quarta-feira, 23 de abril de 2008

família

Li, de pé, como faziam os antigos, O Problema de Ser Norte, de Filipa Leal, e encontrei ali alguns dos problemas que me atormentam nos últimos meses, enquanto vou preparando os poemas para o meu próximo livro. A vida de todos os dias feita poesia, a poesia feita vida de todos os dias, a questão do verso, a questão da literatura, a questão da cidade - sinceramente, um discurso que se faz comum a uma voz maior que será a da poesia deste início de século, onde não há passo nenhum sem significado, nem nenhuma cedência ao lírismo sem chão. Ao mesmo tempo, comecei a ler A Matéria do Poema, de Nuno Júdice, e o que sinto é um sossego feliz de perceber que existe um pai para nós, os desencantados da poesia pela poesia, os trabalhadores das minas do real feito palavra poética.

Do livro da Filipa, fiquei com o final de um dos poemas, uma citação que, desconfio, será fruto de algo mais que tem andado por aqui, dentro de mim:

Pergunto-me: para quê persistir na divisão
do verso?

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