terça-feira, 30 de setembro de 2008

Santa Cruz (o livro) na torres|tv

Mais notícias aqui.

O vídeo no you tube, por aqui.

Foi em Beja

Entre Quinta-feira e Domingo estive por terras alentejanas a marcar presença nas Palavras Andarilhas. Estando presenta na qualidade de livreiro, com stand montado no exterior da Biblioteca de Beja, não pude acompanhar convenientemente o programa das festas que iam decorrendo no interior da Biblioteca. Mas, cá fora, a oportunidade para passar o tempo com pessoas tão especiais como o Joaquim, da A das Artes, e o Paulo e a Filipa, do Espaço Vemos Ouvimos e Lemos, mais do que justificou a viagem. Com eles tive oportunidade de falar de livrarias, da vida, dos livros, dos projectos, dos sonhos, das ansiedades. Com o Joaquim, que é daqui perto de Torres Vedras, tive ainda o prazer de lhe descobrir um pouco a história de uma vida e de uma pessoa com quem dá vontade de ficar a conversar durante almoços e jantares em vários dias.
Beja é uma cidade bem calma, onde o calor e a chuva foram aparecendo em sucessão um ao outro. A rua onde estavamos instalados tem uma série de vivendas do final dos anos sessenta e, até à biblioteca, ainda passavamos pelo Liceu da cidade, de arquitectura estado novo. Uma pequena viagem no tempo, não fossem os e as adolescentes tipo morangos com açucar que agora estão no país todo.
No sábado, à hora de almoço, visita relâmpago a Serpa. Aí sim, grande viagem no tempo, como que indo até há uns séculos atrás. Ainda por cima a tarde estava quente e as ruas desertas. Foi como entrar num filme.
Fiquei com saudades do Alentejo. Foi em Beja, por estes dias.

quero ler

Patrícia Portela está de volta.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Palavras Andarilhas

De hoje até domingo, mais um encontro Palavras Andarilhas, com um programa cheio de conferências, oficinas e eventos sobre a promoção da leitura e uma feira do livro com livrarias independentes (onde a Livrododia estará presente a partir de amanhã). Beja será, nos próximos dias, o centro do mundo.

Site Oficial
Blogue do Encontro

Portugués, Guapo y Matador*

Certas notícias precisam de uma certa digestão. Nas páginas centrais do Diário de Notícias de ontem, dá-se destaque à promoção que António Lobo Antunes faz dos seus livros nos Estados Unidos da América. Há uma série de passagens que me fazem duvidar se estamos a falar, ou não, do mesmo Lobo Antunes que, em Portugal, se esconde das atenções mediáticas não escolhidas por ele. Para começar apresenta-se o livro Que farei quanto tudo arde? convertido ao "american gay of life" (seja lá o que isso possa ser...). O obejctivo do seu editor é, segundo as palavras de João Céu e Silva, "penetrar no mercado sexualmente convertido aos prazeres fora da normalidade heterossexual" (mais um eufemismo duvidoso). Para além destes curiosos pontos, há também o facto da tournée por terras da América tenha começado com um serão à la Woody Allen na casa do editor, onde se assistiu a uma sucessão de "discursos, elogios, cumprimentos e cenas de admiradores durante mais de duas horas". Para marcar posição, o autor mostrou-se "visivelmente pouco agradado com o beija-mão". Toda a peça pode ser lida através deste link.

* Portugués, Guapo y Matador é o título de um dos livros de Manuel Jorge Marmelo.

E agora algo completamente diferente (de tão óbvio)

"Não preciso de ter pénis para ser um homem"

Buck Angel, no Público de hoje.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

A Pastelaria em Imagens

os pastéis
a Maria João
o Luís
o Pedro
o Mário
Fotografias de André Simões (há mais aqui)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Santa Cruz põe Lisboa no mapa


Apresentação do livro SANTA CRUZ
Fotografia de Ozias Filho
Texto de Luís Filipe Cristóvão
Dia 24 de Setembro de 2008,
Quarta, às 21h
Casa da América Latina
Morada: Av. 24 de Julho, 118 B - Lisboa

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Os livros escolares na "Antena Aberta", programa da Antena 1

