quarta-feira, 30 de abril de 2008

Chamaram-me, em tempos, Michael Thomas da Serra da Vila

[...] Luís Filipe Cristóvão, editor da Livrododia e livreiro, defende a importância do Acordo dizendo que este «permite a circulação de todo o tipo de documentos escritos pelos vários países falantes do português, bem como a existência de empresas editoriais que trabalhem em vários países ao mesmo tempo, optimizando os seus recursos, o que tornará o Português uma língua universal, ou seja, aprendida em qualquer parte do mundo». E porque não se sentiru representado com a posição da APEL, à qual pertence, Cristóvão acrescenta ainda o seguinte: «a APEL começou por lançar para a comunicação social um comunicado em que falava em nome de todos os seus associados, não se tendo dado ao trabalho de lhes perguntar a sua opinião. E a minha opinião é a de que são urgentes medidas que coloquem os editores, os livreiros e a sua associação na frente de processos como o Acordo Ortográfico, e não como o Velho do Restelo, em risco de se constipar porque as águas do Tejo, por esta altura do ano, estão frias». [...]

in Revista Os Meus Livros, Maio 2008

Ócios do Ofício - Samuel Úria

Não sei se combata a preguiça
Se a vontade de fazer:
Enquanto um eu se espreguiça
O outro eu tem cobiça
Que me espreguice a doer.

Não sei se combata a preguiça
Se a vontade de fazer
Pois quando o empenho me atiça
Fica a vontade submissa
Ao que a preguiça me der.

Para os meus ossos de ofício
Ai o ócio não traz cálcio.
Se torno o trabalho em vício
É um ópio e não traz ócio.
Tanto santo Sacrifício

Não sei se combata a preguiça
Se a vontade de fazer:
Enquanto um eu está na liça
O outro eu só tem pressa
De ter com que se entreter.

Não sei se combata a preguiça
Se a vontade de fazer.
Faço por razão omissa
A missão que mais interessa
Que é tentar não me mexer.

Para os meus ossos de ofício
Ai o ócio não traz cálcio.
Se torno o trabalho em vício
É um ópio e não traz ócio.
Tanto Santo Sacrifício

Vai o suor vem o suplício
Fogo fátuo de artifício
Trago um canhão pró comício
Acabou-se o armistício.


Samuel Úria
blog
música

terça-feira, 29 de abril de 2008

Conferências de Imprensa e Teoria da Poesia



A partir de hoje, às terças-feiras, poderão ler as minhas crónicas no portal Rascunho. As mesmas serão também publicadas neste blogue.

Nas últimas semanas pudemos ver, por mais do que uma vez, Fernando Chalana, treinador do SL Benfica, declarar em conferências de imprensa que, os maus resultados «são coisas que acontecem». Ouvindo esta frase repetida, não posso deixar de pensar que o Chalana terá sido enganado pelos poemas de Alexandre O’Neill quando este diz que, na poesia, «não há p’la certa». Como é que pensar que não pode haver certezas na poesia pode levar um treinador de futebol a aceitar os seus maus resultados, é isso que eu quero descobrir com este texto.

O poema de Alexandre O’Neill que refiro aqui tem como título Em todo o acaso e foi publicado originalmente em 1958, um ano antes de ter nascido Fernando Chalana. No poema, O’Neill explora o mito do planeamento do poema, uma teoria querida aos neo-realistas, que acreditavam na poder transformador do poema, ou no poema como participante da revolução social. Recorrendo à ironia, O’Neill explicava aos «poetas» que sendo impossível ter certezas na realização do poema, a única esperança que se poderia ter seria acertar «um verso por ano».

