segunda-feira, 31 de março de 2008

What a f***?????

Desculpem-me a indelicadeza e os dias de atraso, mas apercebo-me agora, no site da APEL, deste comunicado, onde, pelo meio, se pode ler o seguinte:

Entretanto, a APEL deixa bem claro que todas as edições, da responsabilidade dos seus membros, actualmente disponíveis no mercado não irão sofrer quaisquer alterações.

Sendo eu representante de um associado da APEL que tem as quotas em dia e não foi, de forma nenhuma, contactado no sentido de se saber que opinião tem sobre a proposta de Acordo Ortográfico, repudio totalmente o teor do comunicado lançado por esta aparente representante de Editores e Livreiros.

Acrescento ainda que escolher para primeira organização conjunta da APEL e da UEP uma conferência com o tema “Acordo Ortográfico: a perspectiva do desastre” é um péssimo sinal para o mercado - quando o Acordo Ortográfico for implementado, o que irão então defender estes senhores?

Poesia

Ler poesia é também conhecer poesia.

Assim, numa organização da Cosmorama, a poeta Miriam Reyes vai fazer um Workshop sobre poesia espanhola contemporânea, no Porto, entre os dias 22 e 24 de Maio.

Miriam Reyes nasceu em Orense [Galiza], em 1974, e em Caracas [Venezuela] em 1983. Estudou Letras na Universidad Central da Venezuela. Trabalhou como professora de Castelhano e de Literatura até decidir regressar à Europa, em 1996. Busca há mais de dez anos uma cidade onde viver; actualmente reside em Barcelona. Publicou dois livros extraordinários: Espejo negro [DVD Ediciones, 2001] e Bella durmiente [Hiperión, 2004]. Foi incluída em várias antologias, como é o caso de Feroces [DVD Ediciones, 1998] ou Veinticinco poetas españoles jóvenes [Hiperión, 2003]. Em 2003 foram traduzidos e editados em Itália alguns poemas de Espejo negro, com o título Terra e sangue [Stampa Alternativa]; como o mesmo título editará em Portugal os poemas de Espejo negro e Bella durmiente [Cosmorama].

Inscrições e informações sobre este workshop através do e-mail do José Rui Teixeira.

Febre de Sábado à Tarde


Falar sobre o novo livro do Mário Avelar
(foto de Luís Guerra)

sábado, 29 de março de 2008

Meredith Monk

Em Abril, em Torres Vedras

sexta-feira, 28 de março de 2008

Vasques retrata Bernardo Soares

Homem atento ainda que assustado
esse tal Bernardo. É o vinho que o perde
e esses versos que, dizem,
lhe tomam longas horas.
Mas, claro, um homem só que vai fazer?
Para se atirar pra baixo de um eléctrico é preciso
determinação e isso não lhe sobra. Enfim,
cada qual tem o seu álcool:
para quê dizer mais.

Manuel Moya
(traduzido por Rui Costa)

Este poema faz parte do livro Quarto com Ilhas, a sair em breve, pela Livrododia Editores.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Autores com o Plano Nacional de Leitura

Realiza-se amanhã, dia 28 de Março, pelas 21h30, na Book House do Monumental, mais uma sessão do programa Autores com o Plano Nacional de Leitura. O tema da sessão é "Em que pessoa é que a leitura me transforma? É a minha língua o meu país?"

Nesta sessão irão participar Fernando Dinis, Inês Leitão, João Henriques, João Moita e Luís Filipe Cristóvão. Será também lido o depoimento do autor Paulo Bandeira Faria. Textos dos diversos autores serão lidos por Rita Reis.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Torres Vedras:Editora planta árvores para compensar emissões de CO2

Torres Vedras, Lisboa, 26 Mar (Lusa) - Uma editora de Torres Vedras vai começar a plantar árvores como forma de compensar o meio ambiente pelas emissões de CO2 (dióxido de carbono) que resultam do processo da edição dos livros.