Alguém me ajuda a encontrar a composição da Comissão do Livro Escolar da APEL? É que no site, não o consigo encontrar.
Vasco Teixeira, da Porto Editora, apresentado da dita Comissão, revelou no programa "Antena Aberta", da Antena 1, que estão "parados há 15 dias" visto que "todos os livros estão entregues às livrarias". Defende-se só um pouco nas percentagens, porque fala em 99,9% dos livros e não dos 100% que revelou Paulo Gonçalves. Entre o jornal e a rádio, 0,1% de livros devem ter voltado atrás. Depois, Vasco Teixeira dispara em várias direcções. A culpa afinal é do Grupo Leya que não mandou imprimir, das livrarias que não conseguem prever o número de clientes, dos pais que não encomendaram os livros. A Porto Editora, a Plátano, estão sossegadas. Já fizeram a sua parte. A seguir, Valter Lemos, Secretário de Estado, confirma a história: os livros já estão todos entregues. Ou, se não estão, isso é uma coisa que acontece todos os anos, não há-de ser agora culpa deste governo. Seria para rir, se isto não fosse, em parte, comigo.

Carta Aberta reagindo às afirmações de Paulo Gonçalves nos jornais de hoje

Meus caros,

qual não é o meu espanto quando hoje de manhã, ao ouvir as primeiras notícias do dia, me deparo com uma declaração do colega Paulo Gonçalves que afirma que "no final de Agosto, 95% dos manuais da APEL já tinham sido entregues e poucos dias depois chegou-se aos 100%, estando o mercado totalmente abastecido". Ora, meus amigos, esta afirmação, para além de ser uma tentativa mediática de tirar a água do capote, é de uma irresponsabilidade atroz para com o mercado, muito particularmente para os livreiros associados da APEL envolvidos no processo. Afirmações destas apenas vêm colocar uma pressão maior dos pais dos alunos nas nossas lojas, dificultando o normal fornecimento dos livros escolares a famílias e a instituições escolares. O cliente, ao ler tais afirmações, pensará que, da parte das Editoras, já está todo o trabalho feito (e o Paulo Gonçalves saberá tão bem como eu ou como qualquer outro colega em editoras ou livrarias a quantidade de encomendas pendentes ainda registadas em editoras associadas da APEL). Assobiar para o lado tentando colocar toda a culpa nas costas de outra editora, não resolve o problema, de certa forma vem agravá-lo. Esse tipo de situações não ajudará em nada a dar o assunto como resolvido.

Tomarei a liberdade de tornar esta minha queixa pública, divulgando-a através do meu blogue.

Com os meus melhores cumprimentos,

Luís Filipe Cristóvão
gestor editorial / livreiro
Livraria Livrododia, Lda.

(enviado por email para apel@apel.pt, às 9h50 do dia 19/09/2008)

Os livros escolares na imprensa

Hoje, Jornal de Notícias e Diário de Notícias dão destaque à distribuição de livros escolares. Nem todas as declarações deverão ser confundidas com a verdade.

Pastelaria

É bem, vamos aqui revelar as identidades dos poetas escolhidos para a Grande Noite Pastelaira que se aproxima. Assim, estarão de serviço ao balcão (para as leituras) Pedro Lopes, Mário Lisboa Duarte, Luís Filipe Cristóvão, Raquel Sousa, Formiga e Maria João. Os textos serão de Pedro Lopes, Dick Hard (que estará presente na pessoa de Luís Graça, disponível para dar autógrafos em troca de moedas de 1 €), Luís Filipe Cristóvão, Golgona Anghel, Mário Lisboa Duarte, Mário Cesariny, José do Carmo Francisco, Alexandre O'Neill, Inês Leitão, Maria João Lopes Fernandes, António Lobo Antunes, Mário Henrique Leiria, Rui Lage, Daniel Abrunheiro, Murillo Mendes, Jorge Sousa Braga e Armando Silva Carvalho.

Para ver melhor, só indo ao Manel Bar. Hoje. Depois da meia-noite.

ainda sobre a poesia II


Andava a namorar este livro há uns meses. Hoje, na Trama, decidi-me a trazê-lo para casa. A razão que faltava, encontrei-a na página 17.

Dizem que um poeta francês foi uma vez apresentado a um riquíssimo banqueiro. O apacatado personagem perguntou ao poeta:
- Para que serve a poesia?
E o poeta respondeu-lhe:
- Para o senhor, não serve para nada.