Estou certo que Fernando Chalana terá lido este poema, mas não terá percebido, primeiro, que ser um génio do futebol não equivale a ser um génio da literatura, segundo, que entre ser-se jogador e treinador vai alguma distância, terceiro, que acertar «um verso por ano», em futebol, é pouco, talvez não o sendo na poesia. Explico: por se pensar que o plano não é o essencial, não se deve passar logo à etapa de excluir o plano. O’Neill é prova provada disso mesmo. Segundo, se bem que o poeta pode acabar por perceber os erros do plano, «em todo o acaso», há que acertar «um verso por ano». Estabelecido este mínimo, será bom de se conseguir um pouco mais. Pensar que “as coisas acontecem” é pedir de menos. Aprender a ler um poema, não é, em todo o caso, uma dessas coisas.

Portugal e os Portugueses - D.Manuel Clemente


A poesia como reconhecimento

Compreende-se assim que o melhor Portugal seja poético, ou seja, mais feito do que construído, mais desligado da prosa e das contas. Melhor porque maior, só assim o podendo ser, sem restrição geográfica. Com tanta água territorial, o mais de Portugal é mar…
Talvez por isso mesmo, a melhor ideia que temos de nós próprios provém da poesia e não da prosa. Desta última guardamos sobretudo o que nos distancia de nós próprios, entre a ironia e o sarcasmo. Pensamo-nos mais altamente à maneira de Camões do que à maneira de Eça. Ou, deste último, recolhemos as páginas mais «poéticas» que nos dedicou n’ A Cidade e as Serras.
Ou seja, quando nos relacionamos bem com Portugal, fazemo-lo com um país mais sentimental do que mentalmente definido, como se a espuma das ondas nos toldasse a visão. E tanto assim é que o nosso próprio movimento – terrestre que seja – continua a ser marítimo, mesmo para quem nunca sulcou as ondas: estamos sempre a «embarcar», como se a viagem mais trivial se sublimasse também. Até as nossas serras têm «naves»…
É da poesia que advém ainda a nossa permanente disponibilidade para o milagre. O «milagre português», no caso. Não há época da nossa história em que tal não aconteça, emblematicamente. É certo que, para a Fundação, o «milagre» de Ourique é projecção posterior, como foi ultimado. Mas, mesmo um autor tão rigoroso e detalhado como Fernão Lopes se espanta e nos espanta com o «milagre» de Aljubarrota ou de Nun’Álvares. Para a Restauração, tudo é «milagroso», das profecias de Bandarra ao futurismo do Padre António Vieira. E daí para cá, não faltaram prenúncios nem salvadores, mesmo em tempos mais razoáveis e pragmáticos. Continuamos
absolutamente disponíveis, uma vez que qualquer concretização ainda será pequena para o tamanho que demos à memória. Nascem daqui as «saudades do futuro», que vários escritores nos atribuíram, certeiramente aliás.
Daqui provêm também duas caracterizações: o nosso tempo é descontínuo; a nossa relação mútua pode desapontar-nos. O tempo contínuo e programado é próprio de sociedades previstas e de longo prazo. Também o temos, decerto. Mas creio ser frequente ouvirmos expressões que abrem antes para a surpresa ou o devaneio, na projecção dos dias. É um velho debate, que importa retomar em termos diferentes de há um século. Mas é bem possível que o singular percurso histórico que nos moldou, com tantos momentos inesperados, nos tenha tornado pouco propensos a uma consideração linear do devir pátrio ou mesmo pessoal. Igualmente nos decepcionamos facilmente quando constatamos que os outros ficam aquém dos modelos com que os prevíamos. Em Portugal – sem que tenhamos disso o monopólio – é fácil ser-se tudo hoje e quase nada manhã. Mas também é fácil que tudo acabe por se relativizar, pela mesma indefinição dos contornos e esvaimento do concreto que se referiu acima.
Aliás, oscilamos entre a beleza das coisas pequenas e uma persistente
disponibilidade para os grandes momentos. Um certo «regresso ao campo», de fim-de-semana, férias ou reforma; a inesgotável popularidade dos filmes de há sessenta anos; o reencontro do artesanato; a constante utilização do sufixo «inho/a», mesmo nas coisas mais utilitárias e prosaicas: tudo nos reencontra num certo «Portugal dos pequeninos», oxalá próximo da primeira bem-aventurança. O imenso gosto pela festa, como interrupção das linearidades, traz-nos um devaneio que suporta o dia-a-dia. Aliado a algum sentido prático, tem originado empreendimentos criativos e consequentes, que vão muito além de ocasionais recordes do Guinness, prémios de inventores e registos de patentes.
Título: Portugal e os Portugueses
Autor: D.Manuel Clemente
Editor: Assírio & Alvim

