sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A Consoada da Florcaveira

Será no dia 18 de Dezembro, no Maxime, mas o melhor é comprar, desde já, o bilhete.
Eu já comprei o meu (só 5€, é mesmo barato!)

Onde se percebe que faltar às aulas tem consequências

O Presidente Lula da Silva diz que a televisão é a culpada dos abusos sexuais de menores.

Ah pois...

O meu inverno é melhor que o teu

Numa rápida ida ao hipermercado, ontem à noite, comprei iogurtes líquidos, uma almofada anatómica e um edredão. Juntando a isto dois tipos de drogas diferentes (que juntas colaboram, com satisfatório efeito, para me secar as vias nasais e me pôr a dormir), acordei esta manhã feliz e quente. Embora um pouco trôpego, há que o dizer.

entrar na pele do outro

as coisas foram mais difíceis do que parece

Ernesto Valverde, treinador do Olympiakos,no Mais Futebol.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

andar bem disposto e tal

Uma coisa é absolutamente certa: independentemente da palavra que se use, a economia (e o país) continuarão a ser a mesma merda de sempre. Ou então sou eu que estou mal disposto por causa do frio.

Manuel Jorge Marmelo

Lázzarus, primeiro livro de Viegas Pinto


De volta à pensão, calado, fechado em si, o Rui tentava responder de modo isento e coerente à pergunta que Lázaro lhe havia feito. E não era nada em que ele não tivesse pensado anteriormente, no fundo uma questão tão simples e tão complexa. Como seria se Jesus tivesse vindo ao mundo nos dias de hoje? Haveria hoje uma religião cristã tal como a conhecemos ou pelo contrário, haveria um vazio de ideias e de ideais católicos no seu lugar? Ou seria essa mesma religião hoje um monstro, um portento de influência capaz de mover montanhas e países, única e totalitarista à escala mundial, como aliás sempre foi essa a sua vontade nos tempos antigos? Como teria sido se, quando Jesus caminhou pela Terra, os homens fossem mais informados, as notícias corressem pelo ar com som e a cores, com diferentes ângulos de opinião e debatidas por um vasto painel de individualidades? E a justiça mais justa, os tribunais mais isentos e sérios e a própria religião existente mais humana e social?
Olhando através da janela para um belo fim de tarde que se desenrolava à sua frente, perguntava-se agora como haveria de explicar ao Sr. Emídio aquilo que já havia decidido fazer em relação à história de Lázaro. Mas iria o seu patrão concordar com ele, agora que se encontravam numa época de vacas magras e todos os tostões eram poucos para o jornal continuar a existir? Decidiu-se então, num repente, telefonar para Torres Vedras, directamente para o jornal e não para o telemóvel do Sr. Emídio. Se ele o atendesse ou não, seria o destino a decidir o que haveria de fazer dali em diante
.”

(…)

“(…)E sempre, mesmo nesse tempo, sem televisão, sem revistas e jornais, sem informação e cultura, sem diversidade… sem luz, sempre surgiram algumas vozes descrentes, cépticas. Que discordavam, que negavam, que diziam “Não, esse homem mente” e “Não, esse homem é um impostor”. E assim fizeram com Nosso Senhor Jesus Cristo, assim fizeram com S. João Batista e muitos outros homens santos que ao invés de uma espada e de um escudo viajavam apenas com a maior dádiva que Deus lhes havia concedido: a palavra. E se por ela viveram, também por ela morreram. (…)
(…) E os media, nos dias de hoje, não negam e duvidam de tudo e mais alguma coisa, não atacam, julgam, destroem, idolatram, descredibilizam, arrastam pela lama, queimam na fogueira, crucificam! Não são eles a inquisição de outrora, o clero corporativo e todo-poderoso, dogmático, fundamentalista, faccioso… Hoje, como ontem, são capazes de derrubar um presidente e eleger um rei! A sua opinião é regra, representa a verdade e o bom senso. E quando unidos, poucos podem enfrentá-los. As suas chamas dilaceram o mais sólido carácter, as suas rodas trituram o mais justo dos mortais e o seu chicote consegue vergar o mais virtuoso dos homens, como se do mais vil pecador se tratasse.
(…) Mas responda-me, se souber. (…) Se Jesus caminhasse hoje de novo entre nós, ou João Batista por exemplo, que tratamento mereceria ele da parte dos meios de comunicação? Seria considerado um louco, um pária, ou um santo, um exemplo a seguir? E os Fariseus, teriam a opinião pública do lado deles ou seriam crucificados nos jornais? Contribuiriam os media para o surgimento de uma nova religião ou seriam eles o travão que impediria o seu surgimento e proliferação? Será que me consegue responder a isso?”
Alberto Leonel Viegas Clímaco Pinto nasceu em Torres Vedras em 1969. Formou-se em Engenharia Civil no Instituto Superior de Engenharia de Coimbra. No ano de 2003 escreveu o seu primeiro conto, “Flash”, tendo de seguida concluído mais seis obras, das quais “Lázzarus” é a primeira a ser publicada, pela Chiado Editora.

teoria da poesia

quanto mais tento ser intelectual
mais perto fico de ser literal

lenços de papel

Meu Deus, obriga-me a ficar no quente dois dias, mas não me faças ter os olhos chorosos, porque eu quero esse tempo para ler.

certamente a poesia

eu quero bater no manuel a. domingos.
o manuel a. domingos quer bater em mim.

