sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Livrododia Editores - Primeiro Semestre 2009

A Livrododia Editores prepara, em 2009, o lançamento de três livros premiados. O primeiro deles será Lábio Cortado, de Rui Almeida, vencedor do Prémio de Poesia Manuel Alegre, da Câmara Municipal de Águeda. Entretanto, mantém-se aberto aos concorrentes o Prémio Literário Luiz Teixeira, da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, cujos vencedores, nas categorias de prosa e poesia, serão também lançados com o selo da Livrododia.

As apostas da Livrododia neste semestre incluem a edição do primeiro livro de Xavier Queipo, Árctico, Prémio da Crítica Espanhola em 1990, És uma besta, Viskovitz, do italiano Alessandro Boffa, A Prisão do Ético, micro narrativas de Paulo Rodrigues Ferreira, e a reedição do livro de contos Caderno Negro, de Cláudia Clemente.

No catálogo infantil, sairá mais um livro da dupla Ana Meireles e Marta Pereira, com as aventuras de Madalena, e o livro Canhoto, da ilustradora Vanessa Éffe.

Durante este primeiro semestre, daremos ainda destaque a um tema local, no livro sobre o Cooperativismo vitivinícola, um ensaio da historiadora Palmira Lopes.

De destacar, finalmente, a presença dos autores do catálogo da Livrododia, Luís Filipe Cristóvão e Xavier Queipo, na décima edição do Correntes d’Escritas, a decorrer durante o mês de Fevereiro.

Os dias do Amor



Realizou-se ontem, ao final da tarde, na Fnac do Colombo, o lançamento da antologia Os dias do Amor, um poema para cada dia do ano, organizada pela Inês Ramos e prefaciada pelo Henrique Fialho. A obra foi apresentada pelo Sérgio Godinho e teve vários convidados ilustres a ler poemas, como Maria do Céu Guerra, Álvaro Faria, João Brás, entre outros. A sala estava mais do que cheia e, se dos mortos consagrados não se avistava nenhuma alma, dos vários poetas vivos antologiados, a percentagem de presenças era alta. Para além da poesia, houve conversa estendida bem para lá da hora da apresentação. Para quem não pode estar presente, aconselha-se uma ida a uma das próximas apresentações programadas. Para terminar, parabéns, Inês!

é preciso ter jeito para ser diabo


Até acho que tenho mais jeito para crianças do que para máquinas. Às crianças, demoro mais tempo a estragá-las.

ainda vamos acabar por enterrar o machado na cabeça um do outro

Não se pode fazer trabalhos só com fotografias e assim...

Sara A. Costa

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

socratite - 4

no final do mandato de Sócrates, haverá um novo provérbio popular: "seja qual for o seu problema, lembre-se sempre que a culpa não é minha".

socratite - 3

sou um ouvinte assíduo do Portugalex, que passa na Antena 1, todos os dias de semana, às 7h50. nos últimos dias, António Macedo, no pequeno teaser sobre o episódio do dia, passou a ter a necessidade de dizer que aquilo, "é a brincar, é a brincar"...

socratite - 2

já os portugueses, têm muito mais que um dvd para apontar a Sócrates.

socratite - 1

há quem diga que os ingleses só têm um dvd contra Sócrates, mas eu continuo a achar que preferíamos que os ingleses não tivessem nada a apontar contra o homem.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

da poesia

perceber que um poema pode nascer do cruzamento de um excerto de um documentário e uma cama por fazer.

1000

Parabéns!

Planeta Portugal

O grupo editorial Planeta e Juan Mera estão de volta ao mercado editorial português. Para ler no DN de hoje.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

as pequenas editoras unidas

O Jornal Expresso, na sua edição on line, dá notícia de esforços comuns de um grupo de pequenas editoras no sentido de criar uma rede de distribuição comum. Quem dá a cara pelo colectivo são a Nova Vega, Afrontamento e Campo das Letras.
No texto assinado por LMFaria, refere-se que "para quem tem pouco peso negocial, as condições impostas pelos distribuidores arriscam tornar-se incomportáveis neste momento, pelo que urge descobrir alternativas. Para já actuando sobre a distribuição, mais tarde, eventualmente, com outras iniciativas." Aguardam-se mais pormenores sobre esta, por motivos óbvios, boa notícia.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Antero Valério na Livrododia

No próximo sábado, 31 de Janeiro, pelas 16 horas, Antero Valério estará na Livrododia - Centro Histórico para apresentar o seu livro Como se tornar um docentezeco, magnífico livro de auto ajuda em banda desenhada para professores e restantes admiradores das aventuras de Maria de Lurdes Rodrigues, Ministra da Educação.
Antero Valério nasceu em Torres Vedras em 1960. É Licenciado em Pintura pela ESBAUL e professor de Artes e de Multimédia no Ensino Secundário. É autor do blogue anterozóide. Como se tornar um docentezeco é o seu primeiro livro. Tem apresentado trabalhos em diversas áreas, entre os quais se pode destacar a longa colaboração com a revista anual Barrete, alusiva ao Carnaval de Torres.

encontrar uma maneira de começar uma revolução


Ano do Boi (1)

Conta à lenda que Lao Tsé cansado das confusões e intrigas da corte teria partido para as montanhas do oeste da China montado num boi.Porém naquela época o Boi não era propriamente o animal mais utilizado para diligências que exigissem agilidade e rapidez, e sim o grande encarregado de transportar todas as "carroças pesadas", resistindo aos duros testes do percurso sem esmorecer ou perder de vista o objetivo.Esta é a principal qualidade deste signo: A capacidade de resistir a duras provas com paciência e tenacidade alcançando sempre sua meta.Na maioria das culturas orientais e ocidentais o Boi é conhecido como o símbolo da prosperidade, mas daquela adquirida à custa de muita luta e sacrifício e por esse motivo tudo o que é obtido será sempre muito bem resguardado.

