quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

finalmente natal

E agora, meu rapaz, está na hora de te deixares iluminar...

conselheiro literário

A convite da Livraria Trama, respondi a uma pequena lista de conselhos sobre livros, cujo o resultado pode ser apreciado na própria livraria com as etiquetas lindas que podem ver na imagem de cima. Para os mais preguiçosos, deixo aqui a lista. Quem sabe não poderão encontrar um destes livros, numa livraria perto de onde estão.

Um bom livro por muito pouco dinheiro: Um dia com o Principezinho segundo Antoine Saint-Éxupery
Um bom livro que se lê numa tarde: A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer, Stig Dagerman
Um bom livro para o inverno: As Sombras Errantes, Pascal Quignard
Um bom livro para oferecer a alguém que não gosta de ler: Bartleby, Enrique Vila-Matas
Um bom livro para quem já leu tudo: Artigos Portugueses, Miguel Tamen
Um bom livro para quem nunca se impressiona: Jesus - The Last Adventure of Franz Kafka, Manuel Silva Ramos
Um bom livro para causar boa impressão: Mulheres que lêem são perigosas, Steffan Bollmann
Um bom livro para ler pelo menos cinco vezes na vida: Todos os Poemas, Ruy Belo
Um bom livro para alguém que mal conheço: As sete estradinhas de Catete, Paulo Bandeira Faria

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Poema de Natal

Comecei a gostar do Natal quando comecei a trabalhar
antes disso tinha tempo para me enfastiar com toda a gente
e agora só me resta tempo para me chatear com a gente
de quem eu não gosto, ou não gosto mesmo nada, ou então
só aquela gente que eu não conheço mas que me irrita,
antes, pelo Natal, isso acontecia-me com toda a gente,
saía à tarde com os meus amigos e cansava-me deles,
eram cigarros atrás de cigarros, cervejas, passeios parvos
pelas ruas da pequena cidade onde nasci, conversas
tristes de quem se fazia forte por ignorar os sentimentos
e só se corroía todo por dentro, tanto queríamos amar,
fosse a alguém, fosse uns aos outros, e só contávamos
as moedas para o tabaco, para a bebida, uma prenda
ou outra mal escolhida, nenhum brio, todo o frio.

Éramos uns palermas, era isso que éramos, nesses
dezembros antigos em que ainda ninguém trabalhava
e tentávamos ocupar os minutos com o facto de parecermos
pertencer uns aos outros, mas não pertencíamos, isso
só percebemos um bocado mais tarde, quando cada um
começou a ir com quem bem lhe apeteceu dar outras
voltas, ter outras conversas, quando nos começamos a encontrar
e primeiro era um de nós que usava fato e gravata
e dizia mal do patrão, e depois outro que nem sequer aparecia
porque trabalhava até tarde, e tudo isso ainda foi antes
de eu começar a gostar do Natal, ou melhor, de eu começar
a trabalhar numa pequena livraria da avenida, onde
um dia ou outro algum desses tipos com quem eu saía
ainda passou mas seguiu porque eu estava a trabalhar.

Comecei então a gostar do Natal porque até que chegasse
a consoada eu tinha que aturar o natal dos outros todos,
aqueles todos de quem eu não gostava ou nem sequer conhecia,
o natal do ó rapaz, diz-me lá que livro é que eu levo para a minha
prima que gosta de ler?, o natal do não tens um papel mais bonito,
pá?, o natal do isso é que é um embrulho?, o natal do gajo
que nos entra na loja a dois minutos do fecho e fica mais de meia
hora sem comprar nada, apenas a fazer-se ares de conhecedor
e que depois sai com o rabo entre as pernas porque lhe tocou
o telemóvel e é a querida esposa que já saiu do consultório
do senhor doutor do terceiro andar. E aí comecei a ter gosto por ser
dia vinte e quatro, hora de jantar, e de ter à minha volta aquelas
pessoas de quem eu gosto e vejo, às vezes, tão pouco, às tantas,
um tipo leva demasiado tempo a perceber o que é tão evidente.


Escrevi este poema neste Natal, para desejar a todos os meus amigos Boas Festas.

abaixo-assinado?

Mário Nogueira apresentou ontem, no Ministério da Educação, aquele que dizia ser "o maior abaixo-assinado de sempre". É claro que, mesmo parecendo abusivo o epíteto dado, me parecia possível que existisse tal abaixo-assinado, com a capacidade que professores e sindicatos têm demonstrado na mobilizição dos protestantes. Horas mais tarde, o secretário de estado Jorge Pedreira veio clarificar que o documento era uma petição feita on line, onde só constavam nomes de professores e respectivas escolas, sendo que qualquer pessoa poderia ter adicionado esses dados.

Eu sei que Mário Nogueira não gostou das palavras do secretário de estado, mas a forma como juntou as supostas assinaturas e a forma como o anunciou expõe ao ridículo o trabalho do sindicato e todo o protesto dos professores. O sindicalista devia perceber que o crescimento dos protestos não tem favorecido a razão dos professores que esqueceram o facto das perspectivas da opinião pública seja que ensinem e trabalhem nas escolas. Tenham, ou não, razão no protesto.

Costa... Oh Costa...

(...)Costa que se precate: não só tem escassíssima obra visível (o episódio anedótico do Cais das Colunas desentaipado por três semanas é sintomático da impotência da câmara) como, ainda por cima, se enfiou voluntariamente em dois buracos políticos que o tornam alvo fácil em campanha.
Um deles é o apoio declarado de José Sá Fernandes, que Costa gostaria de apresentar como um convertido aos seus encantos políticos mas que mais depressa será acusado de vender as suas convicções por um tacho na câmara - e que ainda por cima irá colar o PS ao embargo do Túnel do Marquês, obra que é mérito de Santana e que qualquer lisboeta hoje em dia considera imprescindível.(...)

Leia o artigo todo de João Miguel Tavares

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A bruxa Rabuja

É um privilégio, para mim, poder conviver regularmente com José Colaço Barreiros, um homem que faz já parte da história da tradução em Portugal. Numa das suas últimas visitas à Livrododia, deixou-me, ao jeito de prenda de natal, uma novidade de sua autoria, Histórias da bruxa Rabuja, publicado pela Texto Editores, com ilustrações da Alain Corbel. O livro saiu na interessante colecção Júnior, que tem vindo a crescer nas preferências de miúdos e educadores como uma boa sugestão de primeiras leituras. Já conhecedor de outros trabalhos do José, dediquei uma hora do fim-de-semana a ler as três histórias desta bruxa. E aquilo que vos digo é que não se deixem enganar pela indicação da idade apropriada para a leitura destes textos. São três histórias em poesia rimada, cheias de ironia, a piscar-nos o olhos várias vezes quando, nas curvas da sua vassoura voadora, a Rabuja vai criticando ali, sublinhando acolá, várias injustiças e curiosidades do mundo de hoje. Não sei se um miúdo de 8 anos poderá perceber todo o alcance deste texto, mas a verdade é que os miúdos de trinta, quarenta e cinquenta não deveriam ter vergonha de, ao passar por uma livraria, trazer este "fininho" para se divertirem em casa.
Se vos custar muito, aproveitem ser natal, peçam para embrulhar e digam que é para o sobrinho. Vão ver que os livreiros menos atentos nem vão desconfiar...

Estar bem com Deus e com o Diabo

Em entrevista ao Porto Canal, Gilberto Madaíl crítica Scolari pelo timing do anúncio da sua ida para o Chelsea e anuncia que durante todos estes anos perguntou ao seleccionador, mais do que uma vez, porque não era convocado Vítor Baía, nunca tendo recebido resposta. É talvez o anúncio público mais mesquinho, irracional e desleal desta época natalícia. Madaíl tenta, agora que o comando da selecção está nas mãos de outro, detonar uma bomba sobre a memória de Scolari, de modo a poder sentar a sua real bunda nos camarotes do Dragão sem ser olhado de lado.

Sim, Sr. Madaíl. Você esteve sempre do lado do Scolari, no melhor e no pior, e não tinha necessidade (até porque nem lhe adianta nada vir agora falar nisso) de tentar mascarar aquilo que foi evidente durante tanto tempo. Quanto à razão para a não convocação de Baía para a selecção, ela é fácil e evidente: não é fácil ser suplente quando já se foi titular ( e se isso conta para os jogadores de campo, muito mais contará para os guarda-redes). Mal ou bem, Scolari escolheu Ricardo e poupou Baía a anos de banco. Queirós escolheu Quim e poupou Ricardo ao mesmo. É a lei da vida. Coisa que, ao Sr. Madaíl, será certamente estranha, qual rato em busca da sobrevivência.

