vamos lá começar isto do princípio, de um lugar onde te possas sentar numa cadeira, tirar as canetas do saco e começar a fazer riscos em cima de riscos até que eu te olho por cima do ombro, com um beijo, e nos descubro aos dois, abraçados, com o papel a adivinhar-nos os gestos como um espelho.
vamos lá, voltar a colocar os livros nos seus lugares reservados nas prateleiras, escolher de entre os papéis os que merecem ser deixados dentro de gavetas, varrer, aspirar, abrir as janelas, deixar o sol entrar para dentro da sala, ajeitar as almofadas no sofá, deitar-me ao teu lado, abraçar-te.
e um pouco mais tarde, procurar um casaco e passear pelo jardim de mão dada contigo, saborear o som dos sapatos sobre a terra que desenha percursos entre relvas, sentir a cheiro fresco das árvores, procurar o jornal certo na papelaria, e seguir, seguir, sempre sempre de mãos dadas um ao outro.
e um pouco mais tarde ainda, um sorriso do tamanho do mundo inteiro, um descanso feliz, sim, isso, sim.
(...)
Há 18 horas