segunda-feira, 28 de abril de 2008

outra praceta

Apples and Oranges dos Pink Floyd. Eu ouvia isto num vinil antigo do meu pai, muito riscado, que ainda lá deve estar para casa... Ainda bem que o encontrei aqui. É mesmo bom para terminar o dia de hoje.

nós éramos os da praceta






por estes dias os meus poemas estão dentro da minha cabeça, juntos com ideias como a gente que eu era quando era pequeno, pracetas, copas de árvores...

sábado, 26 de abril de 2008

O Galo é o dono dos ovos - Sérgio Godinho

25 de Abril de 1974 - 34 anos - Não é a revolução, são os ideais.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Noite de Poesia Clássica


Amanhã, em noite de cravos vermelhos na lapela, vamos fechar o Mês das Clássicas em grande, com a leitura de textos poéticos de gregos e latinos.
A escolha, da responsabilidade de André Simões, inclui Ovídio, Catulo, Safo, Álcman, Semónides, Íbico e Anacreonte, entre outros.
A dar voz estarão Luís Filipe Cristóvão e Mário Lisboa Duarte.
A sessão realiza-se na Livrododia - Centro Histórico, em Torres Vedras, e tem início marcado para as 22 horas.

numa rua perto de si

Indo eu pela rua, agarrado às letras de uma página, oiço alguém que diz boas tardes, sonhador.

família

Li, de pé, como faziam os antigos, O Problema de Ser Norte, de Filipa Leal, e encontrei ali alguns dos problemas que me atormentam nos últimos meses, enquanto vou preparando os poemas para o meu próximo livro. A vida de todos os dias feita poesia, a poesia feita vida de todos os dias, a questão do verso, a questão da literatura, a questão da cidade - sinceramente, um discurso que se faz comum a uma voz maior que será a da poesia deste início de século, onde não há passo nenhum sem significado, nem nenhuma cedência ao lírismo sem chão. Ao mesmo tempo, comecei a ler A Matéria do Poema, de Nuno Júdice, e o que sinto é um sossego feliz de perceber que existe um pai para nós, os desencantados da poesia pela poesia, os trabalhadores das minas do real feito palavra poética.

Do livro da Filipa, fiquei com o final de um dos poemas, uma citação que, desconfio, será fruto de algo mais que tem andado por aqui, dentro de mim:

Pergunto-me: para quê persistir na divisão
do verso?

Ler

Comprei a Revista Ler. 5 euros para o prazer de tocar e o orgulho de existir uma revista assim em português.

O resto logo vejo.

Estudos Comparatistas

Pontapé nas costas: 0 jogos
Falta que visivelmente não foi: 2 jogos
Chamar filho-da-puta ao árbitro: 3 jogos

terça-feira, 22 de abril de 2008

Rascunho



O Portal Cultural Rascunho está de volta. Muito muito em breve, haverá novidades.

Ouvindo a sineta de Pavlov

...desejo longa vida ao Conselho...

