sexta-feira, 20 de junho de 2008

Portugal

Nunca se sai de uma derrota bem disposto, muito menos num jogo em que temos a nítida sensação de que poderíamos vencer. O que nos faltou não foi sorte, foi inteligência competitiva. A Alemanha soube explorar as nossas três fragilidades (que, infelizmente, não são segredo como os de Fátima, estão à vista de toda a gente): Paulo Ferreira (na esquerda ou na direita é sempre um jogador demasiado tímido na abordagem ao jogo), Ricardo (que é um guarda-redes de linha, apenas e só) e Scolari no momento em que se encontra em desvantagem. A verdade é esta, em cinco anos e meio, nunca virámos um resultado, nem nunca ganhamos um jogo em que o nosso adversário fosse nitidamente mais forte que nós.

Portugal tem um conjunto de grandes jogadores, mas é aflitivo ouvi-los falar depois de uma derrota como esta. Tirando Deco, que assume um erro colectivo, ouvimos alguns a falar do árbito, quase todos a falar das oportunidades de milhões que esperam que cheguem com as férias. Fica um sabor amargo, ao ouvi-los, de quem são apenas uns heróis com pés de barro (ainda que em busca de um banho em ouro).

Para o nosso futebol, contudo, as notícias são boas. Desde que o Europeu de Futebol apura 16 equipas para as fases finais, não mais falhámos um. A perspectiva é de aumentar este número, por isso, de quatro em quatro anos, lá iremos passear a bordo do sonho de um dia ganharmos uma competição assim. Também, desde que o Mundial passou a 32 equipas, só o falhámos uma vez (e isto porque ficou apertado para Europa, que só tem levado 13/14 equipas), perspectivando-se um bom futuro em termos de participações. Sempre fomos uma equipa de segunda linha, que pratica bom futebol, que empolga quem gosta do jogo, e vamos continuar a ser.

Depois de termos passado a fase da Virgem do Caravaggio, espero agora que o Sr. Madaíl tome a decisão certa. Provavelmente a demissão. E que logo a seguir alguém que escolha um treinador que pense que o futebol se joga, exclusivamente, dentro das quatro linhas.

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