sexta-feira, 31 de outubro de 2008

"Lou Reed quer ser preto, eu quero ser Lou Reed"

Se também eu pudesse votar nas Eleições de 4 de Novembro, nos Estados Unidos, o mais provável é que votasse em Cynthia McKinney (do Partido Verde), em Ralph Nader (do Partido da Paz e Liberdade), em Brian Moore (do Partido Socialista) ou em Roger Calero (do Partido dos Trabalhadores Socialistas). Estes são alguns dos 14 candidatos às Eleições onde Obama e McCain levam toda a atenção. Infelizmente conheço pouco ou nada das propostas dos restantes 12 candidatos, o que não é de espantar, vivo do lado de cá do Oceano e não posso votar nas Eleições. Mas se pudesse, seria com um deles que eu estaria. Pensando, como penso, que me é totalmente igual ter um Obama ou um McCain na Casa Branca. Igualmente mau. Dir-me-ão que nenhum desses doze tem hipóteses de ganhar. Mas a verdade é que eu, quando voto, voto em ideias. É um país, não é uma casa de apostas.

o caminho do céu, pela literatura

"Diante dos seculares se falle sempre de cousas de edeficação, que causem horror"

Frei António das Chagas

via André Simões, o meu homem na BN

a língua do lapso

ia dizer que o halloween é carnaval fora de época, mas disse fora de épica. e assim, acertei.

porque se está a caminho dos trinta

Escolher mal é demasiado desgastante. Esperar ser escolhido é uma esperança vã.

para não se aborrecer


está comigo no escritório, leva-me a casa, acompanha-me ao jantar, vem comigo para o trabalho, há-de me levar a lisboa. b fachada, esta noite, com samuel úria, no lusitano clube. a partir das 21h30.

Pão por Deus

quando era pequeno, era época de ansiedade, até que chegasse o primeiro de novembro. sempre nesta semana a festa da aldeia de meu pai, a Serra da Vila, onde se sucediam os bailes, o torneio do futebol, as corridas, a quermese, a alegria nas várias casas, do meu avô e dos outros homens, a beber a água-pé e a arriscar o vinho novo. na manhã do primeiro de novembro, dia de todos os santos por cá, de todos os mortos por outras paragens, dia de ir ao cemitério mudar as flores, mas nesse tempo ainda ninguém tinha morrido, eu era uma criança e logo cedo, saía de saco do pão ao ombro a bater a todas as portas, com os outros miúdos, a pedir pão por deus. eram os bolos da festa (bolos secos, ferraduras), línguas de gato, chocolates, rebuçados, chupa-chupas, às vezes (na casa de uma prima, por exemplo) uma moeda de vinte e cinco escudos a fazer inveja ao resto da rapaziada. era não um, dois, três sacos, às vezes, com passagens pela casa da minha avó para deixar um, levar outro vazio, e isto a dobrar, porque o meu irmão mais pequeno também ia ao mesmo, os mesmos percursos, os mesmos sacos cheios em cima de uma das mesas da casa, a serem despejados e contabilizados, os olhos muito abertos e vivos de conquista e gulodice. quando eu era pequeno, quando ainda ninguém tinha morrido.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

próxima paragem: mudar a sua vida


fiquei na dúvida se as vagas do foguetão estavam ou não completas. teremos sempre um bilhete de intercidades.

chuva, chuvinha

quando chega a chuva, fico mais melancólico. parece que a chuva me ajuda a pensar (ou me obriga, o que talvez sendo a mesma coisa, terá outra intimidade). a chuva chegou esta manhã, estava eu deitado na minha cama, acordei com o barulho da chuva a cair na minha varanda. não sei se eram seis ou sete da manhã. a chuva a cair na minha varanda, eu deitado. a chuva a cair no pára-brisas do meu carro, um pouco mais tarde, e eu a olhar para as luzes dos carros que se esbatem com a água que insiste em meter-se entre mim e a realidade. meto a música mais alto (mesmo que isso incomode um pouco quem trabalha ao meu lado, não sei se o faz). a chuva ficou para a tarde, depois do almoço, entrou no meu casaco, nas minhas calças e nos meus sapatos. há qualquer coisa chamada lar, lugar onde espero chegar, mais logo, para saborear este dia de chuva, esta tarde de chuva, este pensar o íntimo com o barulho da água sobre algumas coisas que são minhas. há qualquer coisa (e logo eu que defino sempre tão mal as coisas, tão prático perante os problemas dos outros, tão complicado com os meus próprios). há e é boa. eu sei.

uma questão de costas

"já não podemos pensar macro, temos que pensar micro (...) na diferença que é, na tua casa, no teu bairro, na tua escola, na tua empresa, seres uma mulher de costas direitas, ou uma mulher que anda vergada ao que lhe mandam"

José Mário Branco, muito inspirador, esta manhã, na Antena 1

ainda sobre as frutas

"Se não comprar porcarias, não como porcarias"

João Cristóvão

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

daqui a pouco


e entretanto, olho a cábula e oiço b fachada...

Como um Deus recusando a sua divindade


Maradona volta à relva, agora para ser Seleccionador da Argentina. Como um Deus que recusa a sua divindade, "El Pibe" volta a baralhar as contas de todo um povo argentino, colocando-se no lugar do sacrificado - diga-me se houve, alguma vez uma grande selecionador argentino, e se estão a pensar em Menotti ou Bilardo, os campeões mundiais, pensem em como eles são devedores de Kempes e Maradona, mais do que das suas proezas tácticas (e isto é tão verdade que Bilardo entra na equipa técnica de apoio a Maradona, nesta sua nova aventura). Mesmo que necessitados da presença do divino, a nós, seres humanos, agradam-nos aqueles que, como Maradona, passam a vida a entregar-se aos mais duros trabalhos. É um sinal dos céus que nos alerta para aquilo que merecemos (ou não), mas sobretudo, para aquilo que não devemos nunca esquecer de tentar conquistar.

