segunda-feira, 30 de junho de 2008

todos os dias fim-de-semana

“Nunca desejei ter um belo carro ou qualquer outra coisa a não ser eu mesmo. Posso ir para a rua com as mãos nos bolsos e sinto-me um príncipe.”

Albert Cossery

Fúria!

Espectáculo

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Weekend

Lobo Antunes, allez, Lobo Antunes, allez

Não sei se cite, se comente. Toda a notícia parece saída de uma realidade paralela à qual os comuns mortais não têm acesso.

A peça de João Céu e Silva, no DN, tem, na verdade, excertos hilariantes.

Como este:
Os argumentos e as promessas do Grupo Leya acalmaram o escritor e este manter-se-á na editora em que publicou quase toda a sua obra. Para dizer sim, teve garantias de que a Dom Quixote voltaria a ter o prestígio dos tempos de Snu Abecasis e que o "lixo literário" desaparecerá da

Ou este:
"agrada-me a promessa de que a Dom Quixote volte a ser a editora de referência que era no tempo da Snu Abecasis, quando as pessoas compravam os seus livros porque tinham essa chancela, como era o meu caso. Estou convicto de que o querem fazer e espero que revitalizem as colecções que ela criou, como os Cadernos de Poesia e os Cadernos Dom Quixote, e que aquilo que eu acho que é o lixo editorial - é necessário publicar porque traz dinheiro - seja feito noutras chancelas do grupo" [Lobo Antunes dixit]

Sugiro agora o exercício de trocar o nome Lobo Antunes por José Saramago, ver qual a editora da qual já se registaram mais saídas desde que pertence ao Grupo Leya(-me, por favor!) e perceber qual é o património editorial que está prestes a ser deitado ao lixo.

Quem acertar, ganha um abraço ou uma palmada nas costas (escolhe o freguês).

Mapa - manuel a. domingos


Exercício de Geografia

talvez a função do geógrafo
não seja cartografar
mares, ilhas, montanhas,
tentando dar-lhes
um lugar exacto ou
sentido à sua existência.
talvez a verdadeira
função seja amar
esses mares, ilhas,
montanhas, mesmo que
não tenham um lugar
exacto ou a sua existência
um verdadeiro sentido.

*


fala-me dos dias que
não podem ser
repetidos, das vezes
que ias roubar
fruta para depois
a atirares contra os muros
pelo simples prazer
de destruir. fala-me
dos cigarros fumados
às escondidas,
restos de beatas
deixadas por trolhas
nas obras onde
brincavas, onde beijaste
(e confundiste esse
beijo com o amor)
pela primeira vez
aquela rapariga
que mais tarde disse
a toda a gente que
não sabias beijar.
fala-me de tudo
isso, para que se dilua
outra vez no tempo
como este gelo
no fundo do copo.

*


deixa-te de coisas

agarra a rapariga
pela cintura
sem qualquer possibilidade
de resposta

nunca entendi
parece que lhes dá prazer
sentirem-se subjugadas
apesar das fantasias feministas
em que acreditam

deixa-te de coisas

agarra a rapariga
vais ver que ela gosta

se não gostar
culpa o poema

*

Poema da noite de ontem

devo
uma grade de cerveja
e um chupa
chups.

pago
amanhã.


*

Título: Mapa
Autor: manuel a.domingos
Livrododia Editores

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Pais do Amaral on fire

Diz que disse - a Editorial Verbo é o próximo alvo do Grupo Leya. E parece que não vão ficar por aqui. Dentro de momentos, as livrarias...

Somos de quem?

A dúvida cresce perante o discurso daquele homem: será assim tão difícil conciliar bem-estar económico e moral? Onde termina a ética que nos leva, durante uma vida inteira, a trabalhar num projecto cultural, político e social, para que um dia ceder tudo isso a um aglomerado de empresas que visa, apenas e só, o lucro? Podemos mudar de vida sem mudar de discurso? Como conseguimos justificar, não tanto perante os outros, mas perante nós próprios, a evolução na continuidade de um discurso essencialmente cultural para um discurso essencialmente capitalista?

A dúvida cresce perante o discurso daquele homem: mas quem lhe perguntou pela sua vida, pelo seu salário, pelos seus bens? As pessoas chegaram para o ouvir falar de livros, de histórias e de sonhos. Não querem saber, e bem, se os pilares da casa se fazem de dinheiro ou de paixão, não é com elas. Não é com ninguém, ver o senhor enlear-se nas suas próprias questões, de sentir que o dinheiro que lhe pagam agora, ao fim de cada mês, o obriga a falar e a dizer coisas em que, há uns meses atrás, talvez não acreditasse. O grande capital não é burro, mesmo que às vezes pareça. Quando nos compra, não espera que adoptemos o seu discurso, apenas espera que lhe aumentemos o lucro. Nós, os pequenos, é que não sabemos como viver com isso.

A dúvida cresce perante o discurso daquele homem: uma estrada grande e larga está à minha frente, uma enorme página em branco a pedir-me que eu a preencha. Meto as mãos aos bolsos, algumas moedas, poucas, mas a certeza que a vida me foi dando de que haverá sempre qualquer coisa no fundo dos bolsos, que me faça aguentar mais um dia. A minha voz, a justificar o injustificável? Não me parece. Não quero que assim seja. Não quero ter que sentir a sair pelos lábios algo que o coração não sente. Mantenho a minha fidelidade a mim mesmo, às minhas palavras. Talvez seja essa a única garantia que tenho, quando dou o próximo passo.