Erica Poonam

sábado, 24 de janeiro de 2009

Afurada on my mind

Noah and the Whale - 2 bodies, 1 heart

coisas que deixam nervosos todos esses bloggers portugueses que seguem os campeonatos de ténis

A espanholita feiosa, Carla Suarez Navarro, está a ser a grande sensação do Open da Austrália. Para admiradores de underdogs que não acompanham pela televisão as grandes competições de ténis, isto é uma boa notícia.

uma hiperbólica falta de hype

uma das características do ser português é a revolta interior contra o sucesso alheio: há sempre alguém que tem mais sorte e mais padrinhos a fazer exactamente a mesma coisa que nós fazemos, beneficiando assim da atenção e do carinho mediático em detrimento de nós próprios, que somos muito melhores, mas que ficamos do lado dos excluídos destes sucessos.

essa revolta interior é manifesta em artigos de opinião em jornais, em entrevistas, em blogues, nas rádios, nas ruas, nos cafés, até em casa, entre membros da mesma família. existe uma queixa generalizada sobre cunhas e padrinhos, sendo até difícil de perceber se, estatisticamente, seria possível existerem desses em tal quantidade que justificasse que Portugal andasse assim à bolina desta ideia.

faltará, ainda assim, perceber que o nosso problema não é sermos pequeninos, o nosso problema é termos uma hiperbólica falta de hype. o que significa isso? significa que nos falta ter a capacidade de nos tornarmos especiais alvo da atenção de quem promove a chamada da atenção aos outros. mesmo quando somos muito bons, temos que ser diferentes, se quisermos ter, em tempo útil (a curto prazo), um prémiozinho como uma capa de jornal ou uma entrevista na televisão.

isso é intrinsecamente mau? não, não é. ter hype é um desafio constante: pelo que se trabalha para o ter e pelas pressões que se sofrem por o não ter. há quem o tenha enquanto jovem (e aí o trabalho é menor, mas a pressão castrante), há quem o tenha enquanto velho sábio (e aí o trabalho foi imenso e a pressão, um tanto ou quanto, "cagativa"). para quem o tem na meia-idade, bem, apenas podemos aconselhar para não o gastar todo em miúdas novas.

o que não é mesmo nada produtivo é a revolta anti-hype-alheio. amigos, não vale mesmo a pena. concentrem-se no que sabem fazer e deixem o "barulho das luzes" para os outros. há momentos em que a melhor forma de se ser português é, mesmo, não se ser português tanto assim.

porque 2009 é ano de autárquicas

O PS - Porto já escolheu a sua candidata à Câmara Municipal, nomeando a aguardada Elisa Ferreira. Vai ser uma luta de titãs, este combate Elisa Ferreira vs Rui Rio. Aceitam-se apostas...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

[Correntes 2009] Finalistas

Já são conhecidos os finalistas do Prémio Correntes d'Escritas deste ano:

- Gastão Cruz, A Moeda do Tempo, Assírio e Alvim
- Nuno Júdice, As Coisas Mais Simples, Dom Quixote
- José Agostinho Baptista, Filho Pródigo, Assírio e Alvim
- Maria Teresa Horta, Inquietude, Quasi
- Jorge Gomes Miranda, O Acidente, Assírio e Alvim
- Armando Silva Carvalho, O Amante Japonês, Assírio e Alvim
- José Rui Teixeira, Oráculo, Quasi
- António Cícero, A Cidade dos Livros, Quasi
- Eucanaã Ferraz, Rua do Mundo, Quasi
- Eduardo White, Dos Limões Amarelos do Falo às Laranjas Vermelhas da Vulva, Campo das Letras
- Antonio Gamoneda, Descrição da Mentira, Quasi
- A.M. Pires Cabral, As Têmporas da Cinza, Cotovia

Os escritores Ana Luísa Amaral, Casimiro de Brito, Jorge Sousa Braga, Fernando Guimarães e Patrícia Reis compõem este ano o júri do galardão.

evidências

E chego assim a considerar que o grande problema dos nossos políticos seja, de facto, passarem demasiado tempo à procura dos problemas fundamentais do país (já para não dizer que é por esta via de pensamento que se tenta concluir que a homossexualidade é uma coisa de esquerda...).

goza lá com ele, goza lá

Segundo o DN Sport, Paulo Bento, treinador do Sporting, vai receber 80 mil euros para participar na nova campanha dos Seguros Tranquilidade. A assinatura da campanha será, naturalmente, o célebre dito do treinador "com muita tranquilidade".

Fica por saber se Ricardo Araújo Pereira não vai pedir uma percentagem do valor do contrato, pela promoção pública que fez do treinador.

eu twitto

Em Fevereiro


Será que os livros são como as marés?

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

profanar templos (7)

um som indicando a profanação
irrepetível
único.

profanar templos (6)

contudo,
há sempre um momento certo
para cada coisa acertada
ou não.

profanar templos (5)

a maior ânsia é a capacidade de esperar.

profanar templos (4)

um olhar fixo
por dentro
do olhar.

profanar templos (3)

tremor de terra
ou
tremor de perna.

profanar templos (2)

a língua faz-se chave
pendente
sobre a fechadura.

profanar templos (1)

um corpo desliza sobre outro
a manhã um fio de luz
pela frecha do estore.

clubes de escritores

não pertenço a nenhum clube de escritores, primeiro porque nunca me convidaram, segundo porque também nunca me ofereci. não posso, no entanto, de deixar de me regojizar (e sublinho a utilização da palavra regojizar) com o facto do Rui Costa (o do Porto) ser candidato à presidência do Pen Clube de Portugal. a notícia saiu ontem na Lusa e pode ser lida, por exemplo, aqui. a candidatura de Rui Costa (o poeta) anuncia como objectivo mudar aquilo que tem sido o Pen Clube até hoje (qualquer coisa do género Futebol Clube Zé Carioca, mas com o Casimiro de Brito). mesmo não podendo votar, voto no Rui Costa (este aqui na fotografia).