"frutinha"

Uma senhora na fila do supermercado, a olhar para as minhas compras, com um ar entre o surpreendido e o indignado. Eram só uns iogurtes, chás, cereais, desodorizantes e sabonetes naturais. E uma dose de tofu. Do lado dela, feijão enlatado, detergente para a loiça, frango assado. Acho que ela me achou "frutinha".

dizem que andam a falar de mim

e dizem que me acham "um matador, um bom poeta, um bom amigo, um preguiçoso para escrever, que te atiras às miùdas que nao se atiram a ti, que fumas uns porros, que és superdinâmico, dominante na cama sem chegar a maltratador, coisas assim."

eu bem senti as orelhas quentes.

terça-feira, 28 de outubro de 2008


segunda-feira, 27 de outubro de 2008

este país não é para sábados

Por falha, certamente humana, o responsável do espaço onde se realizou o segundo encontro de escritores não recebeu informação, dos seus superiores, sobre a cedência da sala. Às dezanove horas em ponto, entrou pela sala dentro, e expulsou toda a gente, ameaçando com o corte das luzes. A última sessão de debate teve, então, um intervalo para deslocação até ao espaço da livraria, onde, em formato de tertúlia, se continuou a conversa. Para os presentes, este pequeno acontecimento, permitiu que este segundo encontro não seja, nunca mais, esquecido. no entanto, algumas questões se levantam com este (e repito) pequeno acontecimento. a principal delas é a questão que nos colocamos sobre como é feita a gestão dos espaços públicos (salas, auditórios, teatros, etc.). A lógica do funcionário impera e, ou não há espírito de missão ou esse espírito é totalmente apagado (por sobrecarga) perante as necessidades administrativas associadas. Com isto, ficamos perante um problema hierárquico em que, quando o funcionário principal não está presente, os outros recorrem aos seus pequenos poderes para justificar o seu trabalho - afinal é sábado, e aos sábados as pessoas querem ir para casa. Pode-se dizer que nem toda a gente estará para isso - para ceder um pouco da sua vida em prol dos acontecimentos culturais dos outros - mas é por isso mesmo que uns podem dirigir estes espaços, uns podem estar a eles ligados como funcionários, e outros não. Querer que a cultura seja uma prioridade, não depende, tantas vezes assim, de uma questão de orçamento: depende de estar a eles associado um certo voluntarismo e satisfação no trabalho que, infelizmente, nem sempre se consegue encontrar.

sábado, 25 de outubro de 2008

Encarem isto como uma pista

B Fachada - Tradição Oral Contemporânea

de um debate sobre cultura

Nem uma análise marxista da realidade, nem o fim das ideologias: a nossa ideologia é a que cria projectos para que outros projectos sejam possíveis, mais que uma acção directa, uma acção indirecta baseada na prática, que acredita que um indíviduo é o suficiente para mudar uma pequena parte do mundo (uma cidade, um bairro, uma rua, uma casa) e que isso representa um avanço enorme para a civilização daqueles que são atingidos por esse movimento. No fundo, uma existência emocional e intuitiva que, nem por isso, deixa de ser uma ideologia.

máquina de tentar parar o mundo

Canon Powershot G9
Não podendo ser Deus, vou ter que aprender a mexer nisto

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

É favor não esquecer!

Sexta-feira, 24
22h - Sessão 1: Movimentos Culturais em Torres Vedras (moderador: Luís Filipe Cristóvão) – Liv. Livrododia
- Venerando de Matos
- Célia Reis

Sábado, 25
Durante a Manhã: Exposição das Histórias em Cadeia – Liv. Livrododia
15h30 - Sessão 2: Revistas Literárias Hoje (moderador: Rita Grácio) – Salão Nobre dos Paços do Concelho
- Revista Sítio – Luís Filipe Cristóvão
- Revista Oficina de Poesia – Jorge Fragoso e Cristina Nery
- Revista Big Ode – Rodrigo Miragaia
- Revista Callema – Hugo Milhanas Machado
- Os Fazedores de Letras - Luís Pedro Oeiras Fernandes

17h30 - Sessão 3: Literatura e Intervenção Social (moderadora: Golgona Anghel) – Salão Nobre dos Paços do Concelho
-José Mário Silva (escritor e crítico literário)
-Paco Souto (escritor, radialista e ilustrador)
-Manuel A. Domingos (escritor e professor)
- Waldir Araújo (escritor e jornalista)

Salvar a Pátria

Depois da inenarrável entrevista dada pelo jornalista-autor-director da entrevistadora (?) de ontem ao Jornal da RTP 2, José Mário Silva devolve-me a esperança, explicando ao mundo e aos portugueses, o sentido da vida de José Rodrigues dos Santos.

Why can't we be friends?

Haider, que fundou o BZÖ com a irmã, depois de entrar em ruptura com o FPÖ, gostava de se apresentar como um homem de família, que apenas bebia ocasionalmente. Quanto à homossexualidade, chegou a votar contra uma moção parlamentar que baixava a idade do consentimento para ter relações sexuais, apesar dos rumores que corriam há anos sobre a sua vida privada.

Patrícia Cerqueira, no DN

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

uma certa idade

são já quase trinta anos para aprender a entender as coisas

mau tempo no canal (ucraniano)


mau tempo no canal (2)

Uma porta-voz da campanha republicana, Maria Comella, recusou-se ontem a comentar “as decisões estratégicas em relação à forma como os recursos financeiros são gastos”, mas ao fim do dia, outra responsável do partido republicano, Tracey Schmitt, revelou a intenção [do comité] de doar todo o vestuário a instituições de caridade, após a campanha”.

