quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

na encruzilhada


foi ontem divulgada a notícia de que a Campo das Letras encerrará no final deste mês. Jorge Araújo, um dos decanos da edição portuguesa, viu-se obrigado a dar a cara pelo fim do seu projecto editorial, fundado em 1994, que desde o início se caracterizou por ser uma casa onde a afirmação da liberdade imperava, apostando na qualidade das suas propostas em diversos temas, em novos autores, e também na defesa e divulgação de temáticas locais, nomeadamente da cidade do Porto. a Campo das Letras era uma editora como as editoras devem ser: com uma posição ideologica definida, amante dos livros, curiosa em relação às novas tendências, apaixonada pela sua terra e pelas coisas e pessoas que nela habitam. mas a Campo das Letras foi apanhada na encruzilhada. primeiro, pelas dívidas deixadas após a falência do seu distribuidor, o que significou um peso enorme em cima da sua estrutura. depois, pelo abandono de um seu parceiro, comprado por um aglomerador editorial, o que significou o desaparecimento de uma sustentação possível. perante este cenário e numa época em que as soluções de apoio a empresas que se importam com pessoas e não com lucros escasseiam, a Campo das Letras vai acabar.

restarão nas prateleiras e na memória de tantos, os livros que disponibilizou. restarão nas palavras e nas intenções de muitos, pensar que algo poderia (e merecia) ter sido feito. o que não restará é a Campo das Letras, para nos oferecer novos livros, ideias e sonhos.

Sem comentários:

Enviar um comentário