terça-feira, 8 de abril de 2008

A falsa questão da fogueira

Vasco Graça Moura, à cabeça dos opositores do Acordo Ortográfico, atirou com o argumento da inutilização de "existências gigantescas de dicionários e livros escolares nas linhas de produção e nos armazéns dos editores", ou seja, colocou a discussão de uma reforma ortográfica ao nível das preocupações de um mercado específico. O que Vasco Graça Moura esqueceu (porque certamente sabe disso), é que todos os anos são reeditadas e reimpressas as tais "existências gigantescas" - por exemplo, a lei do livro escolar obriga à impressão do PVP na capa ou contra-capa do livro, e como o livro muda de preço todos os anos, a edição tem que ser substituída. Outro exemplo é o dos dicionários - gostaria de perguntar ao Dr. Graça Moura quantos anos tem o último dicionário e a última gramática que ele adquiriu - é que a língua, ao arrepio de mercados e arautos do conservadorismo linguístico, é dinâmica, sofre influências e alterações, que nenhuma lei pode parar.

Resumindo, sendo aceitável e de saudar quem esteja contra o Acordo Ortográfico, porque não, pelo menos desta vez, encontrar um argumento ortograficamente válido?

3 comentários:

  1. Penso que argumentos ortográfica e linguisticamente válidos podem ser encontrados aqui: http://www.petitiononline.com/acor1990/petition.html.

    É verdade que sou suspeita para falar disto - eu não escrevi o texto, mas uma pessoa da minha família sim. Não deixa, porém, de ser inteiramente válido.

    ResponderEliminar
  2. Os argumentos do texto são os do costume, pouco consistentes, caem ao primeiro abanão. O pessoal fica muito incomodado com a história das consoantes mudas, que alegadamente servem para abrir vogais - um absurdo. Os exemplos dados são escolhidos a dedo. Talvez o autor do texto devesse reflectir em palavras como "actual", que tem a consoante muda mas o "a" é fechado, ou em "inflação", que não tem consoante muda e tem o primeiro "a" aberto. Não colhe. Arranjem-se outros argumentos. Eu também ainda não vi nenhum argumento linguisticamente válido até agora. E acho que não verei nunca: a ortografia não é linguística, e aí começam todos os equívocos. A ortografia é uma convenção mais política e cultural do que linguística. Porque se escreve "ortografia" e não "orthographia"? A razão que levou a retirar os "h" da palavra, em 1911, é a mesma que serve hoje para retirar as consoantes mudas: são inúteis. Note-se que não tenho nada contra a escrita etimológica (ou etymológica, ou etymologica - já se escreveu destas maneiras). Acho é que o temos actualmente (olha a consoante muda que não abre vogal nenhuma, está lá a fazer o quê?) não é peixe nem é carne. E não percebo o apego a uma ortografia que nem 40 anos tem na versão que hoje usamos (última grande alteração nos anos 70, com a eliminação dos acentos nos advérbios de modo e diminutivos).

    Desenvolvo a minha opinião aqui:
    http://pesporrente.blogspot.com/search/label/Ortografia

    ResponderEliminar
  3. sou contra o acordo ortográfico. não me parece necessário.

    isso não quer dizer que não haja dinâmica da língua.

    eu próprio considero-me no direito de inventar palavras.

    mas acho que na prática perde-se mais do que se ganha no processo. neste processo tal como está.

    ResponderEliminar