quinta-feira, 17 de julho de 2008

teofanias urbanas

À livraria, vêm, de vez em quando, clientes muito especiais que nos criticam a falta de comunicação de campanhas. O discurso inclui, mais das vezes, frases como "deviam apostar no marketing" ou "não sei porque não avisam os clientes" ou, ainda, "podiam tentar fazer isso chegar a mais gente, porque ninguém sabe".
O mais curioso é que estes parecem ser clientes que não lêem jornais (onde estamos sempre a aparecer, especialmente nos regionais), não lêem blogues, não visitam sites, não ouvem rádio... São pessoas que vivem muito preocupadas com o marketing, como se o simples sussurrar da palavra marketing resolvesse a incapacidade de dar atenção aos fenómenos que nos rodeiam. Como se o marketing fosse isso mesmo, a capacidade de cada um transformar o ego do outro.

4 comentários:

  1. Parece-me uma perspectiva um tanto ou quanto arrogante. Então os potenciais clientes não lêem jornais (especialmente os regionais), não ouvem rádio e não visitam sites e o que faz é queixar-se disso?

    Porque é que não tenta ir ao encontro deles? O marketing não trata de transformar egos mas de nos levar aos potenciais clientes. Dar visibilidade e coisas do género.

    Filipe
    (www.ouve-se.com)

    ResponderEliminar
  2. Caro Filipe,

    poderá parecer, de facto, uma perspectiva arrogante. Mas não estou certo que tenha percebido o tom do texto. O que eu digo é que um cliente que nos aconselha a fazer publicidade, parece não estar atento à publicidade que fazemos, constantemente, em todos esses meios. Não sou eu que afirmo que o marketing trata de transformar egos, mas sim que a percepção geral das pessoas se inclina para que seja assim. Há uma crença das pessoas no poder da publicidade, que talvez resulte nas grandes escalas, mas que é muito mais duvidoso nas pequenas, como é o caso da Livrododia.

    ResponderEliminar
  3. Muito interessante o seu comentário pois incorre num erro comum, o de pensar que os meios que elegeu para promover os seus livros são aqueles que são valorizados pelos seus clientes.
    Parta à descoberta e tente perceber como (tem a vantagem de se restringir a uma área geográfica muito pequena) é que pode utilizar e usufruir de canais de comunicação realmente valiosos, tal como o word-of-mouth.
    Bons negócios

    ResponderEliminar
  4. Caro Hugo,

    de facto, eu não acho que tenha escolhido os meios mais valorizados pelos meus clientes (e não é para promover o livro, é para promover a livraria). Se eu escolhesse esses meios, faria publicidade na Sic ou na TVI, no intervalo do telejornal ou pouco antes do início de alguma das telenovelas. É mais que seguro que cerca de 60% (ou, provavelmente, mais) dos meus clientes vêem televisão nesse horário. Acontece que eu trabalho com um orçamento que é reduzido e que precisa de apresentar resultados. O boca-a-boca é uma das nossas maiores armas, há imenso tempo. É nele que temos fortalecido a imagem positiva que detemos junto dos nossos clientes. Agora, não nos podemos restringir aos nossos clientes, temos que avançar para aqueles que ainda não o são. E aí, pode confirmar pelo nosso historial, já tentámos tudo: jornais locais, jornais nacionais, rádio, distribuição de folhetos pelas ruas, animação de rua patrocinada, participação como parceiros em vários eventos de dimensão no concelho. Os resultados apresentam altos e baixos, mas é um comentário recorrente, pelo menos em cidades de dimensão média, como é o caso de Torres Vedras, que os eventos não são comunicados. Eu já colaborei com empresas e associações e as queixas são sempre as mesmas. Já reflecti bastante sobre o problema. Há apenas um segredo. As pessoas vão aos lugares que realmente lhe interessam, quando querem. Apenas isso. Dificilmente são influenciadas ao contrário. Como eu não sou um Centro Comercial e ninguém me isenta de taxas para fazer seja o que for, aguento-me com isso. Ter que ouvir, depois de tudo isto, que fazemos pouco, põe-me mal disposto. Acho que a pessoa tem tanto direito a dizer o que pensa, como eu tenho direito a ficar mal disposto. Ela disse da boca para fora e quase ninguém a ouviu. Eu escrevi no blogue. Continuamos todos amigos. Pronto.

    ResponderEliminar