E o livro continua por aí fora. O título é O Bibliófilo Aprendiz, o autor Rubens Borba de Moraes e a edição conjunta da Briquet de Lemos - Livros/ Casa da Palavra.

ainda sobre a poesia

e depois um dia alguém se senta à mesa connosco e dá-nos uma opinião. e essa opinião ameaça fazer ruir um universo. seguramo-nos como podemos, ajeitamos a camisa, saímos à rua a sentir o vento na barba. um dia, alguém. e nós fazemos disso um poema.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

1º Grandioso Encontro de Pastelaria Marginal Portuguesa


Caríssimos (as),
É com imenso prazer que vos convidamos para o 1º Grandioso Encontro de Pastelaria Marginal Portuguesa. Face à grave política nacional no que diz respeito ao horário de fecho dos bares, decidimos não retaliar e, ao invés, acelerar as recentes medidas governamentais. Esta antecipação passará por transformar um majestoso bar de jazz com cerca de 30 anos e transformá-lo, do dia para a noite, numa fabulosa pastelaria.
Haverá bolos para todos os gostos: compridos, curtos, altos, baixos, assim-assim, redondos, octogonais, rectangulares, com creme e sem creme, com folhas e sem folhas, etc.
Dia 19 de Setembro, pelas 24:00, no Manel Bar, Praia de Santa Cruz, Torres Vedras
Traga um amigo e um guardanapo.
Até lá!
Melhores cumprimentos
Margem d' Arte
margemdarte[at]gmail.com

Onde se lia, anteriormente, "esperar que envelheça", ler isto

TIRADO DE RAUL BRANDÃO

1.

Árvores de mãos rotas, o coração
chegou-vos aos poros devagar:
esmola cujo rasto é o corpo
numa inclinação indiferente.
Não alagaram logo os caules –
atrasa, acudindo dentro às coisas
num remoer de caminhos.
Eu, se desse em gesto a minha pobreza,
era logo em flor, se fosse perto.

2.

O chão empurra como mãos empurram.
É a fartura. São os mortos, e os mortos
são iguais à paixão. Planeiam
a geração em caixas aturdidas,
a terra preenchida, vertical.

E o que nos é dado por fruto,
até mesmo as emoções que julgamos
desprendidas no ar, são o
húmus estremecido e o ar,
as coisas que emagrecem no ar.


Poema inédito de Duarte Braga

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Grandes noites europeias

Começam hoje, no Nou Camp, em Barcelona.

Hoje é dia de festa

Parabéns a você. O meu mano faz anos hoje.

Quem tem medo da Poesia?

Convive-se em Portugal com duas ideias feitas sobre a poesia, aparentemente contraditórias entre si: por um lado “somos um país de poetas” e por outro “a poesia não vende”. O que pretendo aqui é aprofundar um pouco mais os possíveis significados destas duas afirmações tão bem aceites do Minho ao Algarve, e também nas Ilhas.

A primeira das afirmações, “somos um país de poetas”, está mesmo a pedir para ser refutada. O facto de termos tido um Marquês de Pombal e um Salazar, não fez de nós um país de ditadores, o Eusébio e o Cristiano Ronaldo não fazem de nós um país de futebolistas, não seriam o Camões e o Pessoa (este, no seu âmago, tão pouco português) a fazer-nos um país de poetas. Desconfio que tenha sido algum poeta menor quem tenha difundido essa ideia. Porque existem para aí muitos projectos de ditadores, em casas, empresas, associações e municípios, tal como existem, quase a cada esquina, projectos de jogadores de futebol, uns mais falhados que outros, mesmo que o país esteja cheio de escolinhas (inovações educativas à parte) que prometem ensinar o futebol, agora a sério, às novas gerações. Projectos de poetas também existem muitos. Mas agora sermos um país de poetas não valeu, sequer, para que o Manuel Alegre pudesse escrever versos de uma varanda de Belém.

A segunda das afirmações, “a poesia não vende”, terá uma parte de verdade e outra de exagero. Quando me dizem que a poesia não vende, a primeira coisa que me vem à ideia é a quantidade de coisas que não vendem, mesmo sem sair do produto livro. A quantidade de romances que não vende, as peças de teatro que não vendem, os livros de astrologia que não vendem, os livros de história que não vendem, os livros infantis que não vendem. Tomando a coisa por géneros, pode-se dizer de tudo que não vende. É claro que, em cada um deles, a excepções confirmam as regras. E, aí está, vender terá muito pouco que ver com qualidade. Existem óptimos poetas que só vendem livros a meia dúzia de iluminados que lhe reconhecem as frases e péssimos poetas que vendem centenas porque têm muitos amigos e encaram o livro como um projecto maior das suas vidas (vejam bem que em quase todos os concelhos de Portugal há um poeta local que, com a ajuda da Câmara Municipal ou alguma empresa benemérita fazem edições de autor de mil exemplares e os vendem, quase porta a porta, a toda a gente). A poesia, enquanto projecto editorial, não é um negócio por aí além. Tal como não são negócios por aí além todos os projectos que não apostem tudo na seriedade das suas escolhas e na qualidade dos seus produtos. A poesia, enquanto projecto editorial, é um caminho difícil, cheio de problemas e pedras, mas que encontra sempre, nos seus leitores, por muito poucos que eles sejam, uma rede de afectos e interesses de um valor incalculável.

