quarta-feira, 30 de abril de 2008

Ócios do Ofício - Samuel Úria

Não sei se combata a preguiça
Se a vontade de fazer:
Enquanto um eu se espreguiça
O outro eu tem cobiça
Que me espreguice a doer.

Não sei se combata a preguiça
Se a vontade de fazer
Pois quando o empenho me atiça
Fica a vontade submissa
Ao que a preguiça me der.

Para os meus ossos de ofício
Ai o ócio não traz cálcio.
Se torno o trabalho em vício
É um ópio e não traz ócio.
Tanto santo Sacrifício

Não sei se combata a preguiça
Se a vontade de fazer:
Enquanto um eu está na liça
O outro eu só tem pressa
De ter com que se entreter.

Não sei se combata a preguiça
Se a vontade de fazer.
Faço por razão omissa
A missão que mais interessa
Que é tentar não me mexer.

Para os meus ossos de ofício
Ai o ócio não traz cálcio.
Se torno o trabalho em vício
É um ópio e não traz ócio.
Tanto Santo Sacrifício

Vai o suor vem o suplício
Fogo fátuo de artifício
Trago um canhão pró comício
Acabou-se o armistício.


Samuel Úria
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