Hoje acordei com esta música na cabeça

Rocky Sharpe & The Replays - Rama Lama Ding Dong

domingo, 21 de dezembro de 2008

porque hoje é domingo

Mundo Catita ou a arte de ser português no início do século XXI

o império da mediocridade

pela segunda semana consecutiva, oiço o programa da manhã do Rádio Clube, "a vida são dois dias", para o qual são convidados elementos do próprio Rádio Clube para dar sugestões culturais. talvez tenha sido um tiro de sorte (pronto, dois tiros de sorte), mas calhei a ouvir a provedora dos ouvintes do Rádio Clube e um director de programas, de quem não lembro os nomes. a senhora, na semana passada, aconselhou livros. livros, disse ela, não daqueles chatos que são escritos com linguagem, mas livros que são bons de ler. assim, de repente, a senhora só conseguiu lembrar-se do Equador, de Miguel Sousa Tavares, tendo passado mais tempo a falar da série televisiva que hoje estreia do que do livro em si. pensei que tinha tido azar. mas hoje, o tal senhor, começou as suas sugestões culturais por dizer que não gosta de dança. aliás, disse que é preciso ter coragem para se dizer que não gosta de dança. que já viu tudo e não gosta. depois falou demoradamente sobre música, tango (a sua preferida) e nina simone, o que demonstra como estes convidados acertam sempre nas referências mais óbvias. para terminar, passou pelo cinema. para falar de um filme que, quando esteve nos cinemas, ele não foi ver porque (e isto foi o que ele disse, ipsis verbis) "pensava que era um daqueles filmes para adolescentes"... Estava a falar do American Beauty, do Sam Mendes. Não há paciência.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

A vergonha

Das muitas maneiras de começar a minha participação neste debate, decidi que a mais plausível, por ser aquela que mais rapidamente me veio à cabeça, é a vergonha como sentimento associado ao ser português. Embora o discurso oficial esteja associado à Saudade, a verdade é que hoje não queremos voltar atrás em nada, até porque, a bem da verdade, o povo português, enquanto povo, nunca se sentiu grande coisa, havia era mais dinheiro nas elites. Portanto, não queremos hoje entrar em guerra com Espanha, nem armarmo-nos em marinheiros, nem ter um império de Minho a Timor, nem nenhuma dessas histórias saudosistas. Aquilo que nós queremos, acima de tudo, é sentirmo-nos bem connosco próprios. Mas, certamente por escolhermos mal os métodos pelos quais avaliamos essa auto-satisfação, sentimos vergonha.

Sentimos vergonha da nossa selecção de futebol, por “só” irmos aos quartos-de-final do Europeu, por “só” ficarmos em quarto lugar no mundial, sem pensarmos que para se chegar a essas posições há um treino e esforço intensos, diários, insistentes, que não se coadunam com a nossa ideia de que os rapazes da selecção são uns calões vaidosos.

Sentimos vergonha no nosso primeiro-ministro, por ele ir para cimeiras internacionais armado em vendedor de computadores ou por declarar aos quatro ventos o seu seguidismo em relação às decisões do governo americano. Temos vergonha da falta de tacto dos nossos ministros, assim como temos vergonha da tacanhez dos nossos sindicalistas.

Sentimos vergonha da oposição, porque se ocupa a trucidar os seus próprios aliados, a contradizer os seus próprios princípios, porque parece que dez linhas num jornal são mais importantes do que ter uma ideia para resolver os problemas das pessoas que esperam deles alguma coisa.

Sentimos vergonha dos nossos frágeis prosadores mais premiados, ou porque viraram espanhóis, ou porque não conseguem fazer duas declarações coerentes seguidas. Sentimos vergonha dos nossos grandes poetas porque, aparentemente, ninguém os lê ou compreende para além da fronteira Caia/Elvas. Ou então ficamos muito surpreendidos, por haver alguém que lê e valoriza imenso aquele poeta nacional que nós ainda nem sequer lemos.

Sentimos vergonha dos nossos salários, dos nossos empregos, das nossas vidas profissionais, porque faça o que se faça, em Portugal, é tudo pequenino, país de primos e conhecidos, onde toda a gente sabe quem é toda a gente e quase não se dá um passo sem encontrar alguém que nos chame pelo nome e nos dê uma palmada nas costas. As perspectivas, aqui, são curtas, são poucas, e vivemos assim com vergonha de sermos portugueses aqui e agora.

Chegamos até ao ponto de sentirmos vergonha daquilo que poderíamos ter de melhor, o sol, a praia, o país bom para turista. Há dias, num encontro fortuito com um australiano de passagem por Portugal, perguntou-me ele que cidades o aconselharia a visitar, quais as mais bonitas. E a verdade é que, tirando as escolhas mais óbvias (Lisboa, Sintra, Porto) que ele já tinha visitado, os restantes pontos de interesse onde ele poderia chegar sem sentir uma enorme dificuldade com as ligações de transportes públicos, eram tristemente desinteressantes. E, porra, nem imaginam a vergonha que eu tive disso.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Hydroxyzine dihydrochloride

contraria a histamina mas abusa na tranquilização...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Ruído Luminoso - quatro poetas portugueses

A revista catalã Série Alfa é, este mês, dedicada à poesia portuguesa. Assim, foram convidados quatro poetas portugueses, cedendo cada um dois poemas, que foram posteriormente traduzidos para catalão, castelhano, inglês e francês. Todos os poemas são originais.

Link para a revista: sèrieAlfa.art i literatura Núm. 40

[Ruido Luminoso] Quatro Poetas Portugueses
[Soroll Lluminós] Quatre Poetes Portuguesos
[Ruido Luminoso] Cuatro Poetas Portugueses
[Glowing Noise]Four Portuguese Poets
[Bruit lumineux]Quatre poètes portugais

Luís Filipe Cristóvão / Joaquim Cardoso Dias / Vasco Gato / João Miguel Henriques

Tradução: Vasco Gato, Luc Roy &Joan Navarro
Fotografias : Valdir Peyceré

A nova velha esquerda

São José Almeida escreve no Público de hoje um interessante artigo intitulado O Puzzle para a construcção de um partido-movimento. Nesse artigo são expostas as razões e as movimentações dos três vectores que se tomam por essenciais para a nova esquerda (como se a nova esquerda fosse uma necessidade, mas já lá chegaremos). O primeiro desses vectores é Manuel Alegre e os descontentes do PS, que representam uma tendência dentro do Partido Socialista, que está descontente com a deriva ao centro da sua direcção, mas que estará também bem consciente de que essa é uma necessidade para se estar no poder, ou não fosse boa parte dessa gente ministra, secretária de estado ou deputada. O segundo vector é o Bloco de Esquerda que se mostra, surpreendentemente ou talvez não, disponível para abdicar do seu recém-criado partido para se juntar a um novo movimento. Com isto, o Bloco acabaria por atingir aquele que se sempre foi o seu objectivo, mais ou menos encapotado: juntar a si figuras públicas que tenham ficado deslocadas dos partidos comunista e socialista, aumentando assim a sua capacidade eleitoral. Sublinho aqui a noção de capacidade eleitoral, porque entre a UDP, PSR e Política XXI e o grupo de Manuel Alegre, é muito difícil encontrar alguma afinidade que seja, e lembremo-nos que há menos de dez anos, uns eram os párias da esquerda e outros os líderes senhoriais da burguesia de centro-esquerda. O terceiro vector é o Partido Comunista. Mal ou bem, o PCP manteve-se no seu rumo durante estes últimos dez anos, e mesmo perdendo influência junto dos fazedores de opinião, dos sindicatos e nas ruas, foi conseguindo resultados com a sua estratégia de acertar no alvo mesmo estando parado. Sentindo-se em alta, é mais ou menos óbvio que o PCP critique os outros dois grupos, até porque, até agora, essa coisa da nova esquerda é conversa para entreter os aficionados do mediatismo.

O que me parece é que, a existir uma nova esquerda, ela não pode nunca partir de nenhuma destas pessoas que aqui se fala. Nem Manuel Alegre, nem Francisco Louçã, nem Helena Roseta, nem Jerónimo de Sousa, podem ser uma nova-seja-o-que-for, pela simples razão de que nenhum deles apresenta uma nova ideia, uma nova solução, para os problemas que sentimos há décadas. Qualquer solução de grupo que saia daqui, estará sempre debaixo da guilhotina do mediatismo, e se há algo que a nova esquerda poderia propor era uma solução para esta coisa que nos afecta tanto que é sermos obrigados a pensar a vida dia a dia, sem sabermos o que será o nosso futuro. Precisamos de ideias, mais do que votos. Precisamos da segurança do pensamento, mais do que pensarmos que uma maioria ou minoria absoluta com quatro anos de duração nos fará melhores ou piores do que aquilo que somos. E isso é coisa que, certamente, não nos chegará pelos telejornais.

Tomai lá do Cachapa!

Cavaquissilva, filho, vitalidade da literatura portuguesa é isto:

É cada vez maior o número de pessoas que escreve e publica. Entre esses, há alguns que possuem uma voz mas que insistem em escrever o que lhes parece certo, vendável ou que pode agradar à família próxima. Historicamente está provado que este tipo de escritores nunca vencerá a morte e que provavelmente os seus livros serão vendidos a peso muito antes dela.Este curso, limitado nas inscrições, está destinado aos que gostariam de encontrar os tomates que o seu conformismo ou as confortáveis rotinas insistem em esconder.

(é só um cheirinho, não dispensa o clic no link de cima)

9º Serão Contos ao Frio


Mais uma iniciativa dos incansáveis bichinhos de conto.

Ele bem que avisou


e mesmo que o anúncio tenha sido apenas sussurrado, no meio de outros nomes, a ver se ninguém percebia, aí está Santana de volta.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Mercado do Bolhão

São três da tarde e entro, pela primeira vez, no Mercado do Bolhão, edifício que é, por fora, a imagem feita construção das contradições do nosso urbanismo e do nosso comodismo. Mas comecemos por dentro. Estamos numa grande cidade europeia (ainda assim, a grande cidade europeia que mais se faz notar pela manutenção de uma identidade cultural própria) e temos acesso às mais impensáveis compras, desde um santinho que falta para substituir um outro que se quebrou no presépio, a um saquinho com uma mistura de pimentas, produtos de dietética, todo o tipo de frutas e legumes, carnes e peixes. É uma mistura de cheiros e cores que nos tocam de maneira mais intensa, por ser um dia de chuva.

