quinta-feira, 11 de setembro de 2008

O Poder é um lugar estranho

Fomos criados com a ideia de que não há nada que possamos fazer para mudar o mundo e, enquanto crescemos, vamos percebendo como é maquiavélica essa ideia, aparentemente simples, aparentemente humilde, de modificar o carpe diem em aguenta-te como podes. Fomos criados com isso na cabeça e, diariamente, a classe política parece querer reforçar que é mesmo verdade ou, o que é ainda mais preocupante, também eles acreditam que nada podem fazer para mudar o mundo.

Assim, não é de estranhar quando a suposta líder da oposição passa dois meses calada para depois anunciar ao país, com a pompa e circunstância de uma Universidade de Verão, que está tudo mal. Não é de estranhar que a oposição interna a essa oposição, acabadinha de sair derrotada numas eleições, venha pedir reflexão, quatro meses depois da reflexão eleitoral. Não é de estranhar que o primeiro-ministro reaja a isto como o menino queixinhas, dentro da sala de aula do país, a apontar para o lado e a dizer que está ali o menino que só diz mal dele.

No fundo, esquecemo-nos diariamente de que um pequeno gesto pode mudar o mundo. Dar os bons dias a um vizinho a quem nunca falamos. Ser simpático para o rapaz que nos atende atrás de um balcão. Não deixar que as opiniões dos outros, seja na reunião do condomínio, seja no emprego, seja numa conversa de café, esmaguem as nossas opiniões e a nossa forma de ver o mundo. Não deixar que, por muito que isso seja benéfico para o país, para as estatísticas, os nossos filhos sejam apenas um número no aproveitamento escolar, nós próprios sejamos apenas um número, na taxa de emprego ou de desemprego.

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