quarta-feira, 20 de agosto de 2008

os 14 milhões

Hábito demasiado português, este de atirar os foguetes antes da festa e depois terminar a fazer pontaria com a fisga aos santinhos. O Comandante Vicente Moura e o Comité Olímpico Português prometeram ao Governo Português, em 2005, quatro a cinco medalhas olímpicas e mais 12 atletas classificados nos 8 primeiros lugares. Que isso custe 14 milhões, parece-me irrelevante - bolsas de 1250 € ou de 1000 € não tornam ninguém competitivo, no desporto mundial. Agora a ideia de que temos 20 atletas capazes de serem finalistas nos vários desportos olímpicos, parece-me típica da gula portuguesa.
Os resultados práticos de tal gula e fuga à realidade são a total confusão na comitiva portuguesa, a promessa de abandono de Vicente Moura quando ainda há vários atletas em competição e a absurda cobrança da opinião pública. É claro que não faz sentido ter atletas a queixarem do árbito, da pista, de competir de manhã... Para isso deveria existir um trabalho com os atletas de acompanhamento a vários níveis que os preparasse para um mediatismo que não é normal nas suas carreiras.
Pois vejam, a maioria destes atletas não é profissional. Têm carreiras académicas ou profissionais paralelas que conjugam, como podem, com a competição. É muito bonito ver o Obikwelu a pedir desculpa porque os portugueses lhe pagaram para ganhar, mas gostava de saber quanto material em condições ele pode comprar e em quantas provas pode participar com 1000 euros por mês.
Portugal começou, há muito pouco tempo, a investir nos Centros de Rendimento Desportivo (os que resultados deverão aparecer dentro de alguns anos). Mas há que ter consciência que a nossa meta, em cada Jogos Olímpicos, deverá ser fazer boa figura e ganhar uma média de duas medalhas. Mais do que isso significaria que os Deuses da Fortuna estariam do nosso lado. E todos deveríamos saber que ganhar, em desporto, não é uma questão de sorte.

1 comentário:

  1. Hoje o Nelson Évora ganha a medalha de ouro e o presidente do Comité Olímpico diz que até já pode ficar! Serei só eu a achar que isto é uma vergonha? Estar em cargos de responsabilidade implica saber honrar o que se diz. E, ao contrário dos atletas, esse senhor tem obrigação de saber o que diz... A questão é: será que sabe?

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