terça-feira, 24 de junho de 2008

histórias de família

A família há muito que convivia com essa história mal contada, nunca antes, sequer, clarificada pelas partes. Tudo começou quando numa vinda a Portugal, alguém se lhe apresentou como filho de um homem com o mesmo nome, o mesmo emprego, na mesma cidade, que seu pai. Ele tremeu. Haveria, naquela figura quieta lá de casa, o dono de uma vida dupla?
Quando confrontou o pai com essa história, este foi vago, sacudindo a água do capote, com um "parece que havia lá alguém com o mesmo nome que eu, sim...". Essa resposta nunca o convenceu e fixou no património familiar a possibilidade.
Vários anos depois, numa outra vinda a Portugal, uma senhora aproxima-se dele, perguntando se, por acaso não era filho de fulano de tal, empregado em certo lugar, da sua cidade, um homem alto e de bigode. Ele tremeu, uma vez mais. Bem, "o bigode pode crescer e cortar-se, mas alto é que o meu pai nunca foi". Estava explicado, havia, na mesma terra, um homem com o mesmo nome e o mesmo emprego que seu pai, um homem que ele nunca conheceu e que o perseguiu durante uma grande parte da sua vida. Até ao momento em que esse mesmo homem, por um punhado de centímetros, o deixou descansar.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Livrarias (3)

O dia 22 de Junho de 2008 poderá ficar na história do livro em Portugal, com a reunião que decidiu a formação da Associação de Livreiros Independentes (LI). A reunião realizou-se na Pó dos Livros, em Lisboa, e juntou as vontades de perto de 50 livrarias de todo o país.

Para além da eleição de uma direcção, mais quatro grupos de trabalho foram formados, com vista a preparar as propostas iniciais da LI, discutidas durante esta primeira reunião. Espera-se, para os próximos dias, a divulgação de um comunicado oficial.

Livrarias (2)

[Uma Livraria] É essencialmente um posto de venda que, para além de ter uma multiplicidade de títulos à disposição dos clientes, é capaz de de tudo fazer para conseguir o livro que um cliente procura, seja ele estudante, doutorado ou uma pessoa comum. Por outro lado, uma livraria tem sempre função de dar novas tendências ao mundo. Mesmo as correntes que são menos faladas aparecem nas verdadeiras livrarias e não aparecem em postos de venda.
(...) porque o prazer não está só em ser rentável. Procuramos ser rentáveis, sermos úteis a sociedade e também termos algum gozo naquilo que fazemos. Mais fácil é qualquer pessoa abrir um grande espaço, colocar lá os livros, tipo take-away. Nós não fazemos igual porque queremos ser rentáveis e também cumprir a função cultural de ser livreiro.

Antero Braga, da Livraria Lello, na entrevista ao JPN

Livrarias

Flanar por grandes cidades em busca de livros é um dos grandes prazeres de quem viaja. As livrarias são espaço privilegiado para fugir do barulho, da poluição e da sensação de estranhamento das ruas. A seu modo, quando não fazem parte de redes impessoais e pasteurizadas, são também uma aventura à parte, com seus corredores cheios de surpresas a cada passo.

Marcelo Abreu, autor do blogue Cultura, Jornalismo e Aventuras.

sábado, 21 de junho de 2008

Arte Jovem 2008


O Concurso Arte Jovem 2008, organizado pela Câmara Municipal de Torres Vedras, visa premiar jovens artistas com menos de 30 anos residentes na Região Oeste. No ano de 2008, as categorias a concurso foram: Pintura, Ilustração, Vídeo, Design de Equipamento e Poesia.

A exposição dos melhores trabalhos é inaugurada hoje, dia 21 de Junho, pelas 17 horas, e prolongar-se-á até 12 de Julho, na Galeria Municipal e na Galeria 2Paços, ambas no Largo do Município, em Torres Vedras.

Na categoria Poesia, o vencedor foi Luís Filipe Cristóvão, com o poema Realpolitik.


**


I
Este poema é uma introdução à teoria geral dos sonhos numa cama
de casal onde dormem duas pessoas. É um ringue de hóquei em patins,
uma casa de praia onde se esqueceu um casaco que tanta falta nos faz
no início do Inverno. É um bilhete postal, uma encomenda esquecida.
É o aquecimento central do centro de saúde do concelho de Torres Vedras,
um livro que ficou perdido entre o pedido de uma criança ao Pai Natal
e a memória de um homem que tem muito em que pensar. A data deste
poema não existe –
é um poema de todos os dias a passar no calendário automático do nosso
computador pessoal, a ranhura onde deitamos moedas de cinquenta cêntimos
no parque de estacionamento municipal, o dia em que nos pediram para
nos apresentarmos no Quartel da Ajuda para servir, militarmente, o país.
O poema é daí, desse mesmo lugar onde talvez já nos tenhamos esquecido
de que a vida é mesmo assim, feita de torrentes de palavras a povoarem-nos
o cérebro e a boca, com pequenos intervalos em que nos deixamos adormecer
em frente a uma página de publicidade publicada num jornal nacional.

II
Estava capaz de escrever uma carta aos Coríntios esta manhã, ainda não
tinha saído da cama e a rádio estava ligada na Antena Um, as notícias do dia
anunciavam um ministro a fazer contas aos cêntimos que cada pensionista
pode receber por mês a somar à sua pensão, de maneira a que não se descontrole
na posse exagerada de umas moedas pretas levantadas na última semana
do mês numa estação de correios sobrelotada com livros e conjuntos de canecas
com design made in bairro alto. Estava capaz de comprar, e logo em seguida
comer, uma dúzia de gelados Olá e depois ir correr durante uma hora em volta
do relvado do jardim onde anunciam, para breve, a construcção de um
aglomerado habitacional com preocupações ambientais e última geração
no que à tecnologia pode dizer respeito a forma como cada um gosta de estender
as pernas sobre a mesa de apoio na sala da televisão ou sobre o gozo que me dá
sentir o chão frio da casa-de-banho quando acordo a meio da noite e vou urinar
o que parece ter restado de impurezas no interior indigesto do meu corpo.
Estava capaz de diversas coisas no preciso momento em que, à saída da pastelaria,
um homem deitou uma ponta de cigarro ao chão e este poema começou a nascer.