Depois, as pessoas. A cada passo somos interpelados por uma proposta ou um convite a olhar melhor, a olhar outra vez, a banca que esconderá os tesouros de Aladino e os mapas para se descobrir o Santo Graal. E à primeira palavra percebemos também que estar ali é pertencer a uma enorme família que não se esquece nunca da atenção e dos cuidados que são devidos àqueles de quem mais gostamos. É reconfortante estar no meio daquela gente, tão longe dos efeitos histriónicos que nos são transmitidos via televisão a quando de visitas pré-eleitorais com respectivos banhos de multidão incluídos.

São três da tarde e o centro do Porto é um turbilhão de gente que se passeia entre a loja mais tradicional e o último grito da inovação tecnológica em forma de comércio. E, no entanto, a aparente contradição deste gesto é constitutiva de uma maneira de estar com o outro que se pressente, mais do que noutras, no centro desta cidade. Mesmo na aparente violência do confronto entre diferentes, há um discurso comum, vindo de uma longa história feita através dos séculos, que permite a compreensão e a convivência. Símbolo de tudo isto é o Mercado do Bolhão, embora as pessoas e os objectos que o recheiam não escondam o estado de abandono a que está votado pelo comodismo dos nossos governantes.

Imaginá-lo transformado para um outro qualquer futuro, poderá bem ser uma traição da identidade da cidade do Porto. Abandoná-lo à sua decadência, uma irresponsabilidade. Entre um e outro gesto, há o discurso comum já referido. Os portuenses não poderão deixar de recorrer a ele, neste momento tão delicado.

cantiga d'amigo ou um bolinho para o caminho

no fundo,
o que andamos a fazer,
é encontrar uma maneira
de dar boca ao coração.

e enquanto isso se faz,
libertando se vai meu corpo
de anterior condição.

Circo de Natal

Agora que o PCP alugou o carro daquele maluco d' O Regresso ao Futuro e viajou para a Checoslováquia de 1970 e o Bloco de Esquerda se ocupa em ser a ala esquerda do Partido Socialista, a reboque de Manuel Alegre e Helena Roseta, permitam-me dizer que a boçalidade e o isolamento dos nossos políticos não foi nunca tão acentuado como hoje. Sinal óbvio é ainda a re-eleição-com-posterior-desfiliação-de-vários-quadros-do-partido no CDS/PP. Vivemos, certamente, num mundo que aqueles que nos querem representar não compreendem. Tal como não compreenderam os Sindicatos de Professores quando assinaram o memorando de entendimento com o Ministério ou quando, passado quase um ano, não conseguiram passar para o papel uma alternativa credível ao sistema de avaliação de professores. É este o mundo (o país?) que nos resta: soundbyte atrás de soundbyte até criar ruído suficiente que se pareça com qualquer acção real, seguido de posterior descredibilização da ideia inicial não cumprida. Não deixa de ser curioso como dois militantes de partidos do centro que se encontram, de momento, de fora do grande prato ou tacho ou malga grande, acabem a liderar o bando dos ex-revolucionários com tendências moralistas que querem chegar ao poder. Não deixa de ser fastidioso que certa esquerda, tão segura da razão dos seus princípios, tente depois encontrar um ícone intelecto-popular para ir a eleições. Não há, mesmo, paciência para este circo...

Gaia é um labirinto

mas depois de perguntar o caminho a quatro pessoas, fazer um telefonema e perseguir um carro, lá cheguei ao Centro Comercial Vilagaia e adquiri um exemplar em perfeitas condições (e encadernado) do livro Frei António das Chagas - um homem e um estilo do Século XVII, de Maria de Lourdes Belchior Pontes, livrinho (501 páginas) esse que me irá acompanhar pelos próximos meses, senão anos.

o campo na cidade


ou como voltar a insistir na felicidade pela agricultura

(na imagem, a casa da quinta do parque de serralves, no porto)

quem é baltasar serapião?


acabo de ler o remorso de baltasar serapião, um livro que me espantou pela força da linguagem que me transportou para o universo medieval da história. os grandes livros são assim, não têm avisos, nem setas, nem explicações, é a própria linguagem, a maneira de desenrolar a narrativa, que nos faz sentir o que é aparentemente ficção bem dentro de nós.
uma dúvida, no entanto, foi crescendo com a experiência de leitura deste livro: quem é baltasar serapião? o rapaz desejoso de ser homem, de construir vida e família, de honrar o seu nome e cumprir o sonho de esposar com a mais bela das raparigas da aldeia ou, por outro lado, o homem desajeitado e brutal que destrói a sua própria felicidade com desconfianças, que só reconhece instabilidade no normal decorrer das coisas, que altera as feições da amada e mata os amigos que lhe garantem a vida? quem é ele, que me leva a simpatizar com ele nos ensejos e a demonizá-lo nas acções?

isto não pode ser uma crítica literária porque as críticas literárias não se relacionam com dúvidas destas. será, muito provavelmente, um questionamento filosófico, um puxamento para a frente de um espelho onde eu talvez tema, alguma vez, vir-me a reconhecer.


sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

serviços mínimos

passei toda a semana a escrever quase nada aqui no blogue. andei em cantigas, citações, exercícios de nada. ao fim de uns quantos anos a actualizar blogues, aprendes uma coisa: o silêncio não é opção. então aprendes a fazer serviços mínimos, alimentando assim quem te visita, para que não pareça mal, para que pareça que continuas a ter o que dizer.

passei toda a semana a escrever quase nada aqui no blogue. e agora que chega sexta-feira, queria ter qualquer coisa importante que servisse a todos aqueles que, perdidos com um computador durante um fim-de-semana, viessem espreitar aqui a minha casa. mas não, não há nada. e não é o silêncio. os dias têm sido de leitura, de pesquisa, de invenção de alguns poemas, de delineação de projectos.

passei toda a semana a escrever quase nada aqui no blogue. e porque é que isso me afecta? não sei. escrevo isto e já estou outra vez com vontade de o apagar. de deixar o espaço em branco dominar a entrada na página. mas resisto a isso. deixo ficar. como se fosse uma confidência ou uma justificação. como se, assim, fizesse um pouco mais sentido a minha vida quando, logo à noite, estiver encostado ao balcão do café a ouvir as pedras de gelo a tilintar no copo que seguro com a mão direita. como se isso importasse para alguma coisa.

já ouviste falar de Clarice Lispector?

bem-vindo sejas ao teu direito a seres notícia*

[veja, neste espaço, aquilo que lhe apetecer...]

*citação de Joseph Brodsky

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Sim, eu leio o Correio da Manhã

Para que a minha capacidade de indignação se mantenha em alta.

Assim não, Caramanlis

Um bom exemplo de um regime à deriva, é aquele em que, ao mesmo tempo que se pede paz social e sossego nas ruas, se condena dois polícias por "homicídio voluntário" quando todos os indícios indicam o contrário.

isto é missa arejada, mas não é missa ao ar livre


quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

acção romântica e revolucionária

Manuel Luís diz que o pai "se viu sem lugar ideológico, porque não queria poder, o poder não era para ele. A tendência revolucionária tinha-se intensificado. Interessava-lhe mais a acção romântica e revolucionária". Foi nessa altura que lhe notou "maior sofrimento".

daqui

Alçada Baptista por Mexia

António Alçada Baptista escreveu dois livros fundamentais para qualquer pessoa que queira pensar o catolicismo português: Peregrinação Interior - Reflexões sobre Deus (1971) e Peregrinação Interior II - O Anjo da Esperança (1982). Fundou uma das revistas mais estimulantes do nosso panorama cultural (O Tempo e o Modo) e uma excelente editora (a Moraes). Foi depois disso um bom presidente do Instituto Português do Livro. Era um homem afável, culto, cosmopolita e dialogante. Isto é justo que se diga, e tem sido dito. Mas também é justo que se lembre que Os Nós e os Laços (1985) marcou uma viragem na sua carreira e, mais importante, no romance português, hoje infestado de «literatura dos afectos» e de afilhadas de Alçada. As pessoas falam muito de O Que Diz Molero ou Os Cus de Judas, mas creio que Os Nós e os Laços teve mais influência na escrita portuguesa, marcando uma deriva «débil» que durou vinte anos (ainda dura) e de que talvez nos tenhamos finalmente libertado com o aparecimento de alguém como Gonçalo M. Tavares.

daqui

Y-net

Já está na net.

há coisa de um ano

nascia o bibliotecário de babel. felizmente, para nós, nasceu já crescido e educado. e assim continua, para alegria dos nossos dias.

Laboratório de Radiologia

encostar o queixo à placa, depois a têmpora, depois a cabeça.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Sofia - João Coração

Está tudo aqui - as referências a um ícone (mulher, de preferência), o cenário de ninfas blasées, a auto-referência na exibição de um jornal, a simplicidade da música. Assim, de repente, somos todos parisienses. Obrigado, João Coração.