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

tanta atenção não podia dar em nada

Algumas ideias de negócio são revolucionárias por si só. No mercado português, a Publidisa veio introduzir a impressão digital. Entrou no mercado em 2005 e conseguiu estabelecer-se através de valores como a qualidade no atendimento ao cliente e a sua valorização, o acompanhamento em todo o processo de produção, a sugestão ao nível técnico e uma política de constante insight sobre o mundo editorial. É claro que todos podem ter problemas, as experiências nem sempre correram pelo melhor, mas o balanço global de trabalhar com uma empresa que conhecia o nosso meio e sabia acompanhar as nossas expectativas era algo difícil de igualar. No entanto, neste momento, depois de uma substituição no seu representante e, passado pouco tempo, a saída desse substituto, a Publidisa ameaça perder o capital de confiança conquistado. Os contactos directos com os seus escritórios em Espanha sempre foram difíceis no que toca a alcançar um entendimento, e agora, sem um interlocutor oficial em Lisboa, ficou ainda pior. Em desespero de causa, tentei ligar para o número do escritório português, na esperança de através de uma secretária ou assistente pudesse tentar resolver o meu problema. Em vão. Fui atendido por alguém em Lisboa, e logo de seguida a chamada foi encaminhada para uma gravação em castelhano, anunciado que o escritório se encontra fechado. Assim, não dá.

de manhã

esta manhã, quando abri a janela, havia sol, apesar das marcas deixadas pela chuva, durante a noite. na linha do horizonte, um arco-íris, completo, de todas as cores.

com Rei e com Roque, por favor

Já começou a votação para o Festival da Canção 2009. A escolha das músicas é feita aqui. Não vou comentar que a Luciana Abreu concorre com uma música que tem, no título e no refrão, a expressão Yes We Can. Não vou mesmo.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

vida (9)

gosto de gostar de todas estas coisas.
e de me sentir vivo com elas.

vida (8)

gosto da forma como condescendes com o meu cavalheirismo.

vida (7)

gosto de saber que a sopa que guardei no frigorífico está boa para comer.

vida (6)

gosto da forma desavergonhada como abres as cortinas de manhã.

vida (5)

gosto de espreitar as pessoas que correm na rua.

vida (4)

gosto das minhas evidências na tua boca.

vida (3)

gosto da porta do carro aberta, quando já todos os vizinhos saíram, de manhã, para o trabalho.

vida (2)

gosto do desenho das letras nos papéis que esqueci sobre a mesa.

vida

gosto do barulho das páginas de um livro aberto.

recobro

agora já anoiteceu e imagino que, do centro da cidade até tua casa, te demores no meio do trânsito e da chuva e das vias apertadas, com alguns buracos, obras aqui e ali, a tornar o caminho baço e perigoso, quando vemos os faróis dos carros atrás de nós, que parecem acelerar mais do que deviam, deixando-nos ansiosos pelo momento de conseguirmos ir mudando de via, até saírmos da auto-estrada.

agora já desliguei a música, tinha passado o dia todo embrulhado em barulhos, pequenas conversas de circunstância, longas descrições de negócios sem interesse, um nada aqui e ali, e precisava de voltar ao silêncio, do mundo ser só o bater dos meus dedos no teclado do computador, os carros que passam, quase sem barulho, lá fora, o meu candeeiro que ganha importância sobre a secretária cheia de folhas vazias de significado.

começo então, lentamente, a voltar a casa, mesmo que antes ainda tenha que passar pelo supermercado, a comprar leite e queijo e fiambre e um bife e legumes e iogurtes e sumos, para encher o frigorífico que ficou magro como uma carta esquecida durante estes dias que estou fora, nem tanto de casa ou de mundo, mas sobretudo de mim, estes dias em que nem como nem bebo, perseguindo, cego de iluminação, como é capaz de brotar do meu peito tudo aquilo que durante tanto tempo tinha atraiçoado.

começo então, lentamente, a voltar-me para fora, a deixar que todas as páginas do meu livro ganhem, de novo, a forma de um corpo, de uns braços com que te abraçar, umas pernas com que correr para ti, o peito onde tu adormeces, um colo onde sorris um sorriso novo inventado só para o momento em que te olho nos olhos. começo então, lentamente, a encontrar a forma de destrinçar o alfabeto que eu tinha ainda, no mapa dos meus dias, que aprender a ler, sílaba a sílaba, na perfeita dicção.

Livro-Pintura/ Pintura-Livro

De 23 de Janeiro a 28 de Fevereiro estará patente ao público na Biblioteca Nacional a exposição de pintura Livro-Pintura/ Pintura-Livro, da autoria de EMA M (Margarida Prieto).

Na apresentação da exposição, ficamos a saber que "os Livros-Pintura apresentados têm dois requisitos imprescindíveis: são únicos, sem múltiplos e, como condição, implicam a imagem pintada, que é autónoma em relação a um possível texto inscrito numa mesma página, demarcando-se deste como ilustração. O Livro-Pintura resulta de uma escolha autoral, dentro da disciplina da pintura que, enquanto obra que chama a si o suporte livro como fundamento indissociável para existir, preserva as noções de origem e de aura."