Maria de Lurdes Rodrigues, Ministra da Educação

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Santa Cruz

Santa Cruz by The Thrills

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A última juventude


Este é o dia em que deixámos de ser jovens. Fechou o Bibliotecafé. No meu caso, depois da Santa Casa Jazz ter fechado (quando foi já? 2002?2003?), fecha o poiso da minha última fase da juventude - o lugar dos copos, dos amigos, das conversas, das loucuras, dos sorrisos, dos esquecimentos, das vitórias, das derrotas. Para a malta que tem menos dois, três anos, para muitos outros, o Bibliotecafé vai ficar na memória como o lugar de culto, talvez o último, da cidade de Torres Vedras. Todos os outros lugares são apenas bares normais. Onde vai toda a gente. Ser-se da Santa Casa Jazz, ser-se do Bibiotecafé, era coisa da qual só alguns se podem orgulhar. Ter lá estado desde o início, ver as obras, provar as primeiras cervejas, experimentar as primeiras noites loucas daquele verão de 2004 (caraças...), os carnavais, o mundial, tudo, tudo, tudo. Agora o Bibliotecafé fechou. Os meus lugares da juventude já não existem. Agora vou ser velho para sempre. Obrigado, João, pela aventura. Há-de valer a pena, vais ver. Não sabemos fazer as coisas por dinheiro. Temos sempre feito tudo por amor. Acho que só isso explica tudo.


O Homem

Temos que fazer uma distinção clara entre grupos que são do livro e grupos que não o são. Concretizando: a Bertelsmann ou a Porto Editora são grupos do livro, nasceram e viveram com o livro toda a vida. Têm tradição na área.Há uma tradição familiar de negócio do livro. Os outros dois grupos que estão neste momento no mercado português - o Explorer Investments e o Leya - não têm nada a ver com o livro. Estão no livro por mero negócio. O Explorer é um fundo de investimento e está no livro até ao momento de poder ganhar mais-valias com a venda das editoras que comprou e dizem-no abertamente; e o grupo Leya, embora o esconda, está na mesma posição. Está na área do livro até lhe surgir uma oportunidade boa de vender o grupo a qualquer comprador nacional ou estrangeiro.

(...)

Não foram então questões de opção editorial.Embora aí também houvesse desinteligências. Foi realmente ver-me rodeado de uma falta de eficácia, de organização e de profissionalismo com a qual não podia pactuar. Ajudei durante 17 anos a construir a Asa, não podia ser cúmplice da sua destruição. É um desencanto muito grande quer com as políticas editoriais que estão a ser seguidas, quer com a falta da competência profissional da maior parte dos quadros que entraram para a estrutura com a constituição do grupo.

(...)

Uma das inovações da Leya foi a integração de um gestor de marca a acompanhar o editor.Essa é uma ideia contra a qual não tenho nada, isto se os gestores de marca escolhidos fossem pessoas habilitadas a cumprir esse papel. O que acontece é que, pelo menos em alguns casos, as pessoas que foram escolhidas como gestores de marca não têm a mínima ideia do negócio editorial e, portanto, não estão em condições de poder cumprir as suas funções.

Manuel Alberto Valente, em discurso directo, no Jornal Público de hoje.

Cultura Portuguesa I

Não gosto de números (...) [Na Madeira, a pobreza] não tem significado.

Maria Cavaco Silva

link: Os números do Estudo do ISCTE sobre a Pobreza na Madeira e os números do Governo Regional

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Tragédia

No próximo sábado, dia 19, pelas 16 horas, José Pedro Serra e Ana Tarrío falam de Tragédia e da influência dos clássicos no Humanismo português. Tudo isto na Livrododia - Centro Histórico.

Quem não vier, não saberá nunca o que está a perder.


Grandes questões filosóficas a que a História nunca poderá responder

Porque é que o Fernando Santos, que é um homem sério, continua a levar porrada em todas as equipas por onde passa?

Porque é que ainda há quem acredite no Luís Filipe Vieira?

Hermenêutica

Um treinador de futebol, na zona de entrevistas rápidas da SIC, comentou assim o facto de ter perdido 5-3, depois de estar a ganhar por 0-2 aos 60 minutos de jogo:

Tinha que tirar o Di María porque ele estava todo ... fisicamente já não aguentava. O Sporting pôs a equipa toda ao ataque e nós reforçamos o lado esquerdo. São coisas que acontecem. Se tivessemos feito o 3-0 tinhamos matado o jogo.

