quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

[correntes 2009] novotel vermar

subo para o quarto cedo, cansado, mas sem sono acabo por me agarrar ao caderno, a deitar fora algumas palavras, o que me deixa ainda mais insatisfeito. "ainda estou a aterrar", foi a frase que repeti mais vezes, talvez incapaz de esconder o atrofio dos músculos, depois de três horas a conduzir. deito-me a ler o livro da helena vasconcelos, o que acaba por me acalmar até ao sono. ando maravilhado pela forma de entrar nos livros sobre tão diversas infâncias, trazendo para o texto um mapa do que pode ser a literatura. eu gosto de mapas, sempre gostei de mapas. sempre gostei de me imaginar a viajar dentro das linhas que representam as estradas, tantas vezes mais do que fazer a própria estrada. sou avesso a riscos, acho eu.

quando o cuenca ontem me convidou para fugir até ao porto, respondi-lhe que sou um rapaz da aldeia, que não gosto dessas aventuras. acho que, pela primeira vez, consegui dizer aquilo que realmente sinto. sou um rapaz da aldeia. e acabo por me refugiar dentro do que leio e do que escrevo para conseguir sobreviver, nos vários lugares onde me desencontro, para conseguir perceber do que é feito o mundo.

não o consigo dizer de outra forma. não o consigo dizer melhor.

Sem comentários:

Enviar um comentário