III
Naquele tempo eu costumava passar várias horas na biblioteca municipal e entre
as prateleiras encontrei muitas vezes pequenos recados escritos por outros frequentadores
em que estes pretendiam ter lido determinado livro enquanto algum familiar anotava,
nos limites das páginas, as compras a efectuar no hipermercado que fica nos limites
da cidade ou o horário da ida ao oftalmologista que dá consultas numa clínica privada
substancialmente subvencionada ora pela ausência de oferta da parte do estado ora
por manifesta impossibilidade de atender um cliente em tempo útil de vida (significando
aqui “tempo útil de vida” aquele momento na vida de alguém em que esse alguém está
doente até ao retomar daquele outro estado em que esse mesmo alguém deixa de estar
doente). Naquele tempo eu já era capaz de identificar as várias cores das etiquetas
identificativas das temáticas, bem como percorrer mentalmente, desde a porta de entrada
até à prateleira certa, o caminho que alguém deveria fazer para encontrar o livro ou
tipo de livro que procurava e irritava-me muitas vezes por haver outros frequentadores
dessa biblioteca que pareciam ser mais rápidos do que eu a terminar o seu almoço e assim
se exibiam em algumas das mesas de leitura, usurpando o jornal desportivo por muito mais
tempo do que aquele que parece ser o tempo regulamentar de leitura do mesmo.

IV
Procurei sempre estar à parte naquilo que diziam ser os encontros amigáveis
entre os consumidores de produtos culturais, principalmente nas horas em que procuravam
eleger, de entre os participantes, alguns nomes que pudessem compôr a Comissão
Administrativa dessa sociedade para o biénio seguinte -
sentia-me pouco sociável e preferia passar a maior parte dos meus dias recostado
a um cadeirão velho em frente ao computador onde tentava estabelecer alguns contactos
com as regiões do mundo mais inacessíveis, de modo a ser possível ter uma vida cheia
sem correr o risco de alguém nos vir bater à porta para pedir um raminho de salsa ou
a convidar-nos para um jantar de aniversário no restaurante chinês em conjunto com mais de
uma dezena de pessoas, usando para o efeito mesas redondas com prateleira giratória ao meio
e uma sensação de náusea crescente perante as conversas inócuas que as pessoas mais
mesquinhas costumam transportar consigo para festejos como este. Procurei estar à parte
e o que posso concluir é que falhei, falhei de uma forma que só aqueles que insistem
na repetição de actos idiotas podem falhar. Desde que me foi possível ver ao espelho, sei
de fonte segura o exacto tamanho do meu falhanço. E então verificou-se um surpreendente
aumento de peso, durante uma noite, de tal forma que quando nasceu o sol, nada me servia.

V
Na estrada para a Babilónia havia um ramal onde, todos os dias, centenas de operários
pareciam descansar de todas as maleitas do mundo, como dores de costas provocadas pelo
transporte de pesos sobre-humanos, ossos partidos por colchões sem molas, dentes
cariados devido a greves de cozinheiros de cantinas de fábricas, bolhas nos pés por
causa dos infindáveis jogos de futebol e outras competições internas da organização
de trabalhadores afectados pelos males do mundo. Ao passar por lá, senti-me de certa
forma atraído pelas suas queixas e lamentos e sentei-me a descascar uma maçã que alguém
me disse ter sido colhida do jardim onde Eva conversou sobre a novela das sete com uma
serpente. Deus deve odiar telenovelas – pensava para com os seus botões um operário de
óculos graduados. Na estrada para a Babilónia havia um outro ramal onde aprendizes de
bibliotecários aprendiam a tabuada em jeito de fórmula de codificação bibliográfica e
habituavam-se a conhecer conceitos por intermédio de conjugações numéricas cruzadas
com cores de uma paleta desprezada por vários aspirantes a pintores oficiais do regime.
Esses aprendizes de bibliotecários viriam, mais tarde, a tomar as rédeas da cidade e a tentar,
por intermédio das mais hediondas práticas, transformar toda a população em caracteres
organizados por números e cores. Perante isto, a intervenção dos Estados Unidos era inevitável.

VI
Até que chegou a hora de alguns dos nossos partirem Europa fora a fazer figura de gente
já que por cá não faziam melhor que figura de parvo, e as populações desceram às ruas
e começaram a aplaudir a caravana, que enquanto não chegou a Elvas era composta por
todo o tipo de gente, presidentes de junta de freguesia, membros suplentes das listas
de candidatos às assembleias municipais, jovens militantes empunhando bandeiras, amigos
e familiares nada próximos dessa gentalha, criados de servir e funcionários do estado, vários
tipos de representantes de empresas multinacionais com interesses em pequenas parcelas
de terrenos que, por artes de mágica imprevistas, acabam por originar grandes urbanizações
ao serviço dos vários eleitos pelo povo. À passagem por Badajoz, já o cortejo se fazia de taxi
com um elemento da Guardia Civil à frente, por mero acaso de cruzamento de destinos
entre o almoço desse senhor e a fuga dos nossos. Até que chegou a hora em que aqueles que
ficaram, não já na ocidental praia lusitana, mas naquela terra de ninguém com vista para
Espanha, voltassem para trás e às costas carregassem inúmeros cestos de fruta normalizada,
jornais emprestados para embrulhar relógios contrafaccionados em Marrocos, uma fotografia
a cores do Rei de Espanha em pose de estado, um memorandum da secreta americana sobre
o comportamento dos nossos aquando da Conferência das Lajes e um treinador para o Benfica.