5 da manhã

acordar às 5 da manhã com frio e dores nas costas. puxar pelas mantas e nem sinal de aconchego. deixar-me ficar a espirrar e a pingar do nariz até ser dia.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

folclore íntimo (2)

quando cheguei da hora de almoço, estava em cima da minha mesa um pacote enviado da Maia, pelo José Rui Teixeira. Lá dentro, 5 exemplares quentinhos do novo livro do valter. O primeiro a sair do saco ficou para mim. Lindo, lindo, lindo, o projecto gráfico, os primeiros poemas que li. Os outros 4 estão já em destaque na livraria, para quem os apanhar.

Lançamento da Callema 05


Sob o título «A FENDA DO TEMPO E DO TEXTO», o novíssimo número da revista Callema, deita mãos ao corpo e escangalha o penteado. Como no disco do Paulo Praça: sempre à cabeceira, matando devagarinho o que se vai fazendo do tempo. Edição e revistas literárias em conversa franca.
Com colaboração de Rodrigo Miragaia, José Carlos Marques, Paulo Serra, Silvina Rodrigues Lopes, Gastão Cruz, Luís Filipe Cristovão, Sónia Lopes, João Carlos Silva, Nuno Quintas, Marta Tomé, Silvia Otto, Pedro Lopes, Catarina Coelho, Paulo José Miranda, Styliani Voutsa, Hilarino Carlos Rodrigues da Luz, David de Medeiros Leite, Alexandre Morais, Mariana Ianelli, David Portales Moralejo, Fernando Cabral Martins, Pedro Marques, Nuno Seabra Lopes e Jorge Almeida. Editam Emília Pinto de Almeida, Pedro Relógio Fernandes, Rui Alberto, Ilídio J.B. Vasco, Nuno Guedes Silva e Hugo Milhanas Machado, com direcção de M. Tiago Paixão.

poesia pela rua

eu sou daqueles
a quem não agrada
o 25 de Novembro
não gosto
de leite morno
não me agrada
o meio termo.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

não esquecer

"A espera era assim, não tinha de recompensar"

Rui Zink, A Espera, página 112

Uns rapazes e umas raparigas

Depois de ter estado com o Rui Zink na Livrododia, sábado, e apesar de o livro mais falado por ali ter sido O Destino Turístico, que foi lançado no final de Outubro, o que me acompanhou a casa foi A Espera, livro originalmente publicado em 1998 e reescrito em 2007. Para ajudar a confundir as datas, há que referir que o mesmo conta uma história que se passou lá para os idos de 1984, período prévio à entrada de Portugal na CEE. Aliás, é esse o ponto central do livro: a Comunidade Europeia, tendo em vista a entrada de Portugal no grupo, coloca uma série de condições, sendo que uma delas é a total proibição da caça à baleia, actividade da qual ainda existiam resquícios nos Açores. Rui (a personagem, não o autor) segue para os Açores com Ana (sua amiga/namorada/companheira ou outra coisa qualquer), ele em busca das baleias e ela em busca de captar com a sua máquina fotográfica o mistério das Ilhas Desconhecidas. Ambos conseguem os seus intentos e algo mais. Ela, cheia de sentido de transgressão, consegue um passeio de veleiro, e ele, cheio de receios adolescentes (e alguma loucura), conseguiu (para além da baleia) uma visão de futuro (achou ele, porque nunca na vida aquele Rui será um Tom).

Um pequeno interlúdio para explicar esta de Tom. Tom e Sharon são um casal (casal? sim, casal) que anda a viajar de veleiro pelo mundo. Tom perto dos setentas, antigo oficial da Marinha, antigo peixe de sangue na guelra, carregando consigo a culpa de um casamento falhado. Sharon, quarenta anos, aventureira dos mares, única pessoa com um completo sentido de responsabilidade neste livro.

Continuemos, então. A Espera é um livro que se lê num sopro. Eu, pelo menos, comecei a lê-lo no domingo de manhã, continuei pela tarde, e deixei apenas algumas páginas para terminar na noite de segunda-feira. É um grande livro? Não, não será. Mas é um livro sincero e verdadeiro. O que quer isto dizer? Quer dizer que, passando as primeiras páginas, em que a confusão que se passa na cabeça do Rui (a personagem) contamina um pouco a escrita do Rui (o escritor), entramos numa experiência comparável ao habituarmo-nos ao balanço do barco. O nosso cérebro percebe que o livro avança assim, como uma casca de noz pelo oceano, umas vezes em balanços que nos animam, outras em acalmias que nos ensonam, mas sempre mantendo-nos conscientes da fragilidade de um romance (no sentido arquitectónico do termo) perante uma boa história. Talvez seja por isso que a leitura de A Espera se torne tão urgente. Porque, ao mesmo tempo que nos transporta para um lugar onde as boas histórias parecem acontecer todos os dias (os Açores, um barco, a mesa de um bar), também nos lembra, constantemente, daquilo que nós somos. Uns rapazes e raparigas a fazer pela vida.

noutras latitudes

the transport é um blogue feito a partir de Viena por Jessie Emkic (jornalista austríaca), Adelaide Deleite e Helena Silva (artistas portuguesas a residir em Viena).

a apresentação do blogue denuncia, de imediato, o seu interesse: "amor no tempo da ansiedade financeira/ crítica e ensaio para um futuro próximo".

para acompanhar a partir de agora.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Vieira! Vieira!


sábado, 22 de novembro de 2008

anti-manuel a. domingos

Nem as temporadas na Linha de Cascais o curam desta mania.

estão a brincar, certo?

