terça-feira, 3 de junho de 2008

Para além das questões tácticas

Nunca gostei muito de trabalhos de grupo. O problema era o grupo, claro. Quase impossível encontrar, durante os anos escolares, alguém que alinhasse na minha produção no caos, sempre apostado em caminhar sobre as linhas dos prazos. O habitual, consoante o grupo que me calhava, era fazer o trabalho sozinho ou não fazer nada do trabalho, acaso no grupo houvesse alguém que igual capacidade de iniciativa. Fugi sempre aos conflitos, acho que as coisas se resolvem com o tempo, e o tempo é o grande inimigo dos trabalhos de grupo.

Como para toda a regra existe uma excepção, encontrei na Faculdade alguém com quem era possível trabalhar em grupo. O mesmo tempo dedicado à leitura das fontes, o mesmo prazer de trabalhar na pressão da data, a mesma lógica de utilizar a imaginação para resolver questões aparentemente científicas. Foram trabalhos gloriosos, que lembro com saudade e prazer, desses tempos sem grande coisa de significativo para guardar nos armazéns da memória. Deu-me algum sossego, ter encontrado esse rapaz; ficou-me como uma prova de que eu não era um caso perdido, ou, pelo menos, os trabalhos de grupo não seriam um caso perdido para mim.

Tudo isto para agora, tentar perceber como se faz um grupo, uma equipa, uma empresa. Porque em cada caso, o que temos são necessidades para as quais procuramos ter resposta, projectos que dependem de um esforço conjunto e, talvez acima de todos os outros pontos, a nossa satisfação pessoal. Ninguém gosta de acordar de manhã para ir a um lugar onde não se sente bem. No fundo, o mais importante é não nos deixarmos influenciar pelos diagnósticos iniciais, porque a avaliação contínua da situação coloca-nos, a maior parte das vezes, perante um mapa diferente.

Pessoas que, à partida, nos parecem pouco importantes para o funcionamento do todo, acabam, com o tempo, por demonstrar que têm uma função de equilibrar o conjunto. Outras, que se apresentam como essenciais, tantas vezes não trazem mais que um simples contributo lateral. Os equilíbrios fazem-se assim, com o passar dos dias, com a atenção que uma família necessita para sobreviver. Seja para gerir um projecto cultural, seja para ganhar um campeonato de futebol. Não há outro segredo que não este. A sensibilidade.

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