para Luísa o amor não é urgente: desce devagar pelas escadas quando nasce o sol e procura, entre o cheiro das torradas, o calor de umas palavras emitidas em frequência modelada. gosta de se passear em roupão pela casa, Luísa, enquanto ouve o ladrar dos cães da vizinhança e a buzina do peixeiro entrando pela aldeia.
para Luísa o amor não é urgente: é como a chuva sobre as longas vinhas que avista pela janela, a cair fraca sobre as uvas brilhantes de vinho e álcool em preparação. gosta de colocar os óculos escuros enquanto ajeita o cabelo, Luísa, e vê passar pela estrada fronteira à sua casa, um velhote pendurado num tractor alaranjado.
para Luísa o amor não é urgente: não usa calendários nem pergunta as horas a ninguém, mesmo que seja já quase de noite e o trinco da porta subsista adormecido em silêncio. gosta da pequena ansiedade de todos os dias, Luísa, enquanto, perfumada e arranjada, espera, praticamente deitada no sofá da sala, a chegada do amor.
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Há 18 horas