segunda-feira, 27 de outubro de 2008

este país não é para sábados

Por falha, certamente humana, o responsável do espaço onde se realizou o segundo encontro de escritores não recebeu informação, dos seus superiores, sobre a cedência da sala. Às dezanove horas em ponto, entrou pela sala dentro, e expulsou toda a gente, ameaçando com o corte das luzes. A última sessão de debate teve, então, um intervalo para deslocação até ao espaço da livraria, onde, em formato de tertúlia, se continuou a conversa. Para os presentes, este pequeno acontecimento, permitiu que este segundo encontro não seja, nunca mais, esquecido. no entanto, algumas questões se levantam com este (e repito) pequeno acontecimento. a principal delas é a questão que nos colocamos sobre como é feita a gestão dos espaços públicos (salas, auditórios, teatros, etc.). A lógica do funcionário impera e, ou não há espírito de missão ou esse espírito é totalmente apagado (por sobrecarga) perante as necessidades administrativas associadas. Com isto, ficamos perante um problema hierárquico em que, quando o funcionário principal não está presente, os outros recorrem aos seus pequenos poderes para justificar o seu trabalho - afinal é sábado, e aos sábados as pessoas querem ir para casa. Pode-se dizer que nem toda a gente estará para isso - para ceder um pouco da sua vida em prol dos acontecimentos culturais dos outros - mas é por isso mesmo que uns podem dirigir estes espaços, uns podem estar a eles ligados como funcionários, e outros não. Querer que a cultura seja uma prioridade, não depende, tantas vezes assim, de uma questão de orçamento: depende de estar a eles associado um certo voluntarismo e satisfação no trabalho que, infelizmente, nem sempre se consegue encontrar.

2 comentários:

  1. Que cena!

    Imagino as pessoas que não são de Torres Vedras e que estavam no público. Deviam ter ficado com uma vontade de voltar à cidade....

    Flávia

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  2. e não é que fiquei com vontade mesmo!

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