quarta-feira, 14 de maio de 2008

Leya Lá

Com a compra do conjunto de editoras que fazia parte do grupo de investimento Explorer, a Leya é agora um enorme império de 11 editoras portuguesas + 2 africanas, e adivinham-se tempos cinzentos para o mercado do livro em Portugal. O que está acontecer com a Feira do Livro (lógica do quero/posso/mando), está também a passar-se com as livrarias independentes (que já levaram com novas condições de fornecimento independentemente do volume de compras, contrariando, inclusive, a opinião dos comerciais que trabalham directamente com essas mesmas livrarias). Prevejo que, entretanto, esta luta se estenda às chamadas grandes redes livreiras. Com 11 editoras, a Administração do Grupo Leya irá agora tentar rever, em baixa, as condições de fornecimento à Fnac, Bertrand e hipermercados. E vamos assim poder ver quem é que tem os dentes mais afiados.
Sobrará, como sempre, para os mais pequenos. Tendo que ceder na percentagem de uns, os números terão que ser compostos com aumentos nos descontos dos outros. Vivendo, como vive o Sr. Isaías, convencido que é o maior, as pequenas livrarias de nada lhe valem e não serão alternativa para a rotação dos seus livros - perante a dificuldade, compra-se, e talvez existam redes livreiras por aí, disponíveis, a serem compradas em breve. Será, prevê-se, uma negócio em circuito fechado. Avançou-se com a criação de grupos editoriais e talvez se tenha esquecido que Portugal e todas as suas editoras poderiam ser apenas um grupo, que mesmo assim seria um grupinho dos pequenos, a nível europeu. Esperar que o grupinho funcione só por si, é esperar demais, ainda por cima quando se tratam de aventureiros do papel, que julgam que tudo se vende e compra, independentemente do que vem dentro do embrulho.
Resta-nos esperar que venha alguém maior, de fora, com experiência e conhecimento no mercado dos livreiros, e compre o negócio de fachada do Senhor Pais do Amaral. Mas também fique ele sabendo que o negócio não será assim tão lucrativo. Cada peça que ele coloca fora do tabuleiro é um trunfo valioso para os seus "pequenos" concorrentes e, a pouco e pouco, o que eram fortes editoras individualmente vão perceber que o total de vendas alcançado não será, sequer, a soma das vendas de cada uma delas no ano anterior. E será esse o dia em que a realidade será mostrada ao outro lado do espelho.

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