A editora Livrododia "fez as contas" aos gastos de carbono resultantes da utilização de pasta de papel, tintas e impressão e decidiu "compensar o ambiente" através do sequestro de quantidade equivalente de CO2 pela plantação de árvores.
Neste sentido, "os livros lançados no mercado pela Livrododia terão a marca Recarbon - Contrato com o Ambiente, que significa que têm a ver com a compensação dos gastos de carbono que temos nos livros", explicou hoje à Lusa gestor editorial Luís Cristóvão.
O projecto ambiental da editora visa contribuir para a redução das emissões de dióxido de carbono abrangendo os livros editados desde o início do ano.
"Somos a única editora portuguesa que faz a compensação de todas as suas edições, uma medida de boas práticas ambientais que esperemos venha a ser seguida", acrescentou o responsável.
Luís Cristóvão adiantou que existe uma fórmula para calcular as emissões gastas em pasta de papel, tintas e impressão de cada volume a qual resultou na "necessidade de plantar para já duas dezenas de árvores (pinheiros mansos).
A plantação das primeiras árvores decorrerá quinta-feira no novo miradouro situado na estrada Torres Vedras/Serra da Vila, na entrada Sul da cidade.
Os livros cujas emissões serão compensadas nesta primeira plantação são Gestão de Associações, de Francisco Rodrigues, Histórias de Torres Vedras, de John Gideon Millingen Mister Mouse, a Metafísica do Terreiro, de Philippe Delerm, Admirável Diamante Bruto e Outros Contos, de Waldir Araújo.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

terça-feira, 25 de março de 2008

Versões de Marcha

Depois, claro, há a famosa inversão de marcha, uma manobra que é feita nos exames, para testar a destreza do condutor. É muito importante fazer inversões de marcha bem, porque não fazer inversões de marcha de forma expedita, provoca mortes (para além de chumbo no exame). Por exemplo, imaginemos que estamos numa zona vulcânca e há uma erupção violenta e a lava incandescente vem por aí abaixo na nossa direcção, ou que estamos num ermo isolado, com a namorada, e aparece um exército de zombies direito a nós, e nós temos de fazer inversão de marcha para salvar a vida. Não pensem que só acontece aos outros, é por toda gente pensar assim que morre tanta gente na estrada.

Lourenço Bray

Um herói como tu ou eu


pentâmetro jâmbico
(versificação) decassílabo com icto nas sílabas pares [Constitui a métrica usual das poesias dramática e épica inglesas.]


O primeiro romance de Mário Avelar revela-nos a história do herói Carlos Fernandes, entre o dia 12 de Janeiro de 1973 e a noite de 25 de Novembro de 1975. Passa-se, neste livro, pelos anos da revolução, não só a revolução que ocorre na nas ruas e no país que é Portugal, mas também a revolução que decorre dentro do Carlos, sobretudo com a sua entrada na Faculdade e convivência com um novo mundo.

Numa linguagem acessível e corrente, este romance cativa-nos a atenção e tende a ser lido de um só fôlego - a sua organização em capítulos curtos e a estrutura de ligação entre as várias aventuras de Carlos facilitam a identificação com o herói. De referir que a identificação de Carlos Fernandes como herói é expressa na própria contra-capa do livro, que deve ser indentificada como um middle class hero, a figura literária que poderia ser um de nós, que vive as mesmas coisas que nós vivemos, e mais que uma perspectiva heróica, tem o dom de se "safar" na vida.

Até agora com livros publicados na área do ensaio e da poesia, Mário Avelar conjuga essa experiência poética com uma tradição à qual se ligou através das traduções (nomeadamente Faulkner, Lowell, Carroll e Melville) que veio efectuando ao longo da sua carreira. O seu primeiro romance revela-nos um prosador fácil e observador, com capacidade de nos surpreender.

