quinta-feira, 17 de abril de 2008

Hermenêutica

Um treinador de futebol, na zona de entrevistas rápidas da SIC, comentou assim o facto de ter perdido 5-3, depois de estar a ganhar por 0-2 aos 60 minutos de jogo:

Tinha que tirar o Di María porque ele estava todo ... fisicamente já não aguentava. O Sporting pôs a equipa toda ao ataque e nós reforçamos o lado esquerdo. São coisas que acontecem. Se tivessemos feito o 3-0 tinhamos matado o jogo.

Interpretação:

Aos 60 minutos, não era só o Di María que estava todo roto. O Rui Costa, também. O Nuno Gomes. Bem, e mais uns quantos que lá andavam vestidos de encarnado. Perante o Sporting todo ao ataque, o treinador do Benfica, reforçou o lado esquerdo. Ou seja, tapou o Abel, que nem estava a jogar nada, e deixou o Grimi, o Vukcevic, o Djaló e mais quem aparecesse do lado direito acabar com o pouco que restava do Nélson. O que o treinador do Benfica não percebeu é que, a partir do momento que tirou o Di María e reforçou o lado esquerdo (sic!), o Miguel Veloso, que já estava a jogar numa posição chamada Defesa-Central-Avançado-tipo- Trinco-e- mais-qualquer-coisa, acabou o jogo a fazer o que se chama jogar-no-campo-inteiro-e-com-os-dois-pés, fazendo aqui notar que o 5º golo do Sporting é marcado após o bunda grande correr meio campo e centrar com o pé direito. Com o Bynia e o Mantorras no banco, porque é que o treinador do Benfica pôs o Sepsi? Estava com medo de ganhar o jogo? Esta é daquelas perguntas filosóficas, que só mesmo o treinador do Benfica pode responder. Alías, como ele já tinha feito na sexta-feira e repetiu ontem: "Há dias assim, estas coisas acontecem no futebol". Sim, isso mesmo.

p.s.: Utilizei várias vezes a expressão treinador do Benfica sem referir o nome do Fernando Chalana porque não estou convencido que o Fernando Chalana seja mesmo o treinador do Benfica. Existem, na minha memória, dois Chalanas. Um que foi um grande jogador, que até gordo e coxo, no Estrela da Amadora, era capaz de fazer maravilhas com a bola. Outro que, de vez em quando, aparece como treinador, ora em Paços de Ferreira, ora para os lados do Estádio da Luz, e acha que o futebol é apenas uma questão de sorte.

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