Telepac - golpe final

Ontem, às 17 horas, voltamos a ter net. O que aconteceu? A Telepac fez uma actualização de sistemas nos servidores e esqueceu-se de avisar os clientes que as passwords tinham sido alteradas.

O óbvio, sempre o óbvio, a falhar. Apetece dizer uma grande asneira...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

but hey...

há sempre aqueles momentos em que nós não sabemos o que dizer. ou como o dizer. de facto, nas últimas semanas, uma série de acontecimentos encadeados vieram formular todo um caminho a seguir na minha vida que, ou estava oculto, ou eu não sabia bem que ele existia sequer. de facto, acontece com a vida o que já acontecera na poesia: um dia percebes que a tua mão sabe como seguir pela frase, sem que estejas sempre a fazer-lhe perguntas ou a tentar copiar as respostas dos tipos que se sentam ao teu lado nas mesas. um dia percebes que, a partir daqui, segues por ti. sabes fazê-lo.

isso tem tanto de animador como de assustador. perceber que a vida se resolve, assim, por si, quando tu fazes por não a controlar mas apenas por ajudá-la na busca dessas próprias respostas, não será sequer maturidade, será saber como se faz. aprendi a fazer. repito para mim mesmo, aprendi a fazer. e talvez esteja ainda um pouco embaraçado com a facilidade com que agora as coisas se arrumam na minha cabeça. e por isso não sei como o dizer. não sei o que dizer. embora, atabalhoadamente, continue a tentar.

sábado, 6 de dezembro de 2008

o poeta estróina e o varatojano austero

Do Fonseca pouco nos dizem os biógrafos, os
cronistas, interessados naturalmente em exaltar o
Venerável, e justificadamente interessados também
portanto em esquecer o que no mundo fora
António da Fonseca Soares. E quando se lhe
referem é para do confronto Fonseca-Chagas, pelo
contraste, se agigantar o perfil penitente do último.
Duas personalidades distintas num só homem: a
do Fonseca, poeta estróina, soldado e D. Juan,
namorador de primas e não primas, desflorados
da honra alheia, autor de centenas de romances,
de sonetos e glosas, de madrigais e décimas, e a do
Chagas, penitente, director de almas, pregador
apostólico, varatojano austero,
conhecido autor das
Cartas Espirituais, e ainda de elegias impregnadas

de uma dolorida religiosidade, de cânticos
espirituais, de sermões e de outras obras, algumas
miúdas, prenhes de um desencantado amargor,
fruto provavelmente da sua experiência mundanal.
Estas duas vidas, a primeira frívola e desregrada, a
segunda asceticamente penitente e reparadora das
faltas cometidas, ajustam-se perfeitamente ao ritmo
vital do seu tempo.


Maria de Lurdes Belchior Pontes
(bold da minha responsabilidade)

Os 10+ da Livrododia, no Jornal Expresso

1º Más Maneiras de Sermos Bons Pais, Eduardo Sá, Oficina do Livro
2º A Razão dos Avós, Daniel Sampaio, Caminho
3º Lázzarus, Viegas Pinto, Chiado Editora
4º Destinho Turístico, Rui Zink, Teorema
5º A Viagem do Elefante, José Saramgo, Caminho
6º Um homem com sorte, Nicholas Sparks, Presença
7º As Linhas de Torres Vedras, André Melícias, CMTV/Livrododia
8º Para cima e não para norte, Patrícia Portela, Caminho
9º Mister Mouse ou a Metafísica do Terreiro, Philippe Delerm, Livrododia
10ª James Dean fez carreira no Bombarral, Vítor Cunha Morais, Caderno

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Árvore da Livrododia

Este é o novo postal da Colecção que a dupla de arquitectos Manuel Lema Barros e Cristina Castelo Branco disponibilizam na cafetaria da Livrododia - Centro Histórico. Para além de postal, é também uma réplica, para usar em casa, da nossa famosa árvore interior. Lindo.

raios partam a Telepac, ac, ac, ac, ac...

dois dias dois, sem internet, por causa de uma avaria no servidor que prometiam resolver em algumas horas. e não, não é só no meu serviço - é, pelo menos, em grande parte da cidade.

raios partam a Telepac, ac, ac, ac, ac...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

milésimo post deste blogue e logo para anunciar descontos

Podem pensar que somos o Pai Natal!!

No dia 3 de Dezembro, visite as lojas Livrododia e beneficie de 20% de desconto em todos os artigos de livraria, papelaria e gifts.

Não perca a oportunidade.
Este Pai Natal não aparece todos os dias.

III Prémio Jovem Literário Luiz Teixeira

Foi lançado na sexta-feira passada, dia 28 de Novembro, o III Prémio Jovem Literário Luiz Teixeira, competição aberta para textos de prosa e poesia escritos em língua portuguesa por autores com menos de 30 anos de idade. Para além do prémio pecuniário, o autor verá a sua obra publicada pela Livrododia Editores.

Este prémio está incluído na série de Prémios Rainha, uma iniciativa da Câmara Municipal das Caldas da Rainha. A notícia e o respectivo regulamento podem ser consultados aqui.


Vieira rock n'roll



Imagens da Leitura do Sermão dos Bons Anos do Padre António Vieira, ontem, na Igreja da Misericórdia de Torres Vedras (fotografias de André Simões)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

being valter hugo mãe

Paulo Praça - À força da nossa voz

Lua, Cerveja, Alfama

João
vendo ao triste pastor
com enganos
ser-lhe negada a sua pastora
como se a não tivera merecida

diz-lhe:

rapaz
o Viagra veio dar verosimilhança a
O amor nos tempos de cólera mas
tens de fazer mais que bulir
outros sete anos

O novo livro de Miguel Manso, Quando Escreve Descalça-se, foi lançado no sábado passado, com o selo da Livraria Trama.

A poesia andando: treze poetas no Brasil

Foi lançada pelos Livros Cotovia uma antologia de treze poetas brasileiros organizada por duas editoras da 7Letras, Marília Garcia e Valeska de Aguirre. As autores defendem que esta é uma antologia da poesia de agora, da poesia que está a ser feita no Brasil, uma poesia do quotidiano, das coisas que acontecem, um tanto narrativa, até. É uma boa antologia para se ficar com uma ideia da produção do outro lado do atlântico, mas sobretudo da edição desse lado de lá.

Perante os treze poetas, seria muito provável que perto de uns dez deles tivessem imensa dificuldade em Portugal, numa editora com circulação comercial. E numa semana em que se oferece duas páginas no ipsílon, uns dois minutos de televisão no Câmara Clara, seria bom reflectir sobre o estado da edição de poesia no nosso país. Porque é que não há espaço para a poesia nas editoras de circulação, nem, grande parte das vezes, espaço para a poesia nos órgãos de comunicação, mas uma antologia de poetas estrangeiros recebe essa atenção?

Será que os responsáveis de comunicação estão a trabalhar muito bem ou será que o segredo não está na massa, mas sim, no molho que se vê?

Meu querido Primeiro de Dezembro*

Hoje de manhã, ligo a televisão à hora do pequeno almoço e levo com o José Hermano Saraiva a falar do 1º de Dezembro, terminando a peça com uma frase um tanto enigmática: "toda a Europa aclamou a subida de D. João IV ao trono".

Curiosamente, não sei porquê, tinha a ideia contrária, de que este D.João IV tinha levado uns a ser reconhecido pelo Vaticano e pelos mais importantes reis europeus... Mas certamente o Mentiroso-mor do Reino deve ter umas quantas quinto-imperialistas fontes mais correctas do que as minhas.

E viva Portugal (que se fossemos espanhóis hoje não tínhamos feriado...)!

* o título deve ser lido a cantar dino-meiristicamente.

Um poema de aniversário

“We might never fall in love” de W.B.
poema dedicado ao Ricardo e à Catarina, por ocasião do primeiro aniversáro da Livraria Trama

Não sei bem o que é, é um poema,
é um dia de chuva na segunda circular,
a estrada de Paço d’ Arcos, um prédio no Cacém,
a música do Walter Benjamin no mp3
(afinal não era o filósofo austríaco, era outro),
as compras de natal ainda por fazer,
o início do mês, a greve dos professores,
problemas no multibanco,
um café que tomámos na Livraria Trama
enquanto víamos as pessoas
de chapéu-de-chuva a passar,
seria certamente um dia de chuva,
o carro estacionado e quantas moedas puseste,
a polícia municipal a anotar uma matrícula
que desconheço,
a tua mão a deslizar pelo braço do sofá branco,
eu a contar os minutos,
a pensar em explosões em Bombaim
ou cá dentro de mim.
Não sei bem o que é, é um poema,
é uma chamada tua a meio da noite que me acorda,
uma tentativa falhada para uma banda sonora,
três asneiras da janela aberta do carro
no cruzamento para Queluz,
um livro, muitos livros, na mala, no banco de trás,
as compras do jantar ainda por fazer,
o fim do mês, a greve dos carteiros,
problemas com as contas no banco,
um encontro que tivemos na Livraria Trama
enquanto não havia mais ninguém
em qualquer parte do mundo,
em qualquer parte de nós,
ter-me esquecido onde deixei o carro
e a tua mão a deslizar, eternamente,
pelo braço do sofá branco
e eu a contar os minutos
até que ela chegue a mim,
aqui dentro de mim.

LFC

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A Consoada da Florcaveira

Será no dia 18 de Dezembro, no Maxime, mas o melhor é comprar, desde já, o bilhete.
Eu já comprei o meu (só 5€, é mesmo barato!)