Mário Avelar estará na Livrododia- Centro Histórico no próximo dia 29 de Março, Sábado, para apresentar o seu livro e conversar sobre o mesmo com Luís Filipe Cristóvão. A sessão realiza-se às 16 horas.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Livrododia amiga do ambiente

A Livrododia Editores é a única editora portuguesa a fazer a compensação das emissões de carbono de todas as suas edições. Assim, todos os livros lançados no mercado a partir do início do ano de 2008 terão a marca Recarbon – Contrato com o Ambiente, que significa que as emissões de carbono no âmbito da produção desses livros são compensados através do sequestro de quantidade equivalente de CO2 (dióxido de carbono) pela plantação de árvores no concelho de Torres Vedras. No cálculo desta compensação são tidas em conta as emissões resultantes da produção de pasta de papel e da impressão de cada volume.
A plantação das primeiras árvores(Pinheiros Mansos) no âmbito deste projecto decorrerá na próxima quinta-feira, dia 27 de Março, pelas 14 horas. As árvores oferecidas à comunidade pela Livrododia Editores serão plantadas no novo miradouro situado na Estrada Torres Vedras – Serra da Vila, na entrada sul da cidade.
Os livros cujas emissões serão compensadas nesta primeira plantação são os seguintes:
Gestão de Associações, de Francisco Rodrigues
Histórias de Torres Vedras, de John Gideon Millingen
Mister Mouse ou a Metafísica do Terreiro, de Philippe Delerm
Admirável Diamante Bruto e Outros Contos, de Waldir Araújo

quinta-feira, 20 de março de 2008


Volto segunda-feira.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Pensar nos vivos

As notícias da demissão de Manuel Alberto Valente do Grupo Leya apenas confirmam o inevitável - existe uma indústria do livro, por um lado, e as pessoas do livro, por outro. As pessoas do livro fazem falta à indústria, mas a indústria não faz falta nenhuma às pessoas. Quando a indústria pensa que a corrente está a seu favor, as pessoas são livres de seguir a sua estrada.

Boa viagem, Manuel. Sabemos que os ventos te são favoráveis.

Adenda: A saída de Francisco José Viegas para a Bertrand demonstra que, afinal, a Bertelsman aposta em qualidade que vende. Juntando-o a José Luís Peixoto, é agora esta a editora a seguir no que de mais interessante se vai escrevendo no nosso país. E não me admiraria em nada se outros nomes, desta geração, se seguissem...

terça-feira, 18 de março de 2008

Valor

Quando entrei na adolescência, jurei a mim mesmo que não gostaria de ser um Bukowski. E não sou, decididamente. Raramente entro num bar. Putas, bom dia boa tarde, até porque de noite raramente saio de casa. Conheço todos os ambientes da perversão e da fantasia. Corri perigos. Sei quando elas falam verdade.

Fernando Esteves Pinto, no seu depoimento bukowskiano, diz isto - "Sei quando elas falam verdade". Haverá mais alguma coisa no mundo com tanto valor quanto isto?

Segundas à noite


A via comercial

O meu orientador no exercício da gestão de empresas, diz-me que temos sempre que ser mais duros, que o mais duro possível ainda não é duro o suficiente.

Eu bem tento levar as coisas de um modo mais flexível.

Mas parece-me que, deste lado do mundo, grande parte das pessoas ainda não percebeu o que significa marcar reunião, marcar uma hora para ser recebido, ter o mínimo de bom senso no que toca a preparar as coisas para que a sua função de comercial seja bem acolhida junto dos seus clientes. Grande parte das pessoas ainda pensa que os fornecedores (de livros, é o caso) devem ser recebidos de braços abertos, com grandes sorrisos de saudade.

Simplesmente, eu, não tenho paciência para esse jogo da falta de respeito.