Mais informação aqui.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

coisas que ficam

Sitiados - Outro parvo no meu lugar

Ei-los que partem

Transparência na AP

Transparência na AP é "uma proposta da Associação Nacional para o Software Livre (ANSOL) para apoiar a transparência na administração pública portuguesa.
Foi desenvolvido para resolver as muitas dificuldades com a pesquisa e navegação no sítio oficial Base - Contratos Públicos Online. A informação aqui presente é uma cópia da informação oficial actualizada periodicamente e disponibilizada através de um interface que facilita e incentiva a procura. De momento apenas pesquisa pelo objecto e nomes das entidades envolvidas nos Ajustes Directos lá publicados."

Para testar este site fiz uma pesquisa com o assunto "livros". Não sendo surpreendente, o resultado não deixa de ser interessante. Pelo menos, para que cada um de nós saiba do que está a falar, da próxima vez que falar em coisas como transparência nos negócios...

hat-trick

Foram três.

Cultura Popular e Veganismo


Bionade é um refresco natural, à venda nas lojas de produtos biológicos.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

something for the weekend

Vincent Gallo, Honey Bunny

comunidade de leitores - 2

uma biblioteca é sobretudo isto - uma casa onde as pessoas se encontram com os livros (mesmo quando os livros são, no fundo, pretextos, para que as pessoas falem de imensas outras coisas). é inigualável a sensação de ver, nas pessoas, uns olhos que brilham, um corpo que fala inteiro, um sorriso que se desprende, uma voz que se encorpora, tudo isto à volta de um livro, olhos nos olhos com as opiniões e as sensações dos outros. e depois voltar a casa com a cabeça a fervilhar. sorrindo.

comunidade de leitores - 1

Em consequência do convite da Biblioteca Municipal de Torres Vedras e da Filipa M. Ribeiro, animadora da Comunidade de Leitores, para que apresentasse, no primeiro encontro desta comunidade (ainda por haver, portanto) um livro à minha escolha, decidi levar a Poesia Completa de Alexandre O’Neill.

Escolhi este livro para poder falar do que é a experiência de leitura. Descobri nele que o texto é um acumulador de camadas, onde cada uma delas se conjuga com as outras na construção de significados para a nossa leitura. Neste sentido, o leitor é um acumulador de textos, porque no seguimento das suas diversas leituras vai alimentando as almofadas onde repousam as diferentes ideias e sensações que saem dos livros. Pode dizer-se, assim, que o escritor é o operador (no sentido de operário); conjuga na sua aventura os textos e as interpretações, de modo a descobrir a equação alquímica.

De entre todas as literaturas, a poesia é aquela que representa a alquimia máxima, pois baseia-se na recusa da imitação (não existem poemas que são como a vida), embora possa jogar com a realidade, seja a realidade real (como no poema Avenida da Liberdade, pág. 143), seja a realidade das palavras (como no poema Bloco, p.316).

Mas então, pode-se dizer que a alquimia é uma brincadeira? (e entenda-se já aqui a alquimia como literatura). A literatura é ocupar-se daquilo que existe entre nós e as coisas, e entre as diversas coisas elas próprias, e a isso eu chamo também experiência de leitura. É por isso que encontramos nos livros conhecimento, entretenimento, respostas para as nossas dúvidas existenciais e muitas, muitas perguntas.

Dizer que foi este livro de Alexandre O’Neill que me fez descobrir tudo isto é, obviamente, enganador. Como para todas as situações da vida, a literatura e os livros são, quase sempre, um pretexto (ou pré-texto, pois os livros são já uma parte daquilo que vamos encontrar neles).

A edição referida da Poesia Completa é a da Assírio e Alvim.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

lembrete

hoje, pelas 21h30, reúne-se a Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal de Torres Vedras. como convidado, ocuparei os primeiros quinze minutos do encontro a falar de um livro escolhido por mim. a sessão seguirá depois como indicado na agenda.

a entropia europeia


"Entropa" é o título da escultura do artista David Cerny, que simulou um trabalho de 27 artistas europeus sobre os clichés de cada país. Segundo a notícia do Público, o trabalho inclui a figuração de "Portugal coberto de suculentos nacos de carne com a forma das ex-colónias, a Bulgária transformada numa retrete turca, daquelas com um buraco no chão que obrigam a uma incómoda postura de cócoras, a Alemanha reduzida a um emaranhado de auto-estradas a lembrar uma cruz suástica", entre outras polémicas imagens.
O artista reconhece ter enganado a Presidência da União Europeia, que havia contratado uma peça com a participação efectiva de um artista de cada país, mas defende-se considerando que “a hipérbole grotesca e a mistificação fazem parte dos atributos da cultura checa e a criação de falsas identidades representa uma das estratégias da arte contemporânea”. De referir que a falsa artista portuguesa dá pelo nome de Carla de Miranda (no que me parece uma singela homenagem à nossa mais famosa "de Miranda", a Carmen) e que este será o primeiro grande sinal de mudança na nossa habitualmente tristinha União Europeia - nada como o bom humor de leste para dar a volta a isto.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

grito de guerra

a possibilidade continua!

regresso ao local do crime

regresso hoje ao local onde comecei, já há quase três anos, a escrever este blogue. as diferenças são bastantes. onde antes havia uma livraria quase sem clientes (o que dava imenso tempo para inventar blogues novos) há agora um escritório onde falta sempre tempo para avançar com mais um assunto a tratar. onde havia um blogue anónimo com uns quantos textos paranóicos, há um blogue ficcio-profissional com uns quantos textos paranóicos. onde havia uma busca no vazio, existe agora uma busca na plenitude. em ambos os momentos se sentia que algo começava. o crime parece idêntico. um criminoso regressa sempre ao lugar onde, um dia, foi feliz.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

punque-folclore


"Faixa 09 ou o caralho" dos Isabelle Chase Otelo Saraiva de Carvalho

Recado: Aqui há tempos disseste-me que no Porto nunca se diz só uma asneira (e passei a considerar que os mínimos olímpicos são duas de seguida). Será que repetir muitas vezes a mesma, como fazem estes rapazes de Coimbra, conta?