Acabo de receber isto por e-mail e penso, cá para mim, que estes tipos das editoras têm mesmo muito sentido de humor. (clique na imagem para ler)

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Banda sonora

Afinal, João Coração é para bem mais que dias de chuva.

contra-amiguismo

algumas pessoas parecem não sentir-se bem quando gostamos delas.
dizer-lhes isso causa-lhes arrepios, reacções estranhas.
a tentação é grande para dar com a porta na cara das putas dos livros.
no entanto, há qualquer coisa bem maior que a mesquinhez de uns quantos.
são os sonhos de todos os outros.

amiguismo

e uma boa dose de admiração.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Comunicado da Byblos - Livrarias Peculiares S.A.

Exma Administração/Gerência

1. O novo conceito de “Livrarias Byblos”, que abriu ao público em 14 de Dezembro de 2007, tinha como objectivos:
a) ser a primeira Livraria de Fundo Editorial no nosso país, disponibilizando a totalidade das obras publicadas em língua portuguesa;
b) e ser a primeira livraria a nível mundial que, através de pesquisa em ecrãs tácteis, facultava a exacta localização da estante e prateleira onde se encontraria o título pretendido;
c) deste sonho, idealizado e concretizado num acolhedor ambiente, incluiu-se também a disponibilização de dezenas de lugares sentados para consulta dos livros, um amplo Auditório onde se realizaram as mais diversas actividades culturais, uma Cafetaria (com serviço de almoços e jantares) a par da comercialização de outros produtos culturais (Jogos, CDs, DVDs, etc.)

Enfim, disponibilizou-se um verdadeiro serviço público o qual foi reconhecido não só no plano interno como internacionalmente, com visitas organizadas de livreiros Americanos, Alemães, Brasileiros, Espanhóis, Franceses, Italianos, Eslovenos, Finlandeses, Ingleses, etc. Foram publicados artigos nas mais variadas revistas estrangeiras e sempre salientavam as inovações tecnológicas, com particular destaque à inédita utilização das etiquetas RFID (Radio Frequency Identity), bem como à dimensão e à qualidade do “design da loja”.


2. No entanto este sonho transformou-se num pesadelo:
a) A empresa que havia assinado um “Protocolo de Entendimento”, tendo em vista a tomada de uma posição accionista de 40%, foi protelando a data da celebração do competente contrato e acabou por desistir em Abril de 2008;
b) Entretanto, de 2007 para 2008 o Mundo mudara e foram infrutíferas as tentativas de encontrar novos accionistas;
c) Estava planeada a abertura de mais duas lojas, mas o mercado já entrara numa enorme retracção de consumo e, em face da crise financeira, os financiamentos foram também impossíveis de concretizar.


3. Sendo a actividade livreira sazonal, os prejuízos acumulados no primeiro semestre provocaram um corte generalizado dos fornecimentos precisamente no segundo semestre, durante o qual seria possível promover-se alguma recuperação.


4. Assim, não restou outro caminho senão o da Apresentação à Insolvência da “Livrarias Peculiares, S.A.”.
Num novo cenário, será talvez possível que idêntico sonho se concretize com sucesso.


5. Nos próximos dias, o Administrador Judicial que vier a ser nomeado pelo Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia assumirá a gestão da empresa, sendo previsível a promoção de uma reunião de credores a curto prazo.

6. Neste doloroso momento, permitam-me que Vos transmita um sentido agradecimento em meu nome pessoal por haverem partilhado do referido sonho. E, na medida do possível, Vos apresente o meu pesar por, na minha qualidade de Administrador Único, não ter conseguido corresponder para com as Vossas justas expectativas.



Américo Augusto Areal

Esparsa - Luís Vaz de Camões

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E, para mais m’espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assi que, só para mim
Anda o mundo concertado.

uma boa ideia

Libros Asteroide, Barataria, Global Rhythm, Impedimenta, Nórdica, Periférica, Sexto Piso - são estes os nomes das sete pequenas editoras que constituiram o projecto Contexto, o qual foi reconhecido pelo Ministério da Cultura Espanhola.

As editoras, de pontos diferentes do território, conjugaram esforços para este projecto que lança uma revista conjunta, com 40 000 exemplares, e aproveita cinergias na distribuição e promoção das várias editoras.

Uma boa (óptima!) ideia.

para começar, só jogadores alfabetizados

O seleccionador português de futebol, Carlos Queiroz, admitiu hoje vir a tomar decisões que levem os jogadores a entender o significado de vestir a camisola da selecção (...)

eu não queria, mas obrigam-me

obrigam-me a falar de futebol. sim, eu fui daqueles que ficou até às duas da manhã a ver o jogo. e sim, nos últimos minutos, já eu e o meu irmão gritávamos Brasil! Aquilo foi uma espécie de jogo de beneficiência, proporcionado pelo Carlos Queirós ao Dunga e a todos os brasileiros. Duas coisas se confirmaram no jogo de ontem. A primeira é que, depois de Scolari ter deixado a equipa portuguesa segura por arames, Queirós tem errado repetidamente no modo de a consertar. Outra coisa é que jogadores como Quim, Paulo Ferreira, Maniche e Bruno Alves, só para citar alguns exemplos, não são jogadores para grandes equipas (independentemente de serem do melhorzinho que conseguimos arranjar por cá). Outras coisas se confirmaram ainda: quando alguém dá espaço para o Brasil (seja em que tipo de futebol for, sejam quem forem os brasileiros que estiverem em campo) leva banho; uma equipa que põe a hipótese do César Peixoto com 28 anos ser uma solução para alguma coisa, é uma equipa que não vai longe.