Onde se percebe que faltar às aulas tem consequências

O Presidente Lula da Silva diz que a televisão é a culpada dos abusos sexuais de menores.

Ah pois...

O meu inverno é melhor que o teu

Numa rápida ida ao hipermercado, ontem à noite, comprei iogurtes líquidos, uma almofada anatómica e um edredão. Juntando a isto dois tipos de drogas diferentes (que juntas colaboram, com satisfatório efeito, para me secar as vias nasais e me pôr a dormir), acordei esta manhã feliz e quente. Embora um pouco trôpego, há que o dizer.

entrar na pele do outro

as coisas foram mais difíceis do que parece

Ernesto Valverde, treinador do Olympiakos,no Mais Futebol.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

andar bem disposto e tal

Uma coisa é absolutamente certa: independentemente da palavra que se use, a economia (e o país) continuarão a ser a mesma merda de sempre. Ou então sou eu que estou mal disposto por causa do frio.

Manuel Jorge Marmelo

Lázzarus, primeiro livro de Viegas Pinto


De volta à pensão, calado, fechado em si, o Rui tentava responder de modo isento e coerente à pergunta que Lázaro lhe havia feito. E não era nada em que ele não tivesse pensado anteriormente, no fundo uma questão tão simples e tão complexa. Como seria se Jesus tivesse vindo ao mundo nos dias de hoje? Haveria hoje uma religião cristã tal como a conhecemos ou pelo contrário, haveria um vazio de ideias e de ideais católicos no seu lugar? Ou seria essa mesma religião hoje um monstro, um portento de influência capaz de mover montanhas e países, única e totalitarista à escala mundial, como aliás sempre foi essa a sua vontade nos tempos antigos? Como teria sido se, quando Jesus caminhou pela Terra, os homens fossem mais informados, as notícias corressem pelo ar com som e a cores, com diferentes ângulos de opinião e debatidas por um vasto painel de individualidades? E a justiça mais justa, os tribunais mais isentos e sérios e a própria religião existente mais humana e social?
Olhando através da janela para um belo fim de tarde que se desenrolava à sua frente, perguntava-se agora como haveria de explicar ao Sr. Emídio aquilo que já havia decidido fazer em relação à história de Lázaro. Mas iria o seu patrão concordar com ele, agora que se encontravam numa época de vacas magras e todos os tostões eram poucos para o jornal continuar a existir? Decidiu-se então, num repente, telefonar para Torres Vedras, directamente para o jornal e não para o telemóvel do Sr. Emídio. Se ele o atendesse ou não, seria o destino a decidir o que haveria de fazer dali em diante
.”

(…)

“(…)E sempre, mesmo nesse tempo, sem televisão, sem revistas e jornais, sem informação e cultura, sem diversidade… sem luz, sempre surgiram algumas vozes descrentes, cépticas. Que discordavam, que negavam, que diziam “Não, esse homem mente” e “Não, esse homem é um impostor”. E assim fizeram com Nosso Senhor Jesus Cristo, assim fizeram com S. João Batista e muitos outros homens santos que ao invés de uma espada e de um escudo viajavam apenas com a maior dádiva que Deus lhes havia concedido: a palavra. E se por ela viveram, também por ela morreram. (…)
(…) E os media, nos dias de hoje, não negam e duvidam de tudo e mais alguma coisa, não atacam, julgam, destroem, idolatram, descredibilizam, arrastam pela lama, queimam na fogueira, crucificam! Não são eles a inquisição de outrora, o clero corporativo e todo-poderoso, dogmático, fundamentalista, faccioso… Hoje, como ontem, são capazes de derrubar um presidente e eleger um rei! A sua opinião é regra, representa a verdade e o bom senso. E quando unidos, poucos podem enfrentá-los. As suas chamas dilaceram o mais sólido carácter, as suas rodas trituram o mais justo dos mortais e o seu chicote consegue vergar o mais virtuoso dos homens, como se do mais vil pecador se tratasse.
(…) Mas responda-me, se souber. (…) Se Jesus caminhasse hoje de novo entre nós, ou João Batista por exemplo, que tratamento mereceria ele da parte dos meios de comunicação? Seria considerado um louco, um pária, ou um santo, um exemplo a seguir? E os Fariseus, teriam a opinião pública do lado deles ou seriam crucificados nos jornais? Contribuiriam os media para o surgimento de uma nova religião ou seriam eles o travão que impediria o seu surgimento e proliferação? Será que me consegue responder a isso?”
Alberto Leonel Viegas Clímaco Pinto nasceu em Torres Vedras em 1969. Formou-se em Engenharia Civil no Instituto Superior de Engenharia de Coimbra. No ano de 2003 escreveu o seu primeiro conto, “Flash”, tendo de seguida concluído mais seis obras, das quais “Lázzarus” é a primeira a ser publicada, pela Chiado Editora.

teoria da poesia

quanto mais tento ser intelectual
mais perto fico de ser literal

lenços de papel

Meu Deus, obriga-me a ficar no quente dois dias, mas não me faças ter os olhos chorosos, porque eu quero esse tempo para ler.

certamente a poesia

eu quero bater no manuel a. domingos.
o manuel a. domingos quer bater em mim.

5 da manhã

acordar às 5 da manhã com frio e dores nas costas. puxar pelas mantas e nem sinal de aconchego. deixar-me ficar a espirrar e a pingar do nariz até ser dia.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

folclore íntimo (2)

quando cheguei da hora de almoço, estava em cima da minha mesa um pacote enviado da Maia, pelo José Rui Teixeira. Lá dentro, 5 exemplares quentinhos do novo livro do valter. O primeiro a sair do saco ficou para mim. Lindo, lindo, lindo, o projecto gráfico, os primeiros poemas que li. Os outros 4 estão já em destaque na livraria, para quem os apanhar.

Lançamento da Callema 05


Sob o título «A FENDA DO TEMPO E DO TEXTO», o novíssimo número da revista Callema, deita mãos ao corpo e escangalha o penteado. Como no disco do Paulo Praça: sempre à cabeceira, matando devagarinho o que se vai fazendo do tempo. Edição e revistas literárias em conversa franca.
Com colaboração de Rodrigo Miragaia, José Carlos Marques, Paulo Serra, Silvina Rodrigues Lopes, Gastão Cruz, Luís Filipe Cristovão, Sónia Lopes, João Carlos Silva, Nuno Quintas, Marta Tomé, Silvia Otto, Pedro Lopes, Catarina Coelho, Paulo José Miranda, Styliani Voutsa, Hilarino Carlos Rodrigues da Luz, David de Medeiros Leite, Alexandre Morais, Mariana Ianelli, David Portales Moralejo, Fernando Cabral Martins, Pedro Marques, Nuno Seabra Lopes e Jorge Almeida. Editam Emília Pinto de Almeida, Pedro Relógio Fernandes, Rui Alberto, Ilídio J.B. Vasco, Nuno Guedes Silva e Hugo Milhanas Machado, com direcção de M. Tiago Paixão.

poesia pela rua

eu sou daqueles
a quem não agrada
o 25 de Novembro
não gosto
de leite morno
não me agrada
o meio termo.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

não esquecer

"A espera era assim, não tinha de recompensar"

Rui Zink, A Espera, página 112

Uns rapazes e umas raparigas

Depois de ter estado com o Rui Zink na Livrododia, sábado, e apesar de o livro mais falado por ali ter sido O Destino Turístico, que foi lançado no final de Outubro, o que me acompanhou a casa foi A Espera, livro originalmente publicado em 1998 e reescrito em 2007. Para ajudar a confundir as datas, há que referir que o mesmo conta uma história que se passou lá para os idos de 1984, período prévio à entrada de Portugal na CEE. Aliás, é esse o ponto central do livro: a Comunidade Europeia, tendo em vista a entrada de Portugal no grupo, coloca uma série de condições, sendo que uma delas é a total proibição da caça à baleia, actividade da qual ainda existiam resquícios nos Açores. Rui (a personagem, não o autor) segue para os Açores com Ana (sua amiga/namorada/companheira ou outra coisa qualquer), ele em busca das baleias e ela em busca de captar com a sua máquina fotográfica o mistério das Ilhas Desconhecidas. Ambos conseguem os seus intentos e algo mais. Ela, cheia de sentido de transgressão, consegue um passeio de veleiro, e ele, cheio de receios adolescentes (e alguma loucura), conseguiu (para além da baleia) uma visão de futuro (achou ele, porque nunca na vida aquele Rui será um Tom).

Um pequeno interlúdio para explicar esta de Tom. Tom e Sharon são um casal (casal? sim, casal) que anda a viajar de veleiro pelo mundo. Tom perto dos setentas, antigo oficial da Marinha, antigo peixe de sangue na guelra, carregando consigo a culpa de um casamento falhado. Sharon, quarenta anos, aventureira dos mares, única pessoa com um completo sentido de responsabilidade neste livro.

