sábado, 30 de agosto de 2008

Travessia do deserto (com mar à vista)


Mestre Dahmer, consultas sobre filosofias de vida

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

[é tudo gente séria, mas...] - As condições do fornecimento

Estando em plena época de livro escolar, mais uma vez os livreiros de todo o país são confrontados com as condições do fornecimento do livro escolar (notar o "do" e não o "de"). Faço um pequeno balanço intermédio de alguns dos principais fornecedores.

Constância Editores (Grupo Santillana) - o cash que serve os livreiros está, este ano, muito melhor organizado em termos de exposição. Alguns dos problemas de produção têm sido resolvidos em tempo útil e o facto de existirem, agora, duas caixas em funcionamento também faz com que se perca menos tempo nos pagamentos. É um grupo que está quase exclusivamente concentrado no escolar e, talvez por isso, os seus métodos de funcionamento têm assistido a um processo de reconhecimento do erro -> solução. Oficialmente, não fornecem caixas para transportar o livro, mas as funcionárias têm permitido a utilização das caixas da gráfica. Nota positiva.

Plátano e Didáctica Editores (Grupo Paralelo) - receberia o prémio simpatia e disponibilidade. É o que faz melhor assistência ao cliente, já que tem um funcionário a atender cada livreiro. Temos tido a sorte de os visitar em horários de pouco movimento, mas acredito que esta seja uma solução à medida, para o nível de procura que têm. A resposta, em termos de produção, está também muito satisfatória. Nota positiva.

Porto Editora, Lisboa Editora, Areal (Grupo Porto Editora) - Ao contrário de todos os outros, não têm, este ano, um cash em funcionamento, todas as encomendas são feitas através do site e enviadas por transportadora. Esta solução funcionou enquanto não entupiu: as primeiras encomendas demoravam entre 2 a 3 dias para chegar, neste momento, a informação já começa a ser contraditória, com algumas encomendas a manterem esse nível e outras a perderem-se no tempo. Na nova solução encontrada, também já não fazem envios à cobrança - agora, o livreiro vai fazendo adiantamentos dos valores encomendados, ficando com crédito para as futuras encomendas. Até ver, é um sistema que falha demasiadas vezes, até porque o departamento logístico e o departamento financeiro não parecem estar a funcionar à mesma velocidade. Nota negativa, quando se esperava um ano perfeito.

Texto, Asa, Nova Gaia, Gailivro (Grupo Leya) - Deverá ser a editora que cria mais dificuldades aos livreiros para encontrar o seu armazém - após um labirinto no Cacém, fica situado numa rua sem saída, sem qualquer indicação exterior (a não ser um papel na porta do armazém, colocado há menos de uma semana) e com um parque de estacionamento mínimo. A arrumação é a olho - os livros vão chegando em paletes e tenta-se uma organização por anos que nem sempre é conseguida (por exemplo, o 12º ano está numa sala entre o 4º e o 8º, o 10º e o 11º parecem não ter distinção, o 8º e o 9º estão, muitas vezes, misturados). Em termos de produção, péssimo. Não há livros, muitos deles ainda nunca estiveram disponíveis, nem sequer existe informação sobre quando poderão estar (a resposta constante é um, "vá passando e logo se vê). Tem três caixas, mas normalmente só duas funcionam, o que para o volume de clientes me parece insuficiente. A simpatia e disponibilidade dos funcionários (ao que me parece, alguns deles, sazonais) não chega para corresponder às exigências mínimas dos livreiros. Aqui, caixas para transporte da mercadoria, só as que os livreiros levam, já a contar com a falta de respeito por quem é cliente. Nota negativa.

[é tudo gente séria, mas...] - Para lembrar que na história do livro, há sempre um armazém

Durante a entrega das devoluções da Feira do Livro, tive que me deslocar a vários armazéns de editoras para fazer as entregas. A experiência aconselha-se a quem acha que o mundo dos livros é um mundo limpo e cheio de sonho. No final, ficará a conhecer o lado negro da força.

A melhor história é a do Grupo Leya (não pensem que tenho algo contra o Grupo, aliás, estimo bastante muitas pessoas que lá trabalham. Mas também acho que é de referir quando certas coisas, como a que vou contar, acontecem.) Às 12h45, chegamos junto ao armazém da Leya onde se fazem as recolhas das devoluções. Tudo fechado. Respondendo a um bater de porta, surge um funcionário da Leya que esclarece o ar de abandono com um "vamos almoçar daqui a um quarto de hora". Os portões abrem-se, então, para a recepção das devoluções. Um outro funcionário (talvez mais distraído ou mais simpático), vem ajudar-nos a descarregar as 16 caixas que tínhamos para entrega. A meio do processo, o primeiro funcionário dirige-se a este e impede-o de o continuar a ajudar-nos a carregar as caixas, ficando apenas a assistir, enquanto eu e outro colega colocávamos as caixas dentro do armazém.

E esta, hein?

blogger

uns dias, eu tiro férias do blog. outros, tira ele férias de mim.

