-puta sentimental. há dias em que fico mesmo farto de mim.

[correntes 2009] o meu outro lado

a primeira coisa que fiz quando cheguei à póvoa foi sair do hotel e caminhar à beira-mar. faltavam poucos minutos para as sete e a avenida do mar estava praticamente deserta. um vento forte, vindo do mar, despenteava-me os poucos cabelos da cabeça. eu sei, eu já nasci algumas vezes aqui na póvoa. e, neste momento, estou a nascer outra vez.

[correntes 2009] amigos

o valter e o jorge marmelo já chegaram. para um, a novidade de ontem ter atravessado, pela primeira vez, o coração de vila do conde. para outro, a satisfação de ver o ramaldense num estádio do europeu.

[correntes 2009] almoços

ao almoço, no tourigalo, carlos quiroga vai inventando, comigo, uma ficção sobre a demora da comida, da sobremesa, do café. estamos ao fundo da sala, disseram-nos que seria necessário despachar-nos para não perder a sessão seguinte, mas os empregados do restaurante não parecem muito dispostos a colaborar. a ideia de comermos à pressa ou de queimarmos a língua com os cafés vai animando o resto da mesa. felizmente, deu tempo para tudo.

[correntes 2009] ainda existem homens assim

António Sarabia está farto de algumas palavras como democracia (usada pelos fascistas da extrema-esquerda e da extrema-direita como justificação para as suas acções) ou liberdade (lembrando que se invadem países usando como argumento a liberdade). segundo ele, aos escritores, cabe reinventar o significado destas palavras. um grande aplauso.

[correntes 2009] um profundo silêncio

Rui Cardoso Martins reposiciona-nos a todos, intensamente. termina a sua intervenção com a citação que era lema da sua mulher Tereza Coelho, recentemente falecida: "se isto fosse fácil, não seria para nós"

[correntes 2009] a maria teresa

sempre que falo com a maria teresa horta, há qualquer coisa no tempo que pára, como se fosse possível pairar sobre todo o conhecimento do mundo. ao pequeno-almoço, fiquei a conversar com ela sobre livros e paixões. eu fiquei estarrecido e encantado, com os lugares onde as palavras dela me levam. acho que a isso se chama aprender.

velho tópico

é um velho tópico da literatura (estou a chamar literatura à história do género humano): não consigo viver contigo, não consigo viver sem ti. tudo me bate forte e seriamente. e não sei, sequer, se consigo esconder o vermelho dos meus olhos, tão desabituados que estavam ao sol.

[correntes 2009] novotel vermar

subo para o quarto cedo, cansado, mas sem sono acabo por me agarrar ao caderno, a deitar fora algumas palavras, o que me deixa ainda mais insatisfeito. "ainda estou a aterrar", foi a frase que repeti mais vezes, talvez incapaz de esconder o atrofio dos músculos, depois de três horas a conduzir. deito-me a ler o livro da helena vasconcelos, o que acaba por me acalmar até ao sono. ando maravilhado pela forma de entrar nos livros sobre tão diversas infâncias, trazendo para o texto um mapa do que pode ser a literatura. eu gosto de mapas, sempre gostei de mapas. sempre gostei de me imaginar a viajar dentro das linhas que representam as estradas, tantas vezes mais do que fazer a própria estrada. sou avesso a riscos, acho eu.

quando o cuenca ontem me convidou para fugir até ao porto, respondi-lhe que sou um rapaz da aldeia, que não gosto dessas aventuras. acho que, pela primeira vez, consegui dizer aquilo que realmente sinto. sou um rapaz da aldeia. e acabo por me refugiar dentro do que leio e do que escrevo para conseguir sobreviver, nos vários lugares onde me desencontro, para conseguir perceber do que é feito o mundo.

não o consigo dizer de outra forma. não o consigo dizer melhor.