VII
Não sei, nem nunca saberei, contar sílabas pelos dedos ou perceber os sons do ritmo que
um verso clássico esconde. Tenho dúvidas na distinção de um verso com um fado alexandrino.
Recorro demasiadas vezes a repetições de ideias, talvez da mesma forma como no meu país
tudo é sempre da mesma maneira. Revelo dificuldades na dicção de palavras acentuadas
e quase nunca intervenho em sessões onde não me possa inscrever previamente. Não sigo
os canones. Não sigo a banda. Não fico na ponte a atirar pedras para aqueles que aceleram
na auto-estrada. Tenho algum gozo no descobrir de estradas secundárias. Vejo mal de noite.
Vejo mal de dia. Sem óculos, não vejo nada. Não sei, nem nunca saberei, muita coisa acerca
daquilo que não me interessa. Não sou curioso, não tenho a pretensão de mandar em ninguém.
Fujo o quanto posso de quem me queira colar etiquetas. De quem me queira rotular a existência,
a palavra, o poema, a preferência por determinado café na hora em que saio de casa depois
de jantar. Este poema é uma maneira de o dizer em jeito de metáfora, em jeito de poema.
Em jeito de palavra que não sei como controlar. Em jeito de conjugação de frases em forma
de versos e versos em forma de caminhos que parecem querer chegar a algum lugar. Em jeito
de algo que não se pode calar. Este poema é uma introdução à teoria do nunca teorizar sobre
aquilo em que se está demasiado afundado. Como eu, aqui. Eu, eu próprio. Nesta vida.


sexta-feira, 20 de junho de 2008

Fado Donald - João Garcia Miguel

Hey, Moby Dick, estás toda podre por dentro...

Conhecer o Conde

A Miguel Pais do Amaral, não lhe deu até agora para "investimentos que ajudem a melhorar a vida das pessoas" - isto citando Nicolas Berggruen [um dos seus sócios mais conhecidos] - mas os novos tempos parecem estar a correr-lhe de feição.

Além das editoras de livros reunidas sob a marca Leya, pelos quais o 2º conde de Alferrarede é actualmente mais conhecido, Pais do Amaral tem estado envolvido em investimentos ligados à energia, vinhos, turismo, imobiliário, finanças, retalho, tecnologias de informação...

in "As novas corridas de Pais do Amaral", uma peça de Inês Sequeira, no Suplemento Economia, do Público de hoje.

Ainda a directiva...

Para que fique registado, os votos dos deputados portugueses, na aprovação da Directiva de Retorno:

A favor: Carlos Coelho, Assunção Esteves, Duarte Freitas, Vasco Graça Moura, Sérgio Marques, João de Deus Pinheiro, Luís Queiró, José Ribeiro e Castro, José Silva Peneda (todos do PPE/DE) e Sérgio Sousa Pinto (do PSE).
Contra: Francisco Assis, Luís Capoulas Santos, Paulo Casaca, Emanuel Jardim Fernandes, Elisa Ferreira, Armando França, Joel Hasse Ferreira, Jamila Madeira, Manuel António dos Santos (do PSE), Ilda Figueiredo, Pedro Guerreiro e Miguel Portas (do CEUE/EVN).

Ainda sobre este assunto, o Governo Português anunciou que a legislação portuguesa estaria salvaguardada. O que não é aquilo que anuncia a UE. Como se pode ler no comunicado de imprensa, "O Conselho de Ministros da UE deverá oficializar o acordo sobre a directiva do retorno em Julho. Depois, os Estados-Membros terão 24 meses após a data de publicação da directiva no Jornal Oficial da UE para transpô-la para o direito nacional".

O comunicado pode ser lido aqui.

Portugal

Nunca se sai de uma derrota bem disposto, muito menos num jogo em que temos a nítida sensação de que poderíamos vencer. O que nos faltou não foi sorte, foi inteligência competitiva. A Alemanha soube explorar as nossas três fragilidades (que, infelizmente, não são segredo como os de Fátima, estão à vista de toda a gente): Paulo Ferreira (na esquerda ou na direita é sempre um jogador demasiado tímido na abordagem ao jogo), Ricardo (que é um guarda-redes de linha, apenas e só) e Scolari no momento em que se encontra em desvantagem. A verdade é esta, em cinco anos e meio, nunca virámos um resultado, nem nunca ganhamos um jogo em que o nosso adversário fosse nitidamente mais forte que nós.

Portugal tem um conjunto de grandes jogadores, mas é aflitivo ouvi-los falar depois de uma derrota como esta. Tirando Deco, que assume um erro colectivo, ouvimos alguns a falar do árbito, quase todos a falar das oportunidades de milhões que esperam que cheguem com as férias. Fica um sabor amargo, ao ouvi-los, de quem são apenas uns heróis com pés de barro (ainda que em busca de um banho em ouro).

Para o nosso futebol, contudo, as notícias são boas. Desde que o Europeu de Futebol apura 16 equipas para as fases finais, não mais falhámos um. A perspectiva é de aumentar este número, por isso, de quatro em quatro anos, lá iremos passear a bordo do sonho de um dia ganharmos uma competição assim. Também, desde que o Mundial passou a 32 equipas, só o falhámos uma vez (e isto porque ficou apertado para Europa, que só tem levado 13/14 equipas), perspectivando-se um bom futuro em termos de participações. Sempre fomos uma equipa de segunda linha, que pratica bom futebol, que empolga quem gosta do jogo, e vamos continuar a ser.

Depois de termos passado a fase da Virgem do Caravaggio, espero agora que o Sr. Madaíl tome a decisão certa. Provavelmente a demissão. E que logo a seguir alguém que escolha um treinador que pense que o futebol se joga, exclusivamente, dentro das quatro linhas.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

17h00


O homem acalma-me(na TSF, n'A Bola), mas as lembranças exaltam-me.

a tarde nisto



Acordar com isto...





Portugal! Portugal! Portugal!

O Pastor

Tiago Guillul, no DN

quarta-feira, 18 de junho de 2008

eterno retorno


O Parlamento Europeu aprovou hoje a Directiva de Retorno.
18 de Junho passará a ficar marcado nas nossas agendas como o dia da Vergonha. Todos aqueles que têm amigos ou familiares que sejam ou tenham sido imigrantes e emigrantes percebem bem porque é que esta directiva é, com todas as letras, uma directiva de merda.


Mia Couto


Mia Couto estará na Livrododia - Centro Histórico no próximo dia 23 de Junho, pelas 18 horas, para apresentar o seu novo livro, Venenos de Deus Remédios do Diabo.

anel verde


22 anos depois

Oh Yeah!

