quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Não há título para isto

Os livros, as músicas, têm um tempo para ser bons. Quando lidos ou ouvidos no momento errado, pouco nos dizem. Acontece-me com o livro que estou a ler agora. Há uns meses, li 3 ou 4 capítulos, não percebi nada, não entrei na história, pouco me disse aquela voz. Hoje, pego nele, e sinto uma violência pegada, em todas as palavras, uma força que ainda não tinha visto na escrita de uma mulher. O caso é Claire Castillon. Le Grenier. Onde se pode ler coisas assim:

J'ai ouvert grand ma bouche juste devant un miroir, je voulais voir s'il y avait quelquer chose de coincé dans mon oesophage, comme une boule qui fait un peu mal, et il n'y avait rien de visible. Alors j'ai avalé un calot, je l'ai fait glisser avec du beurre, enrobé dans uns blanc de poireau. Je ne voulais pas avoir une boule invisible dans la gorge. J'en voulais une bien concrète, quitte à souffrir.

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