quando crescer quero ser fantasma
penso isto ao escutá-los a jogar às escondidas
ou quando me levam à igreja
e os vejo a apanhar sol na praça
quando crescer quero ser fantasma
e penar nas bibliotecas
não ter fome nem sede nem sono
não perder tempo na cama
nem entabulando conversas estúpidas
todos os fantasmas são inteligentes
poderei soprar as ideias que me ocorram
escrever sonhos
e ler-los
quando os vivos estiverem a dormir
Galo Ghigliotto
(1977, Chile)
Traduzido por Luís Filipe Cristóvão
(...)
Há 19 horas