Sofia Cerqueira, no Público.

mau tempo no canal

Manter as distâncias é o que está a dar

Alexandre Andrade, n'umblogsobrekleist

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Roubos

Um portátil é um portátil. Um tipo sai de casa para ir comprar cigarros, um malandro qualquer consegue entrar-lhe em casa, percebe pela envolvência que o dono da casa não vai demorar, saca do portátil que está em cima da mesa e pira-se. Isto é daquelas cenas comuns em que não é preciso ser-se ladrão para se saber, minimamente, como se faz.

Que uma pessoa esteja num processo de escrita e não tenha rascunhos à mão, impressões, nem sequer a lembrança de enviar o ficheiro de um dos seus e-mails para outro, de modo a ficar com uma cópia guardada na caixa virtual, é algo que me espanta. Que diga que o querem calar, prejudicar, censurar, é apenas um acto repetido, uma forma de promoção, de se falar dele, quando os outros concorrentes ao lugar de "besta célere em Portugal" estão, apenas, a publicar livros.

Serra de Montejunto

Imaginem o vento, esta manhã, a 666 metros de altitude

3º Aniversário da Index Livraria (Porto)

Para os sortudos que vivem no Porto e arredores ou que passarão lá perto por estas próximas semanas, é obrigatório visitar a Index Livraria, que festeja o seu 3º aniversário. O programa das festas é o seguinte:

28 de Outubro

-“Ver o Livro Ler o Filme”
Livro: "Vale Abraão", Agustina Bessa-Luís
Filme: "Vale Abraão", 1993, Manoel de Oliveira

-“15 dias – 5 autores, 5 leitores, 5 editores”
DIA DO AUTOR - Paulo Bandeira Faria

-Exposição de Fotografia de Carlos Cezanne
www.ccezanne.com
-YOU WON THIS ITEM
Uma instalação de Ana Efe+ All Brain

-INbar
Exposição de Ilustração de Sónia Borges

29 de Outubro

-“Ver o Livro Ler o Filme”
Livro: O Amante, Marguerite Duras
Filme: O Amante, Jean-Jacques Annaud

-“15 dias – 5 autores, 5 leitores, 5 editores”
DIA DO LEITOR - João Fernandes

30 de Outubro

-“Ver o Livro Ler o Filme”
Livro: "O Leopardo", Tomasi di Lampedusa
Filme: "O Leopardo", 1963 Luchino Visconti

-Oficina de escrita - “Escrita Dois a Dois”
Orientador: Alberto Lóio

-“15 dias – 5 autores, 5 leitores, 5 editores”
DIA DO EDITOR – José Antunes Ribeiro

31 de Outubro

- “Ver o Livro Ler o Filme”
Livro: "Jules et Jim", Henri-Pierre Roché
Filme: "Jules et Jim", 1962, François Truffaut

- “15 dias – 5 autores, 5 leitores, 5 editores”
DIA DO AUTOR - Richard Zimler

-INDEX AFTER HOURS
LIVRO ABERTO / BAR ABERTO
Dj Ricardo Dias
Exposição do Livro de Artista: Livro Aberto de Nuno de Sousa

1 de Novembro

-“Ver o Livro Ler o Filme”
Livro: A Casa dos Espíritos, Isabel Allende
Filme: A Casa dos Espíritos, 1993 Billie August

-“Araújo e Ofélia”
Actor e manipulador: Gilberto Hinça

- “15 dias – 5 autores, 5 leitores, 5 editores”
DIA DO LEITOR - Nuno Grande

-INDEX AFTER HOURS
LIVRO ABERTO / BAR ABERTO
Dj Alec Wizz (Danceplanet.com/Ofirprod)

2 de Novembro

-“Ver o Livro Ler o Filme”
Livro: Pride and Prejudice, Jane Austen
Filme: Pride and Prejudice, 2006 - Joe Wright

- “15 dias – 5 autores, 5 leitores, 5 editores”
DIA DO EDITOR - Zita Seabra

-Oficina: “A MENINA TRISTE”
Orientadora: Sónia Borges

3 de Novembro

-“Ver o Livro Ler o Filme”
Sugestão de Vanessa Ventura/Casa da Animação
Filme: Os Salteadores, de Abi Feijó
Livro: Os Salteadores, Jorge de Sena
e
Filme: O Clandestino, de Abi Feijó
Livro: "Gente da terceira classe" - baseado no conto de José Rodrigues Miguéis "O Viajante Clandestino" .
e
Filme: Cães Marinheiros, de Joana Toste
Filme baseado num conto de Herberto Helder
VIPs - Very Important Publications

-“15 dias – 5 autores, 5 leitores, 5 editores”
DIA DA AUTORA/ILUSTRADORA INFANTIL 3
Luísa Dacosta e Cristina Valadas

4 de Novembro

-“Ver o Livro Ler o Filme”
Livro: Trainspotting, 1996, Danny Boyle
Filme: Trainspotting, Irvine Welsh

-“Ah, isto é que é poesia!?”
Contador de histórias: Filipe Lopes

- “15 dias – 5 autores, 5 leitores, 5 editores”
DIA DA LEITORA - Maria João Sampaio

5 de Novembro


-“Ver o Livro Ler o Filme”
Livro: Costa dos murmúrios, Lídia Jorge
Filme: Costa dos murmúrios, Margarida Cardoso

-“15 dias – 5 autores, 5 leitores, 5 editores”
DIA DA EDITORA - Isabel Martins / Madalena Matoso

6 de Novembro

-“Ver o Livro Ler o Filme”
Livro: Les Miserables, 1862 - Victor Hugo
Filme: Les Miserables, 1998

-Oficina: Ler para ler-se e escrever-se para dizer-se
Orientadora: Sylviane Rigolet

- “15 dias – 5 autores, 5 leitores, 5 editores”
DIA DO AUTOR - Valter Hugo Mãe

7 de Novembro

-“Ver o Livro Ler o Filme”
Livro: Lolita, Vladimir Nabokov.
Filme: Lolita, 1962 - Stanley Kubrick

- “15 dias – 5 autores, 5 leitores, 5 editores”
DIA DO LEITOR - João Teixeira Lopes