[correntes 2009] o colombiano não percebe

como nem deus nem o diabo me ditam seja o que for, eu escrevo sobre recordações. mas como tenho péssima memória, aquilo que escrevo, não sei se o recordo, se o invento.

Héctor Abad

[correntes 2009] o 1 da equação

o outro, na mesa, era o Michael Kegler. apresentou por cá a antologia de poesia Hoter Ver Mar, uma edição bilingue (português- alemão), lançada pela TFM (a editora do Teo Ferrer Mesquita). um livro feito de afectos.

[correntes 2009] caminho + 1

durante a noite foram apresentados seis livros da editorial caminho. uma oportunidade para ficar a conhecer o daniel galera e o amílcar bettega, de rever o manuel rui e o patraquim, de escutar as sempre encantatórias palavras do ondjaki e, por último, de perceber que o cuenca é como um matador - na hora de entrar no grande palco, ele revela a espada escondida debaixo da casaca, e dá a estocada final. em uma palavra, dominou.

[correntes 2009] o tipo do jornal das letras

o meu amigo ricardo duarte anda constantemente em busca do segredo perdido. ontem, sentados lado a lado durante a hora do jantar, conversamos um pouco sobre tudo. um dos segredos da minha vida, acabou, pela sobremesa, de ser divulgado no twitter dele (sim, porque há quem o saiba usar).

[correntes 2009] twitter

o manuel valente, que acaba de aderir ao twitter, pede-me algumas informações sobre como o utilizar, logo a mim, que não tive tempo de estudar o suficiente sobre o assunto. por isso mesmo, a actualização é feita aqui, pelo blogue. num directo diferimento da realidade.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

[correntes 2009] e o vencedor é...

Gastão Cruz.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

3 anos

esta casa faz hoje 3 anos. pensei, durante algum tempo, que isso justificaria algum tipo de discurso, justificação, celebração. mas não, são três anos, nada mais.

amanhã continuo por cá.

excerto da grande jogada de Carlos Reis, em entrevista ao Público, que culmina num golo memorável

Carlos Reis finta...

há muitos professores - não só, mas principalmente os que saíram dos institutos politécnicos - que foram formados à luz de uma concepção... eu diria... muito desenvolta, muito expedita do que é falar e escrever em português

Carlos Reis corre...

Terão excelentes explicações - não têm tempo, o trabalho na escola está muito burocratizado... -, mas isso não resolve o problema. Para termos alunos que gostem de ler são precisos professores que gostem de ler, que entendam a literatura como um domínio de representação cultural com uma grande dignidade e com uma enorme capacidade de nos enriquecer do ponto de vista humano

Carlos Reis chuta...

Aquela coisa de "se o menino erra tem de se valorizar o erro, a expressividade...". Sou completamente contra isso. Um erro é um erro, em Português como em Matemática. Se no discurso corrente, quotidiano, o sujeito não concorda com o predicado, isso é um erro

Carlos Reis marca!

Mas está à vista que a hipervalorização, às vezes até um bocadinho provinciana, das tecnologias traz consigo lacunas consideráveis na forma de olharmos para o outro, de pensarmos no que é justo ou injusto, no que é solidário e não o é, no que é bonito e no que é feio - e que encontramos na Literatura, na História, na Filosofia.... A recuperação do atraso científico e tecnológico não deve ser feita à custa da desqualificação - política, até - de outras componentes da nossa cultura

A entrevista completa no Público de hoje.

isto faz mais pela auto-estima dos portugueses que qualquer injecção monetária em bancos

Impressionam os dados relativos à vida sexual do lince-ibérico. Apenas em escassos dois meses durante o ano, o animal consegue estabelecer relações sexuais. Porém, com tal apetite que, em 48 horas, copula 80 vezes. Metade desse tempo reserva-o para dormir.

A notícia completa, no DN.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

e agora quem vai defender o "minino"?

as cores dos dias

cinza cinza cinza cinza cinza cinza cinza até não se poder mais...