Interpretação:

Aos 60 minutos, não era só o Di María que estava todo roto. O Rui Costa, também. O Nuno Gomes. Bem, e mais uns quantos que lá andavam vestidos de encarnado. Perante o Sporting todo ao ataque, o treinador do Benfica, reforçou o lado esquerdo. Ou seja, tapou o Abel, que nem estava a jogar nada, e deixou o Grimi, o Vukcevic, o Djaló e mais quem aparecesse do lado direito acabar com o pouco que restava do Nélson. O que o treinador do Benfica não percebeu é que, a partir do momento que tirou o Di María e reforçou o lado esquerdo (sic!), o Miguel Veloso, que já estava a jogar numa posição chamada Defesa-Central-Avançado-tipo- Trinco-e- mais-qualquer-coisa, acabou o jogo a fazer o que se chama jogar-no-campo-inteiro-e-com-os-dois-pés, fazendo aqui notar que o 5º golo do Sporting é marcado após o bunda grande correr meio campo e centrar com o pé direito. Com o Bynia e o Mantorras no banco, porque é que o treinador do Benfica pôs o Sepsi? Estava com medo de ganhar o jogo? Esta é daquelas perguntas filosóficas, que só mesmo o treinador do Benfica pode responder. Alías, como ele já tinha feito na sexta-feira e repetiu ontem: "Há dias assim, estas coisas acontecem no futebol". Sim, isso mesmo.

p.s.: Utilizei várias vezes a expressão treinador do Benfica sem referir o nome do Fernando Chalana porque não estou convencido que o Fernando Chalana seja mesmo o treinador do Benfica. Existem, na minha memória, dois Chalanas. Um que foi um grande jogador, que até gordo e coxo, no Estrela da Amadora, era capaz de fazer maravilhas com a bola. Outro que, de vez em quando, aparece como treinador, ora em Paços de Ferreira, ora para os lados do Estádio da Luz, e acha que o futebol é apenas uma questão de sorte.

Teoria da Literatura

Repórter da Antena Um: Presidente João Rocha, depois do resultado de hoje à noite, acredita que é possível chegar ao segundo lugar?
João Rocha: (bruscamente) Eu já acredito em tudo!

terça-feira, 15 de abril de 2008

a exacta medida

um dia de chuva e um dia de sol
um post sensível um outro furioso
uma vitória no campeonato uma derrota na taça
uma refeição completa uma sandes para o jantar
passar o serão sentado na cadeira da sala
a ler poesia e a jogar football manager
não ser sempre a melhor pessoa do mundo
mas raramente estar capaz de ser uma das piores
anuncio-vos a minha exacta medida
algum amor algumas dores.

o paraíso pode ter pranto e ranger de dentes



Por estes dias ando a ler a autobriografia de Mark Oliver Everett, Things the grandchildren should know. Mr. E, tendo em conta a esperança de vida dos seus familiares directos, decidiu-se a escrevê-la aos quarenta anos, antes que fosse tarde demais. É um livro seco, duro e sentimental, de um rapaz que se sentiu sempre à parte da vida de todos os dias, encontrando na música uma forma de, mais que sobreviver, viver à sua maneira. Todos os livros deviam ser assim.

"Things the grandchildren should know" é também um título de uma música dos Eels, a banda de Mr. E, uma música que talvez explique muito melhor o ponto onde eu queria chegar.



Lição

Talvez seja repetitivo, mas vamos hoje dar uma lição de conduta comercial para funcionários de editoras, de modo a que, no futuro, possamos passar pelos dias um pouco mais sorridentes.

Então é assim:

- Senhores Vendedores, o gestor de compras de uma livraria não é um empregado de balcão, não está disponível sempre que os senhores aparecem, não é obrigado a comprar os livros que acha serem uma treta, não está para aturar os vossos comentários sarcásticos como se "ser de Lisboa" fosse uma vantagem e as notícias chegassem lá primeiro e à província só dez dias depois, com a diligência. Marcar uma hora para serem recebidos, terem mais do que uma ideia mínima do que estão a apresentar e terem consciência do que cada loja que visitam costuma vender ou colocar em destaque é o mínimo que podem fazer.