-INDEX AFTER HOURS
LIVRO ABERTO / BAR ABERTO
Dj Mariana Couto

8 de Novembro

-“Ver o Livro Ler o Filme”
Capote: A Biography - Gerald Clarke
Filme: Capote, 2005

-Oficina “Escrita Dois a Dois”
Orientador: Alberto Lóio

- “15 dias – 5 autores, 5 leitores, 5 editores”
DIA DO EDITOR - Pedro Marques

-INDEX AFTER HOURS
LIVRO ABERTO / BAR ABERTO
Dj MAQ (Indústria.Porto/Café Lusitano)


-Bebé-in
Orientadora: Sylviane Rigolet

9 de Novembro


-“Ver o Livro Ler o Filme”
Livro: Este país não é para velhos, Cormac McCarthy
Filme: Este país não é para velhos, 2007 - Ethan e Joel Coen

- “15 dias – 5 autores, 5 leitores, 5 editores”
DIA DO AUTOR - Manuel Jorge Marmelo

10 de Novembro

-“Ver o Livro Ler o Filme”
Sugestão de António Gaio/Cinanima
Livro: O Velho e o Mar, Ernest Hemingway
Filme: O Velho e o Mar, Alexander Petrov
e
Livro: Crime e castigo, Fiódor Dostoiévski
Filme: Crime e castigo, Piotr Dumala

- “Caixinhas de Segredos”
Orientação: Evelina Oliveira

-“15 dias – 5 autores, 5 leitores, 5 editores”
DIA DA LEITORA - Isabel Alves Costa

11 de Novembro

“Ver o Livro Ler o Filme”
Livro: Balada da Praia dos Cães, José Cardoso Pires, 1982
Filme: Balada da Praia dos Cães, 1987 por José Fonseca e Costa

“15 dias – 5 autores, 5 leitores, 5 editores”
DIA DO EDITOR - Paulo Teixeira Pinto

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Isto é folclore

Tiago Guillul volta a espantar Torres Vedras, desta vez em concerto inserido no programa do 2º Encontro de Escritores, uma organização do Académico de Torres Vedras. O concerto, no qual o músico se apresentará em várias focalizações (como se nota no cartaz), terá lugar na Livrododia - Centro Histórico, dia 23 de Outubro, às 18 horas.

Maria do Sameiro Barroso vence Palavra Ibérica 2009

Maria do Sameiro Barroso, com o original «Uma Ânfora no Horizonte», acaba de vencer a edição portuguesa do "Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica 2009.

A autora nasceu em Braga em 1951. Médica, germanista, ensaísta e investigadora, licenciada em Filologia Germânica e em Medicina, fez a sua estreia literária em 1986. Publicou os seguintes livros de poesia: O Rubro das Papoilas, Rósea Litania, Mnemósine, Meandros Translúcidos e Amantes da Neblina. Vindimas da Noite é o seu livro mais recente, editado por edições Labirinto. Maria do Sameiro Barroso é ainda a responsável pela organização das antologias Um Poema para Ramos Rosa e Um Poema para Agripina.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O regresso a casa de Agustina


Cresci traumatizado pela Agustina, pois tinha eu 17 anos e andava no 12º ano, obrigaram-me a ler A Síbila, evento que não se prolongou para além do oitavo capítulo, tendo a edição do livro sido despachada logo que possível (no ano seguinte, na faculdade, oferecida) do espaço da minha pequena biblioteca em construção.
Desde aí, nunca mais livro da Agustina entrou lá em casa, em contradição com o gozo que me deu ouvir a senhora, sempre que possível, fosse em debates, na televisão ou em entrevistas. Havia, notoriamente, uma distância entre aquilo de que eu tinha fugido (um mundo de mulheres, a minha imaturidade) e aquilo que tanto me atraía (a visão certeira - mesmo ao tipo canelada - que só algumas mulheres do norte têm, e mais ninguém tem).
Quando percebi que Dicionário Imperfeito reunia excertos de não-ficção de Agustina, pensei que a minha oportunidade de redenção tinha chegado. Comprei o livro e parti à procura da evidência. E logo a encontrei:
Poeta
(...)
Não há como um humorista para ser poeta: delicioso e autêntico poeta. Em geral não gosto daqueles poetas a quem, como dizia Nietzsche, a dor faz cacarejar como as galinhas. Nos autênticos poetas, o humor é prova duma desilusão profunda. Algo que, por ser subtil, não tem nome, nem aspecto. É uma sombra da dor, mas não é dor.
*
Se há alguém que não se interessa pelos poetas, são as mulheres. As paixões que as palavras desencadeiam, isso as mulheres recebem no código que a poesia contém.
O resto lerei no meu sofá. Hoje é o dia em que Agustina regressa a minha casa.

É a mil, é a mil! (não, não é, por acaso é ainda mais barato)

A revista 365 já saiu e oferece estes, tanto inúteis como espectaculares, autocolantes. Na minha revista, eu queria ter 8 Rochas para Sempre. Oxalá me calhe!

As Linhas de Torres Vedras - Construção e Impactos Locais

As Linhas de Torres Vedras - Construção e Impactos Locais, o 12º livro da Colecção H, editado em parceria pela Câmara Municipal de Torres Vedras e a Livrododia Editores, será lançado hoje, dia 20 de Outubro, pelas 19 horas, no Salão Nobre dos Paços do Concelho. Na sessão estarão presentes André Filipe Vítor Melícias, autor do livro, Carlos Guardado da Silva, Director do Arquivo Municipal, Ana Umbelino, Vereadora da Cultura, e Luís Filipe Cristóvão, Editor.

