quarta-feira, 18 de junho de 2008

eterno retorno


O Parlamento Europeu aprovou hoje a Directiva de Retorno.
18 de Junho passará a ficar marcado nas nossas agendas como o dia da Vergonha. Todos aqueles que têm amigos ou familiares que sejam ou tenham sido imigrantes e emigrantes percebem bem porque é que esta directiva é, com todas as letras, uma directiva de merda.


1 comentário:

  1. Sim, é uma iniciativa que aterroriza. Mesmo aqueles que nunca conheceram nenhum emigrante ou imigrante na vida devem temer este tipo de decisões. Talvez o problema esteja no facto de que começa a ser, infelizmente, "normal" que os direitos e liberdades dos cidadãos, emigrantes, imigrantes, residentes, não residentes, sejam cada vez mais atacados e limitados de modo mais ou menos subtil, sem que ninguém reaja muito. O Patriot Act nos EUA, por exemplo, prisões mais ou menos alietórias, câmaras de vigilância por tudo quanto é lado (em Londres somos filmados 500 vezes por cada metro - estou a inventar, mas o ratio é semelhante), e tudo em nome da nossa segurança - medidas que não pedimos e de que provavelmente não precisamos. Precisamos, sim, de bom senso e de algum civismo. Que tal voltarmos todos aos bancos da escola e aprender o que é, de facto, a segurança nacional e individual, a forma de intervenção do cidadão na sociedade (que pode começar por exercermos efectivamente o direito de voto quando temos oportunidade em vez de nos refugiarmos no confortável lamento "ó pá, também são sempre os mesmos..."), e quejandas medidas? A segurança e a produtividade, de que tanto precisamos, pelos vistos, não estão com certeza em poder deter imigrantes por não terem papéis por períodos longuíssimos. Estará, talvez, na nossa capacidade de conseguir que os mesmos imigrantes se consigam fixar cá, consigam trabalhar cá, consigam pagar impostos cá e criar filhos produtivos que mais tarde também produzirão e pagarão impostos - não é isto que o Estado precisa?
    Peço desculpa pelo longo comentário, mas não poderia concordar menos com esta decisão que, aliás, pensei que nunca se concretizaria. E isto num país que, sem vagas de emigração, bem podia dizer adeus ao seu bem amado bacalhau e ao pato-bravismo, o que é chato porque depois certos ditos intelectuais ficavam sem ninguém com quem gozar.

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