quarta-feira, 5 de novembro de 2008

descida aos infernos

* aparência - dirigi-me ao centro comercial colombo para comprar, na fnac, o álbum magnífico material inútil, dos pontos negros, do qual precisarei para um trabalho futuro. aproveitei para dar uma vista de olhos aos livros que, mais uma vez, foram alvo de arrumação. no entanto, o sector de livros franceses, para além de reduzido ao mínimo, continua "atravessado": interrompida a ordem na letra q, podemos encontrar os restantes autores num canto de uma das ilhas, num outro corredor que não o das prateleiras onde estão os livros franceses.

* formação - por defeito habitual, não resisti à compra de um livro que estava assinalado com a etiqueta dos preços mínimos fnac. como detinha um desconto de mais de 10 euros (ah, os stocks perdidos nas editoras que se vendem e que se compram...), aproveitei a ocasião. para minha surpresa, no entanto, sou "detido" pela funcionária da caixa que me relembra, para o caso de eu ainda não saber, " olhe que agora os descontos só são válidos para os aderentes de cartão". nesse caso não levo, disse-lhe eu. mas como se o sistema informático não quisesse comprovar a frase da funcionária, fazendo o desconto automaticamente, lá se chamou a superior para averiguar o caso. confirmado então o facto de o livro ter mesmo desconto para o povo, trouxe-o, não sem fazer o reparo, que nenhuma delas foi capaz de resolver, de que o desconto que o sistema fazia não era o desconto que estava assinalado no livro. assim, para um livro marcado a 13,5€, paguei 13,51€.

* aparência (outra vez) - não satisfeito por não ter encontrado nenhum Quignard, nem nenhum Le Clézio, em francês na loja fnac, fui até à bertrand, onde o cenário é ainda mais assustador. à minha pergunta "tem livros em francês?" a funcionária, um pouco assustada com a excêntricidade da pergunta, respondeu-me, "são raros", e levou-me até uma prateleira a um canto, escondida atrás de uns caixotes com livros por marcar, indicando-me "se houver estão aí". o problema é que ali só estavam livros em inglês, castelhano e algumas colecções de bolso de editoras portuguesas, tudo ao molho e com muita fé em deus.

haja um toque de divino, nesta descida aos infernos.

7 comentários:

  1. Deve ser muito bom termos um livrariazinha numa cidadezinha como Torres Vedras, em que quando chegam novidades são às caixinhas em vez de serem às paletes. Depois de o Luís trabalhar numa Bertrand e ver o que é uma livraria de livros de "alta rotação", como agora lhe chamam; venha então dar uma opinião mais válida (nomeadamente sobre os funcionários desses espaços) do que aquela que deu aqui.
    Miguel Ângelo

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  2. Caro Miguel Ângelo,
    como compreenderá, acompanhando aquilo que vou escrevendo sobre livros e livrarias neste blogue, a minha crítica não é, nunca, dirigida aos funcionários das livrarias, mas a quem faz a gestão. Se uma livraria recebe livros às paletes, deve estar preparada para isso, e visivelmente não está, até porque a uma hora de movimento no cc colombo, a livraria bertrand tinha apenas uma pessoa no atendimento ao público. é claro que essa pessoa não é culpada de nada, haverá com certeza alguém acima dela que devia ter pensado em coisas que, aparentemente, não pensou.
    outra coisa que deverá compreender é que aquilo que escrevo neste blogue não é o ponto-de-vista de alguém que tem "um livrariazinha numa cidadezinha", mas sim a de alguém que frequenta muitas livrarias em muitas cidades, cidadezinhas e outros nomes que lhe queira chamar. e daí, aquilo que relato não deveria acontecer, seja onde for.