O hábito não faz o monge

Ontem, no intervalo do jogo de futebol entre o Torreense e a Académica de Coimbra, a contar para a Taça de Portugal, tive oportunidade de assistir ao que se poderia chamar de falta de civismo da polícia. Um polícia (do tipo g.i.joe armado aos cágados), chegou-se junto de uma banca onde vendiam bebidas com uma tampa de plástico na mão. Percebi, de imediato, que o polícia teria apanhado alguém a prevaricar, com uma garrafa de água com tampa. Relembro que se tratava de um jogo de Taça, umas duas mil pessoas, pacíficas, a ver bola. Já sem modos nenhuns, dirigiu-se ao homem que estava a vender bebidas assim: "Venha cá fora que preciso de falar consigo!", lançando, de seguida, a tampa da garrafa contra as mãos dele.

A civilidade de todas as pessoas que estavam ali em volta falou mais alto, embora a maior parte das pessoas não tenha escondido indignação pelo gesto do polícia. A falta de respeito que ele evidenciou não o prejudicou só a ele; perdeu logo ali o direito a ser uma pessoa respeitada por todos. E assim se correu o risco de estragar o ambiente de festa que reinou na tarde de ontem.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

dragão de comodo (2)

devo ter adormecido. o quarto estava, sem dúvida, remexido, faltavam peças de roupa. a janela muito mais aberta do que é costume. ficaram só os olhos vermelhos, eu a fingir que estou constipado.

I rest my case, Samuel

descambar


Chega hoje às salas de cinema espanholas o filme Diario de una ninfómana, a adaptação do livro de Valérie Tasso, Diário de uma ninfomaníaca. O cartaz gerou polémica e foi censurado pela empresa responsável da publicidade nos transportes de Madrid. O interesse desta notícia é meramente circunstancial - apenas estou a seguir um conselho de amigo que me diz que às sextas-feiras só vai aos blogues para ver miúdas.

ainda mensagens

Se tivermos que dar um nome a este ano, esse nome terá que ser Tiago Guillul.

daqui.

pérolas a porcos

Tens um tipo a cantar a três metros de ti, não te calas porquê?

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

portanto, isso quererá dizer que eu pago para que me paguem, é isso?

“Ou muito me engano ou o que se passa é o seguinte: os contribuintes emprestam o seu dinheiro aos bancos sem cobrar nada, e depois os bancos emprestam o mesmo dinheiro aos contribuintes, mas cobrando simpáticas taxas de juro. A troco de apenas algum dinheiro, os bancos emprestam-nos o nosso próprio dinheiro para que possamos fazer com ele o que quisermos. A nobreza desta atitude dos bancos deve ser sublinhada”.

Ricardo Araújo Pereira, por intermédio do MJM.

acordar bem disposto no outono...


...e votar Buraka Som Sistema para os EMA MTV 2008!




Se não te convences com palavras, ouve.

Como se compram e vendem livros em Portugal

A mudança mais visível no mercado livreiro português está, normalmente, ligada à entrada da FNAC em Portugal, com a abertura da sua loja no Centro Comercial Colombo em 1998. No entanto, a descaracterização do mercado começou antes, nos anos 80, quando uma cadeia de hipermercados começou a comercializar o produto livro nas suas lojas, aplicando aos livros um percentual de desconto que tornava a concorrência impossível para os pequenos livreiros. Poderá datar-se da década de oitenta o início do declínio de uma rede de pequenos livreiros e de papelarias/livrarias que alimentaram o gosto pela leitura de milhares e milhares de portugueses. A partir desse dia, a realidade nunca mais seria a mesma.

A entrada da FNAC foi, a princípio, visto como algo de positivo para o consumidor. A estratégia do livro mais barato levou a constituição de uma imagem de marca onde é passada a ideia de que é a própria FNAC, num serviço social, quem abdica de parte dos seus lucros para benefício do consumidor final. A realidade é bem diferente, no entanto. Tornando o livro um produto do mercado de massas, empresas como a FNAC e restantes cadeias de hipermercados, impuseram, ao longo dos anos, descontos cada vez maiores às Editoras. Para conseguir responder a um conjunto de retalhistas cada vez mais exigentes e competitivos, as Editoras foram levadas a aumentar os preços de venda ao público, conseguindo assim satisfazer a necessidade de lucro e a manutenção da sua actividade.

Tem vindo a crescer, em paralelo, o número de livros vendidos em cada ano e também o preço médio de um livro em Portugal. Por outro lado, é cada vez menor a diversidade do que é editado em Portugal, bem como a capacidade de pequenas editoras conseguirem exposição nas redes livreiras. Para além disso, o tecido empresarial das pequenas livrarias de rua tem vindo a ser atacado pelo aumento do número de lojas das maiores cadeias e pela lógica de Centro Comercial que invadiu a maior parte das cidades portuguesas. A realidade conduz-nos para um ponto onde será cada vez mais difícil encontrar o livro como um produto cultural, estando hoje em dia definitivamente colocado entre os produtos destinados ao lazer.

Para quem estuda e acompanha os mercados editoriais de todo o mundo, esta realidade é apenas a transposição de modelos de outros países aplicado à realidade portuguesa. A agravante é que, sendo Portugal um mercado muito pequeno, a tendência tem sido a de apostar nos produtos derivados dos mercados internacionais (com uma percentagem de traduções de livros de duvidosa qualidade) em lugar de se fazer um investimento na produção nacional. A resposta do Estado para esta situação, peca por escassa e por não se perceber as suas motivações. Se por um lado é claro que a aposta do Estado passa por incentivar a leitura junto dos mais jovens, com o Plano Nacional de Leitura e a implementação de programas destinados aos alunos do 1º Ciclo nas Bibliotecas Públicas, essas mesmas iniciativas acabam por beneficiar, comercialmente, um grupo restrito de editoras e um grupo relativamente restrito de autores, ficando por esclarecer se está a ser defendida a especificidade cultural de cada região e as escolhas de cada escola e biblioteca, ou se estamos só num processo de normalização do acesso ao livro.