Por estes dias

- vi um filme excelente que, quando o comento a alguém, origina sempre esta resposta: "mas isso não era sobre música pimba?"
- li o último livro do Manuel Gusmão, A Terceira Mão, e fiquei convencido de que a poesia nunca morrerá.
- carreguei não sei quantos caixotes e não sei quantas mesas para fora do espaço onde se realizou a Feira do Livro de Santa Cruz.
- recebi inumeráveis e-mails e telefonemas sobre estatísticas, situações e esclarecimentos sobre a empresa.
- adormeci, de cansaço, por duas vezes, no sofá da sala, muito mais cedo do que aquela hora que costuma ser a minha.
- acordei, sem sono, muito mais cedo do que é costume, sendo que numa das manhãs consegui lavar e estender roupa, fazer a barba, tomar o pequeno-almoço descansado, tomar um café descansado e lavar o carro, tudo antes de vir trabalhar.
- fiquei contente pelo meu pai estar contente.
- vi mais um árbito auxiliar prejudicar uma equipa.
- desejei, quase a cada segundo, ter férias outra vez.
- ainda continuo a desejar, e a contar as horas, até ter férias outra vez.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Aquele Querido Mês de Agosto


Esta é a imagem que abre o filme "Aquele Querido Mês de Agosto", de Miguel Gomes. Uma raposa olha uma galinha, esperando o momento certo para se atirar para dentro do galinheiro. É isso que faz Miguel Gomes? Sim e não. N' "Aquele Querido Mês de Agosto", a raposa olha as galinhas e, se entra no galinheiro, é para debicar milho junto com elas. Neste filme, para além da trama ficcionada, encontramos o caminho até ela na primeira metade da película, em que num formato de documentário vamos conhecendo a região onde se passará a ficção. Miguel Gomes encena o falhanço do seu filme ao mesmo tempo que vai descobrindo as pessoas certas para as personagens que criou. Durante todo o filme, a própria equipa de filmagens faz parte das cenas, aparecendo no meio da acção ou constituíndo-se como acção do filme, como é o caso da brilhante cena final. Tudo isto faz do filme do Miguel Gomes um acontecimento no cinema europeu, como ficou demonstrado no Festival de Cannes e na capa do jornal Libération.
Para além de tudo isso, há, no entanto, algo que se destaca neste filme. Este filme não é um retrato do verão, da música ligeira, das festas populares. Este filme é Portugal. Com as pessoas, a alegria, a tristeza, a fé, a maldade, a desfaçatez. E só por isso se justifica que no meio de um filme que impele, várias vezes, ao riso, exista nele uma aura que me dá vontade de chorar, um choro profundo, uma emoção de profundo reconhecimento com aquilo que eu sou.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

os 14 milhões

Hábito demasiado português, este de atirar os foguetes antes da festa e depois terminar a fazer pontaria com a fisga aos santinhos. O Comandante Vicente Moura e o Comité Olímpico Português prometeram ao Governo Português, em 2005, quatro a cinco medalhas olímpicas e mais 12 atletas classificados nos 8 primeiros lugares. Que isso custe 14 milhões, parece-me irrelevante - bolsas de 1250 € ou de 1000 € não tornam ninguém competitivo, no desporto mundial. Agora a ideia de que temos 20 atletas capazes de serem finalistas nos vários desportos olímpicos, parece-me típica da gula portuguesa.
Os resultados práticos de tal gula e fuga à realidade são a total confusão na comitiva portuguesa, a promessa de abandono de Vicente Moura quando ainda há vários atletas em competição e a absurda cobrança da opinião pública. É claro que não faz sentido ter atletas a queixarem do árbito, da pista, de competir de manhã... Para isso deveria existir um trabalho com os atletas de acompanhamento a vários níveis que os preparasse para um mediatismo que não é normal nas suas carreiras.
Pois vejam, a maioria destes atletas não é profissional. Têm carreiras académicas ou profissionais paralelas que conjugam, como podem, com a competição. É muito bonito ver o Obikwelu a pedir desculpa porque os portugueses lhe pagaram para ganhar, mas gostava de saber quanto material em condições ele pode comprar e em quantas provas pode participar com 1000 euros por mês.
Portugal começou, há muito pouco tempo, a investir nos Centros de Rendimento Desportivo (os que resultados deverão aparecer dentro de alguns anos). Mas há que ter consciência que a nossa meta, em cada Jogos Olímpicos, deverá ser fazer boa figura e ganhar uma média de duas medalhas. Mais do que isso significaria que os Deuses da Fortuna estariam do nosso lado. E todos deveríamos saber que ganhar, em desporto, não é uma questão de sorte.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

para trás e para a frente no carro...

Ninivitas - " Litania de Maio"

coisas que se pensam no verão

A minha Ossétia está cheia de malícias...