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  3. Caro Luís Filipe,
    como decerto reconhecerá o seu modelo de gestão tem pouco a ver com o modelo de gestão de um "gigante" como a Bertrand. O modelo de gestão de uma Bertrand é única e exclusivamente orientado para fazer dinheiro (infelizmente), e para isso uma boa secção de literatura em francês, por exemplo, é considerada dispensável. Por outro lado, munidos de um sistema de catálogo mais ou menos fiável, o paradigma de funcionário da Bertrand é aquele que constatou na sua visita ao Colombo. Correndo o risco de ser injusto com muitos desses funcionários (embora eu sinceramente pense que são apenas alguns), a maioria deles está na Bertrand como poderia estar na Zara, ou noutra loja qualquer. Como dizia uma conhecida minha com muito sarcasmo, não são livreiros, são "repositores de livros".
    O panorama nacional em termos de oferta de "livrarias" e "livreiros" é dominado por este tipo de visão; e mesmo quando existem livrarias que se auto-proclamam como alternativas e independentes, o panorama, em termos de oferta de livros, não é muito melhor. A sua livraria no centro histórico não conheço, mas a primeira que abriu, embora pequena, pareceu-me bastante agradável; mas como é óbvio (por motivo de espaço e de outros referentes à propria cidade que nos levava a outra conversa) não poderia ter uma oferta assim tão diferenciada. Mas demos como exemplo duas outras livrarias de Lisboa e que o Luís decerto conhece: a Trama e a Pó dos Livros. Tirando um ou outro caso em termos editorias (o livro de poesia de Miguel Manso é exemplo disso, tendo estado à venda na Trama), que ofertas têm estas livrarias que nos façam optar preferencialmente por elas? Muito poucas, na verdade. Em termos de literatura em inglês por exemplo, ou francês, nem vale a pena falar. Hoje em dia é muito mais barato recorrer à Amazon (bendita Amazon) do que a uma qualquer das duas que atrás referi ou para sermos honestos a uma Fnac ou Bertrand.
    O que sobra então para fazer a diferença? Fundos de catálogo! E aí vai desculpar-me mas nenhuma livraria independente pode competir com a Bertrand; em termos de pérolas da literatura portuguesa só a Byblos me conseguiu surpreender (mas também foi só uma vez) ao ter disponível a obra completa do Nuno Bragança, na edição da Dom Quixote.
    Voltando à Bertrand, para achar "aquele" livro tem de procurar bastante? Tem. Tem de esperar bastante? Tem. Tem de, em última análise, se chatear com alguém? É bem possível, mas ainda pode ser que consiga.
    Agora admito que ser uma livraria de referência em termos de oferta de títulos de qualidade, ou de títulos de fundo de catálogo, não é o objectivo de quem gera a Bertrand (infelizmente). O objectivo primordial e principal é fazer dinheiro, muito dinheiro,e isso dá no que dá.
    Miguel Ângelo

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  4. Miguel Ângelo,

    no fundo estamos de acordo. Uma livraria cujo objectivo principal é fazer dinheiro, acumula falhas perante os clientes mais exigentes.

    no que toca aos fundos de catálogo, eu julgo que é humanamente impossível tê-los disponíveis, seja onde for (em alguns casos até as próprias editoras se esquecem desses fundos nos fundos dos armazéns). confesso que, na bertrand, nunca consegui encontrar grande coisa, mas a culpa deve ser minha, por alguma razão nunca achei nenhuma livraria bertrand confortável. já no que toca à trama, sou sempre surpreendido quando lá vou. e para além dos livros, tem a simpatia do espaço e de quem lá trabalha. pessoalmente, isso contará sempre muito para mim.

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  5. Caríssimo Luís Filipe,

    Sou livreiro já há alguns (bons) anos; também sou cliente por isso percebo perfeitamente o seu ponto de vista: como cliente. Como livreiro o meu gosto pessoal "fica à porta" se me permite a expressão.
    Fundos de catálogo? Raridades? E "teima" em ir à (actual) Fnac? À Bertrand? Se pretendo ver bom cinema independente sei que não o encontro nos cinemas Lusomundo!

    Livraria Clepsidra de Lisboa? Lembra-se? Lindíssima, com raridades e muito e bom fundo de catálogo numa tentativa de compromisso entre o "mainstream" e os clientes mais exigentes. Fechou!

    Certamente, caríssimo Luís Filipe não serei eu a aconselhar-lhe livrarias onde conseguirá encontrar o que procura. Mas elas existem, acredite. Mas, não, não se chamam Bertrand e/ou Fnac.

    Obrigado,

    JC

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  6. Caro João Cardoso,

    como poderá comprovar pelo que escrevi, fui à FNAC comprar um cd. E a partir daí, comecei a testar.

    Um abraço

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