Continuemos, então. A Espera é um livro que se lê num sopro. Eu, pelo menos, comecei a lê-lo no domingo de manhã, continuei pela tarde, e deixei apenas algumas páginas para terminar na noite de segunda-feira. É um grande livro? Não, não será. Mas é um livro sincero e verdadeiro. O que quer isto dizer? Quer dizer que, passando as primeiras páginas, em que a confusão que se passa na cabeça do Rui (a personagem) contamina um pouco a escrita do Rui (o escritor), entramos numa experiência comparável ao habituarmo-nos ao balanço do barco. O nosso cérebro percebe que o livro avança assim, como uma casca de noz pelo oceano, umas vezes em balanços que nos animam, outras em acalmias que nos ensonam, mas sempre mantendo-nos conscientes da fragilidade de um romance (no sentido arquitectónico do termo) perante uma boa história. Talvez seja por isso que a leitura de A Espera se torne tão urgente. Porque, ao mesmo tempo que nos transporta para um lugar onde as boas histórias parecem acontecer todos os dias (os Açores, um barco, a mesa de um bar), também nos lembra, constantemente, daquilo que nós somos. Uns rapazes e raparigas a fazer pela vida.

noutras latitudes

the transport é um blogue feito a partir de Viena por Jessie Emkic (jornalista austríaca), Adelaide Deleite e Helena Silva (artistas portuguesas a residir em Viena).

a apresentação do blogue denuncia, de imediato, o seu interesse: "amor no tempo da ansiedade financeira/ crítica e ensaio para um futuro próximo".

para acompanhar a partir de agora.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Vieira! Vieira!


sábado, 22 de novembro de 2008

anti-manuel a. domingos

Nem as temporadas na Linha de Cascais o curam desta mania.

estão a brincar, certo?

Acabo de receber isto por e-mail e penso, cá para mim, que estes tipos das editoras têm mesmo muito sentido de humor. (clique na imagem para ler)

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Banda sonora

Afinal, João Coração é para bem mais que dias de chuva.

contra-amiguismo

algumas pessoas parecem não sentir-se bem quando gostamos delas.
dizer-lhes isso causa-lhes arrepios, reacções estranhas.
a tentação é grande para dar com a porta na cara das putas dos livros.
no entanto, há qualquer coisa bem maior que a mesquinhez de uns quantos.
são os sonhos de todos os outros.

amiguismo

e uma boa dose de admiração.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Comunicado da Byblos - Livrarias Peculiares S.A.

Exma Administração/Gerência

1. O novo conceito de “Livrarias Byblos”, que abriu ao público em 14 de Dezembro de 2007, tinha como objectivos:
a) ser a primeira Livraria de Fundo Editorial no nosso país, disponibilizando a totalidade das obras publicadas em língua portuguesa;
b) e ser a primeira livraria a nível mundial que, através de pesquisa em ecrãs tácteis, facultava a exacta localização da estante e prateleira onde se encontraria o título pretendido;
c) deste sonho, idealizado e concretizado num acolhedor ambiente, incluiu-se também a disponibilização de dezenas de lugares sentados para consulta dos livros, um amplo Auditório onde se realizaram as mais diversas actividades culturais, uma Cafetaria (com serviço de almoços e jantares) a par da comercialização de outros produtos culturais (Jogos, CDs, DVDs, etc.)

Enfim, disponibilizou-se um verdadeiro serviço público o qual foi reconhecido não só no plano interno como internacionalmente, com visitas organizadas de livreiros Americanos, Alemães, Brasileiros, Espanhóis, Franceses, Italianos, Eslovenos, Finlandeses, Ingleses, etc. Foram publicados artigos nas mais variadas revistas estrangeiras e sempre salientavam as inovações tecnológicas, com particular destaque à inédita utilização das etiquetas RFID (Radio Frequency Identity), bem como à dimensão e à qualidade do “design da loja”.


2. No entanto este sonho transformou-se num pesadelo:
a) A empresa que havia assinado um “Protocolo de Entendimento”, tendo em vista a tomada de uma posição accionista de 40%, foi protelando a data da celebração do competente contrato e acabou por desistir em Abril de 2008;
b) Entretanto, de 2007 para 2008 o Mundo mudara e foram infrutíferas as tentativas de encontrar novos accionistas;
c) Estava planeada a abertura de mais duas lojas, mas o mercado já entrara numa enorme retracção de consumo e, em face da crise financeira, os financiamentos foram também impossíveis de concretizar.


3. Sendo a actividade livreira sazonal, os prejuízos acumulados no primeiro semestre provocaram um corte generalizado dos fornecimentos precisamente no segundo semestre, durante o qual seria possível promover-se alguma recuperação.


4. Assim, não restou outro caminho senão o da Apresentação à Insolvência da “Livrarias Peculiares, S.A.”.
Num novo cenário, será talvez possível que idêntico sonho se concretize com sucesso.


5. Nos próximos dias, o Administrador Judicial que vier a ser nomeado pelo Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia assumirá a gestão da empresa, sendo previsível a promoção de uma reunião de credores a curto prazo.

6. Neste doloroso momento, permitam-me que Vos transmita um sentido agradecimento em meu nome pessoal por haverem partilhado do referido sonho. E, na medida do possível, Vos apresente o meu pesar por, na minha qualidade de Administrador Único, não ter conseguido corresponder para com as Vossas justas expectativas.



Américo Augusto Areal

Esparsa - Luís Vaz de Camões

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E, para mais m’espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assi que, só para mim
Anda o mundo concertado.

uma boa ideia

Libros Asteroide, Barataria, Global Rhythm, Impedimenta, Nórdica, Periférica, Sexto Piso - são estes os nomes das sete pequenas editoras que constituiram o projecto Contexto, o qual foi reconhecido pelo Ministério da Cultura Espanhola.

As editoras, de pontos diferentes do território, conjugaram esforços para este projecto que lança uma revista conjunta, com 40 000 exemplares, e aproveita cinergias na distribuição e promoção das várias editoras.

Uma boa (óptima!) ideia.

para começar, só jogadores alfabetizados

O seleccionador português de futebol, Carlos Queiroz, admitiu hoje vir a tomar decisões que levem os jogadores a entender o significado de vestir a camisola da selecção (...)

eu não queria, mas obrigam-me

obrigam-me a falar de futebol. sim, eu fui daqueles que ficou até às duas da manhã a ver o jogo. e sim, nos últimos minutos, já eu e o meu irmão gritávamos Brasil! Aquilo foi uma espécie de jogo de beneficiência, proporcionado pelo Carlos Queirós ao Dunga e a todos os brasileiros. Duas coisas se confirmaram no jogo de ontem. A primeira é que, depois de Scolari ter deixado a equipa portuguesa segura por arames, Queirós tem errado repetidamente no modo de a consertar. Outra coisa é que jogadores como Quim, Paulo Ferreira, Maniche e Bruno Alves, só para citar alguns exemplos, não são jogadores para grandes equipas (independentemente de serem do melhorzinho que conseguimos arranjar por cá). Outras coisas se confirmaram ainda: quando alguém dá espaço para o Brasil (seja em que tipo de futebol for, sejam quem forem os brasileiros que estiverem em campo) leva banho; uma equipa que põe a hipótese do César Peixoto com 28 anos ser uma solução para alguma coisa, é uma equipa que não vai longe.

Para terminar, quero só lembrar que, depois de sofrer o quarto golo, a imagem do Carlos Queirós no banco era a de um tipo sentado, de olhar no chão e mãos na cabeça. Já este ano tivemos um outro treinador na selecção que também apareceu em postura de adepto desconfiado. Talvez o mal não seja nem de um, nem de outro. Talvez o mal também não sejam os jogadores, que noutros contextos lá vão brilhando. Talvez o problema seja quem permite isso tudo e lá vai passando incólume. Talvez esse seja um problema demasiado português para que o resolvamos a tempo, seja do que for.

estava escrito

Fui confirmar nos arquivos do blogue - de facto, está agora perto de fazer um ano, não fiz qualquer referência à abertura da Byblos. Desde o início que o projecto soava a megalómano e desajustado. Para além disso, ver uma livraria contar com toda a simpatia dos media e do Governo, só pode ser estranho para quem está habituado ao ritmo habitual destas coisas.

Hoje, via Agência Lusa, confirma-se o que sempre foi, mais ou menos, evidente. A Byblos fechou. Não podia mesmo ser de outra maneira. Não havia ponto nenhum em que a Byblos fosse inovadora (pois até aquilo com que prometia diferenciar nunca esteve disponível para o público). Agora, cumpriu o infeliz destino das livrarias mal geridas. Um ano de vida.

Paz à sua alma.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

It's a perfect day


Paulo Sousa foi nomeado treinador do QPR (Queens Park Ranger's) uma equipa mítica da minha adolescência quando ainda todos acreditavamos que o Danny Dichio ia ser um dos grandes jogadores de futebol do mundo (e, no entanto, arrasta-se hoje pela MLS com a camisola do FC Toronto). Ora, hoje em dia, o QPR é mais conhecido por ser a equipa do Flávio Briatore (sim, o tipo da Ferrari), que tendo dinheiro para investir no futebol inglês, fez o que um italiano apaixonado faria - escolher a equipa que conjugue bom nome e camisolas bonitas (desde que seja em Londres) - em vez de procurar pelo bairros operários da Premier League equipas onde pudesse gastar os seus milhões. Assim, este histórico, que sem Briatore terminaria a fazer companhia a outras belas equipas extintas do futebol inglês, passeia-se pelo meio da tabela da segunda divisão a prometer futuro.
Para começar, juntou na mesma equipa Damiano Tommasi (grande homem de esquerda, na vida, e trinco que mete qualquer Costinha, Raúl Meireles ou Miguel Veloso no bolso, mas em versão barbuda e lesionado seis meses por ano) e Akos Buszaky (outro grande há-de ser grande mas não foi, que passou pelo Porto e pela Académica, ambos mais tempo em versão equipa B do que equipa principal). Depois, como as coisas estavam a dar para o torto e a equipa não ganhava nada, chamou o Paulo Sousa. Meus amigos, quem melhor que o Paulo Sousa para ser a némesis do Mourinho, o homem que vai dar esperança aos sonhadores e futebol aos ingleses bebedores de cerveja sem álcool aos domingos de manhã (sim, só os ingleses, que jogam no dia de natal, para ter estes horários).