Tiago Cavaco continua a pregar no deserto (e, com a ajuda de Deus, a ser ouvido):

Naturalmente a minha irmã mais velha tornou-se mais espiritual. Acordava de manhã e punha música de louvor (o praise anglo-saxónico, expressão branca e semi-rocada das grandes igrejas evangélicas da América, Inglaterra e Austrália), hábito que eu não apreciava especialmente (sou mais pelo gospel da velha guarda, negro e rude). E irritava-me um pouco aquela auto-satisfação beata tão matutina. Quase zen, demasiado mística.

Hoje, e apesar de permanecer um baptista tradicional, sei que a minha irmã tinha razão. Ouvir logo ao acordar uma música que proclama o nome de Jesus, ainda que de um modo burguês, caucasiano e pouco literato, é óptimo. O que poderia ser melhor? Não é raro ir no carro sozinho, Marginal fora, de braço levantado Assembleia de Deus-style. Sei que me torno simultaneamente um alvo próximo do escárnio e distante da compreensão. Mas, ó avassaladora qualidade dos que se deixam arrebatar: estamos nas tintas para o mundo.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Novos grupos editoriais


Depois de Paulo Teixeira Pinto ter ressuscitado a Guimarães e a Nova Ática, agora é a Fundação Agostinho Fernandes (para quem não sabe, o investidor que criou a Portugália) a apresentar o seu novo grupo editorial. A ver: ressurgimento da Portugália Editora, junto com as livrarias Sá da Costa e Buchholz, duas das históricas de Lisboa.
A apresentação oficial do projecto é no dia 24 de Junho, na Livraria Sá da Costa, em pleno coração do Chiado.

Um pouco daquilo que conhecemos

Slimane é um tunisino de 61 anos, em França há mais de 30, trabalhando nos estaleiros navais de uma cidade portuária do sul daquele país. É um exemplo da primeira geração de emigrantes deste século, que se esconde por detrás da sua total dedicação ao trabalho e ao amor que sente pelos seus. Slimane não percebe, nunca poderá perceber, que esse esconderijo não lhe irá servir de nada, quando, a bem dos resultados da empresa, for colocado fora, ainda para mais com uma indemnização que prevê apenas metade desses 30 anos de dedicação a cada um dos barcos que entrou no estaleiro para encontrar, de novo, a sua utilidade.

Um homem, de quem não sei o nome, na casa dos 40 anos, apareceu na televisão, na hora do fim do bloqueio dos camionistas, de colete reflector e um capacete na mão, anunciando que pedia desculpa a todos aqueles que tinham sido prejudicados com a presença dele no piquete de greve do Carregado, já que no fim das negociações entre os porta-voz dos camionistas e o Governo, ele tinha ficado sem perceber o que tinha estado ali a fazer naqueles dias. Esse homem não poderia nunca perceber que mesmo numa luta justa (o que talvez nem fosse o caso), entre os lutadores há sempre quem ganhe e quem continue igual, pequeno exército dos desejos dos poderosos.

Como crianças indefesas, dia a dia, somos confrontados com situações que nos colocam perante a extrema mágoa de percebermos que, tudo aquilo que podemos fazer pode ser muito pouco para nos levar ao que desejamos. Não estamos preparados para que os mais fortes, os mais poderosos, tenham a capacidade de se mascarar de nossos iguais, apenas para nos utilizar como peões, numa qualquer luta. O patrão que nos despede. O líder sindical que festeja um acordo que não nos serve. Os exemplos são infindáveis. A nossa fragilidade não.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Pequenas Maravilhas

O Segredo do Cuscuz, de Abdellatiff Kechiche

Uma

Uma semana de férias. Fui à praia quase todos os dias, até que senti as costas a arder e achei melhor refrear o ânimo matinal de pôr o pé na areia. Não tive que passar horas nas filas das bombas de gasolina. Não tive que faltar ao emprego para ver os jogos do Euro. Fui ao cinema, ver um filme inesquecível (O segredo dos cuscus). Li o novo livro do Mia Couto. Não quis saber das notícias do mundo da edição, nem da feira do livro (que uns dizem que vendeu mais e outros dizem que vendeu menos). Tão pouco me tive que preocupar com o facto do Governo PS estar sempre a dar o dito por não dito, ao mesmo tempo que faz cara de quem tem tudo sob controlo. Uma semana de férias. E na manhã do regresso ao trabalho, está de chuva. Poderia pedir mais?

quinta-feira, 12 de junho de 2008

em breve

sábado, 7 de junho de 2008

Voltarei!

vai começar (5)

No dia 10 de Junho, o Governo vai todo passear para espalhar a palavra...

vai começar (4)

Para quem ainda não tinha percebido.

vai começar (3)

Entusiasmo!

vai começar (2)

Deixaram-me ir!

vai começar


sexta-feira, 6 de junho de 2008

sinais vitais

Vieira da Silva contestado por plateia católica - O debate que juntou na noite de quinta feira o ministro do Trabalho e o bispo do Porto não podia ter corrido pior ao membro do governo do PS. As intervenções do público presente foram todas muito críticas das alterações propostas por Vieira da Silva para o Código do Trabalho e nem a intervenção de D. Manuel Clemente lhe valeu.

O tema do debate já anunciava que o ministro não iria ter uma recepção muito favorável na Associação Católica do Porto. "O novo Código do Trabalho e a situação sócio-económica do Porto" dava o mote ao encontro promovido pela Comissão Diocesana Justiça e Paz e pela Universidade Católica.
Mas a análise da situação sócio-económica no distrito teve de esperar por melhores dias, já que os presentes estavam interessados em contestar as propostas do ministro na revisão do Código.Vieira da Silva conseguiu "incendiar" o ambiente na sala quando afirmou que as assimetrias sociais têm origem nos "desníveis salariais, normalmente associados a desigualdades profundas das qualificações". "Não é verdade, não é verdade", contestaram alguns dos presentes.
Nas intervenções da plateia, a oposição às propostas de Vieira da Silva foi unânime entre os católicos, e ouviram-se críticas ao favorecimento dos patrões, que "querem facilidades" para despedir os trabalhadores.O bispo do Porto também deixou o alerta ao ministro do Trabalho e ao governo, lembrando que "as pessoas e os povos não devem ser instrumentos", mas sim "protagonistas do seu futuro". E ao Estado compete, na opinião de D. Manuel Clemente, "intervir a favor do bem comum e dos mais fracos".


retirado de esquerda.net

Velhas Glórias

Em cima: Nené, Filipe Sousa, Humberto Coelho, Tiago Guillul, Shéu e Bento.
Em baixo: João Alves, Chalana, Miguel Sousa, Diamantino e Samuel Úria.