- Senhores Departamentos de Marketing, o país não é uma Fnac, nas paredes das livrarias costuma haver prateleiras com livros e não grandes espaços para cartazes horríveis, as montras que não se pagam aqui (nem um eurozinho, meus amigos, nem um eurozinho) são feitas para serem diferentes, para chamar a atenção, para cativar os clientes e, consequentemente, pensem que o mercado tem espaço para elementos que proporcionem essa mesma diferenciação, não me vindo com ideias que ser diferente é vender no Continente.

- Senhores Responsáveis da Contabilidade, estamos todos no mesmo barco. Se a factura 32456732 não foi paga no prazo de 60 dias é porque, muito provavelmente, mais de 50% dos produtos nela facturados não foram comprados por ninguém e, havendo direito de devolução, significa que a factura que está a pagamento pode ficar em stand by até que os senhores responsáveis do armazém tenham tempo de contabilizar as devoluções que foram feitas. Qualquer outra modalidade (que implique, por exemplo, existir uma livraria a investir e a financiar uma editora), não é solução. Ou seja, se nós fomos rápidos a devolver, os senhores têm mesmo é que se despachar. Se está a pensar que a solução para este problema é deixar de haver direito à devolução, então é porque não percebeu que sem direito à devolução deixam de existir parte das livrarias e, muito pior (ou melhor?) praticamente todas as editoras e livros publicados.

Editar livros, seja em que parte do mundo fôr, não é um favor que se faz aos incultos dos livreiros, nem aos sedentos de bens culturais, nem uma forma de tornar este mundo melhor - é um negócio. Simplificar procedimentos, ser cordial e simpático com os parceiros comerciais, isso sim, torna o mundo melhor, dá-nos tempo e saúde para usufruir dos bens culturais e acabará por demonstrar que nem todos os livreiros são tão incultos que não percebam que andaram a ser enganados.

Fim da lição.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

formas do silêncio

Begiak ixten ditut
nere larruaren azaletik
datorkidan larrua
hobeto zelatatzeko

Fecho os olhos
para vigiar melhor
a pele que sobre a minha pele
avança

Kepa Lucas

sábado, 12 de abril de 2008

goucha roque-enrole

Daquelas coisas que acontecem menos de duas vezes em cada civilização. No play-back do Goucha, Jorge Cruz, João Coração, Samuel Úria, Tiago Guillul... Apenas alguns nomes da melhor música que se canta em português. Vão por mim.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

prémio literário

Ao entregar o meu trabalho a concurso, oiço do responsável pela recepção do mesmo:

Garante que não há nenhuma forma de o identificar neste trabalho?

Respondo que não, mas espero estar errado.

Abril

Com a chuva e os temporais, parece que a vida ficou cinzenta. Os dias custam mais a passar, as presença das pessoas é rarefeita, as palavras complicam-se. À noite, fica a ouvir-se o vento soprar contra as àrvores em frente. Aqui e ali, abrem-se algumas brechas para a poesia. Mas os pés molhados, o corpo pesado pela pressão de um céu cheio de nuvens, o ter que andar sempre carregado com o chapéu de chuva não ajuda. Em Abril, águas mil. Quero mudar de mês já.

encher a barriga


Sábado, dia 12, pelas 16 horas, Paulo Farmhouse Alberto (na foto) e Ricardo Nobre falam sobre as Metamorfoses de Ovídio e a influência da Literatura Clássica na Literatura Portuguesa oitocentista.
Mais uma evento Livrododia.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Uma imagem para a poesia