A boa notícia é que se pode viver disso.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Questões em volta da hipótese de geração na nova(?) poesia portuguesa

A quem possa interessar, uma lista de links para seguir a discussão.

No Insónia, Henrique Fialho posta 3-vezes-3 e recebe comentários de Luís Miguel Queirós, Inês Lourenço e muitos outros. Leitura obrigatória.

Um post PGP (política de gosto em Portugal) de Pisca de Gente (quem?)

Um Porto de vista de Hugo Torres.

sábado, 13 de setembro de 2008

Pequeno contributo para uma possível polémica acerca de poesia, gerações e novidades

Depois de ontem aqui ter plantado uma dúvida que me foi suscitada pela leitura do texto de Luís Miguel Queirós no Ipsílon, e dessa dúvida ter levado a um comentário alongado do Henrique Fialho sobre o assunto, tento hoje, feita uma segunda leitura do texto primeiramente mencionado, descobrir algumas pistas para comentar a pergunta "Há uma geração de poetas portugueses do século XXI?".

Como o próprio Queirós indica no seu texto, "uma certa ansidade contemporânea pela descoberta" joga, a maior parte das vezes, tanto contra os actores como contra o próprio público. Tantas e tantas vezes, à efusividade da descoberta de algo novo, segue-se a natural desilusão de quem não viu bem, não entendeu bem que o novo, para o ser realmente, precisa de tempo para envelhecer. Na poesia, em toda a Arte, esta regra é ainda mais fulcral que noutras áreas: o jovem poeta ainda não teve o tempo necessário para ler e compreender, largamente, aquilo que veio antes dele, e vive na constante iminência de vir a não se auto-reconhecer naquilo que escreve enquanto novo autor. Com isto pretendo, de entrada, defender aqueles a quem se tenta colar o rótulo de novo: o ruído mediático é um inimigo feroz da poesia, tanto quanto pode ferir o silêncio.

Esperar-se que um jornal, mesmo que um suplemento cultural, faça a resenha de um movimento ou de uma geração é, ainda, esperar de mais. A principal crítica que se poderá fazer ao texto de Queirós é não ficar claro, em momento algum, se estamos perante uma reportagem ou um artigo de opinião. Essa hibridez joga contra o texto. Soa um pouco como uma tentativa de compensar a falta de atenção que se dá a poesia com um fácil engano: jogar a poesia para a primeira página quando ninguém está habituado a encontrá-la sequer na última. Isto deixa em cheque tanto quem escreve como quem lê. Mas eu não me venho aqui queixar do destaque que se dá: para quem vive na poesia e pela divulgação da poesia, qualquer esmola é satisfatória e permite acreditar que o futuro, se o houver, será melhor.

Queirós confirma no seu texto algumas verdades há muito constatadas: a poesia, mesmo a famosa, pouco ou nada vende, as livrarias, na sua maioria, não lhe reservam espaço, os jornais tanto menos, as editoras olham-na como uma possibilidade de prestígio mais do que um verdadeiro programa editorial. Se olharmos o panorama editorial português, só a Deriva cumpre enquanto editora de poesia: tem um programa editorial constante, pensado, em que a apresentação dos autores resume um posicionamento sobre o fenómeno poético. A isso junta uma capacidade de estar presente na maior parte das livrarias nacionais, através de uma distribuidora consistente. Mais nenhuma editora cumpre estes requisitos, programa e distribuição, para além de que os livros desta editora, sedeada no Porto, têm gozado, na imprensa, até de alguma atenção, com anúncios de publicações e críticas.