Casa

Agora que a maior parte das coisas já estão nos seus lugares, chego a casa depois do treino, tomo um banho, como qualquer coisa e recosto-me no sofá a ler. Depressa, depressa, o sono vem. É bom sentirmo-nos em casa.

sábado, 15 de março de 2008

Sítio 4



Está para breve. Os detalhes possíveis, no blogue da Revista Literária Sítio.

Epístola de Bray

Apelar ao retorno dos bons valores do heavy metal do anos 70 e 80.

Lourenço Bray

Na Imprensa

O poeta brasileiro Wilmar Silva tem pela frente uma tarefa hercúlea: criar uma antologia em três volumes do máximo de poesia de língua portuguesa contemporânea possível, acompanhados por DVD com entrevistas e leitura de poemas pelos poetas. O primeiro volume sai em Novembro - ainda não está garantida edição portuguesa. O P2 acompanhou Wilmar no último dia do seu périplo português[...]
O projecto
O acima descrito repetiu-se, ao longo da estadia de Wilmar Silva em Portugal, duas, três, quatro vezes por dia. De entre os poetas entrevistados há de tudo: consagrados, como António Ramos Rosa, nomes fortes, Pedro Mexia, Gonçalo M. Tavares ou José Luís Peixoto, gente em ascensão, como Valter Hugo Mãe, Rui Lage, Alexandre Nave, Jorge Melícias ou Pedro Sena-Lino, e praticamente desconhecidos, como Luís Filipe Cristóvão, José Rui Teixeira ou Ana Viana. De fora ficaram Manuel de Freitas e Rui Pires Cabral, Joaquim Manuel Magalhães, Fernando Pinto do Amaral, José Miguel Silva, João Miguel Fernandes Jorge, Adília Lopes e, claro, Herberto Helder, que há décadas se recusa a dar entrevistas. Uns preferiram não falar, outros ou não atenderam o telefone ou Wilmar não conseguiu resposta aos seus pedidos (por vezes não arranjou os contactos a tempo). Mas voltará em breve para incluir os que faltam, para que o trabalho "seja o mais completo possível". [...]

João Bonifácio, Wilmar Silva vai emaranhar a língua portuguesa, Jornal Público de 13.03.2008

sexta-feira, 14 de março de 2008

Análise de Mercado - VI

Também não deixa de ser curioso que existam países onde uma viagem de 40 km possa significar sair da civilização.

Análise de Mercado - V

Não deixa de ser curioso que, quem vive no mundo das grandes percentagens de desconto, dos livros para as massas e das vendas aceitáveis à volta das 20 mil unidades, possa pensar que, nos mundos paralelos, seja possível viver do ar.

Análise de Mercado - IV

A moral da história, se isto fosse um filme da Disney, seria que todos os livros que alguém compra são bons ou chegam a ser bons depois de lidos se satisfizerem o leitor.

Mas não, isto não é um filme da Disney.

Análise de Mercado - III

Ainda assim, cada um de nós poderá facilmente enumerar uma quantidade de livros mesmo muito bons que leu durante a sua vida. É uma análise puramente pessoal, mas que permite uma explicação mais aceitável do que é isto dos "livros bons"

Análise de Mercado - II

Fazendo uma pesquisa no google sobre "livros bons", parece dar-se a entender que os livros bons são chatos, elitistas, entediantes... Ou seja, os "livros bons" parecem ser um bocado maus - a não ser que sejam bons e baratos.

Análise de Mercado

Ontem, com um intervalo de uma hora, um editor de sucesso e uma responsável de compras de uma rede livreira, fizeram-me a mesma pergunta: "Mas vocês vendem de tudo ou vendem só livros bons?"

