segunda-feira, 23 de outubro de 2006

uma mulher. a rua.

corria pelo passeio com os cabelos soltos enquanto do outro lado da estrada alguém se deixava tombar de joelhos em frente a uma montra - era uma pequena cidade onde aconteciam coisas e onde as pessoas gostavam de olhar uma e outra vez o céu, até nos dias em que o nevoeiro parecia queria, mais que o sol, tapar-lhes o tubo de respiração do cérebro.

corria pelo passeio com os cabelos soltos e nem se apercebia do burburinho que a perseguia pela rua acima, um amontoado de vozes que, assim a correr, mal se percebiam, mas que se em algum instante ela parasse logo perceberia que o que as vozes faziam era chamar pelo seu nome, ou melhor, chamar pelo nome que imaginavam dela, apesar de todas estarem enganadas.

corria pelo passeio com os cabelos soltos e a sua ânsia era chegar à estação a tempo de ver chegar, lá ao fundo, o comboio, no exacto momento em que ele saísse do pequeno túnel que separava a cidade dos arredores da cidade, sim, porque aqui é assim que funciona, as coisas que estão ligadas, muitas vezes só têm pequenas passagens por onde se tocar.