sexta-feira, 9 de maio de 2008

Os Livreiros não têm tempo ...

... mas ainda assim lá nos juntámos, ontem, para falar aos alunos do curso de pós-graduação em Edição da Universidade Católica. Trama, Férin e Livrododia são três livrarias com projectos bem diferentes, mas o facto de sermos independentes coloca-nos perante as mesmas dificuldades: falta de comunicação com as editoras e distribuidoras que nos fornecem, concorrência desleal das grandes cadeias que se instalam (quase) à nossa porta, quebra de vendas devido ao aumento dos preços das novidades praticados pelas editoras.

No fundo, não há muita solução para isto a não ser aquela que tentei apresentar ontem - diversificar o negócio até que, se um dia a manutenção da livraria não compensar, reestruturar o negócio para se vender outra coisa. Não estou a inventar nada, é algo que já aconteceu a muitas empresas e sempre é melhor do que fechar portas (sim, porque os negócios bem pensados não fecham portas, espero eu).

Ainda assim, as editoras e distribuidoras continuam a trabalhar no equívoco dos números do mercado: baseando 80 a 90% das suas vendas em três ou quatro operadores, já ficaram reféns de todos as condições que eles lhe impuserem. E quando a política for tentar ter visibilidade nas livrarias independentes, já não terão capacidade para lá colocar os livros. Enfim, como dizia Lord Keynes, "a longo prazo, vamos todos estar mortos". Por isso, porque não continuar do lado dos sonhadores enquanto estamos vivos?

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