Pereirinha e os ingleses



Pois, e a dura verdade é esta: o Sporting joga muito pior ao vivo do que na televisão! Ontem, no Alvalade XXI, deu para perceber que o Rui Patrício passa o jogo tempo a tremer como varas verdes, que o Polga, Liedson, Izmailov e Romagnoli precisam de um mês de férias para recuparar de todas as mazelas que têm vindo a acumular, que o Abel, apesar da boa vontade, não é grande coisa, que há ali mesmo muito poucos ovos para se fazer uma omelete capaz. O Tonel, grande caceteiro à moda do Porto, acabou o jogo e pareceu ter vontade de subir às bancadas e obrigar a malta a aplaudir a equipa, o João Moutinho, que é provavelmente o único jogador que não sabe mesmo como jogar mal, está a puxar tanto pelo cabedal que ainda lhe vão permitir que se reforme aos trinta anos. No final disto tudo, Pereirinha. O homem, durante a primeira parte, teve mais passes falhados do que vezes em que recebeu a bola. E na segunda parte, levantou a cabeça, deu uma série de nós aos ingleses, e ainda marcou aquele golão (por sinal, mesmo ali juntinho a mim, sentado na bancada a praguejar!).

O grande momento da noite foi, no entanto, a bancada dos adeptos do Bolton a cantar o hino dos Wanderers tendo a massa associativa do Sporting a aplaudi-los, enquanto ia saíndo do estádio. Arrepiante, mesmo. E eram só uns 2000. Imaginem como não será lá, quando têm o estado cheio.

Nota: Ah, estamos nos quartos-de-final da Taça Uefa. Não mau, hein?

quinta-feira, 13 de março de 2008

Sábado de Manhã

Luís Filipe Cristóvão e João Paulo Cuenca no Auditório do Centro Cultural de Punta Umbría.

Agenda

Waldir Araújo, autor do livro Admirável Diamante Bruto e outros contos, vai estar na Casa Fernando Pessoa em Lisboa, no dia 14 de Março, pelas 18h30, para uma sessão de apresentação. Nessa sessão, o livro será apresentado pelo poeta e jornalista Toni Tcheka.

O mesmo autor estará na Livrododia- Centro Histórico, em Torres Vedras, para uma sessão de autógrafos. A sessão realiza-se no próximo sábado, 15 de Março, pelas 16 horas.

Diário

Estou quase de volta.

Estou todo dorido de andar a carregar caixotes.
A minha sala nova parece que acaba de sofrer os efeitos de um tornado.
No regresso ao trabalho, tenho mil e uma coisas em atraso.

Mas esta manhã, quando abri a janela, estava sol.

terça-feira, 11 de março de 2008

Para quem me procura

O autor deste blogue está, de momento, a instalar-se num apartamento na Praia de Santa Cruz. Da sua varanda vê-se uma nesga do Oceano Atlântico. Ao mesmo tempo que vê o seu anterior apartamento esvaziar-se, foi-lhe pedido um artigo sobre autores portugueses que publicam no Brasil, tarefa que o mesmo autor está a tentar entregar em tempo útil, à editora que lhe fez o pedido.

Por tudo isso, se sentirem muita a falta de um post novo, sintam-se no direito de reclamar na caixa de comentários. É o mínimo que vos posso fazer. O resto continuará dentro de momentos.

Punta Umbría

Em Punta Umbría vi o sol brilhar como se fosse primavera ou, mesmo, o verão. Sentei-me na Praia a ler o Borges, ao lado do José Mário bibliotecário. Ouvi o Manuel Moya a falar, apaixonado, da poesia portuguesa. Percorri as ruas da cidade a horas a que já só os algo-perdidos andam pela rua. Escrevi um poema. Fiquei a saber que vou ser muito amigo do manuel a. domingos. Disse à Manuela como as Correntes eram importantes para mim. Li, pela primeira vez, um poema meu, em voz alta, em castelhano. Bebi mais Cruzcampo do que seria aceitável se eu fosse conduzir. Voltei a abraçar o Cuenca, esse pássaro de asas puras, que ficou a voar pela Península Ibérica desde o início de Fevereiro. Disse ao Fernando Esteves Pinto que ele é um gajo porreiro. Confessei ao António Orihuela como gosto da poesia dele e fiquei a saber que lhe vou traduzir um livro para português. Vi o Ricardo e a Joana muito contentes, de férias, mas sempre a quererem sacar as boas notícias, como qualquer jornalista que não está adormecido. Ouvi o Pedro Afonso e o João Bentes a saltar mais alto do que os homens, só porque acreditam numa poesia verdadeira. Fiquei com a sensação de que a voz da Diana Almeida é tirada de algum desenho animado da minha infância. Vi a Golgona Anghel a fugir do Hotel, uma manhã, como quem estivesse num romance do Vila-Matas. Disse ao Uberto Stabile que daqui a uns tempos, lá voltarei.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Aí vamos nós