Estão conjugados todos ingredientes para uma grande história de futebol (já bons jogos, golos e pontos amealhados será outra conversa). Todos temos razões diferentes para gostar disto. E ninguém é do Sporting por acaso.

Nós por cá

Esta semana temos o b fachada a tocar e a cantar entre os livros na quinta-feira, dia 20, a partir das 18 horas.

E o Rui Zink (sem o saco da Fnac) no sábado, a partir das 16 horas, para apresentar o seu último livro e para nos falar da vida (ou de qualquer coisa assim interessante, para um sábado à tarde).







folclore íntimo


o valter, este ano, ganha o prémio de melhores títulos em romance e em poesia. depois d' o apocalipse dos trabalhadores, sai agora folclore íntimo, a poesia de dez anos reunida num volume publicado pela cosmorama. para quem acompanhou a saída dos seus diversos livros, para além do título belíssimo, há a curiosidade do regresso. muito em breve, nas livrarias.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

falar do mesmo (2)

Oh, que arriscada salvação! Oh, que arriscado ofício é o dos príncipes e ministros. Está o príncipe, está o ministro, divertido, sem fazer má obra, sem dizer má palavra, sem ter bom nem mau pensamento; e talvez naquela mesma horta, por culpa de uma omissão, está cometendo maiores danos, maiores estragos, maiores destruições que todos os malfeitores do Mundo em muitos anos. O salteador na charneca com um tiro mata um homem; o príncipe e o ministro, com uma omissão, mata de um golpe uma monarquia. Estes são os escrúpulos de que não se faz nenhum escrúpulo; por isso mesmo são as omissões os mais perigosos de todos os pecados.

Padre António Vieira, Sermão da Primeira Dominga do Advento

falar do mesmo (1)

Ora, o que me faz impressão não é que esta gente que manda em nós atraia a trafulhice como o pólen atrai as abelhas - isso faz parte da natureza humana e é potenciado por quem frequenta os corredores do poder. O que me faz impressão é o desplante com que se é apanhado com a boca na botija e se finge que se andava só à procura das hermesetas. É a escola Fátima Felgueiras, que mesmo condenada a três anos e meio de prisão dava pulinhos de alegria como se tivesse sido absolvida. Nesta triste terra, parece não haver limites para a falta de vergonha.

João Miguel Tavares, DN de hoje.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Vou daqui para o Século XVII



Padre António Vieira e Frei António das Chagas

ao menos uma vez

Ela nunca me mentiu. Nunca me enganou, nunca omitiu, nunca distorceu, nunca foi dissimulada, nunca inventou, nunca negou, nunca foi falsa ou traiçoeira, nunca fingiu, nunca foi hipócrita nem desleal. É verdade que foi uma das experiências mais violentas que tive até hoje. Mas foi também a experiência mais fantástica que tive até hoje. É uma coisa que acontece uma vez na vida. Estou grato por me ter acontecido ao menos uma vez.

Pedro Mexia, no Estado Civil

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

79er


quando eu nasci, as emissões eram todas a preto e branco

epistemologia do sorriso virtual

na maior parte dos casos, um sorriso significa um sorriso. isso mesmo.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Patrícia Portela aterra em Torres Vedras

A Patrícia Portela é autora de dois livros que são um pouco como um ovni na literatura portuguesa, Otília ou a história das musas confusas do cérebro e Para cima e não para norte. No próximo sábado, às 16 horas, estará na Livrododia Centro Histórico. Local ideal para amantes da observação de estranhos objectos voadores.

É engraçado,

vocês passam os dias a sonhar com o mundo da fantasia, enquanto nós, que aqui vivemos, sonhamos constantemente com tempestades.

pero que las hay...

E depois alguém vem com esta ("Admito perfeitamente que November Rain e Pó de Arroz sejam pochlost. Mas são pochlost bom, se é que isto existe.") e a discussão descamba para um ponto em que os argumentos estão ao nível de dizer que o André Sardet é uma treta, mas lá que vende, vende.

O Leão e o Coelho Saltitão - Ondjaki / Rachel Caiano

O Coelho explicou ao Leão que era uma boa ideia prepararem um lugar apertado, com paus altos, como se fosse um pequeno quintal, onde ele, o Coelho, faria o enterro do seu cão. Depois convidariam todos os animais da Floresta Grande para virem ao funeral e...
– Mas tu tens um cão? – interrompeu o Leão, muito espantado.
– Não, claro que não.
– Então como é que o vais enterrar?
– Não entendes, meu velho... O cão és tu – sorriu o Coelho Saltitão.
– Então eu não sou o Leão?! – o rei da Floresta coçou a testa.
– Deixa-me terminar, meu velho, a ver se entendes o plano. Eu digo que tinha um cão, e que o meu cão morreu de fome. Convido-os para um enterro daqueles que nós fazemos aqui na nossa Floresta, com muita bebida. Tu ficas quieto como se fosses o cão morto. Quando todos estiverem bêbados e adormecerem, finalmente teremos uma bela refeição e ainda vai sobrar carne para muitos meses.
– Mas tu comes carne? – perguntou o Leão.
– Ando um pouco cansado de cenouras – explicou o Coelho. (...)

Título: O Leão e o Coelho Saltitão
Autor: Ondjaki
Ilustrador: Rachel Caiano
Editor: Caminho

Quem tem medo do Alberto João?

Não consigo encontrar a notícia sobre o discurso do Albero João Jardim em nenhum jornal on-line (será wishfull thinking?), mas a verdade é que haveria muito que pensar naquelas palavras sábias do Presidente da Região Autónoma da Madeira. Se bem me lembro, ele disse que, na Madeira, os professores foram todos avaliados com Bom, que estava tudo bem, como dantes (sic), que não os queria a perder tempo com conversa de chacha.

Por todo o discurso ecoa um cheiro a passado, daqueles regimes onde a humidade se instala pelas paredes, ganhando bafio e pó acumulados em diferentes camadas. Desconfio que este era, exactamente, o tipo de discurso do qual os senhores dos sindicatos dos professores se quereriam ver afastados. No entanto, é isto que eles têm andado a pedir.

Quem tem medo do Cavaco e Silva?

Ligar o computador e ao entrar no meu blogue, dar de caras com o Cavaco e Silva! A minha mente tem a mania de apagar certas coisas e depois apanho sustos destes...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Pochlost - um álbum fotográfico







Respondendo ao desafio do Lourenço, encontro nestas imagens uma boa definição, pela minha parte, do "que é o falsamente importante, o falsamente belo, o falsamente inteligente, o falsamente atraente"

olha, agora já está

Rita Faria on line em nome próprio.

"doctor, doctor"

Um dia disseram-me que eu arranjava sempre maneira de sair a ganhar em todas as situações da minha vida.
Agora, acho que preciso de uma segunda opinião.

Receita Médica

Em dias de chuva, João Coração.
Em dias de sol, Pontos Negros.

Cadeirão Voltaire

está arrumado aqui.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

desejo de agricultura

saborear o prazer de caminhar, no mercado, entre as bancas dos legumes, aprender a escolher aqueles que mais convém a cada prato, sorrir aos sorrisos das senhoras que têm as mãos sábias saídas da terra, ser, enfim, um dia de sol em novembro.

congresso internacional do medo

o medo é uma companhia confortável - pode ficar connosco o tempo de uma vida inteira, como base de uma série de esquemas que vamos inventando para que o próprio medo sobreviva, sem ser atacado. ao longo do tempo, o medo vai sendo uma casca que nos protege de nos expormos, de nos confrontarmos.

ora, chega o dia em que a casca estala - pode ser coisa pequena, pouco nítida, mas estala, um nosso mundo treme e ficamos, entre a esperança e o pânico, a ver a falhar crescer, a luz a queimar os olhos do nosso medo tão bem guardado por tanto tempo. o processo é doloroso, mais uma vez, mas necessário.

necessário, sobretudo, porque fomos feitos para ser felizes e completos, não para guardar, dentro de nós, as falhas e os erros acumulados como um adn. a corrente tem que ser quebrada em algum momento, não vá a nossa vida acabar desperdiçada. a corrente tem que ser quebrada, está a ser quebrada, não vá a nossa vida, entretanto, acabar.

El Boxeador Polaco


O novo livro de Eduardo Halfón acaba de ser lançado, em Espanha. A ele, os meus desejos de boa sorte para mais este livro. Os dois contos que conheci antes do livro sair garantem-me que estamos perante mais uma pérola made in guatemala (com influência La Rioja, é claro).

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Jinx

Os Jinx são uma banda de Zagreb, com uma agradável estética old fashion. Algures pelo meio do servo-croata da letra, diz-se que "a nossa linha da frente está a ser atacada". Boa razão para partir de fim-de-semana. Óptima banda sonora, como podem comprovar.

