Esta noite o frio no quarto, a comichão na perna,
ignorar a insónia que se aproxima calmamente,
o corpo perdido pelos labirintos, o meu corpo,
ser capaz de murmurar meu pai e soltar o choro.
Esta noite o frio no quarto, a mesa desarrumada,
a televisão ligada no mesmo programa ignorante
e a rádio que vai ficando sem pilhas a desligar-se,
sem saber as horas, sem fechar os olhos.
Esta noite o frio no quarto, o delírio dos meus dentes
a inventar palavras rangidas insensatas,
o mesmo destinatário para toda a correspondência,
o mesmo rebolar sem sentido entre almofadas.
(...)
Há 18 horas