é só para verem quem é que manda aqui

Olmert contou que disse então a Bush: “‘Eu estou familiarizado com ela [a resolução]. Não pode votar a favor. Ele deu a ordem à secretária de Estado e ela não votou a favor – a resolução que ela própria concebeu, formulou, organizou e manobrou para ser aprovada. Ela ficou bastante envergonhada e absteve-se na resolução que ela própria criou.”

(daqui)

José Obama

Se ficou satisfeito com este artigo:
provavelmente irá gostar deste:

literatura da pesada

ler diariamente o correio da manhã não serve, como apregoa a publicidade, para estar dentro do país real. serve, essencialmente, para ver quão negro o cenário de um país pode ser.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

mais Herberto

Depois de ter sido personagem principal de uma das novelas do mundo editorial no ano de 2008, Herberto Helder volta agora às livrarias com um novo título, Ofício Cantante. Recuperando o título da primeira recolha que foi feita da sua poesia, em 1967, este novo volume vem, mais uma vez, baralhar a fixação dos seus textos. Na nota de imprensa divulgada pela editora, neste volume "para além de alguns poemas inéditos (e outros retrabalhados), incluem-se aqui os poemas do já esgotado A Faca Não Corta o Fogo — Súmula & inédita". Fica assim difícil de compreender, também, na sua bibliografia, quais os volumes originais e os antológicos, visto que ambos, poesia completa ou súmula & inédita, apresentam poemas inéditos e retrabalhados. Relembra-me, enfim, dois famosos versos de Ruy Belo: "Teria este ... se não tivesse outro sentido,/ ser natural de um país subdesenvolvido."

p.s. : o livro será lançado com o p.v.p. de 48 €

porque, pelos vistos, estamos sempre a aprender

O Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) abriu 18 concursos, para 173 vagas. Para todos esses concursos o IEFP pede aos candidatos que tenham em atenção uma lista longa de documentos técnicos e um discurso do primeiro ministro, José Sócrates, com o título "Ambição", feito no âmbito do programa governamental "Novas Oportunidades". (notícia retirada daqui)

Fica assim claro que, entre diversos conhecimentos técnicos, importante é também estar do lado certo da barricada ou, pelo menos, conhecer-lhe as manhas. Em qualquer outro contexto, seria um vergonhoso abuso de um governo que vê, no seu próprio umbigo, a salvação do país. Neste país, aqui e agora, é apenas um fait-divers sem importância: assim como assim, a malta quer é um emprego.

Adeus América!

Festeja-se, nesta casa, a última semana da Administração Bush (nada convencido que a próxima será melhor mas, enfim). E a banda sonora é Rufus Wainright, Going to a town.

uma má crítica (2)

No Jornal das Letras de 31 de Dezembro, António Carlos Cortez aproveita a crítica ao livro A Metamorfose das Plantas dos Pés, de Catarina Nunes de Almeida, para generalizar uma crítica aos autores da geração da Catarina, fazendo também apreciações sobre a poesia da autora lembrando que a mesma já foi premiada e que (sic) "ainda é muito nova". Ficamos, de facto, a saber muito pouco sobre este livro, mas muito sobre o que se pode fazer na crítica literária jornalística.

uma má crítica (1)

No Ipsílon de sexta-feira passada, Pedro Mexia desanca no último livro de Pedro Paixão, colocando em forma de letra aquilo que se sentia, praticamente, desde que Pedro Paixão começou a escrever: tanta genuinidade só podia dar em prosa adolescente. Ocupar páginas de jornais nacionais para matar um autor, não é coisa recorrente, mas talvez seja algo a que mesmo as editoras de qualidade se tenham que habituar.

o autor não abandona

no enterro do Estado Civil, alguns leitores terão-se sentido abandonados pelo autor que, até aqui, todos os dias se preocupava em vir publicar alguma coisa que lhes acalmasse (ou excitasse, perturbasse, ...) o espírito. no entanto, se há coisa que um autor nunca pode fazer é abandonar o leitor. no mínimo, dá-lhe algum tempo para que pense sobre o anda a ler.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Novidades na Livrododia

Transcrevo, na íntegra, o comunicado tornado público pela gerência da Livraria Livrododia, disponível no site da mesma.

"Com a entrada num novo ano, novos desafios se colocam à Livrododia. E para reagir a esses desafios, estamos a preparar várias novidades. A primeira delas não terá passado despercebida a muitos dos nossos clientes: fruto de uma alteração da nossa estratégia comercial e empresarial, a loja Livrododia da Avenida General Humberto Delgado deixará de estar aberta ao público e passará a ter um novo conceito já que, a partir de finais deste mês,aí estará sedeada a Livrododia Editores e Serviços. Esta vertente constituirá, em 2009, um dos mais importantes vectores da nossa aposta, que tem como cartão de visita o Walking Poetry, projecto que alia um guia turístico virtual à história local e à poesia. O primeiro Walking Poetry será implementado no Município de Torres Vedras, já no início deste ano, sendo que se seguirá a implementação em outras autarquias do país.

A outra grande novidade será ao nível das ofertas aos clientes. A partir de agora em vez de procurar, diariamente, o livro que beneficia de 20% de desconto, esteja atento pois, durante todo o ano, haverá pelo menos um dia por mês em que os nossos clientes encontrarão uma baixa generalizada de preços na nossa loja do Centro Histórico. Assim terá a oportunidade de encontrar na Livrododia os melhores livros, artigos de papelaria, brinquedos e gifts, aos melhores preços, sempre acompanhados de uma enorme diversidade de chás, bolos e bolachas, servidos na nossa cafetaria.