Para terminar, quero só lembrar que, depois de sofrer o quarto golo, a imagem do Carlos Queirós no banco era a de um tipo sentado, de olhar no chão e mãos na cabeça. Já este ano tivemos um outro treinador na selecção que também apareceu em postura de adepto desconfiado. Talvez o mal não seja nem de um, nem de outro. Talvez o mal também não sejam os jogadores, que noutros contextos lá vão brilhando. Talvez o problema seja quem permite isso tudo e lá vai passando incólume. Talvez esse seja um problema demasiado português para que o resolvamos a tempo, seja do que for.

estava escrito

Fui confirmar nos arquivos do blogue - de facto, está agora perto de fazer um ano, não fiz qualquer referência à abertura da Byblos. Desde o início que o projecto soava a megalómano e desajustado. Para além disso, ver uma livraria contar com toda a simpatia dos media e do Governo, só pode ser estranho para quem está habituado ao ritmo habitual destas coisas.

Hoje, via Agência Lusa, confirma-se o que sempre foi, mais ou menos, evidente. A Byblos fechou. Não podia mesmo ser de outra maneira. Não havia ponto nenhum em que a Byblos fosse inovadora (pois até aquilo com que prometia diferenciar nunca esteve disponível para o público). Agora, cumpriu o infeliz destino das livrarias mal geridas. Um ano de vida.

Paz à sua alma.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

It's a perfect day


Paulo Sousa foi nomeado treinador do QPR (Queens Park Ranger's) uma equipa mítica da minha adolescência quando ainda todos acreditavamos que o Danny Dichio ia ser um dos grandes jogadores de futebol do mundo (e, no entanto, arrasta-se hoje pela MLS com a camisola do FC Toronto). Ora, hoje em dia, o QPR é mais conhecido por ser a equipa do Flávio Briatore (sim, o tipo da Ferrari), que tendo dinheiro para investir no futebol inglês, fez o que um italiano apaixonado faria - escolher a equipa que conjugue bom nome e camisolas bonitas (desde que seja em Londres) - em vez de procurar pelo bairros operários da Premier League equipas onde pudesse gastar os seus milhões. Assim, este histórico, que sem Briatore terminaria a fazer companhia a outras belas equipas extintas do futebol inglês, passeia-se pelo meio da tabela da segunda divisão a prometer futuro.
Para começar, juntou na mesma equipa Damiano Tommasi (grande homem de esquerda, na vida, e trinco que mete qualquer Costinha, Raúl Meireles ou Miguel Veloso no bolso, mas em versão barbuda e lesionado seis meses por ano) e Akos Buszaky (outro grande há-de ser grande mas não foi, que passou pelo Porto e pela Académica, ambos mais tempo em versão equipa B do que equipa principal). Depois, como as coisas estavam a dar para o torto e a equipa não ganhava nada, chamou o Paulo Sousa. Meus amigos, quem melhor que o Paulo Sousa para ser a némesis do Mourinho, o homem que vai dar esperança aos sonhadores e futebol aos ingleses bebedores de cerveja sem álcool aos domingos de manhã (sim, só os ingleses, que jogam no dia de natal, para ter estes horários).


Estão conjugados todos ingredientes para uma grande história de futebol (já bons jogos, golos e pontos amealhados será outra conversa). Todos temos razões diferentes para gostar disto. E ninguém é do Sporting por acaso.

Nós por cá

Esta semana temos o b fachada a tocar e a cantar entre os livros na quinta-feira, dia 20, a partir das 18 horas.

E o Rui Zink (sem o saco da Fnac) no sábado, a partir das 16 horas, para apresentar o seu último livro e para nos falar da vida (ou de qualquer coisa assim interessante, para um sábado à tarde).







folclore íntimo


o valter, este ano, ganha o prémio de melhores títulos em romance e em poesia. depois d' o apocalipse dos trabalhadores, sai agora folclore íntimo, a poesia de dez anos reunida num volume publicado pela cosmorama. para quem acompanhou a saída dos seus diversos livros, para além do título belíssimo, há a curiosidade do regresso. muito em breve, nas livrarias.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

falar do mesmo (2)

Oh, que arriscada salvação! Oh, que arriscado ofício é o dos príncipes e ministros. Está o príncipe, está o ministro, divertido, sem fazer má obra, sem dizer má palavra, sem ter bom nem mau pensamento; e talvez naquela mesma horta, por culpa de uma omissão, está cometendo maiores danos, maiores estragos, maiores destruições que todos os malfeitores do Mundo em muitos anos. O salteador na charneca com um tiro mata um homem; o príncipe e o ministro, com uma omissão, mata de um golpe uma monarquia. Estes são os escrúpulos de que não se faz nenhum escrúpulo; por isso mesmo são as omissões os mais perigosos de todos os pecados.

