quarta-feira, 5 de março de 2008

Geração 21

Acordas de manhã com a sensação de teres levado um monte de pancada durante a noite. Dormes mal, acordas algumas vezes, como se o teu corpo e a tua mente estivessem em pleno estado de alerta.

Ainda estás a tomar o pequeno-almoço e já toca o telefone. Algumas das coisas que deixaste programadas no escritório, afinal, não estão a funcionar. Pedem-te instrucções, novas decisões.

Entras em reunião. Tudo aquilo que levavas programado cai em saco roto - o mercado anda mal, não vale a pena os riscos, é para esperar.

Sais da reunião. Chamadas não atendidas. Pressão. É tempo de. Resolve. Corre.

À hora de almoço páras para sorrir. 45 minutos.

Escritório. Será possível quem uma manhã fora seja o fim do mundo? Parece-te que já ninguém sabe o que fazer.

Percebes: houve novas instrucções. Só tu não sabias. Telefones. Papéis deixados em cima da secretária. Telefones.

Sempre assim, todos os dias. Todos os dias de dia 1 a 31. Por uma contínua insatisfação. Por uma necessidade apenas, estar vivo. Não tens luxos, não tens dinheiro. Não fazes férias.

Deitas-te todos os dias tarde demais, sem força, de lágrimas nos olhos, derrotado. Na manhã seguinte parecer-te-á que levaste um monte de pancada.

1 comentário:

  1. É a vida, amigo!
    E sorte a tua que não trabalhas nas obras...
    Mas percebo.

    Moral: A vida não é um lugar muito recomendável mas o cemitério ainda é pior...

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