Eu e o manuel a. domingos vamos partir a caminho de Punta Umbria, para marcarmos presença no Palavra Ibérica. Vamos de carro, à tarde. Se passarem por nós na Ponte Vasco da Gama, A2 ou na Via do Infante, apitem!

No regresso do fim-de-semana, fica prometida a reportagem. Aproveitem o sol.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Peter, Paul and Mary


O livro do Pedro, com texto e ilustração da Manuela Bacelar, não bastando ser um livro especial no panorama cultura português (pelo que inova, contando a história da Maria, filha do Pedro e do Paulo), ainda tem um blogue. Descubram por vocês.

"Há muita beleza nas pessoas comuns" - Nadine Labaki



Caramel é um filme libanês que fez furor no Festival de Cannes e estreia agora em Portugal. A realizadora Nadine Labaki, fala deste filme em entrevista ao DN de hoje. Numa entrevista inspiradora, revela-nos o segredo da aceitação do seu filme no Médio Oriente: "Estava com medo que alguém pudesse pôr objecções a Caramel, por causa de alguns dos temas. Mas como tentei dizer tudo com muita delicadeza e doçura , o filme foi muito bem aceite."

A ver.

Relações Tecnológicas: o sapo que nunca mais se transforma em príncipe


A tecnologia não deixa de me espantar. Para cancelar o meu serviço de Sapo ADSL telefonei para o Serviço de Apoio a Clientes (pago a 0,12 €/minuto). Atende-me uma jovem, simpática, que me pergunta o nome, o username, o assunto e anuncia que vai passar a chamada para o sector que trata dos cancelamentos. Passo uns 30 segundos a ouvir publicidade e um outro jovem, um pouco mais atrapalhado, me volta a perguntar nome, username e assunto (mas não se tratava do sector dos cancelamentos?) e quando lhe transmito que pretendo cancelar o serviço, ele começa uma bateria de perguntas sobre satisfação, opções de vida, envios de IRS, amigos interessados e o diabo a sete, isto, claro, pago a 0,12 €/minuto. No final desta conversa a que eu, já um pouco cansado do interrogatório despropositado, o jovem anuncia-me que vou ter que enviar uma carta por correio ou fax a pedir o cancelamento, sendo que o mesmo terá efeito 20 dias após a recepção desse documento. Nessa carta (espanto!), pedem-me que lhes envie nome completo (não têm?), número de contribuinte (não têm?), número de telefone associado à conta ADSL (não sabem?) e username (mas eu já tinha dito duas vezes!). Ah, e não esquecer o pormenor final, perante o qual só posso soltar uma gargalhada: fotocópia frente e verso do meu bilhete de identidade.
Estes senhores há mais de três anos, quando aderi ao serviço, que têm estes meus dados e usam-nos sempre que lhes interessa. À minha conta ADSL está também associada uma conta de e-mail que não se cansam de usar para publicitar tudo o que querem e lhes apetece. Aproveitam as cartas mensais que me enviam com a factura para adicionar mais publicidade. E no fim disto tudo, pedem-me um fax (meu deus, um fax!) (se fosse por correio mais quantos dias não pagaria eu....), para lhes confirmar tudo aquilo que já confirmei a dois funcionários e que poderia fazer via e-mail, pela conta que eles sabem que eu uso, porque me enviam correspondência e pedem sempre sempre relatórios...
E chamam a isto tecnologia...

