terça-feira, 12 de agosto de 2008

Quando o Público lixa o Privado

Quando o Público lixa o Privado, em Portugal, as mentes parecem manter-se calmas e sossegadas, sem azo a grandes discussões – no fundo, o objectivo do Público é fazer um serviço que agrade ao público, por muito que isso desagrade a grande parte dos privados. No entanto, mais cedo ou mais tarde, o Público vai anunciar que é hora de dar iniciativa ao Privado, talvez nesse momento já o Privado esteja cansado de ser lixado. Todos diferentes, nada de ressentimentos.

Quando o Público lixa o Privado, por exemplo, organizando o mesmo tipo de eventos, na mesma localidade, esvaziando de público o Privado e dando à borla (ou à custa mesmo daquele público que não assiste ao evento) o que os outros, porque Privados, têm que tentar vender, o público acha bem, porque o público não vê o dinheiro a sair-lhe directamente da carteira, “quem paga impostos tem direitos”, mas também deveria ter o dever de pedir mais ou, no mínimo, pedir diferente. Mas aqui, todos iguais, nada de ressentimentos.

Quando o Público lixa o Privado, e lixa mais e lixa muito quando se aproximam eleições, o público percebe a lógica deste funcionamento de quatro em quatro anos, afinal, é assim com os jogos olímpicos e os campeonatos do mundo de futebol, porque não haveria de acontecer o mesmo com os políticos? E acrescenta-se que uns meses antes do dia do voto, ainda vêm alguns deles pedir à malta do Privado uma ajuda, uma palmada nas costas, uma fotografia em família, e a malta vai, pois, porque não haveria de ir, no fundo, todos diferentes, todos iguais, nada de ressentimentos.

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