A capa de um livro começa na leitura que se faz dos poemas. Ela já lá está, apenas nós ainda não a conhecemos. Na viagem a Punta Umbría, aquando da passagem por Lisboa, o manuel tirou a máquina fotográfica do saco e começou a tirar fotografias desde a auto-estrada. Os textos do livro ficaram fechados uns dias depois. Foi preciso um mês para nos entendermos quanto à capa do livro. Não por desentendimento - apenas porque ambos sabíamos que a capa estava lá, apenas tínhamos que a encontrar. Depois de várias tentativas da minha parte, por escrito, para fazer ver ao manuel a capa que eu já estava a ver na minha imaginação, hoje ele enviou-me esta foto para o e-mail. Sim, nós sabíamos que ela estava lá. Desde o começo.

Teoria da Literatura

Se ter manifestações pela liberdade do Tibete durante a passagem da tocha olímpica na praça do município de Paris incomoda as autoridades chinesas, isso é um problema deles.

Bernard Delanoe, Presidente da Câmara de Paris.

A falsa questão da fogueira

Vasco Graça Moura, à cabeça dos opositores do Acordo Ortográfico, atirou com o argumento da inutilização de "existências gigantescas de dicionários e livros escolares nas linhas de produção e nos armazéns dos editores", ou seja, colocou a discussão de uma reforma ortográfica ao nível das preocupações de um mercado específico. O que Vasco Graça Moura esqueceu (porque certamente sabe disso), é que todos os anos são reeditadas e reimpressas as tais "existências gigantescas" - por exemplo, a lei do livro escolar obriga à impressão do PVP na capa ou contra-capa do livro, e como o livro muda de preço todos os anos, a edição tem que ser substituída. Outro exemplo é o dos dicionários - gostaria de perguntar ao Dr. Graça Moura quantos anos tem o último dicionário e a última gramática que ele adquiriu - é que a língua, ao arrepio de mercados e arautos do conservadorismo linguístico, é dinâmica, sofre influências e alterações, que nenhuma lei pode parar.

Resumindo, sendo aceitável e de saudar quem esteja contra o Acordo Ortográfico, porque não, pelo menos desta vez, encontrar um argumento ortograficamente válido?

sexta-feira, 4 de abril de 2008

"algo mesmo novo"

Augusto Brázio ganha prémio de fotojornalismo Visão/BES

Poesia

Manuel Gusmão

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Mercado do Livro

É para isto que estamos reservados:

Mónica Sintra vs Tony Carreira

Teoria da Literatura

Para ser sincero, mal me lembro do golo. Caí e aleijei-me. Não o apreciei muito

Cristiano Ronaldo, sobre o golo marcado na última terça-feira, em Roma.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Ciberescritas

Não era mentira de 1 de Abril - a Isabel Coutinho também já está na blogosfera.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Literatura Clássica

O mês de Abril será totalmente dedicado às Literaturas Grega e Latina, na Livrododia - Centro Histórico.
O programa é o seguinte:

5 de Abril - 16 horas
Cristina Pimentel e Arnaldo Espírito Santo (ambos Professores Catedráticos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
Sobre Trindade, de São Agostinho.

12 de Abril - 16 horas
Paulo Farmhouse Alberto (Professor Associado com Agregação da FLUL) e Ricardo Nobre (Investigador do Centro de Estudos Clássicos da UL)
Sobre Metamorfoses, de Ovídio e a recepção dos clássicos na Literatura Portuguesa de Oitocentos.

19 de Abril - 16 horas
José Pedro Serra (Professor Auxiliar da FLUL) e Ana Maria Tarrío (Professora Auxiliar da FLUL)
Sobre Tragédia Grega e a recepção dos clássicos no Humanismo Português.

24 de Abril - 22 horas
Sessão de Leitura de Poesia Clássica, festejando a Noite da Liberdade (programa a anunciar).

céu em chamas


(Fotografia de Valex)

Revista Ler

A Revista Ler dá os seus primeiros sinais de vida, com este promisor blogue.

http://ler.blogs.sapo.pt/

É de visitar!