quarta-feira, 5 de março de 2008

as casas, oh, as casas


Vender a alma

Decálogo para evaluar la imagen de una librería
■ Calidad del director y de sus colaboradores.
■ Calidad de los servicios.
■ Calidad del surtido.
■ Capacidad para hacer crecer a los colaboradores y fidelizarlos.
■ Capacidad para tener disponibles los libros exhibidos.
■ Capacidad para actualizarse y renovarse.
■ Educación y sentido de responsabilidad del personal.
■ Motivación del personal.
■ Buena comunicación de los mandos superiores con los dependientes.
■ Capacidad de expansión continua.


Romano Montroni, Vender el alma. El ofício de librero, Libros sobre Libros
Mas ele ainda não me disse.

Geração 21

Acordas de manhã com a sensação de teres levado um monte de pancada durante a noite. Dormes mal, acordas algumas vezes, como se o teu corpo e a tua mente estivessem em pleno estado de alerta.

Ainda estás a tomar o pequeno-almoço e já toca o telefone. Algumas das coisas que deixaste programadas no escritório, afinal, não estão a funcionar. Pedem-te instrucções, novas decisões.

Entras em reunião. Tudo aquilo que levavas programado cai em saco roto - o mercado anda mal, não vale a pena os riscos, é para esperar.

Sais da reunião. Chamadas não atendidas. Pressão. É tempo de. Resolve. Corre.

À hora de almoço páras para sorrir. 45 minutos.

Escritório. Será possível quem uma manhã fora seja o fim do mundo? Parece-te que já ninguém sabe o que fazer.

Percebes: houve novas instrucções. Só tu não sabias. Telefones. Papéis deixados em cima da secretária. Telefones.

Sempre assim, todos os dias. Todos os dias de dia 1 a 31. Por uma contínua insatisfação. Por uma necessidade apenas, estar vivo. Não tens luxos, não tens dinheiro. Não fazes férias.

Deitas-te todos os dias tarde demais, sem força, de lágrimas nos olhos, derrotado. Na manhã seguinte parecer-te-á que levaste um monte de pancada.

Reuniões

As livrarias não pagam.
As distribuidoras não distribuem.
As editoras andam a pensar.

Aprender a ler

Hawthorne era alto, hermoso, flaco, moreno. Tenía un andar hamacado de hombre de mar. En aquel tiempo no había (sin duda felizmente para los niños) literatura infantil;

Jorge Luís Borges, em Otras inquisiciones, Ediciones Destino

segunda-feira, 3 de março de 2008

Livros oferecidos

Ano de 2008.

Vindos de uma escola de um centro urbano médio, dois professores apresentam em livrarias uma listagem do Plano Nacional de Leitura, assinalando nessa lista, os livros que estão acessíveis aos alunos na sua biblioteca. São 26. 26 livros numa lista de 156. A lista reporta aos 7º, 8º, 9ºano de escolaridade.

Para conseguir mais alguns livros para a biblioteca, que não recebeu qualquer verba para a aquisição de livros, esses professores distribuem esta lista pelas livrarias, pedindo que sejam as livrarias a fornecer, gratuitamente, a biblioteca escolar.

Ano de 2008.

O ano das novas tecnologias. Das novas oportunidades. Do relançamento da nossa economia. Dos discursos vazios.

Dois professores pedem que alguém faça alguma coisa pela sua escola. Em outras escolas, organizam-se feiras do livros, fazem-se trinta por uma linha para se conseguir uma pequena verba que possibilite o crescimento da sua biblioteca. Nesta escola, a necessidade levou a isto.

Ano de 2008.

É totalmente vergonhoso que coisas destas possam acontecer. Não será a pior das coisas. Existe a fome, as salas de aulas geladas ou como fornos, a chuva nos corredores. Sim, claro. Mas não deixa de ser uma vergonha, uma autêntica vergonha.