Padre António Vieira, Sermão da Primeira Dominga do Advento

falar do mesmo (1)

Ora, o que me faz impressão não é que esta gente que manda em nós atraia a trafulhice como o pólen atrai as abelhas - isso faz parte da natureza humana e é potenciado por quem frequenta os corredores do poder. O que me faz impressão é o desplante com que se é apanhado com a boca na botija e se finge que se andava só à procura das hermesetas. É a escola Fátima Felgueiras, que mesmo condenada a três anos e meio de prisão dava pulinhos de alegria como se tivesse sido absolvida. Nesta triste terra, parece não haver limites para a falta de vergonha.

João Miguel Tavares, DN de hoje.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Vou daqui para o Século XVII



Padre António Vieira e Frei António das Chagas

ao menos uma vez

Ela nunca me mentiu. Nunca me enganou, nunca omitiu, nunca distorceu, nunca foi dissimulada, nunca inventou, nunca negou, nunca foi falsa ou traiçoeira, nunca fingiu, nunca foi hipócrita nem desleal. É verdade que foi uma das experiências mais violentas que tive até hoje. Mas foi também a experiência mais fantástica que tive até hoje. É uma coisa que acontece uma vez na vida. Estou grato por me ter acontecido ao menos uma vez.

Pedro Mexia, no Estado Civil

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

79er


quando eu nasci, as emissões eram todas a preto e branco

epistemologia do sorriso virtual

na maior parte dos casos, um sorriso significa um sorriso. isso mesmo.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Patrícia Portela aterra em Torres Vedras

A Patrícia Portela é autora de dois livros que são um pouco como um ovni na literatura portuguesa, Otília ou a história das musas confusas do cérebro e Para cima e não para norte. No próximo sábado, às 16 horas, estará na Livrododia Centro Histórico. Local ideal para amantes da observação de estranhos objectos voadores.

É engraçado,

vocês passam os dias a sonhar com o mundo da fantasia, enquanto nós, que aqui vivemos, sonhamos constantemente com tempestades.

pero que las hay...

E depois alguém vem com esta ("Admito perfeitamente que November Rain e Pó de Arroz sejam pochlost. Mas são pochlost bom, se é que isto existe.") e a discussão descamba para um ponto em que os argumentos estão ao nível de dizer que o André Sardet é uma treta, mas lá que vende, vende.

O Leão e o Coelho Saltitão - Ondjaki / Rachel Caiano

O Coelho explicou ao Leão que era uma boa ideia prepararem um lugar apertado, com paus altos, como se fosse um pequeno quintal, onde ele, o Coelho, faria o enterro do seu cão. Depois convidariam todos os animais da Floresta Grande para virem ao funeral e...
– Mas tu tens um cão? – interrompeu o Leão, muito espantado.
– Não, claro que não.
– Então como é que o vais enterrar?
– Não entendes, meu velho... O cão és tu – sorriu o Coelho Saltitão.
– Então eu não sou o Leão?! – o rei da Floresta coçou a testa.
– Deixa-me terminar, meu velho, a ver se entendes o plano. Eu digo que tinha um cão, e que o meu cão morreu de fome. Convido-os para um enterro daqueles que nós fazemos aqui na nossa Floresta, com muita bebida. Tu ficas quieto como se fosses o cão morto. Quando todos estiverem bêbados e adormecerem, finalmente teremos uma bela refeição e ainda vai sobrar carne para muitos meses.
– Mas tu comes carne? – perguntou o Leão.
– Ando um pouco cansado de cenouras – explicou o Coelho. (...)

Título: O Leão e o Coelho Saltitão
Autor: Ondjaki
Ilustrador: Rachel Caiano
Editor: Caminho

Quem tem medo do Alberto João?

Não consigo encontrar a notícia sobre o discurso do Albero João Jardim em nenhum jornal on-line (será wishfull thinking?), mas a verdade é que haveria muito que pensar naquelas palavras sábias do Presidente da Região Autónoma da Madeira. Se bem me lembro, ele disse que, na Madeira, os professores foram todos avaliados com Bom, que estava tudo bem, como dantes (sic), que não os queria a perder tempo com conversa de chacha.

Por todo o discurso ecoa um cheiro a passado, daqueles regimes onde a humidade se instala pelas paredes, ganhando bafio e pó acumulados em diferentes camadas. Desconfio que este era, exactamente, o tipo de discurso do qual os senhores dos sindicatos dos professores se quereriam ver afastados. No entanto, é isto que eles têm andado a pedir.

Quem tem medo do Cavaco e Silva?

Ligar o computador e ao entrar no meu blogue, dar de caras com o Cavaco e Silva! A minha mente tem a mania de apagar certas coisas e depois apanho sustos destes...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Pochlost - um álbum fotográfico







Respondendo ao desafio do Lourenço, encontro nestas imagens uma boa definição, pela minha parte, do "que é o falsamente importante, o falsamente belo, o falsamente inteligente, o falsamente atraente"

olha, agora já está

Rita Faria on line em nome próprio.

"doctor, doctor"

Um dia disseram-me que eu arranjava sempre maneira de sair a ganhar em todas as situações da minha vida.
Agora, acho que preciso de uma segunda opinião.

Receita Médica

Em dias de chuva, João Coração.
Em dias de sol, Pontos Negros.

