sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

[correntes 2009] millás (2)

Juan José Millás não é apenas cara de velório. é também um daqueles escritores que, ficando nós na dúvida se o faz de propósito ou se lhe é inevitável, nos conquista para os seus livros sem falar neles. a apresentação do seu livro foi, resumidamente, esta anedota:

uma família deseja muito ter um filho e, como concetrava nele todas as esperanças futuras do clã, decidiu dar-lhe o nome de Formidável. no entanto, o pequeno Formidável, para além de estar sempre doente, era enfezado e pequenino. assim, na escola toda a gente gozava com o seu nome, Formidável, tão longe daquilo que ele era realmente. quando cresceu, no escritório, continuou a ser gozado pelo seu nome, e sofria com os seus colegas que lhe chamavam Formidável sempre com ar de gozo.

no seu leito de morte, a sua mulher perguntou-lhe qual seria o seu último desejo. ele respondeu-lhe "só desejo uma coisa: que na minha lápide não escrevas o meu nome. respeitando a vontade do falecido, a sua mulher deixou esta dedicatória na campa: Aqui jaz um homem que amou e foi fiel à sua mulher durante toda a vida. e o que resultou disto foi que, no cemitério, toda a gente que passava junto à campa e olhava para a lápide e não conseguia deixar de exclamar: é formidável!

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