sexta-feira, 16 de maio de 2008

o valor e o interesse

O artigo de Hélder Robalo no DN de hoje põe os pontos nos ii acerca do que estamos a falar quando falamos de Feira do Livro, em termos económicos. 3 milhões de euros, em Lisboa, mais 2 milhões no Porto. Ao todo, 5 milhões de euros a dividir por todas as editoras participantes, num negócio em que só a Porto Editora factura 84 milhões/ano. Muito pouco, portanto. No mesmo artigo, editores da Quasi, Cotovia, Relógio d'Água e Guerra & Paz são unânimes em dizer que o mais importante na Feira é disponibilizar os fundos aos clientes. Fundos que já não tem lugar na maior parte das livrarias, devido a pressões de grande rotação e a um ritmo de mais de 1000 novidades por mês. Por isso vale de tão pouco o argumento do interesse público estar dependente dos livros do Saramago e do Lobo Antunes. Poderia era estar dependente da presença de estes dois e de muitos mais escritores que estivessem presentes, não só para a tradicional sessão de autógrafos mas para conversas nas várias esplanadas da Feira com os seus leitores. Também poderia estar dependente de uma programação cultural com apresentações de livros, sessões de leitura e concertos. Poderia, finalmente, estar dependente da organização poder garantir a presença de todos os editores, por muito pequenos que eles fossem, de modo a não esquecermos a diversidade do mundo editorial português.

Mas, enfim, o mundo anda mesmo de pernas para o ar...

Sem comentários:

Enviar um comentário