A Livrododia é o local ideal para uma pausa ou para acompanhar uma conversa entre amigos e sempre com um livro por perto.
Na Livrododia, pensamos em si."

as encantadoras artes da numerologia

ser social, este ano, também significará um progressivo aceitar do espaço do outro. pelo menos é assim que o vejo. eu, que sempre me apresento a quem me rodeia como um agente na clandestinidade, permitindo o olhar sobre uma parte da minha vida, deixando totalmente oculta uma outra. por isso, muitas vezes, a surpresa de quem me vê a fazer algo que não ligaria ao eu-que-conhece. ser social não será abdicar da nossa intimidade, nem forçar a festa, o convívio, o contacto oco. significa evitar a leve picada que parecia crescer na nossa solidão, tornando-a desconfortável em alguns dos dias. será, então, aprender a usar um penso rápido (coisa que se aprende quando se é pequeno mas, então, dêem-nos um pouco de liberdade para ainda podermos aprender agora aquilo que deixámos ficar para trás há tantos anos). aprender a soltar a mão para nos valermos do que temos por perto, para estancar o sangue que escorre, pouco, quase invisível, da ferida. pode parecer pouco para quem sabe tudo. mas para nós será bom saborear o pequeno gesto do alívio. brindemos a isso!

barulho de arrastar móveis

de tempos a tempos sinto a necessidade de mudar a casa. é um hábito que me vem nos genes, passado pela minha mãe. reposicionam-se as coisas, inagura-se uma certa novidade, pela simples mudança dos objectos, das cores, da arrumação em diferentes prateleiras das coisas de sempre. esse hábito é também visível aqui no blogue. desta vez, os tons verdes, de quem anseia por um pouco de primavera. um modelo também um pouco diferente, dentro dos disponibilizados pelo amigo blogger. uma letra mais elegante. no fundo, uma tentativa de me sentir melhor no meu espaço. e só depois a percepção de que, ao fazê-lo, também se alterarão os olhares de quem aqui chegar.

a procura do mínimo

meti na cabeça que ia passar para o papel uma série de ideias para pequenas histórias num moleskine destes, em formato próximo do A5, mas agora não encontro nenhum, por onde os tenho procurado. passei a semana com uma frase para começar essas histórias e à procura de um caderno que não encontro. há quem diga que isto, em si, será já uma história. e eu ando a saborear o estar perdido num papel que ainda não encontrei.


sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

ao fim do dia, um pouco de teoria

Enquanto o tempo dos relógios conduz à decrepitude e à extinção, o dos artefatos estéticos concede não um vislumbre do eterno (isto seria pedir demais), mas, sim, a ínfima liberdade condicional de uma atemporalidade provisória. Em outras palavras, a poesia de quando em quando suspende para alguns (sem que, para tanto, seja necessário infiltrar moléculas complexas e estranhas no meio das sinapses) a pena capital que pesa sobre todos.

Nelson Ascher, Para que serve a poesia?

Nuno Bragança reeditado



Segundo o nosso bibliotecário de serviço, a Dom Quixote vai lançar, a partir de Fevereiro, a Obra Completa de Nuno Bragança.

Razões para sorrir, em 2009.

os radicais descontraídos - um obituário

não podem funcionar como um exército, os seus princípios lidam mal com ideias de liderança e, muito menos, com disciplina de grupo - são apenas uns gajos atentos ao que se passa enquanto vão alimentando uma boa dose de preguiça, mesmo que isso não os impeça de serem bons profissionais ou daqueles elementos da família a quem se pode recorrer com confiança.

têm, seguramente, opiniões fortes sobre as coisas, embora também usem amaciador e compreendam que tudo é relativo - o mundo é redondo, a história circular, a longo prazo vamos estar todos mortos, etc e coiso. ainda assim, não deixam de se indignar com a força bruta que algumas pessoas põem nas coisas que precisam de ser feitas com cuidado, mas não apontam o dedo, escrevem um poema.

a história encarregar-se-á de os esquecer, convenientemente, porque gente desta não muda o destino de um país, nem é bem vista para se fazer estátua em praça ou rotunda de alguma cidade. talvez a sorte, ou a ausência de alternativas, lhes dê o nome a uma rua (isto há malucos para tudo), mas até lá, o mais certo, é pensar que serão lembrados em algumas conversas de café, nada de muito importante, em alguma noite em que não haja futebol em directo na televisão.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

hipermercado, loiça lavada e sofá

Pulp - Dishes (ao vivo)

Aviso à Navegação

algumas pessoas imaginam-me, por detrás do computador, raivoso e radical perante as coisas do mundo.
logo a mim, que estou aqui apenas a fazer tempo para poder voltar ao meu sofá e ler até adormecer.

começar

Daqui se deduzirá algo que é sem dúvida a última verdade do puzzle: apesar das aparências, não se trata de um jogo solitário - cada gesto do decifrador de puzzles foi feito, antes dele, pelo fazedor de puzzles; cada peça em que pega e repega, que examina, que acaricia, cada combinação que tenta uma vez e outra, cada ensaio, cada intuição, cada esperança, cada desânimo, foram decididos, calculados, estudados pelo outro.

Georges Perec, A Vida Modo de Usar, traduzido por Pedro Tamen, na Editorial Presença (1989)

Alegre e a chucha

A reacção de Manuel Alegre ao artigo de Luís Fazenda clarifica a colocação dos peões no mapa político nacional: para Manuel Alegre, não faz sentido largar o PS, mesmo que o PS de hoje não seja nem esquerda, nem um parceiro viável para qualquer iniciativa de diálogo político. Esse facto é explicado pela história: Manuel Alegre é deputado desde 1975, tendo demorado mais de trinta anos a ganhar uma voz que não é independente, é apenas uma marcação de posição de quem vê os pais tirarem-lhe a chucha (dado as idades dos intervenientes, até seria mais os filhos a tirar a chucha ao pai). As aproximações que foram feitas à esquerda fora do PS, seriam apenas uma maneira de trazer para a sua reivindicação mais alguma substância política e, sobretudo, força de braços, coisa que o seu movimento cívico, notoriamente, não tem.