Mas o ponto inicial do texto de Queirós vem trazer à discussão um tema que tem dividido os leitores e os poetas portugueses desde os anos 70: precisará a poesia de um crítico que a justifique? Serão as gerações coisas de críticos e não de poetas? Que contributo poderá dar um crítico a uma geração? Falo disto também num tempo em que a crítica da poesia, e de toda a literatura, passou a ser coisa de jornal, e os jornais, então, coisa de leitura rápida e facilmente esquecida. Se Manuel de Freitas e Pedro Mexia, pertencentes a essa "nova geração" de que Queirós fala, são os críticos dos anos 90, que contributo têm dado, ou estão dispostos a dar, para a produção de material crítico sobre os poetas do séc.XXI? A meu ver, estará aqui o engano, não só deste texto, mas da própria ideia de geração na poesia, pelo menos na actual poesia portuguesa. Uma geração que não se conhece, nem reconhece, que pouco se encontra, que não fala e não discute, é uma geração que não existe. Faria todo sentido juntar, numa lista de novíssimos (ou de outra coisa qualquer) gente que publicou já sete livros a gente que não publicou nenhum se, de facto, fosse gente que trabalhasse em conjunto, se reunisse para problematizar o que é ou não é a poesia de agora. Mas como isso não acontece, não fazemos mais do que jogar à sorte a possibilidade de adivinhar um novo poeta num só poema.

Não acreditando em gerações, eu, não acredito mesmo nada numa geração do século XXI. Porque esta nossa capacidade de encontrar "um qualquer obscuro poeta norte-americano" nos tem tirado, muitas vezes, a vontade de ir até a uma biblioteca folhear aqueles que, antes de nós, escreveram na nossa língua. E não há geração sem língua, sem história. Os melhores de nós serão aqueles que até mais tarde souberem reinventar a sua língua e a sua poesia. Isso dar-lhes-á a possibilidade de, então, apontar para entre os jovens que serão a novíssima geração do segundo quarto do século XXI. A única certeza que temos hoje é que, nesse gesto, iremos, com certeza, acertar ao lado.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Ler em Setembro

Era disto que eu falava quando duvidei da entrevistada anterior: Eduardo Lourenço enche a Ler de Setembro por todos os recantos, a revista bem que podia ser, apenas, esta conversa entre o pensador e o Carlos Vaz Marques, que todos nós, os doentes da literatura, daríamos 5, 10, 15 euros para poder ler, no recato dos nossos sofás, a revista. Para além disso, saudar a contratação de Verão, Rogério Casanova, que vem ajudar Pedro Mexia na função de trincos da equipa da revista: se com Pedro Mexia tínhamos um Costinha, assim a dar pontapés nas articulações como quem se passeia num jantar diplomático, com Rogério Casanova ressuscitamos o espírito João Pinto do Porto, um homem que bebe o sangue do assassínio só para deixar limpo o local do crime.

Há uma geração de poetas portugueses do séc. XXI?

Deve um poeta indignar-se por haver um enorme silêncio à sua volta ou deve aproveitar para continuar a escrever?

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Mais algumas notas sobre Livros Escolares

Iniciou-se o ano lectivo, e faz-se uma actualização da apreciação ao trabalho das diversas editoras de livro escolar. Comecemos pelas que tinham uma apreciação positiva. No que toca à Plátano/Didáctica, nada há a alterar em relação ao antes exposto. Já no que toca à Constância/Santillana, um reparo a uma situação que está a acontecer esta semana: o mesmo cash passou a atender livreiros e professores, em simultâneo, sendo que os professores, por não terem ficha de cliente criada, ocupam as caixas muito mais tempo. Como exemplo, uma visita que teria durado pouco mais de 5 minutos, prolongou-se por mais de meia hora, com direito a assistir a uma discussão entre um professor insatisfeito (ah, se ele fosse livreiro) e a funcionária da caixa. Pela falta de respeito aos livreiros, neste caso concreto, a Constância leva negativa.

A Porto Editora teve uma apreciação negativa na anterior avaliação. Tendo melhorado os prazos de entregue e voltado a responder eficazmente aos pedidos feitos no site, melhorou aquilo que poderia melhorar, no imediato. Existem poucos livros esgotados, o que também é um ponto positivo. O lado negativo, a rever no próximo ano, é o olhar o livreiro com desconfiança.

Do Grupo Leya, o melhor é não falar. O que dizer de uma empresa que não dá previsão nenhuma sobre uma série de livros que nunca conseguiu colocar no mercado, que sugere aos seus clientes por todo o país para se deslocarem até Lisboa a um cash que só dispõe de duas caixas a trabalhar em permanência? Uma empresa que não permite que os clientes levem o carro até à entrada do armazém onde vendem os livros, sugerindo o estacionamento num parque mínimo e pelas ruas em redor do armazém? O cenário, ontem, às 18 horas era o seguinte: armazém com pouquíssimos livros (e clara incapacidade para repor os stocks em falta); uma dezena de pessoas à porta do armazém, à espera de conseguir um carrinho para transportar as compras (não havia nem um disponível); uma fila de 30 a 40 pessoas, para conseguir chegar às caixas. Numa só palavra, o caos. Nota muito muito negativa.

