quinta-feira, 28 de agosto de 2008

[é tudo gente séria, mas...] - As condições do fornecimento

Estando em plena época de livro escolar, mais uma vez os livreiros de todo o país são confrontados com as condições do fornecimento do livro escolar (notar o "do" e não o "de"). Faço um pequeno balanço intermédio de alguns dos principais fornecedores.

Constância Editores (Grupo Santillana) - o cash que serve os livreiros está, este ano, muito melhor organizado em termos de exposição. Alguns dos problemas de produção têm sido resolvidos em tempo útil e o facto de existirem, agora, duas caixas em funcionamento também faz com que se perca menos tempo nos pagamentos. É um grupo que está quase exclusivamente concentrado no escolar e, talvez por isso, os seus métodos de funcionamento têm assistido a um processo de reconhecimento do erro -> solução. Oficialmente, não fornecem caixas para transportar o livro, mas as funcionárias têm permitido a utilização das caixas da gráfica. Nota positiva.

Plátano e Didáctica Editores (Grupo Paralelo) - receberia o prémio simpatia e disponibilidade. É o que faz melhor assistência ao cliente, já que tem um funcionário a atender cada livreiro. Temos tido a sorte de os visitar em horários de pouco movimento, mas acredito que esta seja uma solução à medida, para o nível de procura que têm. A resposta, em termos de produção, está também muito satisfatória. Nota positiva.

Porto Editora, Lisboa Editora, Areal (Grupo Porto Editora) - Ao contrário de todos os outros, não têm, este ano, um cash em funcionamento, todas as encomendas são feitas através do site e enviadas por transportadora. Esta solução funcionou enquanto não entupiu: as primeiras encomendas demoravam entre 2 a 3 dias para chegar, neste momento, a informação já começa a ser contraditória, com algumas encomendas a manterem esse nível e outras a perderem-se no tempo. Na nova solução encontrada, também já não fazem envios à cobrança - agora, o livreiro vai fazendo adiantamentos dos valores encomendados, ficando com crédito para as futuras encomendas. Até ver, é um sistema que falha demasiadas vezes, até porque o departamento logístico e o departamento financeiro não parecem estar a funcionar à mesma velocidade. Nota negativa, quando se esperava um ano perfeito.

Texto, Asa, Nova Gaia, Gailivro (Grupo Leya) - Deverá ser a editora que cria mais dificuldades aos livreiros para encontrar o seu armazém - após um labirinto no Cacém, fica situado numa rua sem saída, sem qualquer indicação exterior (a não ser um papel na porta do armazém, colocado há menos de uma semana) e com um parque de estacionamento mínimo. A arrumação é a olho - os livros vão chegando em paletes e tenta-se uma organização por anos que nem sempre é conseguida (por exemplo, o 12º ano está numa sala entre o 4º e o 8º, o 10º e o 11º parecem não ter distinção, o 8º e o 9º estão, muitas vezes, misturados). Em termos de produção, péssimo. Não há livros, muitos deles ainda nunca estiveram disponíveis, nem sequer existe informação sobre quando poderão estar (a resposta constante é um, "vá passando e logo se vê). Tem três caixas, mas normalmente só duas funcionam, o que para o volume de clientes me parece insuficiente. A simpatia e disponibilidade dos funcionários (ao que me parece, alguns deles, sazonais) não chega para corresponder às exigências mínimas dos livreiros. Aqui, caixas para transporte da mercadoria, só as que os livreiros levam, já a contar com a falta de respeito por quem é cliente. Nota negativa.

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