Em resumo, temos hoje livros mais caros, com a aposta na diversidade a responder apenas aos incentivos do mediatismo e não do usufruto cultural. Sendo um mercado comercial atraente ao investimento, está dependente de uma série de especificidades que impedem os lucros fáceis e de muitos dígitos. O que acontecerá a seguir a esta onda de investimentos sem paralelo na história da edição em Portugal é, neste momento, uma previsão que ninguém poderá fazer.

Artigo publicado no número 3 da Revista Rubra, à venda nas Livrarias Letra Livre, Trama e Livrododia. Compras on line através do email revistarubra at gmail.com

algumas mensagens

- O baladeiro audaz vai encantar Torres Vedras. Concerto de Samuel Úria na Livrododia, hoje, às 18 horas.

- Como nascem os desenhos? Filipe Abranches explica. Na Livrododia, dia 18/10, às 16 horas.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

não dá para acreditar nestes gajos

a selecção nacional é, hoje em dia, uma mistura da equipa que em 2004 ia ganhar uma medalha olímpica e voltou de Atenas como voltou, e a equipa que em 2006 ia ser campeã europeia de esperanças e não passou da primeira fase a jogar em casa, treinada por um tipo que ia dar um título de campeão ao Sporting e perdeu-o em casa, sofrendo seis golos do Benfica, com uma equipa que tinha Paulo Sousa, Figo, Balakov & companhia.

hoje, empate com a Albânia, em Braga. que eu me lembre, apenas semelhante a um empate com Malta, no Funchal, há uns vinte anos atrás. é a crise.

portugal dos pequeninos

esta tarde fui sonhar com o josé carlos barros. comer uma dourada com sabor a mar, em vila nova de cacela. olhar o tamanho dos campos e do mar. sentir o bater do coração na aldeia de santa rita. saber como nasceram as cidades nos dedos do marquês de pombal. regressar sorridente a casa.

dragão de comodo

disseram-me que resulta, então, não mudo de meias há uns dias. fico à espera que entre, de mansinho, quase sem barulho, apenas aquele arrastar pelo chão do quarto, a meio da noite. deixo a janela aberta.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Programa do Encontro de Escritores de Torres Vedras

2ºEncontro de Escritores de Torres Vedras
Org.: Académico de Torres Vedras
Prod.: Livraria Livrododia


Sábado, 18

16h - Encontro com o Ilustrador Filipe Abranches - Liv. Livrododia

Segunda-feira, 20

10h – Histórias em Cadeia – Grupo de Teatro ATV – Escola Básica de 1º Ciclo de Campelos

Terça-feira, 21

10h – Histórias em Cadeia – Grupo de Teatro ATV – Escola Básica de 1º Ciclo de Maceira

Quarta-feira, 22

10h – Histórias em Cadeia – Grupo de Teatro ATV – Escola Básica de 1º Ciclo de Santo Estêvão das Galés

Quinta-feira, 23

10h – Histórias em Cadeia – Grupo de Teatro ATV – Escola Básica de 1º Ciclo de Torres Vedras I
18h – Concerto com Tiago Guillul – Liv.Livrododia

Sexta-feira, 24

22h - Sessão 1: Movimentos Culturais em Torres Vedras (moderador: Luís Filipe Cristóvão) – Liv. Livrododia
- Venerando de Matos
- Célia Reis

Sábado, 25

Durante a Manhã: Exposição das Histórias em Cadeia – Liv. Livrododia

15h30 - Sessão 2: Revistas Literárias Hoje (moderador: Rita Grácio) – Salão Nobre dos Paços do Concelho
- Revista Sítio – Luís Filipe Cristóvão
- Revista Oficina de Poesia – Graça Capinha
- Revista Big Ode – Rodrigo Miragaia
- Revista Callema – Hugo Milhanas Machado
- Os Fazedores de Letras - Luís Pedro Oeiras Fernandes

17h30 - Sessão 3: Literatura e Intervenção Social (moderadora: Golgona Anghel) – Salão Nobre dos Paços do Concelho
-José Carlos Vasconcelos (escritor e director do JL) (a confirmar)
-José Mário Silva (escritor e crítico literário)
-Paco Souto (escritor, radialista e ilustrador)
-Manuel A. Domingos (escritor e professor)
- Waldir Araújo (escritor e jornalista)

Durante a tarde, haverá uma pequena banca com venda das revistas e livros dos diversos autores presentes.

20h - Jantar de Encerramento

quase um homenzinho

O "new look" de Miguel Veloso, esta manhã, na Academia.

Milan Kundera sub-21, João Jr. e os lugares da ficção

Numa notícia da revista checa Respekt, publicada ontem, e divulgada no DN de hoje, revela-se o facto de Milan Kundera ter denunciado, quando tinha 21 anos, um jovem espião ao serviço dos norte-americanos à polícia comunista. Mais uma vez, é lançada a questão sobre os intelectuais e a forma como estes abordam as questões éticas das suas personagens, em comparação com a sua própria vida. Talvez eu pudesse justificar o facto com a idade, à altura, dos intervenientes. Aliás, tão condenável é o facto de Milan Kundera ter denunciado este jovem, como é condenável o facto desse mesmo jovem, investido como espião internacional, correu a contar a alguns dos seus amigos (pelo menos, não é isto que estamos habituados a ver nos filmes). Mas eu não acho que a idade seja justificação para alguma coisa. Há também a questão do contexto histórico, e pensar que durante a juventude não somos impressionados pela ideia da ordem é esquecer aquilo que andamos a tentar ensinar aos nossos filhos - não se esqueçam, rapazes, o que é bom hoje, pode ser mau amanhã (nem preciso de dar exemplos...). Mas, enfim, o que esta notícia e a reacção a ela têm de interessante para mim, é que confirmam que a habilidade para fazer uma coisa não nos torna capazes de fazer outras coisas semelhantes (na sua aparência...). Isto faz-me lembrar uma reportagem da Liga dos Últimos, na semana passada. João Jr., o treinador do Peladeiros, de Viana do Castelo, aproveitou o intervalo para anunciar aos seus jogadores que, na semana seguinte, seria ele a jogar, visto que os que estavam em campo não sabiam cumprir as suas funções. Para mim, isto é uma representação dos casos de condenação dos intelectuais (coisa que, se bem me lembro, era frequente nos regimes totalitários). Em ambos os casos, pessoas baseiam-se em crenças que garantem que, pensar num assunto, é o mesmo que o viver. Não distinguem realidade da ficção. O que lhes é assegurado, constantemente, pela impossibilidade de comprarmos um bilhete de comboio para o país das maravilhas.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Samuel Úria na Livrododia


Quinta-feira, 16 de Outubro, 18 horas

Rubra 3


quinta-feira, 9 de outubro de 2008

eu deixo andar.