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

coisas que realmente importam



Dei conta ontem, no intervalo do Guimarães - Basileia, que o Benfica começa a Liga no Estádio dos Arcos, casa do regressado Rio Ave. Não pude esconder um sorriso maquiavélico que me saiu das profundezas.

o estado do tempo

Esta manhã, na China, não se disputavam as provas de Vela por falta de vento, nem se disputavam as provas de Remo por tempestade e trovoada. Ontem, meio mundo dos profissionais da indignação vieram para terreiro pôr em causa o karaoke da cerimónia de abertura como se a sociedade do espectáculo tivesse nascido nos territórios não-democráticos. Anteontem vi uma Russa (ou seria uma Bielorrussa?) a fazer um cesto do meio-campo, num jogo de Basquetebol. Antes de anteontem o João Pina disse que se ia dedicar à Farmácia, porque o Judo não compensa. O mais difícil de aceitar é que só ao fim de uma semana começam as provas de Atletismo que, tais como as outras, vão ser todas disputadas de madrugada e de manhã. E o pior de tudo, não há televisão no local de trabalho.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

ainda santa cruz, ainda livros

Vamos entrar no último fim-de-semana da Feira do Livro de Santa Cruz com a sessão de apresentação de Mapa, o novo livro de manuel a. domingos. A sessão decorre no dia 14 de Agosto, às 22 horas.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

livros em santa cruz

ana pereirinha e valter hugo mãe, no dia 8 de agosto
luís filipe cristóvão e ozias filho, no dia 2 de agosto
fotos de rodolfo xavier

banda sonora para um dia chuvoso

Azevedo Silva - "Vai com a chuva"

Quando o Público lixa o Privado

Quando o Público lixa o Privado, em Portugal, as mentes parecem manter-se calmas e sossegadas, sem azo a grandes discussões – no fundo, o objectivo do Público é fazer um serviço que agrade ao público, por muito que isso desagrade a grande parte dos privados. No entanto, mais cedo ou mais tarde, o Público vai anunciar que é hora de dar iniciativa ao Privado, talvez nesse momento já o Privado esteja cansado de ser lixado. Todos diferentes, nada de ressentimentos.

Quando o Público lixa o Privado, por exemplo, organizando o mesmo tipo de eventos, na mesma localidade, esvaziando de público o Privado e dando à borla (ou à custa mesmo daquele público que não assiste ao evento) o que os outros, porque Privados, têm que tentar vender, o público acha bem, porque o público não vê o dinheiro a sair-lhe directamente da carteira, “quem paga impostos tem direitos”, mas também deveria ter o dever de pedir mais ou, no mínimo, pedir diferente. Mas aqui, todos iguais, nada de ressentimentos.

Quando o Público lixa o Privado, e lixa mais e lixa muito quando se aproximam eleições, o público percebe a lógica deste funcionamento de quatro em quatro anos, afinal, é assim com os jogos olímpicos e os campeonatos do mundo de futebol, porque não haveria de acontecer o mesmo com os políticos? E acrescenta-se que uns meses antes do dia do voto, ainda vêm alguns deles pedir à malta do Privado uma ajuda, uma palmada nas costas, uma fotografia em família, e a malta vai, pois, porque não haveria de ir, no fundo, todos diferentes, todos iguais, nada de ressentimentos.

outra coisa que me passou pela cabeça

em versão pente 4

desliga a televisão

Mesmo tendo tido a sorte de não ter assistido a nenhum dos directos de dia 7, ontem dou por mim a entrar no banco e a pensar, ao ver um homem ao balcão, "está um brasileiro aqui". Foi um dos pensamentos mais idiotas que me passou pela cabeça na última década. No entanto, a força mediática que nos vai impondo, dia a dia, preconceitos culturais, é, pelo menos na reacção mais imediata, bastante mais forte do que as nossas convicções. É por isso que eu odeio as chamadas compras por impulso.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Barba e Cabelo



Samuel Úria, na Trama. Fotos retiradas daqui.


literatura ordinária

(não me quero armar em parva e atacar Paulo Coelho só porque é moda fazê-lo desde que os seus livros invadiram o mercado; é que, pura e simplesmente, Paulo Coelho, que eu já li, é insuportavelmente chato! Se se quer filosofia de café, ao menos que se faça mais uma forcinha e se leia a Aparição)

Rita Faria, bang-bang, n' O Nascer do Sol.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Sentimentos duplos

Mas são os Jogos Olímpicos.

Hoje, em Santa Cruz

Hoje, em Santa Cruz, na Feira do Livro, haverá eventos para todos os gostos.

A partir das 18 horas, Provas de Vinhos Regionais, organizado em parceria com a CVR Lisboa.

A partir das 22 horas, valter hugo mãe, para conversar e autografar o seu novo livro o apocalipse dos trabalhadores, lançado pela quidnovi.

Duas boas sugestões para depois da praia.

Matinadas

Chico César e Ana Carolina - "Mulher, eu sei"

trama-do

O Samuel Úria vai ser o Paco Bandeira do futuro, mas com cabelo e sem paixões desmesuradas por cavalos.

sábado, 2 de agosto de 2008

escolher equipas

A minha equipa, para a próxima semana, é esta.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

"Os anos 90 nunca existiram"

Os Pontos Negros - " Conto de Fadas de Sintra a Lisboa"

Para ouvir em repeat e em máximo volume.

Entra Agosto

Tiago Guillul e o novo teledisco de "Beijas como uma freira"

É Sexta-Feira

Finanças, Fotografia, Feira do Livro, Futebol, um cheirinho a Férias...