Fundo

antes de lá bater, aprender a respirar.

Revista Rubra


Em breve, também na Livrododia.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Nova Águia em Torres Vedras


No próximo sábado, a revista Nova Águia cumprirá mais uma etapa do seu "tour" de apresentações, passando pela Livrododia - Centro Histórico, em Torres Vedras. O evento realiza-se às 16 horas.
Neste primeiro número da revista, entre os diversos colaboradores, poderão encontrar um poema meu. Este mesmo que aqui se segue.


**

A Cabeça de Fernando Pessoa

À memória de Alexandre O’Neill

I

Portugal, questão que trago comigo mesmo.
Leio o poeta e aceno com a cabeça.
Devagar, para não bater nas paredes.

II

Tenho andado aqui
à escuta dos pequenos
movimentos da terra
ou das pessoas nela.

III

Não me atrevo a perguntar quem sou.
Nada me tenho a responder.

IV

Pratico a ausência de alarmismos –
somos todos capazes de inventar a solidão
portátil,
boa para andar por casa.

V

Podíamos combinar um encontro
por telemóvel,
eu e o meu país refeito dos sustos
de tantos séculos.

VI

Mas ele não atende.
Deixou-me aqui fechado
comigo mesmo.

VII

Olha, Daisy –
escrevia ele numa carta
a anunciar a sua futura morte
para os amigos que tinha deixado
em Inglaterra.
Olha -
nada sobra de cor-de-rosa.
Nem os mapas.

VIII

Já viste as obras de Lisboa?
E as do Porto?
Já viste as pontes para Espanha?
Acaso atendeste a chamada por satélite
Que te faziam do lado de lá do Oceano?

IX

É que eu nunca fui a Inglaterra.
E não, também nunca fui à Alemanha.
Nunca fui aos grandes países da civilização.
E no entanto continuo aqui, sentado junto ao cais
onde já nem barcos de pescado atracam.

X

Estou cansado, isso sim.
Cansado de todo este amor mal correspondido,
Cansado de toda esta cultura que me entope
As narinas e me faz espirrar à hora marcada.

XI

Porque foi tudo isto o que nos aconteceu –
caravelas
territórios
ilhas
ouro
escravos
filhos
pimenta
guerra
revoluções
fado
futebol
Fátima
- uma tristeza imensa de existir.

XII

Agora já não nos sobram poetas,
esta literatura é coisa de rapazes
caídos pela calçada de um bairro lisboeta
em noite de Santo António.
O resto são auto-estradas.

XIII

Heterónimos?
Só sei de quem os viu passar.

XIV

Coimbrões?
Só lhe restou o cheiro a naftalina das capas.

XV

Geração de 70?
eu nasci em mil novecentos e setenta e nove,
escapei-me, por pouco, à exclusão da universidade,
primeiro porque um governo nos limitava as vagas
depois porque aos meus pais lhes faltou o dinheiro
necessário para pagar todas as taxas de inscrição.
Não me venhas com gerações –
A verdade é que desaprendemos a espontaneidade.

XVI

Portugal, questão que trago comigo mesmo.
Sardinhas, bacalhau e bitoque.
Iscas, cozido e douradas.
Futebol o ano inteiro.
Mar com Berlengas ao fundo.
Esta sensação católica de ser.
A galinha da vizinha tão melhor que a minha.
Quatro canais iguais de televisão.

XVII

Portugal –
entro no carro e ligo o rádio,
sigo em direcção ao mar,
estaciono.
Abro o jornal desportivo,
acaricio-o.
Sabes, Portugal,
estava bem capaz de te virar as costas,
ir cantar para outra freguesia,
sei lá,
se me pagassem melhor,
se me dessem os bons-dias na rua
sem me cuspir as costas do casaco.
Sabes,
estava bem capaz de esquecer o vinho da adega
e o Sporting,
se ao menos noutro lugar qualquer
houvesse um carro e um rádio ligado
seguindo em direcção ao mar,
se ao menos os jornais desportivos no estrangeiro
fossem tão dóceis e domingueiros como os teus.

XVIII

Penso nisto e bocejo.

XIX

Tantos anos de gastronomia
e tanta dor de cabeça acumulada –
eis o fim de toda a história
em poucas páginas impressa.
Tão pouca poesia, para tanta pressa.

XX

E dizer-te agora que para a vizinhança
vieram as braçadas do Camões
o pinhal de Leiria nas cantigas do Dom Dinis
a estricnina do Sá-Carneiro
os petardos do Castilho
as anedotas empacotadas do Bocage
o caminho para Santarém pelo Garrett
os diários incomunicáveis do Ruben A.
as pequenas carícias gregas de Sophia
os poemas do Herberto que só o Manuel Gusmão percebe
a língua afiada do Assis Pacheco
o megafone do Jorge de Sena
os óculos do Alexandre O’Neill
os espirros do Jorge de Sousa Braga
e dizer-te agora que tenho
a cabeça do Fernando Pessoa numa bandeja
e é já hora de jantar.