Cadeirão Voltaire

está arrumado aqui.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

desejo de agricultura

saborear o prazer de caminhar, no mercado, entre as bancas dos legumes, aprender a escolher aqueles que mais convém a cada prato, sorrir aos sorrisos das senhoras que têm as mãos sábias saídas da terra, ser, enfim, um dia de sol em novembro.

congresso internacional do medo

o medo é uma companhia confortável - pode ficar connosco o tempo de uma vida inteira, como base de uma série de esquemas que vamos inventando para que o próprio medo sobreviva, sem ser atacado. ao longo do tempo, o medo vai sendo uma casca que nos protege de nos expormos, de nos confrontarmos.

ora, chega o dia em que a casca estala - pode ser coisa pequena, pouco nítida, mas estala, um nosso mundo treme e ficamos, entre a esperança e o pânico, a ver a falhar crescer, a luz a queimar os olhos do nosso medo tão bem guardado por tanto tempo. o processo é doloroso, mais uma vez, mas necessário.

necessário, sobretudo, porque fomos feitos para ser felizes e completos, não para guardar, dentro de nós, as falhas e os erros acumulados como um adn. a corrente tem que ser quebrada em algum momento, não vá a nossa vida acabar desperdiçada. a corrente tem que ser quebrada, está a ser quebrada, não vá a nossa vida, entretanto, acabar.

El Boxeador Polaco


O novo livro de Eduardo Halfón acaba de ser lançado, em Espanha. A ele, os meus desejos de boa sorte para mais este livro. Os dois contos que conheci antes do livro sair garantem-me que estamos perante mais uma pérola made in guatemala (com influência La Rioja, é claro).

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Jinx

Os Jinx são uma banda de Zagreb, com uma agradável estética old fashion. Algures pelo meio do servo-croata da letra, diz-se que "a nossa linha da frente está a ser atacada". Boa razão para partir de fim-de-semana. Óptima banda sonora, como podem comprovar.

E há mais:



Fernando Dinis vence Novos Talentos Fnac Literatura 2008

O meu amigo Fernando Dinis é o vencedor do Prémio Novos Talentos Fnac Literatura 2008. A decisão do júri foi hoje comunicada no site da empresa. O comunicado reza o seguinte:

A edição de 2008 do Prémio Literário Fnac /Teorema recebeu cerca de uma centena de candidaturas de elevada qualidade.
O Júri constituído por Carlos da Veiga Ferreira (Editorial Teorema), Rui Zink (Escritor) e Dóris Graça Dias (Crítica Literária), reunido a 6 de Novembro de 2008 , atribuiu o Prémio ao romance “A Casa do Esquecimento” de Fernando Dinis.
A Fnac congratula o vencedor, que terá a sua obra publicada durante o mês de Dezembro, e agradece a dedicação de todos os candidatos que apresentaram as suas obras a concurso.
Obrigado aos membros do Júri pelo empenho no reconhecimento de Novos Talentos Literários.

Aproveito para dar os meus parabéns ao Fernando, que vê assim reconhecida publicamente a qualidade do seu romance. Depois da edição da poesia e das gravações musicais, esperemos que a entrada no romance seja de sucesso prolongado, até porque é merecido.

Isto não é sobre o Obama

E se o discurso de vitória do Obama foi lindo (há bocado tive um lapso feliz e disse “discurso de vitória da América”, a postura de McCain foi de uma dignidade impressionante. Dizem: “Ah, mas é fácil ser digno na derrota.” A esses eu respondo: eu já estive lá e olhem, filhos, não é.

Rui Zink (bold meu)

Uma Nova Democracia para chamar nazi-fascista à Velha

Nem Adão e Eva foram expulsos do Paraíso sem serem ouvidos por Nosso Senhor Jesus Cristo

Baltasar Aguiar, líder do PND - Madeira

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Comunidade de Leitores de BD orientada por Sara Figueiredo Costa

Dado ao sucesso das sessões anteriores, a Bedeteca deseja continuar com o seu Grupo de Leitores de Banda Desenhada (GLBD).O GLBD é uma actividade da Bedeteca de Lisboa, concebida em colaboração com Sara Figueiredo Costa e Pedro Moura, tendo sido este último o moderador das sessões anteriores. Neste novo ciclo será Sara Figueiredo Costa a moderar.O objectivo principal deste GLBD é a partilha das leituras de um conjunto de títulos de banda desenhada. Este conjunto está seleccionado e será apresentado pelo moderador na primeira sessão, assim como a sua justificação e a metodologia de trabalho a seguir. A metodologia geral prevê a leitura de cada título antes da sessão correspondente, na qual será facultado apoio documental. Leitura entre pares, alargar os horizontes de leitura, aprender mais sobre o universo da bd são os objectivos desta iniciativa.As sessões decorrerão no auditório da Bedeteca de Lisboa, às 16h30, de 15 em 15 dias, a realizar a primeira sessão no Sábado de dia 8 de Novembro. Nesta sessão será apresentada e discutida a lista de livros para selecção.
Estão abertas novas inscrições, para pessoas a partir dos 16 anos, sem qualquer outro tipo de limitação. Poderão ser feitas através de telefone (21 853 66 76), contactando-se Marcos Farrajota ou Ana Júdice, ou o email bedeteca at cm-lisboa.pt.