É um país da União Europeia. É um país de uma das regiões mais desenvolvidas do planeta. É o país do Presidente da Comissão Europeia. Das verbas gastas a promover o turismo. Dos negócios mirabolantes entre Estado e Privado. Dos ordenados chorudos nas administrações. Dos lucros na banca.

Ano de 2008.

Qual é o discurso que fará com que, alguma vez, toda esta trampa acumulada tenha algum sentido?

domingo, 2 de março de 2008

A casa

Já está.

sábado, 1 de março de 2008

Encontro de Escritores Palavra Ibérica - Punta Umbria

O 3º Encontro Hispano-Luso de Escritores Palavra Ibérica realiza-se nos próximos dias 7 e 8 de Março em Punta Umbria, Huelva, Espanha.
Do programa, destacamos os seguintes eventos:

Sexta-feira 7 de Março

19:30h.
Acto de entrega e Apresentação dos Premios Internacionais de Poesía Palabra/Palavra Ibérica 2007
“El sitio justo” de Rafael Camarasa (Valencia) e “Sobre as imagens” de Amadeu Baptista (Viseu)
20:30h.
Cara a cara, verso a verso: outros tempos para a lírica
José Mário Silva (Lisboa) e Manuel Moya (Fuenteheridos, Huelva)
Golgona Anghel (foto de Ozias Filho)
23:30h.
Recital com Eladio Orta (Ayamonte), Golgona Anghel (Lisboa), Elisa York (Sevilla), Tiago Nené (Faro), Manuel A. Domingos (Manteigas) Miguel Godinho (Vila Real de Sto. António) e Luis Pons Mora (Palma de Mallorca)

SÁBADO 8 de Março

13.00h.
Cara a cara, verso a verso: espaços para a poesia
Manuela Ribeiro (Directora dos Encontros “Correntes d’Escritas” de Póvoa de Varzim, Portugal)
e Antonio Orihuela (Director dos Encontros “Voces del Extremo” de Moguer, Espanha)
José Carlos Barros, Luís Filipe Cristóvão e Fernando Esteves Pinto (foto de Ozias Filho)
18:00h.
Apresentação e recitais poéticos dos autores da colecção Palabra/Palavra Ibérica
“Las miradas inútiles”de José Carlos Barros (Vila Real de Sto. António)
“Só mais uma vez” de Uberto Stabile (Valencia)
“Pequeña antología para el cuerpo” de Luis Filipe Cristóvão (Torres Vedras)
20.00h.
No feminino plural
Margarida Vale de Gato (Lisboa) Josefa Virella (Huelva), Ana Mafalda Leite (Moçambique), María Gómez (Isla Cristina), Diana Almeida (Lisboa) e Rosario Pérez Cabaña (Sevilla)
23:30h.
Recital com Pedro Afonso (Faro) Pepe Varos (Granada), Joao Bentes (Faro), Carmen Camacho (Jaén). Eduardo White (Mozambique), Antonio Orihuela (Moguer) y Fernando Esteves Pinto (Olhão)

Feira do livro manuseado na Rua Garrett

A BI, Biblioteca de editores Independentes, evoluiu. Longe vai o tempo em que a sigla BI era apenas uma colecção de livros de bolso. Hoje, BI significa muito mais do que algumas dezenas de volumes disponíveis nas melhores livrarias do país. BI é uma força editorial, constituída pela Assírio & Alvim, Relógio D’Água e Livros Cotovia, que começa, a partir de agora, a ser responsável pela criação de iniciativas pensadas para aqueles que não sabem viver sem livros. E é por isto que, com o apoio da Abraço, vai organizar uma feira de livros manuseados no Chiado.
De 8 a 16 de Março, venha à Rua Garrett e leve uma mão cheia de livros destas três editoras, a partir de 1 euro.