quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Quem fala de nós

João Paulo Cuenca, na sua crónica semanal no Jornal Globo, fala de uma visita à cidade do Porto e termina assim (num excerto que ele próprio me leu, ontem, no Centro Comercial Colombo, no final do almoço - este texto, nesta localização, terá aínda vários outros significados a explorar) :

Aqui, tenho a impressão de que todos são familiarmente estranhos a nós, brasileiros. Em suas estações sem catracas, alcançam os trens sem pressa, numa educação que pode ser confundida com letargia – jamais haverá sobressalto nessas multidões. Conversam muito distantes do nosso sotaque conspurcado, da nossa fonética corrupta, da nossa violência de linguagem.
Enquanto caminho de volta para o trem, vejo um ônibus na Praça da Liberdade que anuncia seu destino: “Sonhos”. E penso que, sim, era isso o que estava querendo dizer. Que em tudo aqui há uma inocência que perdemos há muito, e que jamais iremos recuperar. Que, sim, os portugueses são as nossas crianças. Que Portugal, pequenina, é filha do Brasil.
***
Dom Sebastião os proteja.

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