XXI

E sim, Portugal,
como sempre,
tu não precisas de fazer nada.

uma boa pergunta vale mais que mil respostas

Jorge Reis-Sá e a parceria Leya - Casa Fernando Pessoa:



"[...]é preciso dizer as coisas sem medo das palavras: esse protocolo (ou coisa assim) é vergonhoso tanto para a Casa como para a própria Leya. Claro está que a Leya pode patrocinar os programas de TV que quiser. Mas julgo não estar errado quando afirmo que o símbolo citado decorre desse acordo.Tenho a maior consideração intelectual pela Inês Pedrosa. Mas isso não pode impedir que digamos do erro que foi a entrada da Leya na Casa. Entendo que as restrições orçamentais sejam muitas, que o dinheiro não chegue nem para limpar as escadas. Mas não posso aceitar que uma editora, concorrente de todas as outras por definição, concorrente da editora que tem vindo a fazer um trabalho exemplar pela obra do Pessoa (a Assírio) tenha uma posição de nítido privilégio numa casa da poesia que se quer de e para todos. (...)"



Post completo, aqui.

"mostra-me o BI" e alguma conversa sobre livros infantis

Através do Cadeirão Voltaire, fiquei a saber da mais recente polémica no mundo editorial inglês (que, by the way, parece ter polémicas muito mais interessantes do que as nossas): classificar os livros infantis por idades. O plano é simples, assinalar em todos os livros qual a idade aconselhada para a utilização daquele produto. Parecendo uma medida lógica, em termos comerciais, já que o mercado dos produtos para a infância se baseia nesse mesmo aconselhamento, todos nós temos também a experiência do que é ter que comprar a roupa para dois anos mais velhos ou de como as crianças recusam aquilo que parece ser aconselhado para uma idade mais baixa que a sua. Ou seja, reconhecendo alguma utilidade nesta medida, é mais que óbvia que é uma medida redutora.

Vários autores vieram já a público, anunciar que esta medida não faz qualquer sentido. No entanto, Meg Rosoff, lança um contributo que me parece ser fundamental: se alguém que compra livros infantis quiser saber o que comprar, como fará para solucionar o problema de não encontrar nunca críticas sobre livros infantis? Estará aqui, para mim, a questão mais interessante: perceber se o mercado poderá continuar a alimentar um segmento tão forte sem que haja nenhum trabalho de análise sobre esse mesmo mercado, sem que exista quem faça opinião sobre quais os livros e como é que esses mesmos livros poderão ser utilizados pelos educadores.

Em Portugal, o Plano Nacional de Leitura falhou nesta questão: em vez de trabalhar a liberdade de escolha dos livros para cada uma das crianças, veio listar livros consoante o seu interesse para o trabalho em aula ou a leitura em casa (o que parece ser ainda mais redutor do que uma classficação por idade). Haverá, nesta discussão, uma oportunidade para se fazer uma discussão mais séria e ponderada sobre o assunto (sem precisar de grandes orçamentos ou campanhas publicitárias), uma discussão que envolva quem está a trabalhar editorialmente no livro infantil e quem o pensa, quer seja como educador, quer seja como crítico. Espero que não seja mais uma oportunidade perdida.

terça-feira, 3 de junho de 2008

as livrarias e os prémios



As livrarias podem tornar-se parceiras deste prémio e a Livrododia foi a primeira a fazê-lo. Está tudo aqui.

Os prémios dos poetas

Eduardo Estevez, poeta galego de origem argentina, venceu a 14ª edição do Prémio de Poesia Gonzalez Garcéz. O prémio é de 6500 euros e a publicação da obra. Uma pequena entrevista dada pelo autor, ao jornal Vieiros, está disponível nesta página.

O livro que ganhou o prémio, en construción, teve o seu processo criativo num blogue, onde o autor foi colocando os projectos dos poemas e postando as alterações consoante as fazia.

Lembro que Eduardo Estevez é colaborador ocasional do 1979 com crónicas sobre literatura galega.

Para além das questões tácticas

Nunca gostei muito de trabalhos de grupo. O problema era o grupo, claro. Quase impossível encontrar, durante os anos escolares, alguém que alinhasse na minha produção no caos, sempre apostado em caminhar sobre as linhas dos prazos. O habitual, consoante o grupo que me calhava, era fazer o trabalho sozinho ou não fazer nada do trabalho, acaso no grupo houvesse alguém que igual capacidade de iniciativa. Fugi sempre aos conflitos, acho que as coisas se resolvem com o tempo, e o tempo é o grande inimigo dos trabalhos de grupo.

Como para toda a regra existe uma excepção, encontrei na Faculdade alguém com quem era possível trabalhar em grupo. O mesmo tempo dedicado à leitura das fontes, o mesmo prazer de trabalhar na pressão da data, a mesma lógica de utilizar a imaginação para resolver questões aparentemente científicas. Foram trabalhos gloriosos, que lembro com saudade e prazer, desses tempos sem grande coisa de significativo para guardar nos armazéns da memória. Deu-me algum sossego, ter encontrado esse rapaz; ficou-me como uma prova de que eu não era um caso perdido, ou, pelo menos, os trabalhos de grupo não seriam um caso perdido para mim.

Tudo isto para agora, tentar perceber como se faz um grupo, uma equipa, uma empresa. Porque em cada caso, o que temos são necessidades para as quais procuramos ter resposta, projectos que dependem de um esforço conjunto e, talvez acima de todos os outros pontos, a nossa satisfação pessoal. Ninguém gosta de acordar de manhã para ir a um lugar onde não se sente bem. No fundo, o mais importante é não nos deixarmos influenciar pelos diagnósticos iniciais, porque a avaliação contínua da situação coloca-nos, a maior parte das vezes, perante um mapa diferente.

