terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Notas sobre um debate


O programa Prós e Contras de ontem à noite demonstrou, uma vez mais, como se faz uma tempestade num copo de água.
Do lado dos não-fumadores, dois técnicos de saúde reconhecidos. Do lado dos fumadores, um jurista (que só ali estava para aparecer e fazer barulho, na sua cansativa maneira de se tornar grande defendendo as minorias) e uma historiadora (que apenas pretende fumar sem que a chateiem). Transformou-se, em grande parte do tempo,o debate numa guerra de interesses individuais, ou seja, tudo o que uma lei não é, nem pode ser.
Porque é necessário olhar para a realidade, para o que é indesmentível e ambos os lados parecem aceitar.
Assim:
- O fumo prejudica a saúde (dos que fumam activa ou passivamente)
- A lei é, acima de tudo, defensora da saúde pública
- Existe uma norma europeia que tabela a quantidade de monóxido de carbono aceitável em espaços fechados
- A partir de 1 de Janeiro de 2009, será essa mesma a tabela que indicará o valor de monóxido de carbono aceitável em espaços para fumadores.
- Os detentores de espaços abertos ao público que pretendam ter espaços azuis (para fumadores), devem instalar os extractores de fumo que possibilitem o cumprimento dessa norma, devendo para isso pedir ao técnico instalador um termo de responsabilidade.
- Só 20% da população portuguesa é fumadora.
- A lei foi bem acolhida pela grande maioria da população, nos diversos sectores, não tendo havido sinal qualquer intenção radical de desrespeito da lei.
Agora, que o Sr. Presidente da Associação de Casinos queira fazer a curva ao contrário, criando espaços de fumadores e não-fumadores porque lhe apetece e não porque é obrigado, é aceitável, está-lhe no sangue. Que o Sr. Presidente da Associação de Bares do Porto queira voltar a poder escolher quem entra ou não entra nos seus espaços, também me parece muito natural, mais pela lei da bala que assolou a cidade do que pela lei do tabaco que assolou o país. Que o Sr. Presidente da ARESP tenha o pensamento pequeno e não perceba que, até hoje, 20% dos seus clientes perturbavam os restantes 80% e reinvindique que na sua loja é ele que manda (como se agora pudesse também liberar o homicídio, a manipulação de gáses mortais ou a prostituição), bem, isso, é apenas o país que temos.

1 comentário:

  1. Texto muito pertinente! Concordo com o teor geral. Claro, percebo os fumadores até certo ponto. Mas virem com o papão do fascismo porque foram proibidos de nos mandarem com inalações fumadas para cima... Tenham juízo!

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