terça-feira, 1 de julho de 2008

Livrarias

Consigo distinguir uma livraria quando entro numa. Não me sinto muito diferente das outras pessoas por conseguir isto. É uma coisa que já consigo fazer há imenso tempo. Desde quando era relativamente pequenino e entrar numa livraria, na minha terra, significava passar por uma loja cheia de revistas, totolotos e máquinas de calcular, subir umas escadinhas apertadas onde eu tinha sempre medo de cair e virar à direita, para a livraria, coisa de crescido já que virar à esquerda significava entrar na sala dos brinquedos.

Consigo distinguir uma livraria quando entro numa. Não tem computadores, nem máquinas fotográficas, nem software, hardware, jogos de computador, séries televisivas, filmes a preços de várias cores, antes se chegar a ver a capa de um primeiro livro. Também gosto dessas outras lojas, mas não são livrarias. Não me dizem, com ar de quem descobriu a pólvora, «temos esse livro na nossa loja do Algarve» quando me encontro em Braga. Apetece dizer que seria mais fácil ir à editora. Normalmente é.

Consigo distinguir uma livraria quando entro numa. É como quando se entra numa Igreja, acontece qualquer coisa de mágico, mas numa livraria pode-se estender a mão para os livros e ficar ali a mergulhar neles. Encontra-se sempre alguém que percebe de livros, como nós, e nos fala maravilhado de um qualquer livro do qual ainda ninguém falou. Nas livrarias sabem-se segredos, encontram-se respostas, inventam-se amizades. Nas livrarias somos capazes de sonhar, mesmo quando estamos a dormir. Consigo distinguir uma livraria quando entro numa. Queria ser capaz de explicar isto a quem não o consegue.

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