sexta-feira, 18 de abril de 2008

O Homem

Temos que fazer uma distinção clara entre grupos que são do livro e grupos que não o são. Concretizando: a Bertelsmann ou a Porto Editora são grupos do livro, nasceram e viveram com o livro toda a vida. Têm tradição na área.Há uma tradição familiar de negócio do livro. Os outros dois grupos que estão neste momento no mercado português - o Explorer Investments e o Leya - não têm nada a ver com o livro. Estão no livro por mero negócio. O Explorer é um fundo de investimento e está no livro até ao momento de poder ganhar mais-valias com a venda das editoras que comprou e dizem-no abertamente; e o grupo Leya, embora o esconda, está na mesma posição. Está na área do livro até lhe surgir uma oportunidade boa de vender o grupo a qualquer comprador nacional ou estrangeiro.

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Não foram então questões de opção editorial.Embora aí também houvesse desinteligências. Foi realmente ver-me rodeado de uma falta de eficácia, de organização e de profissionalismo com a qual não podia pactuar. Ajudei durante 17 anos a construir a Asa, não podia ser cúmplice da sua destruição. É um desencanto muito grande quer com as políticas editoriais que estão a ser seguidas, quer com a falta da competência profissional da maior parte dos quadros que entraram para a estrutura com a constituição do grupo.

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Uma das inovações da Leya foi a integração de um gestor de marca a acompanhar o editor.Essa é uma ideia contra a qual não tenho nada, isto se os gestores de marca escolhidos fossem pessoas habilitadas a cumprir esse papel. O que acontece é que, pelo menos em alguns casos, as pessoas que foram escolhidas como gestores de marca não têm a mínima ideia do negócio editorial e, portanto, não estão em condições de poder cumprir as suas funções.

Manuel Alberto Valente, em discurso directo, no Jornal Público de hoje.

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