Pessoas que, à partida, nos parecem pouco importantes para o funcionamento do todo, acabam, com o tempo, por demonstrar que têm uma função de equilibrar o conjunto. Outras, que se apresentam como essenciais, tantas vezes não trazem mais que um simples contributo lateral. Os equilíbrios fazem-se assim, com o passar dos dias, com a atenção que uma família necessita para sobreviver. Seja para gerir um projecto cultural, seja para ganhar um campeonato de futebol. Não há outro segredo que não este. A sensibilidade.

um avançado tem que estar no sítio certo

Marca poucos golos, não tem mau perder, precisa de alguém que o ajude a ser crescido. Tinha que vir para o Sporting. Eu agradeço. Gostamos de tipos assim.

a globalização faz-se na fronteira

O Presidente da Câmara de Tavira, Macário Correia, anunciou que a frota do Município passará a abastecer em bombas de gasolina situadas em Espanha. Ém declarações ao jornal Público, o autarca disse que pensa poupar cerca de cem mil euros até final do ano.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

NBC - Maturidade


NBC lança hoje o álbum Maturidade. Aqui está o primeiro vídeo oficial de promoção deste novo trabalho do rapper de Torres Vedras.

Apelo


O 25 de Abril e o 1º de Maio de 1974 ficaram para sempre associados ao imaginário da liberdade e da democracia. Continuam a ser uma referência e uma inspiração. Trinta e quatro anos volvidos, apesar do muito que Portugal mudou, o ambiente não é propriamente de festa. Novas e gritantes desigualdades, cerca de dois milhões de portugueses em risco de pobreza, aumento do desemprego e da precariedade, deficiências em serviços públicos essenciais, como na saúde e na educação. Os rendimentos dos 20 por cento que têm mais são sete vezes superiores aos dos 20 por cento que têm menos.

A corrupção e a promiscuidade entre diferentes poderes criaram no país um clima de suspeição que mina a confiança no Estado democrático. Numa democracia moderna, os direitos políticos são inseparáveis dos direitos sociais. Se estes recuam, a democracia fica diminuída. O grande défice português é o défice social, um défice de confiança e de esperança. O compromisso do 25 de Abril exige que se restaurem as metas sociais consagradas na Constituição da República. E exige também uma crescente cidadania contra a insegurança, contra as desigualdades, por mais e melhor democracia.

Não podemos, por outro lado, ignorar a persistência de uma política de agressão, bem como as repetidas violações do direito internacional e dos direitos humanos. Bagdad, Abu-Ghraib e Guantánamo são os novos símbolos da vergonha. Não se constrói a paz com a guerra. Nem se defende a democracia pondo em causa os seus princípios. E por isso, hoje como ontem, é preciso lutar pelos valores da Paz e pelos Direitos Humanos.

Não nos resignamos perante as dificuldades. Como escreveu Miguel Torga –“Temos nas nossas mãos / o terrível poder de recusar.” Mas também o poder de afirmar e de dar vida à democracia.

Os que nos juntamos neste apelo, vindos de sensibilidades e experiências diferentes, partilhamos os valores essenciais da esquerda em nome dessa exigência. É tempo de buscar os diálogos abertos e o sentido de responsabilidade democrática que têm de se impor contra o pensamento único, a injustiça e a desigualdade.

Documentação




Tiago Guillul e Samuel Úria na Livrododia, acompanhados por Gonçalo, Miguel e Ricardo. Fotos de Valex.

uma visita à feira do livro de lisboa numa tarde de domingo

o sol decidiu visitar lisboa no domingo à tarde e, coincidindo com o dia da criança, fez com que os sorrisos voltassem à feira do livro, já que assistiu a uma enchente muito bem vinda, sobretudo depois da desanimadora semana de chuva. de ambos os lados do parque eduardo vii era ver gente a subir e a descer, à procura das suas editoras preferidas, das surpresas que cada pavilhão tem para oferecer, daquele livro que já há tanto tempo se deseja e agora se encontra a preço convidativo. depois, ao domingo, encontram-se também muitos editores e autores, a conversa e os autógrafos fluem com o decorrer da tarde, num dia assim percebe-se perfeitamente a feira como festa de rua que pretende continuar a ser.

alguns pontos dissonantes, ainda assim. como já foi repetido por vários outros visitantes, a praça leya é o ovni da feira. a escolha dos novos pavilhões é infeliz, como se tentasse colocar dentro de um ovo uma família inteira de galinhas. só se encontram novidades, é difícil ter acesso aos expositores, e mesmo quem tem acesso logo compreende que por ali só existem as novidades do último mês, logo, pouca uva para parra tão barulhenta. os autores Leya foram também atirados às feras, em pequenas mesas, no meio da dita praça: se alguns, como Alice Vieira, conseguiam estar no centro de todas as atenções, outros, como Possidónio Cachapa, nem direito a companhia do editor tinha. triste. outra dissonância, para a oferta de pipocas pré-fabricadas num dos pavilhões da oficina do livro: não há por aí um fiscal da asae que trave isto?

em resumo, encontrei na tarde de ontem muitos motivos e amigos para sorrir. mas no fim do dia, perante a imensa confusão, as perspectivas para o futuro que certas inovações parecem propôr, o desatino barulhento do mercado em vez de uma feira cultural, o cansaço natural de subir e descer umas quatro ou cinco vezes o parque, é impossível não deixar de ouvir ecoar pela minha cabeça esta pergunta: editamos livros para isto?

à atenção dos editores

Prémios edição Ler Booktailors 07/08

página e regulamento aqui

domingo, 1 de junho de 2008

Campeões!


A Física de Torres Vedras sagrou-se Campeã Nacional de Basquetebol em Séniores Masculinos, ao bater na final do play-off da Proliga o Vitória de Guimarães.
Depois de ter terminado a época regular em 5º lugar, a Física bateu no play-off o Illiabum (4º), o S.L. Benfica (1º) e o Vitória de Guimarães (2º). O norte-americano Kendall Craig (na imagem com a camisa 10) foi ainda considerado o MVP da final.
Fica aqui a constituição do plantel da Física de Torres Vedras nesta época de 2007/08:
Miguel Barroca (capitão), Filipe Macedo, Romero Júnior, Ricardo Gaocho, Tiago Saraiva, Mohammed Camará, Rui Parente, Flávio Duarte, Ekjersey Viana, Amadeu Cordeiro, Bruno Santos, António Joaquim, Marcel Momplaisir, Kendall Craig. Os treinadores da equipa foram José Tavares e Manuel Gil (adjunto).