sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

[Correntes d'Escritas] Ler poesia

Na noite de ontem, Luís Machado fez uma sessão de leitura de poesia, acompanhado ao piano por Inês Correia. Esta manhã, na primeira mesa de debate do dia, discute-se a poesia bem dita e a poesia maldita (são assim os temas, por aqui, cheios de rasteiras).

Mesa e auditório parecem-se inclinar-se para encarar a declamação de poesia com um espectáculo de entretinemento, em que o leitor ou diseur deve atrair as atenções de um público quantas vezes afastado da poesia.

Fala-se de poesia lida como se de uma lista telefónica se tratasse ou de poetas que assassinam os seus textos quando os tendem a ler.

Esquece-se, enfim, que a poesia não é palavra, nem som, nem impressão - a poesia é sobretudo um estado de espírito construído. E para tal não me parece nada estranho que alguns poetas nos adormeçam ao ler, em público, os seus poetas.

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