segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Um poema de aniversário

“We might never fall in love” de W.B.
poema dedicado ao Ricardo e à Catarina, por ocasião do primeiro aniversáro da Livraria Trama

Não sei bem o que é, é um poema,
é um dia de chuva na segunda circular,
a estrada de Paço d’ Arcos, um prédio no Cacém,
a música do Walter Benjamin no mp3
(afinal não era o filósofo austríaco, era outro),
as compras de natal ainda por fazer,
o início do mês, a greve dos professores,
problemas no multibanco,
um café que tomámos na Livraria Trama
enquanto víamos as pessoas
de chapéu-de-chuva a passar,
seria certamente um dia de chuva,
o carro estacionado e quantas moedas puseste,
a polícia municipal a anotar uma matrícula
que desconheço,
a tua mão a deslizar pelo braço do sofá branco,
eu a contar os minutos,
a pensar em explosões em Bombaim
ou cá dentro de mim.
Não sei bem o que é, é um poema,
é uma chamada tua a meio da noite que me acorda,
uma tentativa falhada para uma banda sonora,
três asneiras da janela aberta do carro
no cruzamento para Queluz,
um livro, muitos livros, na mala, no banco de trás,
as compras do jantar ainda por fazer,
o fim do mês, a greve dos carteiros,
problemas com as contas no banco,
um encontro que tivemos na Livraria Trama
enquanto não havia mais ninguém
em qualquer parte do mundo,
em qualquer parte de nós,
ter-me esquecido onde deixei o carro
e a tua mão a deslizar, eternamente,
pelo braço do sofá branco
e eu a contar os minutos
até que ela chegue a mim,
aqui dentro de mim.

LFC

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