quinta-feira, 30 de outubro de 2008

chuva, chuvinha

quando chega a chuva, fico mais melancólico. parece que a chuva me ajuda a pensar (ou me obriga, o que talvez sendo a mesma coisa, terá outra intimidade). a chuva chegou esta manhã, estava eu deitado na minha cama, acordei com o barulho da chuva a cair na minha varanda. não sei se eram seis ou sete da manhã. a chuva a cair na minha varanda, eu deitado. a chuva a cair no pára-brisas do meu carro, um pouco mais tarde, e eu a olhar para as luzes dos carros que se esbatem com a água que insiste em meter-se entre mim e a realidade. meto a música mais alto (mesmo que isso incomode um pouco quem trabalha ao meu lado, não sei se o faz). a chuva ficou para a tarde, depois do almoço, entrou no meu casaco, nas minhas calças e nos meus sapatos. há qualquer coisa chamada lar, lugar onde espero chegar, mais logo, para saborear este dia de chuva, esta tarde de chuva, este pensar o íntimo com o barulho da água sobre algumas coisas que são minhas. há qualquer coisa (e logo eu que defino sempre tão mal as coisas, tão prático perante os problemas dos outros, tão complicado com os meus próprios). há e é boa. eu sei.

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