Et pourtant je ne fais rien. Je laisse aller.


Jean-Marie Gustave Le Clézio, nascido em 1940, francês, é o escolhido pela Academia Sueca para a atribuição do Prémio Nobel da Literatura 2008. Nunca li nada dele. Mas é um francês, nascido em Nice, tem esta fotografia de fato e gravata e ténis, por isso não posso deixar de ter uma certa simpatia por este escritor. Estão traduzidos para português O Caçador de Tesouros (Assírio & Alvim), Diego e Frida ( Relógio d'Água), Deserto e Estrela Errante (Publ. Dom Quixote).

um minuto antes da maré encher

La Academia no responde a las quejas oficiales. En palabras de su secretario: "Con las decisiones del premio pasa como con los besos, no hay que pedir permiso antes ni disculpas después".

Curiosidades sobre o Nobel da Literatura, no El País de hoje.

O Conservadorismo Público e o Conservadorismo Privado

Ontem, num supermercado de uma pequena localidade:

Senhora de Idade - Ai, menina, então veja lá que há pouco, na televisão, apareceram dois homens a dizer que querem casar um com o outro. Acha isto bem?
Funcionária - Ó senhora, então qual é o mal?
SI - Na televisão, menina, na televisão, a dizer que querem casar um com o outro.
F - Mas, olhe, qual é o problema? Ali o Sr. X não anda sempre aqui com o namorado?
SI - Quem?
F- O Sr. X... Ele vem aqui com um amigo, anda sempre por aí com o amigo, eles são namorados, não poderiam querer casar-se?
SI- (hesitante, primeiro, decidida, depois)... Pois... Mas esses não têm mal nenhum. Agora aqueles dois da televisão...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Isto não são os Morangos com Açucar

"Sobre os incrédulos pesa o fardo de fazer as perguntas certas. Um negócio exigente. Savater sugere “um indivíduo concreto dos dias de hoje (…) pode aspirar a algum tipo de crença razoável?” Mas a questão, eventualmente mais ousada, que deveria ser feita é: alguma crença razoável pode aspirar a um indivíduo concreto dos dias de hoje?"

Tiago Cavaco, na Voz do Deserto e na revista Ler

Mal Nascida

DN- Quando mostrou Mal Nascida no Festival de Veneza de 2007, disse que o filme era sobre a falta de amor, mas também sobre a falta de educação profunda dos portugueses...

Não há título para isto

Os livros, as músicas, têm um tempo para ser bons. Quando lidos ou ouvidos no momento errado, pouco nos dizem. Acontece-me com o livro que estou a ler agora. Há uns meses, li 3 ou 4 capítulos, não percebi nada, não entrei na história, pouco me disse aquela voz. Hoje, pego nele, e sinto uma violência pegada, em todas as palavras, uma força que ainda não tinha visto na escrita de uma mulher. O caso é Claire Castillon. Le Grenier. Onde se pode ler coisas assim:

J'ai ouvert grand ma bouche juste devant un miroir, je voulais voir s'il y avait quelquer chose de coincé dans mon oesophage, comme une boule qui fait un peu mal, et il n'y avait rien de visible. Alors j'ai avalé un calot, je l'ai fait glisser avec du beurre, enrobé dans uns blanc de poireau. Je ne voulais pas avoir une boule invisible dans la gorge. J'en voulais une bien concrète, quitte à souffrir.

Ainda havemos de descobrir que a culpa é do povo


Ao que parece, mandam avisar que a Islândia fechou. O alerta deve-se ao facto de, por ser quase sempre de noite para aqueles lados, os utentes pudessem não reparar.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Pino e Lino, Lino e Pino

Então é por isto que Chávez tanto vem a Portugal...

sábado, 4 de outubro de 2008

Obscenidades

pela décima quinta vez. aqui.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Mudar de Vida Mudar de Vida

Luís Marques Mendes na Livrododia - Centro Histórico, 9 de Outubro, às 18 horas.

É fim-de-semana, estúpido!



Domingo, a partir das 22h20, estes senhores estão de volta.

É fim-de-semana, estúpido! - 1


Domingo, a partir das 19h45, um dos senhores aqui presentes vai ficar mal disposto. Só espero que não seja eu.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A Dieta Rochemback*

Eu vivo num estado permanente de terror de qualquer jogo em que o Benfica participe, sobretudo se puder ganhar. Deve ter havido três jogos ao todo em que me convenci que a equipa estava a jogar melhor que o adversário (um dia digo quais foram). De resto, não há nenhum jogo em que aceite que estamos a dar baile.

Sérgio Gouveia

Não há nada que Paulo Bento não faça para que esta gente pareça toda mais feliz do que é na realidade. Se eu fosse treinar-me amanhã a Alvalade, não tenho dúvidas de que a primeira coisa que o homem faria seria dar-me um frasco de maionese e um blogue.

Rogério Casanova

o objectivo do Sporting (cujos melhores jogadores já pensam no dia em que participarão numa vitória das suas futuras equipas sobre o Sporting, como foi o caso do Carlos Martins aqui há dias, que vi jeitos de o rapaz me contrair uma rotura total do ligamento cruzado anterior da felicidade tal a exuberância dos festejos), segundo o jornal Record, é, e passo a citar, "chegar à 3.ª ronda com 3 pontos". Tendo em conta o volume histórico futebolístico do adversário, vamos ver se não sucumbimos a tanta ambição.

