era eu ou então era o jarvis cocker a entrar pela sala com os joelhos a tocarem-se nas pernas tortas - era a entrevista do j.p.simões e a sua falta de alegria em cada frase construída e arrastada no fumo do cigarro - era uma natalia russa a queixar-se da sorte sem saber a sorte que tinha - era uma noite em branco e abrir muito os olhos para ser só lágrimas a cair dos olhos.
era eu ou então era o juliano spadaccio a correr em direcção ao abraço de todos os seus colegas de equipa - uma loja vazia e um caixa a festejar um golo silenciosamente - já ser de noite e a minha filha a puxar-me a mão para irmos para casa - era uma noite em branco sentado em frente à janela a ver a chuva cair no chão sujo da varanda.
era eu ou então era um disco guardado numa gaveta porque as músicas são tristes - um número de telefone que nunca se usa mas que também nunca se esquece - um vizinho a vociferar idiotices porque nos caiu um prato de madrugada - era uma noite em branco, uma noite em branco como tantas outras, com os mesmos sonhos e pesadelos que me fazem dizer: sim, este mundo é meu.
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Há 19 horas