terça-feira, 24 de junho de 2008

histórias de família

A família há muito que convivia com essa história mal contada, nunca antes, sequer, clarificada pelas partes. Tudo começou quando numa vinda a Portugal, alguém se lhe apresentou como filho de um homem com o mesmo nome, o mesmo emprego, na mesma cidade, que seu pai. Ele tremeu. Haveria, naquela figura quieta lá de casa, o dono de uma vida dupla?
Quando confrontou o pai com essa história, este foi vago, sacudindo a água do capote, com um "parece que havia lá alguém com o mesmo nome que eu, sim...". Essa resposta nunca o convenceu e fixou no património familiar a possibilidade.
Vários anos depois, numa outra vinda a Portugal, uma senhora aproxima-se dele, perguntando se, por acaso não era filho de fulano de tal, empregado em certo lugar, da sua cidade, um homem alto e de bigode. Ele tremeu, uma vez mais. Bem, "o bigode pode crescer e cortar-se, mas alto é que o meu pai nunca foi". Estava explicado, havia, na mesma terra, um homem com o mesmo nome e o mesmo emprego que seu pai, um homem que ele nunca conheceu e que o perseguiu durante uma grande parte da sua vida. Até ao momento em que esse mesmo homem, por um punhado de centímetros, o deixou descansar.

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