sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

os radicais descontraídos - um obituário

não podem funcionar como um exército, os seus princípios lidam mal com ideias de liderança e, muito menos, com disciplina de grupo - são apenas uns gajos atentos ao que se passa enquanto vão alimentando uma boa dose de preguiça, mesmo que isso não os impeça de serem bons profissionais ou daqueles elementos da família a quem se pode recorrer com confiança.

têm, seguramente, opiniões fortes sobre as coisas, embora também usem amaciador e compreendam que tudo é relativo - o mundo é redondo, a história circular, a longo prazo vamos estar todos mortos, etc e coiso. ainda assim, não deixam de se indignar com a força bruta que algumas pessoas põem nas coisas que precisam de ser feitas com cuidado, mas não apontam o dedo, escrevem um poema.

a história encarregar-se-á de os esquecer, convenientemente, porque gente desta não muda o destino de um país, nem é bem vista para se fazer estátua em praça ou rotunda de alguma cidade. talvez a sorte, ou a ausência de alternativas, lhes dê o nome a uma rua (isto há malucos para tudo), mas até lá, o mais certo, é pensar que serão lembrados em algumas conversas de café, nada de muito importante, em alguma noite em que não haja futebol em directo na televisão.

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