quinta-feira, 10 de julho de 2008

Diário quando importa

Há um leve cheiro a frango assado a entrar pelas janelas, da churrasqueira aqui ao lado. Estou sentado no computador que há-de ser a caixa da feira do livro de Santa Cruz. Hoje foi mais um dia de montagens, o primeiro dia em que se começaram a desencaixotar os livros (que já vêm marcados das livrarias, em Torres Vedras), o dia em que decidiu onde iam ficar as mesas, os expositores (que tiveram que ser montados segundo as regras), tudo isso. Hoje foi também o dia em que fiquei por aqui a tentar se perceber se gosto ou não gosto de montar livrarias, feiras do livro. De manhã, pensava que sim. Agora também. Pelo meio, vou tendo as sempre recorrentes dúvidas.
À hora do lanche encontrei o Sr. Luís, um antigo livreiro que sempre que me encontra vai tentando saber como correm as coisas, sendo que é também um frequentador habitual das minhas livrarias. A meio, ou já para o final, da conversa, disse-me: "quando te falei do negócio, eu disse-te que não era um negócio fácil, que é preciso ter um estilo de vida e um posicionamento totalmente diferente do resto das pessoas, e que tudo isso junto foi o que eu tentei fazer quando tinha a minha livraria, e não fui capaz, porque não tinha dinheiro". Ele não sabe, e se calhar nunca vai saber como me bateu esta frase, este momento. Queria ter-lhe dito mais alguma coisa, mas ele já tinha seguido rua fora.
São agora sete e um quarto, as coisas vão acalmando por aqui, havemos de voltar à noite para continuar a montar as coisas. E ao pensar nisto, sei que as coisas que têm muita graça, muitas vezes não têm graça nenhuma. Que esta coisa de se ser diferente de toda a gente (ou de, pelo menos, da maior parte das pessoas que conhecemos), tem um preço alto, demasiado alto, um preço que não tem nada a ver com dinheiro, mas tem tudo a ver com a forma como nos pretendemos aguentar, como eu me pretendo aguentar, vivo e com o mínimo de saúde mental, até ao fim dos meus dias. E seja como for que eu lá chegue, sei que não vai ser fácil. Como não é fácil que este texto, que já não vai pequeno, se aguente online até que eu o "poste", com esta frágil ligação que aqui temos...

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