A colocação de Alegre do lado do PS são, obviamente, boas notícias para a esquerda. Para que aprenda de vez que as soluções se pensam internamente, na análise do espectro social que nos rodeia, e não se solucionam com chavões nem mediatismo exacerbado. Ideologia não é a reunião de um grupo de amigos à cabeça de um partido político.

war zone

O que Israel não consegue compreender é que está a combater uma guerrilha, e uma guerrilha não se combate com ataques do exército. Se Israel oferecesse aos palestinianos melhores condições de vida e boa vizinhança, não haveria razões para que a população apoiasse a guerrilha armada. Ao escolher combatê-la como se fosse uma guerra entre dois exércitos, entre dois países, apenas vai chamando para o embate, mais guerrilhas "amigas" da zona.

Não nutro nenhuma especial simpatia pela luta palestiniana, nem pelo Hamas, nem por Israel, nem por país nenhum que considere que guerra e guerrilha são uma e a mesma coisa. Os americanos aprenderam isso com a Administração Bush. Para o resto do mundo, pelos vistos, esse exemplo não serve como aprendizagem.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

para Fevereiro...

Para o leitor que desejar, esta coletânea fornece apelos que a relacionam às demandas da intertextualidade, da tradição e talento individual, e da seleção de um paideuma – aspectos que identificam a oficina do autor e apontam as suas áreas de gravitação. Porém, quando se propõe a realizar "uma simples releitura/ da nossa história da literatura", o autor de A cabeça de Fernando Pessoa sugere outra, e mais tensa, dimensão para o diálogo. Ao invés de restringi-lo à lógica do reconhecimento, Cristóvão analisa as fendas entre os discursos e pondera que o mundo conhecido (na série social e na série literária) vem a ser, de facto, uma forma de estranhamento à consciência do sujeito. Por isso, o diálogo, nesta coletânea, acena para uma lógica da dissonância, que coloca em xeque a evidência do reconhecimento (Cristóvão em Campos/ Kazuo /Bocage/ Drummond) ressaltado acima.
do prefácio de Edimilson de Almeida Pereira
A Cabeça de Fernando Pessoa, Luís Filipe Cristóvão, Col. Pasárgada

Godot - A António Maria Lisboa (parte 2)

A Antonio Maria Lisboa (parte 2)


[lembrar o esferovite] os poemas estão escritos em francês

um poema é qualquer coisa que se começa com um gesto. espera-se que o vento nos ajude, que empurre os cabelos de uma menina para a frente dos seus olhos. tentamos, distraídos, tirar-lhe os cabelos para trás da orelha, de novo. com esse gesto se toca uma pele, uma pele que se deseja tocar. assim, devagar, subtilmente. com um gesto se começa qualquer coisa como um poema.



depois, é preciso encontrar o tamanho concreto dos versos. quase que ia dizendo o tamanho certo, mas fico incerto quanto às certezas da poesia. um aglomerado de gente, junto a uma banca de livros, e a nossa mão enconsta-se às costas do casaco da menina. talvez preferisse usar o verbo em brasileiro. se encosta. demora mais tempo, denota o gesto. e o tamanho do verso faz-se por si mesmo, sem regras.



um poema, nunca acabando, tem que deixar a palavra certa para o fim. aproveitar tudo ao mesmo tempo, o vento, a solidão de dois corpos, o carinho todo que se sente. pode ser um sorriso, sim, é certamente um sorriso, que logo se desencadeia num abraço. um abraço, um abraço, que boa forma de acabar um poema. e depois ficar a pensar em livros que falam de fuga e de amor, ver o poema a correr, pela gare, a entrar no comboio.



29/05/2005

uma questão de guerra

Parece que os dirigentes principais do Hamas estão refugiados no Hospital Central de uma das cidades da Faixa de Gaza, usando assim os feridos e doentes como escudos humanos.



Por outro lado, os principais dirigentes Israelitas não tem poiso certo. E, mesmo que tivessem, e mesmo que esse poiso estivesse acessível sem qualquer escudo, humano ou outro, dificilmente seriam atingidos pelos roquetes dos palestinianos.



Não há nenhuma guerra com sentido.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

A vida neste país aqui agora

Ideia: juntar os contributos de alguns portugueses sobre a situação de viver num país como o nosso neste determinado momento histórico pelo qual estamos a passar. A proposta não podia ser mais abstracta: cada um terá um país diferente (geográfica e culturalmente, cada um fez os caminhos que fez), e o seu momento histórico será deveras influenciado pelos seus interesses pessoais. Estará aí mesmo o interesse deste exercício: gerar algum debate em volta da forma como sentimos e vivemos o nosso país e os nossos tempos.

Porquê: a falta de um pensamento que seja enraizado na experiência de um viver no nosso tempo. Não nos reconhecemos nas análises que são feitas, nem nos movimentos que se constituem em volta do poder. Não queremos poder, mas queremos perceber. Pensando em conjunto, pode ser que se encontre alguma coisa. Pode ser que não.

Modo: cada um dos autores será desafiado a escrever pequenos textos sobre diversos temas. O primeiro desafio é escrever uma apresentação do que é a vida neste país aqui agora para cada um. Neste desafio, para além da apresentação do ponto de partida de cada um, esperamos que possam propor uma direcção para a reflexão que vamos fazer. Essas propostas constituirão os desafios seguintes do grupo.