O Poder é um lugar estranho

Fomos criados com a ideia de que não há nada que possamos fazer para mudar o mundo e, enquanto crescemos, vamos percebendo como é maquiavélica essa ideia, aparentemente simples, aparentemente humilde, de modificar o carpe diem em aguenta-te como podes. Fomos criados com isso na cabeça e, diariamente, a classe política parece querer reforçar que é mesmo verdade ou, o que é ainda mais preocupante, também eles acreditam que nada podem fazer para mudar o mundo.

Assim, não é de estranhar quando a suposta líder da oposição passa dois meses calada para depois anunciar ao país, com a pompa e circunstância de uma Universidade de Verão, que está tudo mal. Não é de estranhar que a oposição interna a essa oposição, acabadinha de sair derrotada numas eleições, venha pedir reflexão, quatro meses depois da reflexão eleitoral. Não é de estranhar que o primeiro-ministro reaja a isto como o menino queixinhas, dentro da sala de aula do país, a apontar para o lado e a dizer que está ali o menino que só diz mal dele.

No fundo, esquecemo-nos diariamente de que um pequeno gesto pode mudar o mundo. Dar os bons dias a um vizinho a quem nunca falamos. Ser simpático para o rapaz que nos atende atrás de um balcão. Não deixar que as opiniões dos outros, seja na reunião do condomínio, seja no emprego, seja numa conversa de café, esmaguem as nossas opiniões e a nossa forma de ver o mundo. Não deixar que, por muito que isso seja benéfico para o país, para as estatísticas, os nossos filhos sejam apenas um número no aproveitamento escolar, nós próprios sejamos apenas um número, na taxa de emprego ou de desemprego.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Diz que começa hoje o ano lectivo...

E apesar da Senhora Ministra garantir ao país que os livros escolares estão todos prontos e distribuídos pelos alunos, tenho que dizer que isso é uma enorme mentira - existem vários títulos que ainda nem sequer saíram das gráficas...

E apesar de aumentadas as verbas para os alunos subsidiados, e de a segurança social ter enviado cartas a todos os pais, ainda existem cartas por entregar, e depois disso é necessário que os pais se dirijam à escola pedir para trocar a carta pelo ofício com o valor do subsídio e pedir, numa livraria próxima, que lhe façam o desconto (isto quando, uma parte dos pais já comprou e pagou os livros)...

E depois das Câmaras Municipais terem tirado a água do capote, colocando nas escolas e nos pais a opção de escolher quais as livrarias onde querem comprar os livros, as escolas (instituições públicas) não recorrem a concursos públicos nem a consultas públicas e obrigam (ilegalmente) os beneficiários dos subsídios a comprar em determinadas livrarias que vão dar uma comissão à escola por essa indicação...

E apesar de tudo, diz que ainda há esperança.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Serviço Público (ainda vamos a tempo)

No dia em que se festeja o renascimento de George W.Bush (o que seria dele sem o 9 /11), a minha igreja preferida, em trio, num formato de jogo de computador. É na Fábrica do Braço de Prata. Quem não aparecer, será esmagado.

Serviço Público (já vem tarde)

Primeiro Curso de Pós-Graduação em Literatura Infantil. Já abriram as inscrições, na Universidade Católica de Lisboa.

(está tudo aqui)

The Monster

A América ama quem o resto do mundo prefere odiar.
Palin has strongly promoted oil and natural gas resource development in Alaska, including in the Arctic National Wildlife Refuge (ANWR).She has opposed federal listing of the polar bear as an endangered species warning that it would adversely affect energy development in Alaska. Palin does not believe that global warming is human-caused.
She has called herself as "pro-life as any candidate can be",would permit abortion only in cases where the mother's life is in danger,and supports mandatory parental consent for abortions.Palin is supportive of contraception but she backs abstinence-only education and is against "explicit sex-ed programs" in schools.She opposes same-sex marriage and supported a non-binding referendum for an Alaskan constitutional amendment to deny state health benefits to same-sex couples.She supports capital punishment.Palin supports allowing the teaching of both creationism and evolution in public schools, but not to the extent of requiring the teaching of creation-based alternatives. [retirado daqui]

as coisas boas levam o seu tempo a degustar


O Manuel A. Domingos já leu e foi esta a sua reacção.