Nota: A Sara está impossibilitada pelo blogger de actualizar a sua página desde o dia 3 de Novembro. Por vezes esquecemo-nos de que estamos, todos, nas mãos do desconhecido.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

conquistar pela geografia

quando ele lhe disse que conhecia a aldeia dela, ela ficou mais simpática.

descida aos infernos

* aparência - dirigi-me ao centro comercial colombo para comprar, na fnac, o álbum magnífico material inútil, dos pontos negros, do qual precisarei para um trabalho futuro. aproveitei para dar uma vista de olhos aos livros que, mais uma vez, foram alvo de arrumação. no entanto, o sector de livros franceses, para além de reduzido ao mínimo, continua "atravessado": interrompida a ordem na letra q, podemos encontrar os restantes autores num canto de uma das ilhas, num outro corredor que não o das prateleiras onde estão os livros franceses.

* formação - por defeito habitual, não resisti à compra de um livro que estava assinalado com a etiqueta dos preços mínimos fnac. como detinha um desconto de mais de 10 euros (ah, os stocks perdidos nas editoras que se vendem e que se compram...), aproveitei a ocasião. para minha surpresa, no entanto, sou "detido" pela funcionária da caixa que me relembra, para o caso de eu ainda não saber, " olhe que agora os descontos só são válidos para os aderentes de cartão". nesse caso não levo, disse-lhe eu. mas como se o sistema informático não quisesse comprovar a frase da funcionária, fazendo o desconto automaticamente, lá se chamou a superior para averiguar o caso. confirmado então o facto de o livro ter mesmo desconto para o povo, trouxe-o, não sem fazer o reparo, que nenhuma delas foi capaz de resolver, de que o desconto que o sistema fazia não era o desconto que estava assinalado no livro. assim, para um livro marcado a 13,5€, paguei 13,51€.

* aparência (outra vez) - não satisfeito por não ter encontrado nenhum Quignard, nem nenhum Le Clézio, em francês na loja fnac, fui até à bertrand, onde o cenário é ainda mais assustador. à minha pergunta "tem livros em francês?" a funcionária, um pouco assustada com a excêntricidade da pergunta, respondeu-me, "são raros", e levou-me até uma prateleira a um canto, escondida atrás de uns caixotes com livros por marcar, indicando-me "se houver estão aí". o problema é que ali só estavam livros em inglês, castelhano e algumas colecções de bolso de editoras portuguesas, tudo ao molho e com muita fé em deus.

haja um toque de divino, nesta descida aos infernos.

Yes, We Can!


terça-feira, 4 de novembro de 2008

uma definição para a palavra noite


a hora do café

a mulher acabou de servir os cafés e refugiou-se na copa, onde tinha guardada uma chávena de chá quente. estava um frio de quebrar espelhos, na pequena vila da serra. da copa, a mulher conseguia ver os clientes que, distraídos, iam sorvendo devagar os cafés, entre palavras de ocasião e olhares furtivos para a televisão, onde passava um qualquer jogo de futebol. do chá quente a mulher tirava alguns dos pensamentos que lhe povoavam a cabeça, como o seu filho dormindo na cama grande da casa da avó, o bem que sabe deitar num sofá a ver um filme numa noite sem compromissos, as saudades que ela tinha de sentir as mãos gretadas de um homem forte a prender-lhe a cintura enquanto a penetrava. ao levantar os olhos da chávena, já outro cliente esperava ao balcão, a mesma lassidão dos gestos, o mesmo olhar perdido entre a máquina de café e a televisão, o mesmo desprezo amigável na forma de pedir a bica. a mulher sorriu e virou-lhe costas, como quem encontra algum prazer nestes jogos de rapazes.

um pequeno recado

Na Pausa sobre as ruínas, o André Simões exercita o prazer da tradução do árabe para o português. No início deste blogue, encontramos uma série de poetas árabes contemporâneos muito surpreendentes e capazes de uma concisão e linguagem que fazem da poesia um dos bons segredos do mundo.

Para vos aguçar a curiosidade, deixo-vos um poema de Ahmed Barakat, poeta marroquino falecido em 1994, com 34 anos.

um pequeno recado

vou ao mercado
peço-te que me esperes aqui até eu voltar
podes lavar a tua roupa se te sentires aborrecida
e se a porta te perturbar
então arranca-a
e põe qualquer coisa no seu lugar
peço-te que não deixes a tua cara no espelho
e não saias pela janela
não te mates como é teu costume
mas
espera-me
aqui
até
eu voltar

Direito à Resposta

Paulo Gonçalves, em representação da Porto Editora, exerce o direito de resposta.

Chegou ao nosso conhecimento um comentário (...) assinado por Joaquim Gonçalves, no qual se critica a Porto Editora e as respectivas “Condições Gerais de Venda”.
Relevando algumas palavras e considerações menos próprias, gostaríamos de sublinhar que as novas “Condições Gerais de Venda” enquadram-se numa política de atendimento ao cliente mais eficaz, eficiente e profissional.
É objectivo da Porto Editora prestar um serviço que corresponda às necessidades dos livreiros num mercado cada vez mais competitivo e, modéstia à parte, sentimos que estamos a consegui-lo – assim nos têm dito centenas de livreiros de todo o país, continente e ilhas.
Por outro lado, pela presença que temos no mercado editorial – desde logo na área escolar –, não podemos descurar a responsabilidade que recai sobre a Porto Editora em contribuir para um correcto abastecimento do mercado. Para tal, definir regras de modo a evitar o desvirtuamento de uma concorrência sã e leal pareceu-nos imperioso, e foi nesse contexto que foram redigidas as referidas “Condições Gerais de Venda”, que, não é demais sublinhar, são transparentes, equilibradas e estão em conformidade com a Lei em vigor.
Para um grupo da dimensão da Porto Editora, é óbvio que interessa estar presente no maior número de pontos de venda – ou seja, interessa vender o mais possível. Mas queremos fazê-lo com regras e salvaguardando todos os nossos parceiros livreiros que cumprem e honram os compromissos assumidos.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Direito à Indignação (ou tempo de antena para livreiros que valem a pena)

Joaquim Gonçalves, livreiro da A das Artes, fez-me chegar este email que transcrevo na íntegra.