Link: Os textos já começaram a ser publicados no blogue A vida neste país aqui agora. Henrique Fialho, manuel a. domingos, Luís Filipe Cristóvão e Rita Faria já responderam. André Simões e Rui Almeida são os senhores que se seguem.

os mais vendidos

Num dia em que são divulgadas nobres notícias sobre a venda de livros, aproveito para lembrar/divulgar a lista dos mais vendidos nas lojas da Livrododia durante o ano de 2008.

Os dois livros mais vendidos têm uma forte componente local, devido às ligações dos seus autores ao Concelho de Torres Vedras. O livro de Manuel Nunes é uma fábula sobre a educação para a violência, um belíssimo livro que teve grande aceitação por parte de professores e educadores. No caso da obra do Bispo do Porto, é a curiosidade da análise histórica da cultura portuguesa ligada à história da religião no nosso país. A fechar o pódio de vendas da Livrododia, vem o Dr. Daniel Sampaio, com o livro em que fala do papel dos avós na educação das crianças. É um pódio que me deixa muito contente, porque tem pessoas de quem eu gosto, que escrevem muito bem e que reflectem sobre o papel do ser humano na sociedade de hoje. Nada mau para uma lista de livros mais vendidos, não vos parece?

Aqui fica ela:

Tio, Mostra-me a Noite, Manuel Nunes, Livrododia
Portugal e os Portugueses, Manuel Clemente, Assírio e Alvim
A Razão dos Avós, Daniel Sampaio, Caminho
Santa Cruz, Luís Filipe Cristóvão e Ozias Filho, Livrododia
O Segredo, Rhonda Byrne, Lua de Papel
A Viagem do Elefante, José Saramago, Caminho
Más Maneiras de Sermos Bons Pais, Eduardo Sá, Oficina do Livro
Venenos de Deus, Remédios do Diabo, Mia Couto, Caminho
A Azenha de Santa Cruz, Guilherme Miranda(Org.), CM Torres Vedras
10º Admirável Diamante Bruto e outros contos, Waldir Araújo, Livrododia
11º Da Assenta a Porto Novo, Pedro Bettencourt, CM Torres Vedras
12º O Sétimo Selo, José Rodrigues dos Santos, Gradiva
13º Lázzarus, Viegas Pinto, Chiado Editora
14º A Árvore Generosa, Shel Silverstein, Bruaá
15º Entre o Mar e Montejunto, João Carvalho Ghira, Livrododia
16º A Vida num Sopro, José Rodrigues dos Santos, Gradiva
17º A Fada Oriana, Sophia Mello Breyner Andersen, Figueirinhas
18º Ulisses, Maria Alberta Menéres, Asa
19º Rio das Flores, Miguel Sousa Tavares, Oficina do Livro
20º O Principezinho, Antoine Saint-Exupéry, Presença
21º Uma Aventura no Alto Mar, Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães, Caminho
22º Um Homem com Sorte, Nicholas Sparks, Presença
23º Histórias de Torres Vedras, John Gideon Millingen, Livrododia
24º Viver com Fibromialgia, Maria Elisa Domingues, Gradiva
25º Português Suave, Margarida Rebelo Pinto, Oficina do Livro
26º Arquipélago da Insónia, António Lobo Antunes, Dom Quixote
27º Nos Passos de Magalhães, Gonçalo Cadilhe, Oficina do Livro
28º Mudar de Vida, Luís Marques Mendes, Academia do Livro
29º Avódezanove e o Segredo do Soviético, Ondjaki, Caminho
30º Atual - Novo Acordo Ortográfico, Pedro Dinis Correia, Texto

uma pequena dose de ódio como ocupação

as pessoas gostam de se ocupar com o ódio pelos outros. não um ódio doloroso ou maquiavélico, apenas uma pequena dose de ódio como ocupação para os seus dias tristes e cinzentos. quem mais se expõe, mais se arrisca a alimentar esses ódios - que muitas vezes têm pouco a ver com a grandeza do odiado, apenas com o pequeno impacto feito grande na aparência do movimento. é uma ocupação solitária, o ódio. pequena comichão na barriga dos felizes odiados.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Um imenso Portugal, pois...

Enquanto alguns continuam à espera que um cometa os salve do Acordo Ortográfico, outros avançam para a sua utilização. Depois não venham com os argumentos de que a influência da língua portuguesa neste ou naquele ponto do globo fugiu de mãos portuguesas para mãos brasileiras. Cada vez mais, o eixo que conta, para os interesses da Língua Portuguesa, é o eixo Brasil-Angola (como o Padre Vieira defendia, lembram-se?).

Em Lisboa fica-se, apenas, a ver os navios...

Imitação de Andrés Pasavento

esta semana tomei a decisão de tomar como minha a identidade abandonada por Andrés Pasavento. Aproveitei as férias de uma amiga em Nápoles para lhe pedir que cantasse "Capri, c'est fini" ao abandonar a ilha vulcânica e comecei a comunicar com o meu aquecedor de halogéneo. Passarei a escrever romances que sofrerão com as comparações com os livros dos grandes escritores, serei um pequeno escritor, ainda assim, visível. Para o riso e o deleite dos seres superiores. Assim serei eu.

uma prosa em verso, vá lá

um anónimo amigo comenta que chamar poema a um poema meu é puxado.
eu diria antes que chamar poema ou não a um poema (que pode não o ser), é a natural provocação da teoria.

enganar quem lê, sem ler, enganar quem vê, sem ver.

Campeonato das Marionetas

O Hamas lança roquetes, Israel ataca por terra e ar.
Perde o ser humano.

onde revelar uma intenção pode ser apenas um gesto ficcional

Por todo o lado, passaram-se os últimos dias em listas, análises, desejos, como que forçando um corte onde há apenas uma mudança de agenda.

Aqui, entro em 2009, apenas com uma intenção: ser mais eu.

Já a seguir, cenas dos próximos capítulos.