carne da minha carne, não voltarei a estender lençóis para me deitar neles a rezar-te a existência, antes cobrir o meu corpo de água límpida que escorre da fonte da praça da cidade que me viu nascer, porque talvez seja esse o desejo dos planetas.
sangue do meu sangue, não voltarei a estender os meus lábios para te beijar os pés sobre alguma tábua, antes descer pela terra furando as pedras e as rochas do chão que foi pisado por todas as impurezas, porque talvez seja esse o desígnio dos planetas.
pele da minha pele, não voltarei a deixar os meus olhos no canto em branco de uma qualquer página, antes correr descalço pela noite em chuva e gelo que me corroam as unhas e me constipem a confiança, porque talvez seja esse o ventre do nosso renascimento.
(...)
Há 19 horas