Ninguém se revolta com isto?
Eu revolto. O dinheiro não é muito, aliás, de muito, tem pouco. O dinheiro, simplesmente, não é. Não há. Existe teoricamente ou por um breve lapso de tempo, entre a carteira do cliente e o fundo sem fundo do banco. Entretanto, no entanto, não sendo tanto, vai dando para ir servindo os gostos do cliente, aqui e ali, com um ou outro pedido mais difícil de arranjar nos fornecedores que confiam em nós. E no mercado. Se não somos clientes com conta aberta, enviam-nos livros à cobrança. Alguns até são simpáticos ao ponto de não cobrarem portes a partir de determinado valor. Alguns até são simpáticos ao ponto de cobrarem os portes mas deixarem que façamos transferência bancária para evitar o porte da cobrança. Há, todavia, “produtos”, como agora lhes chamam alguns novos “abutres” que gerem o sector livreiro, que são exclusivos de determinado fornecedor. Esses têm de ser adquiridos exclusivamente na respectiva fonte. Porque é essa fonte que produz e distribui, em exclusivo, o seu “produto”. Antigamente chamava-se livros.Deixemo-nos de poesia.A Porto Editora tem novas condições de fornecimento. Em resumo, só vende aos seus clientes. E os seus clientes são apenas clientes “a crédito”! Imaginam uma empresa que só vende a crédito! Há a Porto Editora! Dinheiro à vista? De forma nenhuma.Mas, atenção. Para ser cliente da Porto Editora temos de apresentar uma garantia bancária mínima de 5000€ (cinco mil euros) que, como todos sabemos, tem de ser paga ao Banco que no-la dá. E este é um custo acrescido para o “produto”, o qual não pode ser debitado ao cliente dadas as regras sobejamente ignoradas da Lei do Preço Fixo do Livro.A arrogante Porto Editora tem todo o direito de ditar as suas regras. Mas a Porto Editora, tem, também, de acatar as regras da Sociedade em que está inserida. Para fazer cumprir essas regras existem os instrumentos e instituições reguladoras.Desculpem a minha ignorância se é errada a minha corrente de pensamento, mas julgo que a Porto Editora não se pode negar a vender um “produto” que é exclusivamente seu a uma empresa que é legalmente certificada como revendedora de “produtos” do tipo a que nos referimos, a preço de revenda, desde que essa empresa pague.O que a Porto Editora está a fazer é colocar à sua porta a famigerada tabuleta ilegal do “Reservado o direito de admissão”.Há mais de dois meses perguntei à referida empresa, por correio electrónico, qual a forma de adquirir os seus “produtos” sem ser a crédito. (Eu pago logo, senhores! Quem não desejaria ter sempre esta disponibilidade?). Até hoje, apesar do meio expedito do contacto, não obtive nenhuma resposta.Lamentavelmente, porque fui um dos não admitidos no “clube”, caro, da Porto Editora, socorri-me de uma das tais entidades reguladoras do mercado queixando-me da situação e da desigualdade imposta em termos de concorrência. Falo da “Autoridade da Concorrência”. Há mais de um mês. Também “on-line”, preenchendo um formulário que é apresentado e facultando documentos que ajudariam à análise. Respostas… Nada! Na semana passada enviei um “e-mail” perguntando o que se passava, já que estou diariamente a ser prejudicado pela situação. O mail foi lido. A resposta é que não aparece.Em vez de “produtos” eu gostava de voltar a falar de livros atrás do balcão ou no meio das prateleiras. Com pessoas e não com gestores de “produtos”.Ninguém se revolta com isto? Eu revolto.

"Coreo-grafias. Literatura e Dança" na Textos e Pretextos


A Textos e Pretextos, o Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e a Livrododia Editores têm o prazer de anunciar o lançamento do nº 11 da Revista Textos e Pretextos, dedicada ao tema "Coreo-grafias. Literatura e Dança", no dia 10 de Novembro, pelas 18h30, na Lx Factory - Rumo do Fumo/ Fórum Dança. A sessão será constituída por uma mesa-redonda com Vera Mantero, Olga Roriz, Daniel Tércio e Henrique Chaves.
A Textos e Pretextos é uma co-edição do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e da Livrododia Editores

Zé Diogo, és grande!

Ontem à noite, em horário nobre, na Sic, José Diogo Quintela apresentou-se de bigode. Não, não era um sketch, nem um bigode falso. Era a própria penugem do Zé Diogo, orgulhosamente por rapar, debaixo do nariz. Para os homens isto pode não querer dizer nada. Mas os rapazes agradecem.

(se alguém tiver uma imagem deste acontecimento agradeço que me façam chegar o link)