Maradona

Sonho com o dia em que poderei levar este blogue comigo para a casa de banho, em vez do jornal A Bola.

Eu

*tal é a qualidade do blogue (e o tamanho do rapaz em dieta) que leva link a dobrar na lista do lado

A nova Quetzal


Realizou-se ontem, num restaurante lisboeta, a apresentação da renascida Quetzal, editora do grupo Bertrand/ Círculo de Leitores, agora liderada por Francisco José Viegas e Luís Afonseca. As novidades são mais que muitas. Para além de uma imagem renovada da RPVP Designers, que conjuga simplicidade com pontaria na escolha dos diversos elementos, o primeiro livro apresentado, uma reedição d' A Crónica dos Bons Malandros, de Mário Zambujal, é acompanhada por ilustrações de João Fazenda, na capa e no interior do livro.

A lista de autores para esta nova vida da Quetzal inclui José Luís Peixoto, Vasco Graça Moura, Pedro Paixão, Manuel Jorge Marmelo, Marcello Mathias, Rogério Casanova, Paulo José Miranda, Julio Cortázar, Bruce Chatwin, Irvine Welsh, Pedrag Matvejevitch, Filipe Nunes Vicente e Álvaro Uribe, entre vários outros nomes. Grande destaque também para a publicação da Obra Completa de Vergílio Ferreira, que sairá também com a marca Quetzal.

Uma última nota. A ideia desta apresentação foi proporcionar, em primeira mão, aos livreiros, o conhecimento dos projecto e da imagem desta editora. Para isso, mobilizou a sua equipa comercial, tendo ainda marcado presença no jantar vários nomes grandes do grupo, como o administrador Miguel Martí e o editor da Pergaminho Mário Moura. Nem todos os livreiros responderam positivamente ao convite. Alguns o terão feito, não aparecendo. As mensagens de alguns dos actores do mercado denunciam um desinteresse pela novidade, pela troca de impressões, pelo reconhecimento dos seus pares. Pensarão, eventualmente, que o que importa, em tempos de crise, é zelar pela sua casinha, ou estarão convencidos de que a conversa sobre livros se faz em números, não em jantares. É de respeitar, a opção de cada um. Mas não será certamente assim que vamos encontrar vigor e vontade suficientes para dar a volta ao texto. Sim, texto. Letras, palavras e frases. As coisas de que são feitos os livros.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Última Hora no Cacém

O livro de Francês do 9º ano, Mission Spéciale, da Texto Editores, foi hoje disponibilizado no auto-serviço do Grupo Leya, no Cacém. No entanto, esse livro está já a ser recolhido pelos serviços da Editora, visto que, em lugar do Manual do Aluno foi impresso e estava a ser vendido, erradamente, o Manual do Professor.

o fim de uma era - III

A Fnac anunciou hoje que deixará de praticar os 10% de desconto no produto livro para todos os seus clientes, reservando essa oferta para os utentes do seu cartão-cliente. No entanto, em dez anos de trabalho no mercado português, a Fnac sempre fez as suas negociações com fornecedores (editoras e distribuidoras) a partir do pressuposto que praticava esses 10% para todo o universo dos seus clientes. O dia de hoje devia, assim, marcar uma indignação geral dos fornecedores da Fnac, visto que aquilo que está contratualizado partiu de um pressuposto que já não se coloca.

Não é a primeira vez que alerto para o facto da Fnac ter um discurso comercial diferente, consoante fala para clientes e para fornecedores. Essa diferenciação passou a estar visível, ao longo dos últimos 18 meses, nos produtos disponibilizados em loja - para quem tem a noção dos livros que vão saíndo todos os meses, cruzando isso com uma ideia de cânone básico que uma livraria deve ter, visitar hoje a secção de Literatura da Fnac Colombo, por exemplo, é como visitar a galeria dos horrores.

Não deixarei de ser cliente da Fnac - é a única loja que disponibiliza uma variedade aceitável de cd's musicais, dvd's e livros estrangeiros -, nunca tive nem vou ter agora o cartão de cliente (porque, basicamente, não tenho cartão de cliente de loja nenhuma, onde sou cliente habitual conhecem-me pelo nome, não precisam de cartões), e fico feliz com a ideia de que não vou ter que ouvir "consigo esse livro mais barato na Fnac" porque simplesmente, Fnac e Livrododia terão condições iguais para os seus clientes. Já quanto aos fornecedores... lá chegaremos, lá chegaremos.

o fim de uma era - II

se não se possuir um cartão FNAC, qual o motivo para continuar a ir lá comprar livros?

Leia o editorial de Paulo Ferreira, no blogtailors

Em breve


o fim de uma era

Acabaram os preços Fnac.

E agora, quem só pensa em dinheiro, quem é?

A verdade da mentira

Hoje ainda são muitos os alunos que vão para a escola e não levam todos os manuais escolares. Há milhares de estudantes com falta de livros, calculam os livreiros. Os pais pedem compreensão às escolas.Os livros da ASA, Gailivro, Nova Gaia e Texto Editora continuam em falta. Há uma semana, numa carta enviada aos livreiros, o grupo Leya, a que as quatro editoras pertencem, reconhecia que um quarto dos manuais ainda não tinha chegado ao grande público e prometia repor a normalidade até ao final do mês. O assessor de comunicação da Leya, José Menezes, explicava ontem ser impossível confirmar se a promessa foi cumprida: "É preciso contactar vários serviços e não tenho uma resposta para hoje [ontem]", disse ao PÚBLICO. Setembro terminou ontem, mas o desespero dos alunos, pais e livreiros continua.

Leia o artigo completo, assinado por Bárbara Wong, na edição impressa de hoje do Jornal Público.