E há mais:



Fernando Dinis vence Novos Talentos Fnac Literatura 2008

O meu amigo Fernando Dinis é o vencedor do Prémio Novos Talentos Fnac Literatura 2008. A decisão do júri foi hoje comunicada no site da empresa. O comunicado reza o seguinte:

A edição de 2008 do Prémio Literário Fnac /Teorema recebeu cerca de uma centena de candidaturas de elevada qualidade.
O Júri constituído por Carlos da Veiga Ferreira (Editorial Teorema), Rui Zink (Escritor) e Dóris Graça Dias (Crítica Literária), reunido a 6 de Novembro de 2008 , atribuiu o Prémio ao romance “A Casa do Esquecimento” de Fernando Dinis.
A Fnac congratula o vencedor, que terá a sua obra publicada durante o mês de Dezembro, e agradece a dedicação de todos os candidatos que apresentaram as suas obras a concurso.
Obrigado aos membros do Júri pelo empenho no reconhecimento de Novos Talentos Literários.

Aproveito para dar os meus parabéns ao Fernando, que vê assim reconhecida publicamente a qualidade do seu romance. Depois da edição da poesia e das gravações musicais, esperemos que a entrada no romance seja de sucesso prolongado, até porque é merecido.

Isto não é sobre o Obama

E se o discurso de vitória do Obama foi lindo (há bocado tive um lapso feliz e disse “discurso de vitória da América”, a postura de McCain foi de uma dignidade impressionante. Dizem: “Ah, mas é fácil ser digno na derrota.” A esses eu respondo: eu já estive lá e olhem, filhos, não é.

Rui Zink (bold meu)

Uma Nova Democracia para chamar nazi-fascista à Velha

Nem Adão e Eva foram expulsos do Paraíso sem serem ouvidos por Nosso Senhor Jesus Cristo

Baltasar Aguiar, líder do PND - Madeira

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Comunidade de Leitores de BD orientada por Sara Figueiredo Costa

Dado ao sucesso das sessões anteriores, a Bedeteca deseja continuar com o seu Grupo de Leitores de Banda Desenhada (GLBD).O GLBD é uma actividade da Bedeteca de Lisboa, concebida em colaboração com Sara Figueiredo Costa e Pedro Moura, tendo sido este último o moderador das sessões anteriores. Neste novo ciclo será Sara Figueiredo Costa a moderar.O objectivo principal deste GLBD é a partilha das leituras de um conjunto de títulos de banda desenhada. Este conjunto está seleccionado e será apresentado pelo moderador na primeira sessão, assim como a sua justificação e a metodologia de trabalho a seguir. A metodologia geral prevê a leitura de cada título antes da sessão correspondente, na qual será facultado apoio documental. Leitura entre pares, alargar os horizontes de leitura, aprender mais sobre o universo da bd são os objectivos desta iniciativa.As sessões decorrerão no auditório da Bedeteca de Lisboa, às 16h30, de 15 em 15 dias, a realizar a primeira sessão no Sábado de dia 8 de Novembro. Nesta sessão será apresentada e discutida a lista de livros para selecção.
Estão abertas novas inscrições, para pessoas a partir dos 16 anos, sem qualquer outro tipo de limitação. Poderão ser feitas através de telefone (21 853 66 76), contactando-se Marcos Farrajota ou Ana Júdice, ou o email bedeteca at cm-lisboa.pt.

Nota: A Sara está impossibilitada pelo blogger de actualizar a sua página desde o dia 3 de Novembro. Por vezes esquecemo-nos de que estamos, todos, nas mãos do desconhecido.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

conquistar pela geografia

quando ele lhe disse que conhecia a aldeia dela, ela ficou mais simpática.

descida aos infernos

* aparência - dirigi-me ao centro comercial colombo para comprar, na fnac, o álbum magnífico material inútil, dos pontos negros, do qual precisarei para um trabalho futuro. aproveitei para dar uma vista de olhos aos livros que, mais uma vez, foram alvo de arrumação. no entanto, o sector de livros franceses, para além de reduzido ao mínimo, continua "atravessado": interrompida a ordem na letra q, podemos encontrar os restantes autores num canto de uma das ilhas, num outro corredor que não o das prateleiras onde estão os livros franceses.

* formação - por defeito habitual, não resisti à compra de um livro que estava assinalado com a etiqueta dos preços mínimos fnac. como detinha um desconto de mais de 10 euros (ah, os stocks perdidos nas editoras que se vendem e que se compram...), aproveitei a ocasião. para minha surpresa, no entanto, sou "detido" pela funcionária da caixa que me relembra, para o caso de eu ainda não saber, " olhe que agora os descontos só são válidos para os aderentes de cartão". nesse caso não levo, disse-lhe eu. mas como se o sistema informático não quisesse comprovar a frase da funcionária, fazendo o desconto automaticamente, lá se chamou a superior para averiguar o caso. confirmado então o facto de o livro ter mesmo desconto para o povo, trouxe-o, não sem fazer o reparo, que nenhuma delas foi capaz de resolver, de que o desconto que o sistema fazia não era o desconto que estava assinalado no livro. assim, para um livro marcado a 13,5€, paguei 13,51€.

* aparência (outra vez) - não satisfeito por não ter encontrado nenhum Quignard, nem nenhum Le Clézio, em francês na loja fnac, fui até à bertrand, onde o cenário é ainda mais assustador. à minha pergunta "tem livros em francês?" a funcionária, um pouco assustada com a excêntricidade da pergunta, respondeu-me, "são raros", e levou-me até uma prateleira a um canto, escondida atrás de uns caixotes com livros por marcar, indicando-me "se houver estão aí". o problema é que ali só estavam livros em inglês, castelhano e algumas colecções de bolso de editoras portuguesas, tudo ao molho e com muita fé em deus.

haja um toque de divino, nesta descida aos infernos.

Yes, We Can!


terça-feira, 4 de novembro de 2008

uma definição para a palavra noite


a hora do café

a mulher acabou de servir os cafés e refugiou-se na copa, onde tinha guardada uma chávena de chá quente. estava um frio de quebrar espelhos, na pequena vila da serra. da copa, a mulher conseguia ver os clientes que, distraídos, iam sorvendo devagar os cafés, entre palavras de ocasião e olhares furtivos para a televisão, onde passava um qualquer jogo de futebol. do chá quente a mulher tirava alguns dos pensamentos que lhe povoavam a cabeça, como o seu filho dormindo na cama grande da casa da avó, o bem que sabe deitar num sofá a ver um filme numa noite sem compromissos, as saudades que ela tinha de sentir as mãos gretadas de um homem forte a prender-lhe a cintura enquanto a penetrava. ao levantar os olhos da chávena, já outro cliente esperava ao balcão, a mesma lassidão dos gestos, o mesmo olhar perdido entre a máquina de café e a televisão, o mesmo desprezo amigável na forma de pedir a bica. a mulher sorriu e virou-lhe costas, como quem encontra algum prazer nestes jogos de rapazes.

um pequeno recado

Na Pausa sobre as ruínas, o André Simões exercita o prazer da tradução do árabe para o português. No início deste blogue, encontramos uma série de poetas árabes contemporâneos muito surpreendentes e capazes de uma concisão e linguagem que fazem da poesia um dos bons segredos do mundo.

Para vos aguçar a curiosidade, deixo-vos um poema de Ahmed Barakat, poeta marroquino falecido em 1994, com 34 anos.

um pequeno recado

vou ao mercado
peço-te que me esperes aqui até eu voltar
podes lavar a tua roupa se te sentires aborrecida
e se a porta te perturbar
então arranca-a
e põe qualquer coisa no seu lugar
peço-te que não deixes a tua cara no espelho
e não saias pela janela
não te mates como é teu costume
mas
espera-me
aqui
até
eu voltar

Direito à Resposta

Paulo Gonçalves, em representação da Porto Editora, exerce o direito de resposta.

Chegou ao nosso conhecimento um comentário (...) assinado por Joaquim Gonçalves, no qual se critica a Porto Editora e as respectivas “Condições Gerais de Venda”.
Relevando algumas palavras e considerações menos próprias, gostaríamos de sublinhar que as novas “Condições Gerais de Venda” enquadram-se numa política de atendimento ao cliente mais eficaz, eficiente e profissional.
É objectivo da Porto Editora prestar um serviço que corresponda às necessidades dos livreiros num mercado cada vez mais competitivo e, modéstia à parte, sentimos que estamos a consegui-lo – assim nos têm dito centenas de livreiros de todo o país, continente e ilhas.
Por outro lado, pela presença que temos no mercado editorial – desde logo na área escolar –, não podemos descurar a responsabilidade que recai sobre a Porto Editora em contribuir para um correcto abastecimento do mercado. Para tal, definir regras de modo a evitar o desvirtuamento de uma concorrência sã e leal pareceu-nos imperioso, e foi nesse contexto que foram redigidas as referidas “Condições Gerais de Venda”, que, não é demais sublinhar, são transparentes, equilibradas e estão em conformidade com a Lei em vigor.
Para um grupo da dimensão da Porto Editora, é óbvio que interessa estar presente no maior número de pontos de venda – ou seja, interessa vender o mais possível. Mas queremos fazê-lo com regras e salvaguardando todos os nossos parceiros livreiros que cumprem e honram os compromissos assumidos.