sábado, 24 de janeiro de 2009

uma hiperbólica falta de hype

uma das características do ser português é a revolta interior contra o sucesso alheio: há sempre alguém que tem mais sorte e mais padrinhos a fazer exactamente a mesma coisa que nós fazemos, beneficiando assim da atenção e do carinho mediático em detrimento de nós próprios, que somos muito melhores, mas que ficamos do lado dos excluídos destes sucessos.

essa revolta interior é manifesta em artigos de opinião em jornais, em entrevistas, em blogues, nas rádios, nas ruas, nos cafés, até em casa, entre membros da mesma família. existe uma queixa generalizada sobre cunhas e padrinhos, sendo até difícil de perceber se, estatisticamente, seria possível existerem desses em tal quantidade que justificasse que Portugal andasse assim à bolina desta ideia.

faltará, ainda assim, perceber que o nosso problema não é sermos pequeninos, o nosso problema é termos uma hiperbólica falta de hype. o que significa isso? significa que nos falta ter a capacidade de nos tornarmos especiais alvo da atenção de quem promove a chamada da atenção aos outros. mesmo quando somos muito bons, temos que ser diferentes, se quisermos ter, em tempo útil (a curto prazo), um prémiozinho como uma capa de jornal ou uma entrevista na televisão.

isso é intrinsecamente mau? não, não é. ter hype é um desafio constante: pelo que se trabalha para o ter e pelas pressões que se sofrem por o não ter. há quem o tenha enquanto jovem (e aí o trabalho é menor, mas a pressão castrante), há quem o tenha enquanto velho sábio (e aí o trabalho foi imenso e a pressão, um tanto ou quanto, "cagativa"). para quem o tem na meia-idade, bem, apenas podemos aconselhar para não o gastar todo em miúdas novas.

o que não é mesmo nada produtivo é a revolta anti-hype-alheio. amigos, não vale mesmo a pena. concentrem-se no que sabem fazer e deixem o "barulho das luzes" para os outros. há momentos em que a melhor forma de se ser português é, mesmo, não se ser português tanto assim.

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